Amor Imortal
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Eu não podia acreditar que ele tivesse me deixado aqui sozinha. Ainda mais depois de ter me beijado. Eu podia ouvir os passos da diretora se aproximando, então entrei na prateleira mais próxima e corri até a saída. Torci para que ela não me descobrisse. Eu não queria voltar para a festa e ter que olhar para Damen, e muito menos ter que falar com a Haven. Fui direto para o meu quarto sem fazer barulho.
O corredor parecia mais silencioso e vazio do que o normal, e isso era muito bom. Coloquei o meu pijama e deitei na cama. Eu só conseguia pensar no quão covarde Damen era. Eu não iria falar com ele nunca mais. Quando estava quase dormindo, ouvi três batidinhas na porta.
— Ever você está ai? – era Damen. – Me desculpe por ter te deixado sozinha.
Eu não respondi. Ele ficou parado em frente à porta por 5 minutos e depois se foi. Eu estava furiosa. Sentei em minha cama e meu celular tocou. Era Haven.
— Alô? – eu disse meio sonolenta.
— Ever onde você está?
— No meu quarto, dormindo.
— Desculpa por te acordar, mas você sumiu e o Damen também....
— Você estava certa sobre o Damen. Ele não serve para mim.
— O que ele te fez?
— Te conto amanhã. – eu não queria reviver tudo de novo.
— Tudo bem. Eu liguei para te avisar que o Damen foi visto aos beijos com a vaca da Drina agora á pouco.
— Que? –
— Vocês dois sumiram e depois ele voltou sozinho e a Drina agarrou ele, e ele não a afastou. Ele não presta Ever.
— Pode deixar. Agora eu sei muito bem disso.
Desliguei o telefone e deitei na cama. Eu não iria chorar por aquele garoto. Eu iria ignorá-lo como nunca ignorei ninguém.
Acordei cedo no dia seguinte. Era sábado e chovia muito. Fiquei deitada na minha cama mais do que deveria, mas eu precisava disso. Coloquei uma camiseta branca, meu casaco cinza, uma jeans escura e botinhas. Prendi meu cabelo em um coque e desci para o café da manhã. Eu não queria ver Damen e Drina juntos, então comprei um café e donuts e fui sentar nas mesas de piquenique que tinham vista para o mar. Fiquei sentada pensando até aparecer alguém.
— Não está com frio? – Haven perguntou.
— Estou bem. – falei olhando para o mar. Haven se sentou ao meu lado e pegou um donut.
— Damen perguntou de você hoje na mesa do café. Eu disse a ele que você não estava interessada.
— Fez muito bem.
— Está tudo bem mesmo? O que aconteceu ontem à noite? – ela parecia preocupada.
— Não quero falar sobre isso. Drina estava com Damen?
— Ela estava com ele, mas ele não pareceu muito interessado nela. Desculpa.
— Não se desculpe. A culpa não foi sua. Você me avisou e eu não quis escutar.
— Então estamos bem de novo?
— Sim. – eu disse com uma risadinha.
Descemos a enorme escada que dava para a praia e ficamos caminhando até a chuva aumentar. Eu não fazia ideia de como era bom andar na praia com a garoa.
Almocei junto com a Haven e fui para o meu quarto. No corredor estava Drina – sem Damen -, se exibindo pela festa que deu ontem à noite.
— Ever, querida. Estava procurando por você.
— Estou aqui. – falei sendo o mais educada possível e, me segurando para não dar torcer aquele pescocinho magrelo dela.
— Estou vendo. Ontem você sumiu, senti sua falta na festa. – ela conseguia ser falsa até sozinha comigo. Ela vestia uma calça jeans justíssima branca e uma blusa rosa com um decote muito revelador. Eu não a suportava.
— Como eu disse, eu estou aqui agora. Eu fiquei sabendo de você e do Damen. – eu tentei falar sem demonstrar muita importância.
— Sim. Ontem eu estava na festa e ele me beijou! Eu sempre gostei um pouquinho dele, mas depois de ontem, Ual. – ela estava tentando me provocar.
— Estou feliz por vocês, agora se você me der licença eu tenho lição pra fazer.
— Boa sorte. – ela disse e saiu.
Tomei um banho quente e fui para a biblioteca. Escolhi um livro grosso que estava bastante empoeirado. Me sentei no canto da prateleira e tentei não pensar o que ocorrera naquele mesmo lugar a menos de 24 horas atrás.
A história parecia interessante. Era sobre uma menina que era apaixonada pelo melhor amigo, mas já ela tinha um namorado e agora não sabia qual dos dois escolher. Isso me lembrou que Damen não sabe escolher entre Drina e eu. Eu não tenho como competir com a Drina. Ela é linda, simpática e melhor amiga do Damen. E o que eu sou: estranha, nova aqui e não conheço o menino direito. E além do mais era ele que me perseguia em Londres, não eu que perseguia ele.
Senti o meu celular vibrando e fui ver quem era. Era Drina.
— Alo?
— Ever? Você pode vir aqui no portão? Eu estou precisando da sua ajuda com algumas caixas.
— Tudo em, estou indo ai.
— Obrigada querida.
Desci as escadas e fui para o portão, esperando encontrar Drina. Fiquei esperando por cerca de 5 minutos, quando tentei ligar para ela. Ela não me atendia. Tinha decidido voltar para a biblioteca, quando ouvi um pneu derrapando na estrada. Um carro totalmente preto, com o insulfilm mais escuro que já vi, vinha em alta velocidade na minha direção. Fiquei em choque. Tentei abrir a porta que dava acesso à escola, mas ela estava trancada. A última coisa que me lembro, é do carro vindo rapidamente na minha direção.
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