Amor Fati

12 Divisibilidade


Notas iniciais
Boa madrugada, gente linda! Feliz 2018 para todas e todos! Como estão vocês? Espero que muito bem. E tomara que esse capítulo novo de Amor Fati abrindo a primeira postagem desse meu projeto de livro esse ano anime muito vocês! Acho que todos sabem que Amor Fati é minha história original que eu mais levo a sério, a que pretendo de fato transformar em livro em um futuro não tão distante. Por isso, é justamente a que eu não posso simplesmente me forçar a sentar e sair escrevendo. Cada capítulo tem seu tempo e relevância, e com esse não foi diferente. Foram cerca de quatro meses sem postar. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu na minha vida. Reviravoltas ruins, mas também boas novidades. Como tudo na vida, sigo buscando um equilíbrio. E acho que isso se reflete um pouco nesse capítulo, em que a metáfora matemática é a teoria dos critérios de divisibilidade. Vejamos como nossa protagonista lida com muitos acontecimentos em sua vida. Tem futebol, tem conversas controversas com professores velhacos, tem amizade, tem relações familiares... Um pouquinho de tudo para seguir desenvolvendo essa história. Espero que gostem! Amor Fati segue com 265 leitores, 67 favoritos e 8 recomendações, e eu não poderia estar mais satisfeita com o crescimento da história. Peço que continuem me dando seus feedbacks, sejam por comentários, recomendações, favoritos... Tudo isso conta, e muito! É por isso que quero dedicar esse capítulo aos leitores comentaristas do capítulo passado: Writer, Maria Vicente Carvalho, Lena, Gigi V, Tassi Turna, JennaRing, Dorothy Mel, Lena, Apple Scruff, Shalashaska, Arrriba, Cris e Babi Prongs, os dois últimos leitores que comentam via whatsapp. É maravilhoos ter a companhia de todos vocês! Beijos e boa leitura!

Um dia eu vou ficar bem
Só pra te querer mais
Onde quer que eu ande bem
Domingo é pra te dar paz

Banda do Mar — Pode Ser

A textura do plástico esbranquiçado que embrulhava o buquê estalava em sons quebradiços, seguro entre meus dedos. Estes tremiam, delicados, mantendo aquelas flores defronte ao meu colo. Enquanto o elevador subia para minha casa, meu coração palpitava, cada andar transcorrido marcando o ritmo de seu ribombar.

O que significava aquele regalo de Bento? Franzindo as sobrancelhas, eu tentava assimilar alguma lógica nos fatos passados.

Primeiro, havia recebido sua mensagem seca, alegando que terminaria nossas aulas particulares. Um evidente eufemismo para terminar também algo que sequer havia começado entre nós. Depois, o testemunhei reagir desditoso às minhas acusações no jantar com meu tio. E, sem aviso, me presenteara com aquele conjunto de rosas vermelhas, adornadas junto a um cartão com um pedido simples de desculpas. Palavras, porém, diretas.

“Não me arrependo de nada”.

O elevador parou na altura do meu andar, o último do prédio. Um tanto sobressaltada, respirei fundo e soltei um suspiro desconcertado, abrindo a porta, rumando para meu apartamento. O aroma úmido e perfumado das rosas encheu minhas narinas, o que me fez ciciar mais uma vez. Ao passar pela porta de entrada e trancá-la, notei que ainda encrespava meu cenho, e me forcei a relaxar a expressão. Todavia, dentro de mim eu experimentava insegurança, imprecisão e desconforto inéditos. Além de uma dose — que eu não gostaria de admitir — de interesse e triunfo.

Afinal, ele voltara atrás. Por qualquer que fosse a razão, meu estranho professor particular tivera segundos pensamentos. E eu não poderia deixar de me regozijar com isso.

Olhei para a sala vazia, e os móveis sem ninguém me fitaram de volta, resolutos em sua inflexibilidade. Larguei a mochila em cima de uma poltrona, segui até a cozinha e procurei um jarro para encher de água e colocar as flores.

Como meu tio não se importava com melindres como objetos decorativos, nosso apartamento tinha sido montado por uma equipe de arquitetos e decoradores contratada pela tia Idalina, e comandada por ela, pois minha tia-avó era também uma "socialite" muito interessada em design de interiores e paisagismo. Eu mesma não sabia como funcionava a disposição de alguns itens. Vivia em uma casa na qual uma “fada da limpeza” circulava cinco vezes por semana, mantendo a ordem e a organização, paga por meu tio. Quem guardava nossos pertences era justamente essa funcionária de esmerada paciência, Eliete. Exceto aqueles de muita estima, ou os que quiséssemos esconder dos olhares alheios.

Demorei alguns minutos até encontrar uma jarra em geral usada para servir vinho, feita de vidro. Abri a torneira e a enchi d’água, e caminhei com as rosas pelo longo corredor do apartamento, acendendo as luzes, para chegar ao meu quarto.

