Amor Faminto

9 Capítulo 8: Irmãos


Notas iniciais
I'm back!!

Sábado

Lydia tinha chegado cedo à Sopa dos Pobres, não tinha dormido nada devido à sua pesquisa sobre os Mathews na sala dos ficheiros. Não tinha encontrado muito, mas sabia que algo de errado tinha acontecido com a família. Não havia registos deles nos últimos cem anos, como se não tivesse existido no último século.

“Bem, bom dia beleza.” Jason despertou-a.

“Bom dia!” Lydia sorriu-lhe. “Então, como foi a corrida matinal?”

“Hm, boa. Nada de vampiros a atravessarem-se no meu caminho.” Ele riu-se.

Jones tentou forçar uma risada, mas não conseguiu.
Ela não entendia como o seu amigo conseguia encontrar algum humor na situação. A Alexia tinha morrido e a Octavia quase que tinha o mesmo destino. Como é que as pessoas não estavam assustadas? Ela não percebia.

“Não brinques com isso.” Lydia engoliu em seco.

“Sim, tens razão.” Jason lançou-lhe o jornal. “Aqui tens, falam da Alexia.”

Lydia leu o cabeçalho e depois o resto da notícia. Eram muitas letras, mas ela rapidamente encontrou a informação mais importante. Os Conselhos juntamente com as PIPs de cada região estavam a trabalhar em conjunto para encontrar o monstro à solta.
Quão irónico, Jones pensou, não são todos eles monstros?

“Espero que consigam apanhá-lo.” Ela murmurou.

“E vão. Não te preocupes.” Jason aproximou-se. “Vai ficar tudo bem.”

“Mas e se são-.” Lydia engoliu em seco. “Eu quero dizer, estas mortes começaram com a chegada dos Mathews e eles são vampiros.”

“Por favor, eu já conheci a Sra. e o Sr. Mathews. Eles podem ser vampiros, mas são muito simpáticos.” Ele contou. “Sério, Lyds. Eles não iriam chacinar humanos.”

“Mas e-.” Ela hesitou. “Os filhos? Eu-.”

“Lydia,” Jason tocou-lhe no braço. “acho que estás a exagerar.”

“Não!” A Jones exaltou-se. “Ryan Mathews atacou a minha melhor amiga, ok?”

Jason suspirou e afagou-lhe o cotovelo.

“Lyds, provavelmente ela quis ser mordida. Isso não é contra as regras. Ela está viva, certo?”

“Desculpa, Jason.” Lydia sorriu triste. “Estou a ficar paranóica.”

“Ei, não faz mal.” Ele sorriu-lhe de volta. “Os amigos são para isso.”

Amigos. Que surpresa, afinal Lydia Jones não estava sozinha.

Ao contrário de Lydia, Alexander queria estar sozinho. Havia noites em que ele implorava por isso e outras em que ele apenas não conseguia suportar o silêncio. Era complicado.

“Esta noite temos de ir caçar.” Lily avisou os irmãos.

“Por favor, não vamos caçar em família certo?” Ryan olhou-a.

“Sim vamos, claro.” A loira devolveu.

“Mas os pais não estão cá. Podemos caçar onde quisermos, quem quisermos.” Ele lembrou.

Alec previu a raiva de Lily. Os seus olhos foram domados por um azul brilhante, e ela aproximou-se de Ryan com as presas à mostra.

“Lily,” Ele olhou-a sem medo. “tu não me assustas. E tu não mandas em mim.”

A loira estava pronta para o atacar, mas Alec agarrou-a pela cintura. Ryan sorriu ao irmão, e voltou-lhes costas. Lily gritou para que o irmão a largasse, mas Alexander não deixaria uma guerra eclodir dentro de casa.

“Onde vais, meu?” Wes dirigiu-se ao Ryan.

“Fazer a minha cena.”

“Como quando atacaste a Octavia?” Lily cuspiu-lhe.

Alec agarrou a sua irmãzinha com toda a força que tinha.

“Aquele corpo que nos deixaram à porta não foi prova suficiente de que não fui eu que a ataquei?!” Ryan indignou-se. “Tanta coisa para confiar na família e-.”

“Como sabemos que não foste tu que mataste aquela rapariga?!” A loira gritou-lhe.

“Lily!” Mark repreendeu.

Uma rápida expressão de dor passou na face de Ryan. Alec, mesmo com a sua força sobrenatural, não conseguiu segurar Lily. No entanto, ao olhá-lo nos olhos, ela parou.

Ryan então olhou de relance para Alec. “Ambos sabemos que eu não sou o assassino aqui.”

