Amor Imortal - Rituais Sangrentos.
1 Apenas o começo.
Meu celular toca: é ele. Amava quando ele ligava para mim de repente, era tão fofo e apaixonante ao mesmo tempo. Atendo rapidamente e então ouço a voz doce dele:
- Oi minha princesa, como você ta? – Era uma das coisas que eu mais amava no mundo. Quando Tiago me chamava de princesa.
- To ótima amor, mas porque você me ligou? Aconteceu alguma coisa? – Perguntei no fundo eu sabia que não tinha acontecido nada.
- Não, não, só que eu vou viajar o final de semana e só volto na terça de noite, vai aguentar passar esse tempo sem mim? – Perguntou ele.
- É o jeito, tomara que esse final de semana passe logo. – Falei, eu estava torcendo mesmo, eu não o via a horas, mas já estava morrendo de saudades.
- E vai, amor, tenho que desligar, beijo. – E assim acabando de falar ele desliga o telefone.
Eu tinha conhecido Tiago a 5 anos, quando nos estávamos no 5° ano, ele era aquele menino chato que sempre abusava todas as meninas. Porém, só vim me aproximar dele no 9° ano quando nos ficamos no mesmo grupo em um trabalho, quando eu vi eu já estava namorando com ele. Era o nosso aniversario de 2 anos hoje e ele tinha viajado, mas eu não ligava, eu tinha passado uma tarde linda e feito tudo o que eu merecia. Tudo mesmo.
Já era um pouco tarde, 23:00 da noite, eu estava morrendo de sono, tinha acordado cedo por causa da merda da escola. Era sexta, mas tudo bem eu ia dormir pro tempo passar mais rápido e ele voltar logo.
~ ~ ~ ~
Ouço meu celular toca novamente, olho para o relógio 3:00 da manhã, mas quem seria que estava me ligando aquela hora? Era o pai de Tiago, me preocupei logo, ele nunca ligava para mim. Atendi e ele falou:
- Clara minha filha, você está aonde? – A voz dele parecia preocupada e triste ao mesmo tempo, no fundo eu ouvia algumas pessoas chorando.
- Em casa, tava dormindo, o que aconteceu? — Falei.
- Olhe, eu lhe peço uma coisa, fique calma, tente ficar calma. A noticia que eu tenho pra dar não é muito das boas. — Ele tinha uma voz de choro, o que me deixou mais preocupada ainda.
- Fala logo!
- Foi o Tiago, olhe, ele sofreu um acidente de carro. E bom, morreu. — Ele desligou o telefone.
Não conseguir fazer mais nada, o celular caiu da minha mão. Meus olhos encheram-se de lagrimas. Elas caíram sem esforço algum. Ele tinha ido embora e para nunca mais voltar. Ele. Não conseguia, não queria acreditar. Belisquei-me para ver se era um sonho. Mas infelizmente não era.
Troquei de roupa e fui até a casa dos pais dele, sozinha no meio da escuridão. A casa dele era próxima a minha. Duas ruas depois. De repente, avistei uma coisa ao longe, atrás de mim. Comecei a andar mais rápido, e olhando para trás. E alguma branca vinha atrás de mim, cada vez mais rápida. Comecei a correr, com medo. Eu estava perto da casa dos pais de Tiago. Tropecei em alguma coisa e cai e aquela coisa branca veio até mim. Então vi, era o espírito dele o espírito de Tiago. Conseguir me levantar e sair correndo, corri o mais rapido que eu pude, na escuridão, porem ele aparece de repente na minha frente.
- Não fuja, baby. — O meu Tiago tinha sumido, havia maldade nos seus olhos.
- Como assim? Você morreu. — Eu estava muito assustada.
- E por acaso é meu corpo que está aqui? Venha comigo, baby, nos íamos ser tão feliz... No inferno. — Ele deu uma risada e sentir um vento frio que me arrepiou.
- SAIA DAQUI! — Gritei. Fechei os olhos.
- Clara, Me aju…- E de repente ele desapareceu.
Fiquei assustada. Não quis ir mais a casa dos pais dele, voltei para casa correndo, corri o mais rápido que eu pude.
Quando cheguei na porta de casa, uma força me puxou para trás, era ele de novo.
- Você tem que me ajudar Clar…- E ele desaparece de novo.
Entrei correndo e fui logo para o meu quarto, me deitei, não tirei meu tênis, nem nada. Apenas me cobrir e fechei os olhos.
Acordei no outro dia com uma dor de cabeça horrível, por alguns segundos eu tinha esquecido o que acontecera noite passada; mas foi o bastante para dizer a mim mesma que só foi um sonho que pareceu ser real muito real. Desci, fui até a cozinha. Minha mãe estava fazendo batata fritas, eu amava aquele meu café da manhã, tão saudável. Ou não. Sentei-me à mesa. Peguei o jornal e assim vi aquela manchete horrível.
“Jovem morre após acidente de carro grave”
“O jovem Tiago Lima, 15, estava viajando com os amigos, quando de repente o carro deles bateu contra um caminhão no meio da estrada. Ninguém sabe dizer de quem foi a culpa. Tiago, morreu na hora. Tudo indica que os jovens estavam bêbados, e estavam em alta velocidade”
Joguei o jornal para longe. Aquilo tinha acabado de confirmar que o que acontecera na noite passada não foi apenas um sonho.
- Clara, vejo que você não está bem. — Havia tristeza nos olhos da minha mãe, Rosa.
- Meu namorado morreu, mãe. Eu não ia ta pulando de alegria.
- Mas eu tenho uma boa noticia para você – Minha mãe sentou perto de mim – Olha conseguir um emprego, ótimo né? Mas não é aqui, é em outro lugar. E não se preocupe com a escola eu já resolvi tudo.
Era disso que eu precisava, sair daqui, ir para outro lugares, tentar esquecer o que passou. Fui para o meu quarto.
- Partimos amanhã de manhã – Minha mãe falou.
O dia passou normal. Tv, tédio, sempre aquelas coisas comum de sábado. Anoiteceu tão rápido que eu nem percebi.
Jantei e fui para o meu quarto.
Quando abro a porta e lá vejo o espírito de Tiago, me preparei pra gritar, mas ai vi, que não ia adiantar mais nada.
- Calma, só quero que você me ajude — Tiago falou. E deu uma risadinha — Ai como eu to ruim, pedindo ajuda você.
- Como eu vou ajudar a você, não sou nenhum Chico Xavier. — Falei, ele riu.
- Amo seu senso de humor, mas quero que você me ajude a voltar a vida.
- Depois que morreu, enlouqueceu foi? — Eu ja estava ficando sem medo.
- Matando pessoas. Na verdade pessoas. — Ele falou tão natural que eu pensei se ele estava mesmo falando serio.
- NÃO! eu não vou matar ninguém. — Falei. E eu não ia mesmo.
- VOCÊ VAI SIM OU VOCÊ O MATA OU EU MATO VOCÊ — De repente ele desapareceu.
Eu me levantei. Coloquei a mão em meu rosto. Aquilo não podia ta acontecendo. Quando eu tirei a mão vi ele vindo rapidamente ao meu encontro. Apenas fechei os olhos.
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