Amor Faminto
27 Capítulo 26: Nunca
ALEXANDER
Alexander, no fim do dia, foi para casa. Claro, não antes de deixar Lydia na sua casa amarela. Esperou que ela entrasse para ter a certeza de que estaria segura. Deixou-se estar algum tempo à porta, alerta. Depois, só depois, foi para casa.
"O que queres dizer?"
"O que eu disse." Alec devolveu.
"Quem é essa vampira, então?" Theodore estreitou os olhos.
"Sim e porquê que ela quer te magoar?" Alycia inclinou-se.
"Acham que eu sei?!" Ele exaltou-se, "Ela matou a Octavia!"
"Nós sabemos." Robert baixou a cabeça, "E eu lamento."
"Bem, talvez se tivessem feito o vosso trabalho como deve ser-." Ryan acusou.
"Ok, parem." Thome levantou-se, "Chega."
"Discutir não nos vai levar a lado nenhum." A sua mulher concordou.
Eles estavam na sala escondida, sentados no mesmo sofá onde Ethan estivera deitado inconsciente, tiveram-no ali mesmo. E, de um momento para o outro, não tinham nada.
"Ouviram?" Mark levantou-se.
"O quê?" Lily levantou a cabeça.
"Sim, eu também ouvi. Lá fora." Wesley arregalou os olhos.
Todos se apressaram para a entrada principal, não precisaram de abrir a porta de vidro para cheirar o apodrecimento do outro lado, nem para identificar o cadáver à sua porta.
"Oh meu-." Andrea cobriu a sua boca.
Robert chegou-se à frente e abriu a porta, aproximou-se do corpo, e foi seguido por todos os outros. O alpendre encheu-se, todos olharam o cadáver.
"É mesmo o Ethan." Richard murmurou.
"Sim, é." Alycia assentiu.
"Há uma nota." Mark inclinou-se e pegou no papel, desdobrou-o, "É isto que eu faço quando as pessoas deixam de ser úteis. Eu nunca fico a perder."
"Tem de ser ela." Alec engoliu.
"É óbvio." Wes cerrou os dentes.
"O que fazemos?" Lily olhou o Líder do Conselho Vermelho.
"Bem, temos de falar com o Alfie." Robert disse-lhe.
"O quê?! Não!" Alexander ficou tenso, "Ele vai voltar ao mesmo assunto, é só isso que ele quer!"
"Talvez ele esteja certo." Theodore baixou a cabeça, "Talvez a Lydia precise disso para estar, realmente, em segurança."
"Ela está segura comigo!" O outro gritou.
"Sério? Ela estava segura contigo naquela noite?" Rich olhou o rapaz.
Alexander lançou-se para cima do membro do Conselho Vermelho, com as suas presas de fora e os seus olhos brilhantes, desferiu golpes na face do vampiro, sem se importar com os gritos dos outros. Tudo aconteceu muito depressa. Theodore e Robert foram os que se chegaram primeiro à frente e arrancaram Alec de cima de Richard, agora com a cara ensanguentada. Nada que não se resolvesse em menos de cinco minutos.
"Que raio?!" Rich conseguiu levantar-se.
"Nunca mais digas algo assim." Alec ameaçou-o.
"Ou o quê, rapaz?" Ele aproximou-se, "Vais matar-me como mataste aquela pobre rapariga há tantas décadas atrás?"
"Richard!" Robert repreendeu-o, então olhou ambos, "Chega!"
"Talvez." Alexander disse, com os dentes cerrados, enquanto olhava o outro.
"Nunca te passou pela cabeça, certo?" Richard continuou, "Não seres bom o suficiente para ela."
"Já chega!" Lily agarrou o braço do seu irmão, "Chega disto! Estás na nossa casa, respeita-nos!"
Rich assentiu vagarosamente e olhou a loira, que o olhava desafiante. Afastou-se e desapareceu na escuridão, assim todos suspiraram aliviados, menos Alec. Ele permanecia tenso e continuava a remoer as palavras do outro na sua cabeça. E se ele tivesse razão?
"Estás bem, querido?" A sua mãe tocou-lhe no ombro.
"Sim." Ele balançou a cabeça.
"Podem deixar-me falar com o Alec? Sozinha?" Lily pediu a todos.
"Porquê?" Alycia franziu a testa, "Porquê tu?"
"Apenas vai-te embora." A loira estreitou os olhos.