Lily seguiu o seu olhar até Alec, e a sua raiva desapareceu e foi substituída por pena e lamento. Ryan voltou costas aos irmãos e bateu com a porta da rua.

A loira procurou aproximar-se de Alexander.

“Para, Lily.” Ele disse-lhe. “Ele tem razão.”

“Não, meu, o Ryan-.” Wes tentou.

“Não, ok! Parem! Parem de sentir pena de mim!” Alec exaltou-se.

Todos o olharam, surpresos com o aumento da voz.

“A Iris está morta por minha causa, ok?!”

“Para, Alec!” Lily gritou-lhe. “Nenhum de nós te culpa.”

“Isso não é verdade.” Alexander balançou a cabeça.

E perante aquelas palavras, nenhum dos seus irmãos conseguiu argumentar. Todos tinham ouvido a acusação de Ryan. E Alec sabia que o seu irmão tinha razão.

À noite

Lydia carregava uma mochila nas costas, apenas o essencial. Uma lanterna na mão esquerda e uma estaca de madeira na outra. Claro, a estaca não mata um vampiro, mas se uma estaca atingir os seus corações, ela paralisa-os, não se conseguem mexer, como se fosse uma anestesia geral. Pelo menos, dar-lhe-ia tempo de correr.

Quando passou pelo parque, desistiu rapidamente da sua busca maluca. Ela nem se lembrava o porquê de ter deixado o conforto da sua casa, às onze da noite, para ir caçar um vampiro.

“Sinto-me tão idiota.” Largou tudo o que carregava. “O que é que eu estava a pensar?”

Lydia passou as mãos pelo cabelo vermelho, e foi quando um barulho nos arbustos chamou a sua atenção. Ela baixou-se e agarrou a estaca.

“Quem está aí?” Lydia ergueu a arma de madeira. “Por favor que não seja o vampiro.”

Uma silhueta surgiu no escuro e a ruiva estava pronta para utilizar a sua arma, quando a figura se aproximou e a luz incidiu sobre ela. Alexander Mathews, claro.

“Sou só eu,” Ele levantou as mãos. “Tu sabes que isso não nos mata, certo?”

“Queres que eu tente?” Lydia ameaçou.

Alec riu, e aproximou-se.

“O que andas aqui a fazer?” Ela perguntou-lhe desconfiada.

“O que é que tu andas aqui a fazer?” Mathews devolveu. “Por favor, diz-me que não andas à procura do vampiro.”

“Ah, muito engraçado, Alexander.” Lydia cruzou os braços. “Eu precisava de ar puro.”

“Hm, claro.” Alec baixou o olhar. “Isso explica a mochila e a lanterna. E a estaca.”

A rapariga dos cabelos vermelhos sentiu o calor acumular-se nas suas bochechas.

Mathews aproximou-se, e ela num reflexo rápido deu um passo atrás. O rapaz tentou novamente e, sem mais espaço para recuar, Lydia acabou por cair no baloiço. Alexander aproveitou a oportunidade e encurralou-a, as suas mãos agarraram as cordas e a sua face aproximou-se da dela.

“Estás com medo de mim, Lydia Jones?”

Os olhos verdes de Lydia estavam a observar os lábios de Alec cuidadosamente. Estava escuro, mas as suas pérolas azuis iluminavam o pequeno espaço entre eles.

“Lydia,” Ela olhou-o nos olhos, então. “tens medo de mim?”

“N-Não.” Jones sussurrou. “Eu devia?”

Alec levou a sua mão direita à bochecha rosa de Lydia e ela tremeu com o toque. Ele então colocou-lhe uma mecha de cabelo vermelho atrás da orelha, e ela fechou os olhos com o gesto.

“Devias, Lydia.” Alec murmurou-lhe ao ouvido.

A ruiva levou a sua mão trêmula ao peito de Alexander, e deslizou-a até ao coração. Ela sentiu o bater fraco do coração, juntamente com o arrepio dele ao seu toque.

“Porquê, Alexander?” Lydia olhou-o intensamente. “Porquê?”

“Eu não sou bom, Lydia.” Ele parecia estar em sofrimento. “Não sou bom.”

“É isso que está por debaixo da tua máscara?” A rapariga de cabelos vermelhos então tocou-lhe na face fria e obrigou-o a olha-la nos olhos. “Não faz mal se o que está por baixo não é bonito, certo?”

“Porque estás a fazer isto?” Alec perguntou-lhe. “Eu sou um vampiro e nós não somos amigos.”

“Eu não sei.” Lydia encolheu os ombros. “Eu odeio-te.”

“Eu sei.” Ele inclinou-se mais. “Eu sou uma má pessoa.”

“Como? Mostra-me.” Jones suplicou.