Acima de uma cômoda, coloquei as rosas, perto do monitor da televisão. Eu as encarei por um tempo, como se elas pudessem me confidenciar as pretensões de Bento. Em seguida, voltei até a pia da cozinha. Ali, tinha deixado o plástico que embalou as flores, e também o cartão.

Branco, sem nada, apenas a caligrafia curvada do meu tão excêntrico professor, no registro de mais um de seus enigmas. Tive vontade de pegar o papel e amassá-lo, apertá-lo entre os dedos com força, talvez rasgá-lo em muitos pedaços e depois atirá-lo na lixeira.

Não fiz nada parecido. Respirei devagar outra vez, e levei o cartão comigo até minha mesa de cabeceira. Li-o, de novo, até enfim resolver empurrá-lo no fundo de uma bagunça de documentos dentro de uma das minhas gavetas.

Talvez eu achasse que com aquele gesto pudesse esconder também o peso daquelas palavras. De tudo o que falamos um ao outro, e do que fizemos, juntos, na última quarta-feira, sob o teto e a reclusão solitária de seu apartamento.

Meu coração retornou a acelerar em batidas desalinhadas. Corri para a sala, pegando minha mochila em mãos e a levando para o quarto, fechando a porta com um dos pés. Atirei meu corpo na cama, balançando os pés para frente e para trás em um tique nervoso, procurando ansiosa o meu aparelho celular na bolsa. Ao colocar minha senha, notei que tinha inúmeras mensagens não lidas no grupo de conversa de meu time de futebol feminino.

A semifinal do campeonato de escolinhas seria na tarde do dia seguinte, naquele domingo. Uma onda nauseante de ansiedade subiu pelo meu estômago, o levando a dar algumas voltas irrepreensíveis. Meus ombros tremeram. Algumas de minhas colegas — dentre elas uma das minhas amigas do time, Lis Gutenberg — haviam me marcado na conversa, querendo saber notícias, esperando que eu lhes respondesse com minha opinião sobre as táticas definidas.

Senti uma pontada aguda de dor de cabeça. Havia fumado e bebido no dia, não o suficiente para estar embriagada. Provavelmente era reflexo de meu estado emocional, sobrecarregado de questionáveis pressões para se lidar.

Enquanto eu digitava uma mensagem em resposta para as outras meninas da equipe, meu celular começou a tocar. Surpresa, o deixei cair de minhas mãos, e arregalei os olhos ao atestar quem me procurava pelo aparelho.

O contato salvo de Bento aguardava na linha para que eu o atendesse. Passei alguns segundos piscando os olhos, ao mirar seu nome na tela do aparelho telefônico estatelado em minha cama. Prendi a respiração e segurei o celular com dedos rijos.

— Oi — disse, reprimindo um arfar.

Aguardei alguns segundos até receber resposta.

— Oi, Cecília — meu professor falou em um tom dócil, quase íntimo. Para seu padrão típico escorregadio, me saudando com seus “boas noites”, aquilo parecia diferente. Ao ouvir sua voz naquele timbre manso, comum e atípico ao mesmo tempo, liberei uma expiração entrecortada.

— Por que está me ligando tão tarde? — perguntei, aos poucos sentindo a raiva tomar os lugares da curiosidade e expectativa. Já passavam das vinte e três horas.

— Acha que esse é um horário tarde para um sábado? — ele respondeu com uma evasiva. Sua voz assumiu uma entonação bem-humorada. Irritei-me ainda mais. Não disse nada por alguns momentos constrangedores, e meu professor particular logo tentou consertar.

— Queria saber se recebeu as rosas.

Engoli em seco, sentindo a garganta travar.

— Recebi. E o cartão também — declarei. Sorte sua que meu tio não viu as flores com o porteiro, velho depravado. Não pude controlar o pensamento irritadiço.

— Depois daquele jantar na sua casa... Eu pensei sobre algumas coisas. — Bento fez uma pausa de alguns segundos, e eu notei que meus dedos se fechavam como garras em volta do aparelho celular. Minha mão estava quente. Mantive-me em silêncio.

— Acho que precisamos conversar. Pessoalmente. Se você quiser — adicionou, ao fim da primeira frase. Os músculos dos meus ombros tremelicaram quando escutei aquilo.

— Sobre qual parte? — respondi com uma pergunta debochada, depois de me recompor. Bento soltou uma risada nervosa e curta.

— Eu realmente sinto muito por ter te magoado — ele disse como uma confissão, abaixando o tom de voz. Por algum motivo desconhecido, senti meu peito aquecer. Uma espécie de calor repentino me subira.

Eu não sabia o que dizer. Podia apenas ouvir meu coração batendo em meus ouvidos.

— Eu poderia te encontrar segunda-feira. Meu dia está cheio amanhã, tenho muito trabalho para organizar nessa semana, mas gostaria de te ver na segunda à noite. Pode ser? — insistiu meu professor particular.

— Meu dia também está cheio amanhã. Tenho a semifinal — lembrei-o, utilizando de um timbre seco.

