Amor Internacional
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Um ano se passou desde que Tachikawa Mimi se mudou para o Estados Unidos. Já se acostumara com a vida que tinha que levar lá. Só não havia se adaptado a viver longe dos amigos. Sentia muita saudade deles e queria vê-los logo. Queria ver Palmon também, afinal, fazia um tempão que não a via. Aquela distância toda fazia nascer um vazio dentro de seu peito de vez em quando. De todos os amigos, era de Koushirou que sentia mais falta. O menino inteligente, que só prestava atenção no computador e em mais ninguém.
Pensando assim, ficara surpresa ao criar um laço tão forte com o menino nerd. Antes de partir, ela estava com a intensão de falar sobre o que pensava dele e sobre seus sentimentos pelo menino. Mas, a coragem lhe faltou e as palavras não saíram. Acabou indo embora sem dizer o que realmente queria. Essa distância a deixava cada dia mais deprimida, apesar de nunca demonstrar tal sentimento na frente de outras pessoas. Na realidade, ela queria estar em Odaíba ainda. Queria que tudo tivesse sido diferente.
Nesse um ano, ela já fora visitar os amigos algumas vezes, mas, nunca tomara coragem para falar sobre o que sentia a Koushirou. Ela notara também que o menino ruivo agia diferente perto dela. Agia como se tivesse se distanciado dela. Aquilo cortava ainda mais seu coração. Quando pensava em se declarar, quando via que o menino estava por perto, já estava na hora de voltar pro Estados Unidos. Aquilo a deixava triste e furiosa.
Do outro lado do mundo, Koushirou Izumi, o menino dos cabelos ruivos, estava concluindo mais um trabalho escolar. Quando o terminou, salvou o arquivo no computador e, quando foi ver se o arquivo realmente foi salvo, se deparou com uma pasta muito nostálgica no meio dos seus documentos. Uma pasta cheia de fotos tiradas com os digimons e com os outros escolhidos. Não resistindo, abriu a pasta e começou a olha-las. Haviam várias fotos engraçadas do Taichi com o Agumon, várias que dariam um ótimo papel de parede das florestas que haviam lá, e uma, que lhe chamou a atenção, que seria perfeita para colocar como papel de parede do celular: Tachikawa Mimi vestida de princesa junto de Palmon.
Koushirou ficou admirando a beleza da foto por um tempo, se lembrando dos vários momentos em que esteve com Mimi. Lembrou também da vez que a fez chorar. Sentia saudades da menina que portava o brasão da sinceridade. Queria ser sincero que nem ela, mas, não conseguia. A tempos está tentando se declarar a ela e não consegue. Várias vezes teve a oportunidade, mas, as palavras sempre fugiam na hora de serem proferidas. Isso o chateava muito. Uma vez quase conseguiu falar com ela, mas, quando tomou coragem, ela teve que ir embora de novo. Aquela distância toda o incomodava e, o fato de não conseguir se declarar, o incomodava mais ainda.
Ficou sabendo, por meio de seus amigos, que Mimi estava a caminho do Japão mais uma vez para passar o natal. Dessa vez, nada daria errado. Iria se confessar a ela. Nem que fosse para ser rejeitado, queria falar de seus sentimentos por ela. Não esperava que fosse correspondido, mas, queria tirar aquela ansiedade de se declarar de dentro do coração. O dia em que Mimi viria não estava longe, então, decidiu se concentrar nas palavras que iria dizer a ela quando chegasse.
No Estados Unidos, uma alegre menina arrumava suas malas. Estava feliz, pois seu destino era Odaíba, Japão. Estava morrendo de vontade de reencontrar os amigos. Esse natal seria algo especial. Finalmente passaria alguma festa com seus amigos. Isso a alegrava muito. Arrumando as malas, ficou pensando no que faria quando chegasse ao Japão. Com certeza, a primeira coisa que faria, era comer a comida de lá. Além dos amigos, sentia falta da comida típica de lá.
Não demorou muito e lá estava ela, colocando suas coisas no porta-malas do grande carro. Estava mais empolgada que o normal. A felicidade da época de natal, junta com a felicidade de reencontrar os amigos a deixava louca. Queria chegar a qualquer custo lá.
Depois de horas cansativas de viagem, mimi e sua família chegaram ao Japão. Mal acreditava que estava lá para comemorar o natal com seus companheiros de aventuras. Parecia um sonho, e ela não queria acordar caso fosse. Depois de descer do avião, ela foi correndo de encontro aos amigos, que a esperavam em um canto com menos pessoas no aeroporto. Todos estavam felizes com a ocasião.
Todos foram lanchar em uma lanchonete que havia ali perto. Sora tratou de contar todas as novidades a amiga, que ficava cada vez mais empolgada com os assuntos. O único que parecia um tanto aéreo era Koushirou. Parecia pensativo e receoso. Estava distante, como sempre. Mimi notou aquilo e, então, estava procurando uma oportunidade de ficar a sós com ele e perguntar o que estava acontecendo.