"Vamos." Tom sorriu para Lily e depois para a morena ao seu lado, "Tu também."
Todos se retiraram, Alycia foi a última, desconfiada, ainda olhou para trás uma última vez antes de fechar a porta de vidro. Lily largou o seu irmão e deixou-o respirar. Ele realmente precisava disso, não que fosse extremamente necessário para um vampiro, mas era agradável.
"Quando estiveres pronto, eu estou pronta."
"Ele está certo, sabes." Ele fungou, "Podia ter sido ela."
"Mas não foi." A loira recordou-a.
"Sim, foi outra pessoa. Já viste o Ryan?" Alec apontou para a mansão, "Ele está uma confusão, nem consegue olhar para a Lydia. Ele gostava da Octavia e ela morreu."
"Eu sei." Lily baixou a cabeça.
"Talvez seja nossa culpa, talvez devêssemos apenas desaparecer." Ele ponderou.
"O quê?" Ela aproximou-se, "E achas que todos os problemas vão desaparecer também?"
"Os dela? Sim!" O rapaz assentiu, "Não achas? A vampira queria magoar-me a mim e acabou por magoar a Lydia. Como isso é justo?"
"O que estás a querer dizer, Alec?" A loira franziu a testa, confusa.
"Eu estou a dizer que talvez... a Lydia esteja melhor sem nós." Alexander engoliu, como se se tratasse de facas que lhe rasgavam o peito, "Todos estejam melhor sem nós."
"Não." Lily balançou a cabeça, em negação, "Tu ama-la! E eu tenho a certeza que ela também te ama! Tu não podes!"
"Porquê?" Os seus olhos encharcaram-se.
"Não podes deixá-la. Ela é muito importante para ti, não podes deixá-la ser um quase ou um talvez. Não a deixes, diz-lhe que a amas, Alec!" A voz dela embargou-se, "Podes não ter outra chance no amor como esta."
"Amá-la fez-me melhor." Alexander suspirou, "Mas eu não acho que amar-me lhe traga algo de bom."
"Não digas isso!" Lily gritou-lhe, bateu-lhe no peito, "Não digas isso, porra!"
"Lily, para!" Ele agarrou-lhe os braços, "É a verdade."
"Não! Isso é a tua verdade!" A loira olhou-a, suplicante, "Então e ela? A verdade dela?!"
"É o melhor para ela, Lily! Eu estou a pensar nela!" Alec disse-lhe.
"Não." Ela recuou, enquanto balançava a cabeça, "Tu estás a pensar em ti. Tu pensas sempre só em ti."
"O quê?" Alexander olhou-a, confuso, "Do que estás a falar?"
"Tu deixaste-me, há cem anos atrás. Completamente sozinha. Porque tu não estavas pronto para encarar-nos." Lily recordou-o, "Mas e nós? Preocupaste-te com o que nós queríamos?"
"Eu..."
"Vês? Tu és o meu irmão mais velho, era suposto tomares conta de mim e tu deixaste-me." Uma lágrima escorreu-lhe pela face, "E eu não consigo nem sequer imaginar a Lydia a sentir a mesma dor que eu senti, ou pior. Não posso."
"Eu não sabia." Alec olhou-a, perplexo, as lágrimas também lhe desciam pelo rosto, "Nunca me disseste."
"Tu nunca perguntaste."
Então, Lily abandonou-o, como ele havia feito todos aqueles anos atrás. De uma maneira ou de outra, aquele passado nunca o deixava em paz. No final, não se pode, realmente, fugir dos fantasmas do passado, eles sempre voltam para acertar contas, para lembrar, mais uma vez, quem eras, o que fizeste. Era isso que o passado fazia, vingava-se. E era justo, era sempre justo.
LYDIA
Lydia também tinha muitas contas a acertar, mas era com o presente. Talvez uma ou outra com o passado, mas ela gostava de pensar que não. Todo aquele sofrimento, aquele vazio que sentia, talvez fossem o seu pagamento. Octavia acabou por pagar o que Lydia fizera, como tratara mal as pessoas da escola, quando achava que ser popular a fazia sentir-se alguém. Talvez ela merecesse, mas Octavia não. Octavia era um anjo, pelo menos agora.
A porta do quarto abriu-se.
"Lydia, tens uma carta para ti." Amelia aproximou-se da secretária, "Toma."