— É verdade. Você vai se sair muito bem, tenho certeza — encorajou-me, mas aquelas palavras nem resvalaram em mim. Estava muito mais ocupada em digerir o que ele planejava com aquela conversa urgente.

— Provavelmente — continuei a usar daquela forçada entoação fria. Era a única maneira de evitar demonstrar o mar de emoções tumultuosas dentro de mim.

— Cecília...

Senti um arrepio percorrer minha espinha ao escutar meu nome sussurrado por ele, daquele jeito. Como se pedisse por mim em um murmúrio tão íntimo. Tão próximo, mesmo longe. Mesmo por telefone.

Fechei os olhos, e lembranças imediatas da quarta-feira em seus braços voltaram à tona, com detalhes e precisão perturbadores. Abri-os rápido, um pouco zonza, minha temperatura corporal alguns graus mais altos.

— Pode ser. Posso te ver segunda-feira — concordei, sentindo algo se torcer na altura de meu peito.

— Ótimo! — Ele parecia soar aliviado. — Não vou mais te atrapalhar hoje. Depois podemos combinar os detalhes — sugeriu em sua voz de típica gentileza professoral.

— Ok.

— Boa sorte no jogo amanhã. Embora eu saiba que não precisa — foi lisonjeiro, e eu franzi os lábios, atordoada, sem nada dizer. Depois de alguns instantes, ele voltou a se expressar.

— Boa noite, Cecília. Durma bem — Bento começou a se despedir, e eu enfim me permiti ser menos dura.

— Obrigada pelas flores. São lindas. — Senti meu coração bater apressurado até a resposta dele. Fitei o buquê perto da televisão dos meus aposentos. O aroma das rosas já tinha se espalhado pelo quarto.

— Não há de quê. Fico feliz que tenha gostado.

Eu podia imaginar o sorriso discreto dele no outro lado da linha. Isso encheu meu peito do mesmo calor anterior, e eu cocei a testa, inquieta.

— Boa noite. Até segunda — foi o máximo de polidez que eu consegui usar em meu discurso, em meio a tantas emoções controversas.

— Boa noite — meu professor particular se despediu em uma expiração tranquilizada. Desligou a chamada, e eu abaixei meu celular, letárgica.

Passei as mãos pelos cabelos, me jogando de costas no colchão. Escondi meu rosto nas minhas palmas, sem saber se tinha tomado a decisão certa.

Seria uma longa noite. Estava atarantada, sem saber nem mesmo o que esperar. Bento era confuso, eu já sabia disso. O que quer que aquela proximidade entre nós dois significasse, as chances maiores eram de que não resultaria em algo saudável. Porém, eu me sentia atiçada demais. Tudo aquilo apelava para uma curiosidade em mim que parecia vencer qualquer bom senso. Como se toda a contradição, o perigo e a estranheza não fossem tão relevantes assim.

Era brincar com fogo, mas as chamas dançavam em movimentos tão convidativos...

Cobri as pálpebras com um dos braços, tentando não me lembrar da noite de quarta-feira. Fracassei. Soltei um suspiro alto, lânguido e doloroso.

Eu queria Bento de novo.

O resto daquela noite de sábado, dividida entre um banho demorado, distrações infrutíferas nas minhas redes sociais e a leitura de um livro de poemas que me remetia as mesmas memórias da quarta passada... Provara minha dificuldade de fugir desta verdade, até enfim ser agraciada pelo abraço do sono por exaustão.

No domingo, acordei quase atrasada para meus afazeres. Tive de me arrumar às pressas para ir ao Clube Naval, no bairro da Lagoa, onde competiríamos com a escolinha feminina que ali treinava.

Antes de sair, reparei que meu tio não estava em casa. Não o via desde sexta-feira. Duvidei se cumpriria sua promessa de assistir meu jogo, enquanto comia uma fruta qualquer e saía do prédio com o celular em mãos, chamando um táxi por aplicativo. Nossa técnica, Jandira Lemos, nos pedira para que chegássemos com duas horas de antecedência.

Em menos de meia hora cheguei ao Clube Naval, também conhecido como “Piraquê”, pelos frequentadores. Liguei para uma de minhas amigas do time, Lis, pedindo que avisasse a técnica de que já estava no local.

O Clube Naval Piraquê, administrado pela marinha, cobrava um valor mensal elevado de seus sócios, mas era um dos ambientes do gênero mais charmosos da cidade. Em uma espécie de península com a Lagoa Rodrigo de Freitas, o “Piraquê” era palco de muitas festividades, com espaços requintados para celebrações como grandes festas de casamento, de final de ano e outros festejos da elite carioca. Tinha uma bela vista para aquela paisagem natural de amplas águas da zona sul, que faziam fronteira com bairros nobres como o Jardim Botânico, Ipanema e Leblon.

Seus frequentadores também podiam praticar inúmeros esportes, pois o clube dispunha de algumas piscinas de natação, quadras de saibro para jogadores de tênis, ginásio com quadras de basquete e vôlei, quadras abertas de futsal e o campo de futebol de grama sintética, para o qual eu rumava.

Passei pelo bar à beira de uma das piscinas, atravessando em passos velozes as mesas e cadeiras de plástico brancas. Desviava com rapidez de algumas famílias comendo salgadinhos e petiscos, aproveitando o domingo de tempo bom. Aquilo poderia ser o gatilho para certas memórias, eu já as antevia querendo emergir.

Estalei o pescoço, tentando me esquivar de uma memória antiga. Tia Idalina era sócia do clube, e quando eu e Flavia éramos muito pequenas, ela costumava vir frequentá-lo aos finais de semana conosco, minha mãe e meu tio. Eu não me recordava desses dias, pois era muito nova.

Todavia, lembrava-me de uma vez ter flagrado meu tio, com lágrimas aos olhos, reassistindo um vídeo familiar sozinho no computador de seu escritório em nossa casa.

Nesse vídeo, eu era apenas um bebê de colo, sentada no meio das pernas de minha mãe, que me dava algum tipo de papinha na boca. Tia Ida, tio Fred e minha irmã Flavia se sentavam ao redor de uma mesa redonda de plástico, no mesmo bar que eu atravessava naquele momento. Riam, enquanto meu tio bebia um gole de cerveja e tentava evitar que Flavia, aos quatro anos, comesse sozinha todos os quibes em uma bandeja disposta perto de nós. Minha mãe já estava doente nessa época. Usava um lenço de seda na cabeça, enquanto levava uma colher prestimosa cheia de papinha aos meus lábios infantis.

Senti minha garganta embargar. Não queria pensar naquilo, muito menos perto de um jogo decisivo. Juntei os dedos das mãos e os estalei, tentando fugir dos pensamentos com o gesto físico brusco.

Logo havia atravessado a piscina e me sentia mais leve. Fora do campo de futebol, aglomeradas nas arquibancadas, estavam as meninas da minha escolinha. Lis, com seus cabelos morenos cacheados e rosto redondo cheio de sardas, coçando o pescoço enquanto fitava a nossa técnica. Tinha acabado de fazer dezesseis anos. Vi seus olhos amendoados e verdes focados no rosto de Jandira, e depois notei a presença de outra amiga próxima. Ana Paula, ajeitando os ombros e aquecendo os braços, andando de um lado ao outro, rodeando o time.

Aninha era baixa como eu, porém muito esguia, de corpo atlético e pescoço atarracado. Era um ano mais velha do que eu. Seus cabelos castanhos claros eram cortados um pouco abaixo do ombro, e estavam soltos, o que contrariava as normas da técnica. Sorri, sabia que Ana gostava de desafiá-la de propósito. As duas não se davam, tinham gênios igualmente fortes.

Cumprimentei o restante do time e levei uma bronca ríspida de Jandira por ter chegado algum tempo depois do horário combinado. Ela ajeitou os óculos quadrados e me deu um olhar feio. Conversamos sobre as táticas do jogo, e logo a técnica do time rival veio ter com nossa responsável. Andei até onde Lis se sentava e me ajeitei ao seu lado.

— Fica calma, o outro time treina há menos tempo do que a gente. Estamos na vantagem — encorajei-a, enquanto minha amiga roía as unhas, já bem mordiscadas.

— A maior parte delas têm dezessete anos. E a capitã delas, a Maju, é bem sinistra. Ela é uma atacante tão boa quanto você — comentou Lis, passando um dos dedos por seu nariz fino e adunco. Eu considerava suas feições bonitas. Tinha uma pele muito clara emoldurada por sardas rosáceas, e um sorriso largo e doce. Sabia que Lis se achava feia, dizia que tinha “nariz de judia”, como toda sua família. Estudava em um colégio judeu do Rio de Janeiro, e praticamente só circulava com os praticantes da religião. Fora muito difícil convencer seus pais a participar da escolinha.

— E você é uma lateral direita foda, e a Aninha é uma zagueira da porra — incentivei, enquanto Ana Paula me dava um sorriso convencido. Ela não fingia modéstia. — Estamos em pé de igualdade, relaxa — disse, embora eu mesma escondesse meu medo.

A capitã de nosso time, Thaís, era uma garota que fazia o gênero das que sempre me julgaram na adolescência. Popular em seu colégio, outra escola particular carioca administrada por padres como a minha, morena bronzeada de praia, alta, tinha um rosto fino e expressivo, parecendo já uma jovem de dezoito anos. Era nossa segunda atacante, uma das jogadoras mais antigas da escolinha. Agia como se fosse a “dona da bola”, e eu não me dava tão bem com ela, apenas dentro de campo.

Naquele momento, estava parada ao lado de Jandira, de braços cruzados. Ouvia o que as duas técnicas conversavam, parecendo muito atenta.

— Quer sair depois, Ciça? A gente tava pensando em ir no Empório e depois no Miltão — Ana me convidou, esbugalhando seus olhos castanhos ante a sugestão. Tratava-se de um bar em Ipanema onde ocorriam shows para o pessoal mais “alternativo”, e a bebida para menores de idade costumava ser liberada. Além de não ser incomum se tornar um ponto de vendas de maconha e outras drogas.

— Meu tio vai ver o jogo. Acho que vou ter que voltar com ele — falei, um pouco acabrunhada por não poder acompanha-las.

— Sério? — Lis soou surpreendida. Não me ofendi com isso. Era o primeiro jogo em anos que Fred viria me assistir.

— É. Seus pais vêm te ver? — indaguei, e ela acenou com a cabeça em um sinal de confirmação. A família Gutenberg em peso comparecia aos jogos da filha, mesmo os que eram meros amistosos entre as escolinhas.

— Minha avó vem também — Aninha disse. Era órfã de pai, como eu, e a mãe morava em outra cidade. — Mas ela provavelmente não vai ter saco de ver o jogo inteiro. Tenho certeza de que vai resolver ir pro bar encher a cara antes do segundo tempo — brincou, e eu e Lis soltamos risadas divertidas.

— E os seus amigos? Aqueles bonitinhos vêm também? — Lis perguntou, mordendo o polegar. Aninha deu um sorriso travesso. Sorri para elas, revirando os olhos.

— Devem vir. Me falaram ontem que viriam. Só não vêm o Marcos e o Beto — contei, e Ana Paula bufou.

— Eles são os feios. Não importam — debochou, e eu fiz uma careta de repreensão para ela. Lis riu outra vez.

— Eles devem achar a gente um bando de pernas de pau — minha amiga de cabelos cacheados comentou.

— Porra nenhuma. Já dei cada drible no Daniel, no Afonso então, nem se fala... Se um dia eles tentarem falar uma merda dessas vai ser só pra preservar o orgulho masculino ferido — trocei, e Ana logo entrou na zombaria.

— Eu não me importaria de driblar a namoradinha do que é zagueiro. Era só ele me dar condição e eu caía em cima — Ana Paula falou de Daniel com malícia, e eu tive de rir. Não entendia mesmo esse fascínio que algumas meninas poderiam ter com meu melhor amigo. Eu o conhecia com tamanha intimidade que qualquer projeção do tipo já se quebrara para mim.

— Eu ficaria feliz com o Afonso. Só meu avô que enfartaria, provavelmente. Melhor evitar — Lis mordeu o polegar de novo, nos dando um sorriso amarelo. Sua família — como boa parte das famílias ricas do Rio de Janeiro — era racista, elitista e classista. Eu imaginava perfeitamente seus parentes em surto, caso descobrissem que sua garotinha mais jovem estivera aos beijos com um rapaz negro, morador de favela.

Nossa conversa tola foi interrompida pouco tempo depois. Thaís e nossa técnica nos convocaram para ir ao vestiário. Deveríamos vestir o uniforme da escolinha e começaríamos o aquecimento. Olhei por cima dos ombros, tentando achar meus amigos ou tio Fred. Não tinham chegado. Ana cumprimentou a avó, que se aproximava do lado direito da arquibancada, e Lis foi ter com seus pais, irmãos e avós.

Lembrei-me de novo de minha mãe e do vídeo na beira da piscina. Ela me olhava com tamanha devoção enquanto me embalava em seus braços...

Será que já estava com Bento, naquela época?

De súbito, senti uma onda de náusea subir pela minha garganta. Como se controlasse um refluxo, respirei fundo e fechei os olhos, me levantando. Não esperei minhas amigas. Segui com o restante do time para o vestiário, me obrigando a não pensar naquilo.

Munida de toda a minha determinação resiliente, não me permiti voltar ao assunto. Foquei-me inteiramente nas táticas de jogo, no aquecimento, prestando atenção apenas no meu corpo. Avaliei o time oponente. Meninas de estatura mediana ou baixa, poucas eram altas, com exceção da atacante que Lis temia, Maju. Era uma menina loira, de biótipo como o das garotas do sul do Brasil. Tinha cabelos compridos até a cintura, presos em um rabo de cavalo que chicoteava suas costas enquanto se aquecia. Parecia ser bem flexível e rápida. Era provável que nos desse trabalho.

Cumprimentamos o time rival, e eu escutei um grito de um timbre conhecido masculino vindo das arquibancadas.

— Vai com tudo pra cima delas, anã!

Olhei ligeira e logo antevi Daniel assobiando com os dedos, ao lado de Afonso, que me sorria empolgado. Ri comigo mesma, feliz de os testemunhar ali, na extremidade esquerda da arquibancada. Conseguiram chegar antes do jogo, afinal. Acenei-lhes um pouco tímida, mas contente.

Logo chegou a hora das capitãs tirarem a sorte e decidirem o mando de campo. O time do Clube Naval ganhou a escolha, e ficaram na metade do campo mais protegida pela sombra das árvores. Para nós, sobrou a saída de bola.

Em pouco tempo, Thaís e eu nos posicionamos na linha de meio-campo. Um passe de calcanhar ao apito da juíza, e o tempo do jogo começava a contar.

Eu quase suspirei de alívio. Como era bom estar de volta a um campo de futebol, preocupada apenas com o jogo. Com minhas pernas correndo, dançando em volta das jogadoras oponentes. Eu, meu time, a grama, e o gol adversário. Meus ouvidos ficaram nublados para qualquer som além dos chutes na bola, os passos correndo e os apitos da juíza.

Recuamos a bola para uma das nossas meias armadoras, pois o time rival estava ofensivo. As outras meninas eram velozes e determinadas, eu mal acompanhava suas camisas vermelhas, azuis e brancas, com o símbolo do Clube Naval, correndo como borrões destoantes pelo campo verde.

Ergui as sobrancelhas, um pouco surpreendida pela qualidade do futebol delas. Eu mal dera três passes no jogo, e tinha de ficar atenta ao campo adversário, já que minha posição era de centroavante. Não tinham se passado nem cinco minutos quando vi Maju, a segunda atacante deles, em disparada pelo nosso mando de campo. Driblou Aninha com um chapéu e chutou uma bomba para dentro do gol. Nossa goleira nem teve chance.

Com as mãos na cintura, voltei para mais uma saída de bola. Precisávamos ficar mais espertas.

Voltamos a recuar e retrancamos mais o jogo. Nossa defesa se fechou, e eu e Thaís tivemos de monopolizar a bola para termos alguma chance. Minha capitã cruzou a bola para mim, quando eu corria para perto da pequena área. Recebi-a no peito, dominei-a, e continuei com a bola em movimento. Calculava com o olhar minha chance de manda-la direto para o gol.

Na mesma hora, senti que meus pés deixaram o chão, meu corpo todo atirado para longe.

Mal tive tempo de erguer as mãos para minimizar o impacto. Uma das zagueiras do time adversário trombara contra mim com tudo, me lançando metros para a esquerda, direto na grama sintética. Ralei meus braços, rolando algumas vezes até parar. Senti meu punho e meu ombro esquerdo doerem, mas não falaria disso para ninguém. Não queria correr o risco de ser substituída. O apito soou, delimitando a falta.

— Filha da puta!

Ouvi outra voz conhecida vociferar nas arquibancadas. Ainda no chão, voltei meus olhos naquela direção e vi meu tio de pé, levantando os braços em gestos furiosos, gesticulando. Escutei o som de timbres femininos retrucando, mal distinguindo o que diziam.

— Ciça, ‘cê tá bem? — Thaís veio correndo em meu auxílio, e a zagueira que me derrubou pedia desculpas, mas eu não a fitava nos olhos. Não queria correr o risco de comprar briga. Fora uma entrada totalmente desleal.

— Tô — respondi, monocórdia.

— Vai limpar esse sangue. Depois você bate a falta, se conseguir. — Ela me ajudou a caminhar para fora da linha. Tomei alguns goles d’água e limpei meus ferimentos. Pararam de sangrar rápido, por sorte. Alguns cortes poderiam ter sido fundos. Ao longe, eu escutava Thaís discutindo com a capitã do time oponente. Pelo visto, o clima entre as equipes continuaria hostil.

Com a excitação do momento, eu estava decidida a fazer um gol. Levara muitos baques recentes na vida para perder essa oportunidade de revidar.

O ponto foi marcado, o apito soou, e eu mirei. A barreira estava pronta, e eu arriscaria um dos chutes que eu mais gostava. Com efeito na bola parada.

Movi a lateral interna de meu pé esquerdo com toda a força e habilidade que eu detinha contra a bola, e a vi fazer uma parábola por cima da cabeça da jogadora oponente mais alta. Chegou a raspar em sua testa, o que me fez levar as mãos ao rosto, preocupada.

Mas isso apenas nos ajudou. A bola mudou alguns centímetros de sua trajetória, passando por dentro da lateral esquerda do gol, girando em espiral pela rede. A goleira a espalmou, mas não conseguiu segurá-la.

Empate.

— Porra! — comemorei, esbravejando, quando Thaís veio correndo me abraçar. Aninha e Lis vieram logo depois. Eu abrira os gols da semifinal, e um sentimento de júbilo e esperança nasceu vigoroso dentro de mim.

O restante do jogo foi difícil. Muitas faltas cometidas por ambos os times, a maioria motivada pelo time competitivo do clube. As meninas do Clube Naval eram resistentes, Maju corria mais rápido do que qualquer uma do nosso time, então nossa goleira teve de trabalhar dobrado. Lis e Ana estavam molhadas de suor, assim como todas as nossas meninas, ao final do primeiro tempo. Mas continuávamos empatadas.