Isso aconteceu mais tarde, quando todos estavam indo para suas casas se prepararem pro natal. Koushirou parecia estar aéreo ainda, não notando que todos haviam ido embora. Só restava ele e Mimi. A garota sentou-se ao seu lado. Parecia preocupada com ele.
“Aconteceu alguma coisa Koushirou?” A menina perguntou, com um tom de preocupação em sua voz.
“Ahn? Ah… Não aconteceu nada. Só estou pensando e… Cadê todo mundo?” O ruivo perguntou assustado. De uma hora pra outra, todos haviam sumido.
“Todos foram se preparar pro natal. Fiquei aqui pra você não ficar sozinho.” Mimi falou com a voz tímida.
“Não precisava ter feito isso. Era só ter me cutucado.” Koushirou falou, encarando seu copo cheio de café ainda.
“Não seja mal agradecido Koushirou!” Mimi falou, cruzando os braços, ficando zangada.
“Desculpe, não queria te deixar brava… De novo.” O menino falou, ainda encarando o copo.
“Se não tomar logo, vai ficar horrível!” A menina exclamou, fazendo careta e olhando para o copo também.
“Tem razão.” Koushirou falou rindo um pouco, virando o copo contra a boca, tomando o conteúdo do mesmo.
Ficaram um tempo em silêncio. Um silêncio constrangedor. Nenhum dos dois tinha coragem o suficiente para começar um diálogo novamente, apesar de Koushirou ter ensaiado tudo o que falaria para Mimi. Começaram a observar pela janela a grande árvore de natal que havia fora do recinto. Era majestosa e linda. Brilhava tão intensamente quanto as estrelas do céu.
“Linda árvore, não é?” Mimi comentou. Seus olhos brilhando com o explendor da grande árvore.
“Linda sim… Como você.” Koushirou respondeu inconsciente, admirando a árvore também.
“Nani?”
Koushirou gelou na hora. Pensou bem no que tinha falado e viu que não tinha mais volta. Havia feito um comentário desnecessário. Agora precisava de arranjar um jeito de se declarar logo, já que deu esse fora.
“B-bom… Falei que a árvore é linda que nem você.” Koushirou reuniu toda a coragem que tinha para repetir isso.
“...” Mimi o olhava assustada e corada.
“Você tem um brilho que mais ninguém tem Mimi. Você é como essa árvore. Linda e brilhante.” Koushirou falava. As palavras improvisadas saindo de sua boca.
“Ahn… Bem…” Mimi não sabia o que falar anda, então, Koushirou continuou.
“Eu te amo Mimi. Eu estava tentando te dizer isso faz tempo, mas, a coragem me faltou.” Koushirou falou, olhando para a árvore, para não perder a coragem.
“Seu nerd bobo! Pensei que eu fosse sofrer por um amor não correspondido! Por que não disse isso antes?” Mimi falou com a voz um pouco alterada. Estava completamente corada e sem graça.
“C-como?” O menino ruivo perguntou surpreso com a reação da menina.
“Também te amo, seu baka! Deveria ter dito isso antes! Ou então, parado de fugir de mim quando tentava falar com você!” Mimi falou ainda com a voz alterada.
“Mimi, calma. Estão todos olhando!” O menino nerd exclamou baixo só para a menina ouvir.
“Não me importo se os outros estão olhando ou não! Sabe por quanto tempo estive esperando por isso? Você não faz…” De repente ficou em silêncio.
Koushirou, que não aguentava mais a menina se queixar, fez o que lhe veio na mente naquela hora. Acabou beijando Mimi por impulso. No começo, a menina assustou. Estava com os olhos arregalados. Depois, aos poucos, foi correspondendo ao beijo. Foi um beijo longo e apaixonado. Um beijo que ambos estavam esperando a muito tempo. Koushirou pegou nas mãos de Mimi sem perder o contato com seus lábios. Ficaram assi por alguns instantes, até sentirem que precisavam de ar.
Ambos se separaram um pouco ofegantes. Depois da respiração voltar ao normal, puderam recomeçar um diálogo.
“Desculpe Mimi. Foi o único jeito que encontrei para fazer você me ouvir.” O menino ruivo falou.
“Se você se desculpar de novo, juro que fico brava!” Mimi exclamou, cruzando os braços.
“N-nani?” Koushirou não havia entendido muito bem.
“Estive esperando por isso faz tempo, Koushirou. Não me venha pedir desculpa.” Mimi falou, fazendo um biquinho e olhando para baixo, com as bochechas vermelhas.
Koushirou riu com a atitude da amada e se aproximou dela novamente. Deu-lhe um longo beijo na testa, depois enconstou a sua testa na dela, com os olhos fechados.
“Eu te amo.” Por fim falou, sorrindo.
“Também te amo.” Mimi respondeu, sorrindo também.
Depois de alguns minutos em contato um com o outro, resolveram ir se arrumar para a festa de natal que teria aquela noite. Yamato iria apresentar um show, então, não queriam se atrasar. Aquela tinha sido a melhor noite de natal para Koushirou e Mimi. Agora, ambos sabendo dos sentimentos um pelo outro, seria muito melhor. Mesmo à distância, agora Mimi tinha alguém com quem contar quando fosse para o Japão novamente.
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