Lydia queria ver o pior lado dele, ali e agora, naquele preciso momento. Ela precisava de algo para o afastar da sua mente, ela precisava de ver o quão mau ele realmente era.
Num movimento brusco, Alexander afastou-se e a mão dela caiu sobre o seu colo. Lydia fechou os olhos, e respirou fundo, com o intuito de se acalmar, o olhar dele ainda assente nela.

“Desculpa, eu não devia ter feito isto.” Alec parecia cansado. “Foi errado.”

“Sim.” Ela concordou.

Quando abriu os olhos, Alexander parecia preocupado. Os seus olhos olhavam nos arbustos à volta, parecia procurar algo.

Lydia levantou-se. “O que foi?”

Alec puxou-a para trás de si. “Não te mexas.”

“O que se passa?” Ela murmurou-lhe assustada. “Alexander, o que-.”

E foi então que uma silhueta surgiu dos arbustos, Alec puxou-a para mais perto e, então, um riso ecoou pelo parque. Era um riso frio e desprovido de emoção, a não ser raiva.

“Ryan, vai para casa.”

Lydia arregalou os olhos quando Ryan se aproximou. Os lábios dele estavam pintados de um vermelho frio e a sua cara estava fechada.

“Porquê? Tu podes ser feliz e eu não tenho a minha chance?” Ele acusou. “Tu tiraste-me a minha felicidade!”

“Eu também não sou feliz, ok?” Alec devolveu. “Eu já pedi desculpa.”

“Iris era a minha vida e tu tiraste-a de mim, Alec.” Ryan aproximou-se.

“Ok. Pensa no que estás a fazer.” Mathews engoliu em seco. “Deixa a Lydia ir-se embora.”

“Oh, mas isto é mesmo sobre ela!” Ele exaltou-se. “Tu não tens o direito de encontrar amor! Tu não tens o direito de ter o que me tiraste!”

Lydia, quando percebeu, estava no chão, tinha sido empurrada pelo Alec. Ryan estava a ser agarrado pelo irmão e olhava a ruiva com raiva, os seus olhos eram, agora, um brilhante azul e Lydia arregalou as suas duas esmeraldas.

“Eu vou matá-la!”

Ryan libertou-se de Alec e empurrou-o contra uma das árvores que tombou para cima dos baloiços. Lydia tentou levantar-se, mas não foi rápida o suficiente, Ryan já estava em cima dela. A suas presas estavam a milímetros de perfurar a delicada pele de Jones, quando Alexander se aproximou e puxou Ryan de cima de Lydia. Lançou-o para o outro lado do parque.

E só então, Jones teve uma clara visão do Alec, olhos brilhantes azuis e caninos alongados.

“Corre!”

Lydia não olhou para trás, não pegou nas suas coisas, apenas correu pela floresta adentro. Lágrimas escorriam-lhe pela cara e congelavam antes de chegar-lhe aos lábios, mas ela apenas correu, como se a sua vida dependesse disso.

E dependia.

Enquanto isso, Alexander estava a enfrentar o seu irmão pela primeira vez num século. O passado ia fazer Alec pagar pelos seus pecados, e ele sabia.

“Ryan.” Alec voltou ao normal. “Tudo bem. Mata-me. Mas não a magoes a ela.”

“Eu não te quero matar!” O outro devolveu. “Eu quero a Iris de volta!”

Ele balançou a cabeça. “Eu queria também, sabes, voltar atrás e-.”

“Tu disseste que ias tomar conta do assunto!” Ryan gritou-lhe.

“Eu estava apaixonado!”

“E cego!” O seu irmão então acalmou-se. “A Evelyn nunca te amou, Alec.”

Alexander baixou a cabeça e assentiu.

“A Lydia é igual. Ela só se sente sozinha porque não tem ninguém, eu tentei mostrar-te isso quando espalhei aquelas fotografias.” Ryan explicou.

“O quê?!” Alec olhou-o com raiva. “Tu destruíste-lhe a vida para me ensinares uma lição?”

“Eu estava a tentar ajudar-te a não cometer os mesmos erros, Alec!” O outro devolveu.

“A Lydia não é a Evelyn!” Ele lembrou.

Ryan balançou a cabeça. Ele aproximou-se do irmão e, então, colocou-lhe uma mão no ombro. Alec sorriu-lhe e imitou o seu gesto.

“Tu não percebes agora, mas ela não é uma boa pessoa.”

“Ryan, ela não é perfeita. Mas ainda é melhor pessoa do que nós.” Alexander disse-lhe.

O seu irmão assentiu e deixou o assunto de lado.

“Porque não disseste o que sentias todos aqueles anos atrás?”

“Porque pensei que conseguia esquecer.” Ryan confessou. “Mas todos os dias-.”

“-te lembras dela. Eu sei. Eu também, mano.”

Então, Alec puxou o seu irmão para um abraço aconchegador. Era a primeira que se abraçavam em cem anos e que falavam como melhores amigos que uma vez foram.

Agora, talvez, ambos estivessem prontos para seguir em frente.

“Bem, vamos buscar a tua miúda?” Ryan sorriu-lhe.

Alexander olhou-o. “Ela não é minha.”

“Claro, não até tu a marcares.” O outro lembrou. “Em breve?”

“Cala-te.”

Ambos entraram pela floresta. Ao seguir o cheiro, foi rápido encontrar Lydia. Ela estava no cimo de uma colina, o seu cabelo vermelho espalhava o cheiro delicioso do seu sangue. Quando se aproximou, distinguiu a marca no seu pescoço.

“Ryan.”

“Ela foi mordida.” O seu irmão concretizou o pensamento.

“Lydia?” Alec chamou.

A rapariga dos cabelos vermelhos voltou-se. Ela estava a chorar e quando viu os dois vampiros, afastou-se.

“Não! Lydia, para!” Ele aproximou-se.

“Por favor não, afasta-te.” Lydia soluçou. “Deixa-me!”

“Ela está a alucinar, Alec.” Ryan percebeu. “Por causa da mordida.”

“Eu sei, papá. Eu sei. Eu sou uma desilusão, eu sei, papá.” Ela murmurou.

Alexander avançou. “Por favor, Lydia. Olha para mim.”

Lydia ignorou-o e recuou novamente. “Adeus.”

Então, Lydia deixou-se cair. Ambos os vampiros, na velocidade supernatural, agarraram-na a tempo. Eles sentiram o corpo dela amolecer e Ryan ajudou Alec a pousá-la na terra. Alexander afastou-lhe o cabelo vermelho da face.

“Lydia Jones,” Ele suspirou aliviado. “Não somos amigos, não é suposto salvar-te a vida.”

“Alexan-.”

Lydia alcançou o rosto dele e quando tocou no cabelo escuro, desmaiou.

Na manhã seguinte, as coisas estavam menos nublosas para Lydia, pelo menos. Mas talvez para o resto dos Mathews não fosse bem assim. Eles estavam confusos com o recente ataque e preocupados.

“Toma, mais gelo.” Lily estendeu o saco com gelo.

Lydia agarrou-o, com um sorriso fraco. Quando encostou o frio ao seu pescoço, tremeu. Os seus olhos evitaram olhar o rapaz sentado ao seu lado.

“Quando sentires que te começa a queimar, tira. Para eu te fazer o penso.” A loira avisou.

A outra apenas assentiu.

“Não te lembras do que aconteceu?” Alexander perguntou mais uma vez.

“Alec…” Lily olhou-o.

“Não.” Lydia respondeu.

Os irmãos olharam-se entre si e a ruiva perguntou-se se eles conseguiam comunicar com a mente. Ou se eram apenas olhares significativos como os que ela tinha com Octavia.

“Bem, eu só quero pedir desculpa.” Ryan aproximou-se. “Isto foi minha culpa.”

Lydia levantou o olhar e olhou o rapaz, deu-lhe um pequeno sorriso para o tranquilizar.

“O que vamos dizer aos pais?” Wes perguntou e cruzou os braços.

“A verdade?” Lily devolveu óbvia.

“Sim, mas eles vão matar-nos.” Mark disse.

“Nós podemos sempre fazê-la es-.” Wes tentou.

“Não.” Alec cuspiu.

O outro levantou os braços, procurava desculpava-se pelo pensamento traiçoeiro.
Lydia baixou o saco de gelo e deu sinal a Lily para que lhe fizesse o penso. A loira puxou para si a caixa de primeiros socorros e, rapidamente, fez o penso à Jones.

“Perfeito!” Lily sorriu-lhe.

“Obrigada.” Lydia disse.

A porta bateu e todos os irmãos e Lydia, inclusive, olharam. A Sra. e o Sr. Mathews deixaram cair as malas e olharam para o membro a mais, sentado no sofá de couro.

“Ah,” Sra. Mathews começou. “quem é esta belíssima jovem?”

“Lydia. Lydia Jones.” Alec levantou-se. “Ela foi atacada ontem.”

“E avisaram a PIP?” O homem olhou-os com um ar preocupado.

“Não.” Ryan disse-lhes. “A culpa foi meio que minha, eu… tentei atacá-la…”

“Bem,” Sr. Mathews olhou a esposa. “tinhas razões em te preocupar, afinal.”

Notas finais
O QUE ESTÃO A ACHAR?