Decidi ir até as grades saudar meus amigos de longe, para não perder o ritmo de jogo. Algumas das meninas quiseram sair e conversar com os parentes durante o intervalo, mas eu sentia que isso poderia me distrair. Não queria arriscar diminuir meu foco.

Daniel e Afonso se aproximaram, meu melhor amigo colocando uma mão para dentro das grades e bagunçando meus cabelos e minha franja melados de suor. Ri com eles, enquanto Afonsinho elogiava minha falta.

— Foi cagada, você acha que esse projeto de gente conseguiria uma jogada dessas se não tocasse na cabeça daquela garota? — troçou Daniel, e eu lhe levantei meu dedo do meio, sorrindo debochada.

— Tô zoando, Ciça, foi ‘mó golaço. Mete bronca no segundo tempo — meu melhor amigo se retratou, e eu confirmei, ofegante. Meu tio não se aproximara de nós. Estava em outro ponto da arquibancada, sozinho, falando no celular.

Fiquei um pouco ressentida, porém tentei não dar vazão ao sentimento. Disse aos meus amigos que voltaria ao campo, e parei perto de Thaís, que se hidratava. Joguei um pouco d'água nos cabelos e no rosto, e bebi também.

Logo estávamos de volta. O segundo tempo não foi tão competitivo em termos de habilidades, se resumiu a uma questão de qual time aguentaria correr mais. Por pouco evitei um carrinho ao passar uma bola para Thaís, porém. Nossas oponentes estavam dispostas a jogar sujo.

Aos trinta minutos do segundo tempo, eu e Thaís fizemos uma dobradinha, com a capitã sendo responsável pelo nosso segundo gol, ao driblar uma zagueira em uma caneta certeira. A bola passou pelo vão entre suas pernas, atingindo o canto direito do gol, raspando a grama em um movimento letal.

Eu mal tinha fôlego para comemorar, gritando sem emitir nenhum som. Nosso time se abraçou e comemorou, os abraços dividindo suor entre as camisas úmidas, e a plateia pareceu nos acompanhar. Não em sua maior parte, afinal de contas, estávamos jogando contra o time do clube.

Depois de alguns lances ousados de Maria Júlia — Maju —, que por sorte bateram no travessão e não entraram, o apito do final do segundo tempo soou. Eu me larguei ao chão, sentando e me deitando, cobrindo o semblante com os braços. Estava exausta.

— Passamos, porra! Vamos pra final, caralho! — Aninha e Lis vieram correndo até mim, e cada uma passou a me arrastar pelo chão de grama sintética, me puxando pelas pernas. Eu ri, feliz, divertida e contente comigo mesma, como não me sentia há tempos.

Depois de alguns minutos, me recuperei o suficiente para me levantar e correr para abraçar e comemorar com o resto do time. Estava fagueira até com Thaís, senti nossa parceria aumentar.

Cumprimentamos o time adversário em sinal de respeito, e logo estávamos todas recebendo elogios de Jandira, resfolegante por si só, suando em sua camisa de técnica. Ela me abraçou, o que me deixou surpresa. Nossa técnica fazia o tipo dura e reservada, sempre sisuda com seu rosto marcado por rugas, não esperava tamanha afeição de sua parte.

Saímos de campo e fomos recebidos por nossos torcedores. Daniel e Afonso me deram inúmeros tapinhas afáveis nos ombros e nas costas, me abraçaram, me levantaram do chão. A alegria genuína deles me contagiou, tanto que apenas ri quando Daniel me xingou de porca, como sempre, pelo meu estado deplorável de sujeira e suor.

As fortuitas surpresas não haviam acabado. Meu tio caminhou até nós, e também parecia muito satisfeito. Disse que havia filmado bons lances do jogo, incluindo o meu gol de falta.

— Depois eu ainda vou bater boca com a mãe da vaca daquela zagueira — rugiu Fred, e meus amigos controlaram risadas nervosas, enquanto eu arregalava os olhos — Mas antes disso passei pra família toda os seus vídeos.

— Tio, pelo amor de Deus, olha a vergonha... — respondi, sentindo minhas faces ruborizarem.

— Vergonha de quê? Você foi sensacional hoje, Ciça! — Meu tio apertou meu ombro, parecendo extasiado. — Eu sabia que você jogava direitinho, mas não tão bem assim. A gente podia pensar em investir mais a sério nisso! — me incentivou, olhando para meus amigos como se quisesse reforço. Daniel e Afonso se entreolharam e apenas concordaram, sem jeito.

— Para, cara, não é pra tudo isso... — Não estava usando de falsa modéstia, na verdade me sentia apenas constrangida. Como já lhes disse, nunca me acostumei com o lado carinhoso de meu tio, tão raramente aflorado.

Terminei por me despedir de minhas amigas, muito contentes com o resultado final, esperançosas pelo último jogo do campeonato. Este se daria em dois finais de semana. Nosso time fora testado até o limite, e respondera muito bem.