Era a primeira vez que a ruiva levantava o olhar dos livros, pegou o envelope da mão da sua mãe e estreitou os olhos quando percebeu que a única coisa escrita era o seu nome.
"De quem é?" Lydia perguntou.
"Não sei, estava no correio." A sua mãe encolheu os ombros.
"Obrigada." Ela sorriu fraco.
Amelia assentiu e saiu do quarto, fechou a porta. Lydia foi abraçada pelo silêncio bem-vindo e, então, traçou a abertura do envelope com os seus dedos curiosos. Abriu-o, delicadamente, para não rasgar muito papel e espreitou para dentro, era só um papel. Retirou-o e desdobrou-o, com atenção. Não reconheceu a letra, então começou a ler.
Não devia tê-lo feito, arrependeu-se no mesmo momento. Lágrimas caíram no papel, mancharam a tinta preta e ela agradeceu. Não conseguia ler mais aquelas palavras. Não eram lágrimas tristes, eram lágrimas sedentas por vingança. Queria mais do que chamar uns nomes insultuosos, queria enfiar-lhe a mão no peito e agarrar-lhe o coração, queria esmagá-lo, e olhá-la nos olhos enquanto o fazia.
Fá-lo deixar-te, ou deixa-o. Tu não lhe pertences. Alguém como tu não pertence a alguém como ele. Não hoje, não amanhã, não nunca. O que são uns simples noventa anos comparados com a eternidade? Exato, nada.
Lydia não magoaria Alec, não hoje, não amanhã, não nunca.
As consequências do incumprimento das minhas ordens, serão fatais. Octavia pagou um pequeno preço pela tua ousadia, a próxima será pior. Sim, há pior. Há sempre pior. Talvez a tua mãe, ou Jason. Talvez a doce Elena, quem sabe? Pode ser qualquer pessoa.
Então, ela estava a soluçar. Escolher entre as pessoas que ela amava? Preferia morrer. Lydia Jones morreria todos os dias se isso significasse que as pessoas que amava estavam seguras. Mas seria morte suficiente? Então e as pessoas que ficavam para trás, que se culpariam como ela se culpava pela morte de Octavia? Bem, pelo menos estavam vivas.
E antes que penses em matar-te, estou um passo à tua frente. Tenho pessoas a observarem-te, um corte no teu pulso, um salto de um penhasco e todas as pessoas que amas morrem. Cada uma delas. Pensaste que a tua morte as salvaria, certo? Bem, surpresa, amor.
Ding Ding, o tempo está a contar.
Lydia dobrou o papel com as mãos trêmulas, largou o envelope em cima da secretária e levantou-se. Caminhou até à sua cama e, então, escondeu-se entre os lençóis. Ela não iria deixar o Alexander, não. Eles iriam acabar com aquela vampira, juntos. E então, Lydia iria saber que é isso que se faz quando lhes apresentam um desafio, enfrentam-no, juntos.
No outro dia, encontrou os Mathews na escola, estavam no refeitório, na mesa do costume. Lydia sentou-se, sem proferir uma palavra, todos a olharam imediatamente. O clima entre os irmãos parecia tenso, mas ela ignorou.
"Está tudo bem?" Alec inclinou-se sobre a mesa, "O que aconteceu?"
"Eu recebi uma carta." Ela colocou o envelope em cima da mesa, "Esta aqui."
"É de quem?" Wesley perguntou.
"Vão descobrir assim que começarem a ler." Lydia disse-lhe, e engoliu.
"É.... ela?" Ryan murmurou.
"Sim." A ruiva baixou a cabeça.
Alexander não perdeu mais tempo e retirou o papel de dentro do envelope, desdobrou-o e os seus olhos começaram a passar pelas palavras, agora manchadas pelas lágrimas de Lydia.
"Quem é esta cabra?" Mark, que havia lido pelo ombro do seu irmão, exaltou-se.
"Claramente, alguém a pedir para ser morta." Lydia devolveu.
Todos a olharam, ela tinha o olhar vazio e sem emoção. Nunca Lydia havia estado assim, ponderado e imaginado coisas horríveis como matar alguém, mas naquele momento, cega com a dor e a vingança, ela estava disposta a abandonar quem era.
"Não vou fazer nada do que está aí." Ela olhou cada um dos Mathews, "Não hoje, não amanhã, não nunca."
"Mas-."
"Mas o quê, