Amor Impossível?
2 Como o odeio!
Notas iniciais
Hoje acordei cedo, afinal as minhas aulas finalmente vão estar voltando e estava muito animada com isso. Já havia tomado meu café-da-manhã e feito minha higiene diária, agora estava terminando de colocar a minha roupa. Fui até a frente do espelho para ver como estava: vestia uma calça jeans velha e meio rasgada em algumas partes, não chegava a marcar muito o meu corpo, um all-star preto e um moletom cinza-claro, que ia até o meio de minhas coxas, assim podendo disfarçar um pouco meus seios volumosos. Meus cabelos dourados estavam presos num coque frouxo, coloquei meus óculos marrom-avermelhados que combinavam perfeitamente com os meus olhos achocolatados, não passei nenhuma maquiagem. Pois não gosto nem um pouquinho, pra mim quanto mais eu parecer uma garota normal, melhor e por causa disso os filhos de uma biscate de esquina lá do colégio vivem falando e fazendo coisas horríveis comigo.
Minha mãe e os poucos amigos que possuo — porque sou uma garota muito antissocial e me pergunto até hoje como fiz amizade com essas únicas duas amigas que tenho — ficam me falando que eu deveria ser mais feminina, parar de usar apenas calça jeans e moletom, porém não tem como: 1º- Porque odeio short, eles sempre ficam muito curtos em mim; 2º- Não gosto de saia, bate uma brisa elas vêm parar no meu rosto; 3º- Também não gosto de vestido, pois independente do modelo os meus seios ficam saltando para fora; 4º- Como eu poderia abandonar os meus moletons? Eles são simplesmente perfeitos.
Quando terminei de me arrumar, peguei minha mochila em cima da cadeira, desci a escada e despedi de minha mãe, que estava terminando de guardar as louças no armário e, com algumas empregadas a sua volta reclamando que ela não deveria fazer aquilo, afinal se elas estavam sendo pagas para trabalhar lá, era o dever delas fazer aquilo e que não precisavam de ajuda, porém minha mãe se recusou a sair.
O meu pai já devia ter ido para o trabalho, ele era dono da maior gravadora do país, Heartfilia Entertaiment, é o nosso sobrenome, mas ele estava com preguiça de pensar em um nome melhor para colocar, então deixou esse mesmo.
Sim, sou uma adolescente rica, que não gosta de ficar se vestindo bem e muito menos de me gabar, pois se cada lugar que eu fosse seria tratada como uma deusa e odeio isso, acho muita falsidade e além disso, todos nós somos iguais e devemos ser tratados com igualdade, não é só por eu ter mais dinheiro que a outra pessoa, que devo ser tratada melhor. Além de que eu também ficaria igual aquelas patricinhas da escola, quer dizer vadias, porque é isso que elas são na realidade.
Já estava quase chegando na escola, ela ficava bem perto da minha casa, a apenas dois quarteirões, então podia ir andando tranquilamente. A maioria das vezes via algumas mães levando seus filhos à creches ou colégios, as criancinhas eram muito fofas, com aquelas mochilinhas nas costas e as vezes andando a passos rápidos para conseguir acompanhar suas mães, que andavam rapidamente por já estarem atrasadas para o trabalho.
Depois de alguns minutos finalmente cheguei na escola, fui ver qual era a minha turma no quadro de avisos e peguei meu horário, com a professora Evergreen, tive aula com ela no ano passado de biologia, ela era uma pessoa super legal e também muito bonita, possuía longos cabelos ondulados, louro cor de areia, usava um óculos de armação fina, que de certo modo destacavam seus olhos cor de mel.
Fiquei conversando por um tempo e descobri que ela vai me dar aula esse ano novamente, fiquei feliz pois ela era uma excelente professora, mesmo que seja meio maluca de vez em quando. Olhei o meu relógio, ainda eram 8h e as aulas só começarão daqui à uma hora, então decidi ir ler em um lugar bem afastado, porque quando o pessoal está chegando se torna impossível se concentrar em alguma coisa.
Esse era o meu local favorito, ficava quase no final do pátio, em uma das dezenas de mesas de pedra, mas ali era um lugar especial. Porque perto dali tinha uma cerejeira muito antiga, suas flores pareciam brilhar com a luz do sol batendo em suas pétalas rosadas e se movia graciosamente, como se estivesse dançando conforme o vento. Ela por mais estranha que possa parecer, meio que transmitia uma tranquilidade e além de quase ninguém ir para lá, ou seja, era o melhor lugar para se poder ler ou descansar, nos momentos livres.
Estava lendo um dos meus livros favoritos, já tenho quase todos os livros da série, só faltava comprar o último, mas ainda não foi lançado, então sou praticamente obrigada a ficar nessa maldita ansiedade.
Uma leve brisa bagunçou um pouco meus fios dourados, os fazendo cair sobre meu rosto, porém nãos os recoloquei no lugar. Olhei a minha volta e os meus olhos encontraram um ser que odeio, ele estava sentado debaixo da cerejeira, com os olhos fechados. Esqueci de mencionar, o lugar é realmente muito lindo, exceto quando o Natsu aparece e estraga todo o cenário, só a presença dele me irrita. Desviei meu olhar rapidamente o voltando para o livro, porém fiquei tão irritada que não conseguia mais me concentrar e achei melhor só fingir que estava lendo, até o sinal tocar avisando que podíamos ir para nossas salas.
Argh, como eu odeio ele! Ainda mais por tudo que já me fez passar.
"Lamentar uma dor passada, no presente, é criar outra dor e sofrer novamente."
(William Shakespeare)
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