Depois, conversei um pouco mais com Afonso e Daniel, e cada um seguiu seu caminho, meu melhor amigo indo encontrar Sandra, e Afonsinho de volta para a casa dos pais. Meu tio falou que queria me levar para almoçar em um restaurante na Lagoa, e eu agradeci. Não gostaria de estragar a aura festiva daquela tarde fazendo uma refeição no clube, e relembrando memórias tristes.

Fomos a pé para um restaurante perto do clube, depois de meu tio esperar que eu tomasse um banho rápido e trocasse de roupa no vestiário feminino.

Sentados em uma mesa para dois, eu olhei ao redor enquanto Frederico voltava a dar atenção apenas para seu celular e me ignorar por completo. Perdoei-o, sabia que já tinha feito muito.

As mesas vizinhas estavam cheias de famílias cariocas, que tinham o costume de almoçar tarde nos domingos, como nós fazíamos no momento. Avós e netos, pais e filhos, crianças, adolescentes, adultos e idosos. Pensei em quais seriam suas histórias, seus passados. Como seriam seus laços, se estavam ali de fato aproveitando a presença uns dos outros, ou se apenas se sentiam no cumprimento de uma convenção social.

Fitei meu tio, enquanto o garçom trazia uma água sem gás para mim e um chopp para ele. O colarinho estava convidativo, bem branco. Enquanto ele se distraía com o celular, roubei o copo e dei um gole longo, soltando um suspiro feliz depois. O chopp estava gelado e delicioso.

— Porra, Ciça! — ralhou meu tio, puxando o copo em forma de tulipa de volta, me olhando feio pela traquinagem.

Eu soltei algumas risadas, ao invés de esbravejar. Fred deve ter se surpreendido, porque parou de me repreender, apenas me encarou. Fiz um gesto repentino, como se fosse tocar em uma de suas mãos, mas desisti. Abaixei meus dedos até a toalha da mesa. Não tinha tanta liberdade com Fred.

Todavia, me muni de coragem e pigarreei.

— Obrigada por ter vindo, tio. Fiquei feliz.

Frederico me olhou por um tempo, depois dirigiu sua atenção para seu celular e começou a digitar. Franziu o cenho, e não me mirou de volta.

Desviei o olhar, estudando a picanha na chapa que outra mesa pedira. Suspirei em silêncio, pensando que fizera minha parte.

— Não precisa agradecer, pentelha. Estou muito orgulhoso de você, "Martinha" — brincou com um tom de voz afável que eu raramente ouvia. Virei meu rosto rápido para mirá-lo. Fred desligou o celular e o guardou no bolso da bermuda, e depois me deu um olhar verdadeiramente paternal.

Senti uma vontade estúpida de chorar. Ao invés disso, sorri.

— Espera só até a final, então. Aí sim eu vou brilhar!

— Eu não vou perder essa por nada — garantiu, bebendo o chopp. — Talvez eu caia na porrada com algum pai de zagueira brutamontes, mas faz parte — debochou, e eu gargalhei.

Tivemos uma refeição familiar leve, com meu tio contando casos do trabalho dele que eu na verdade não me importava, mas fingi estar atenta para retribuir seu afeto. Basicamente o escutei palestrar sobre a firma, e pedimos a conta.

Segunda-feira seria diferente, eu imaginava. O retorno ao meu enfastiado dia a dia escolar, e, à noite, veria Bento. Reprimi uma expiração alta ao pensar nisso, saindo do restaurante. Vi o pôr do sol se refletir nas águas calmas da Lagoa Rodrigo de Freitas, meu humor um tanto mais melancólico.

Tio Fred aguardava nosso motorista, que logo viria nos buscar. Estava de novo dando atenção ao seu aparelho telefônico, e eu resolvi olhar o meu. O grupo da escolinha estava em polvorosa, comemorando nosso sucesso. Mas o sinal de novas mensagens em outra conversa me chamou mais atenção.

Bento me escrevera.

Fitei o celular, vendo a foto de perfil de meu professor particular e os números indicando as novas mensagens, ainda não visualizadas.

— Vamos, Ciça?

Ouvi meu tio perguntar, muito mais calmo do que de costume, enquanto Válter abria a porta do carro para nós.

Olhei para o visor do meu aparelho telefônico. Desliguei-o.

— Vamos.

Bento que esperasse. Aquele domingo não seria sobre ele.

Notas finais
~ Bento que nos desculpe, que hoje é dia de Cecília. Ele que espere sentado, porque ela merece aproveitar essa felicidade tão rara; ~ Estava sentindo falta de introduzir mais personagens femininas na história. E o Clube Naval é realmente um dos clubes mais bonitos daqui do Rio. Quem estiver curioso, olhem só: http://a4.pbase.com/o2/93/329493/1/144739363.VEvMjjnQ.GIGEZEJun12596.jpg ~ E aí, o que esperam da segunda-feira? Notaram que o véio não quis esperar a aula particular, né? ~ Aguardo todos os comentários! Hahahaha!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.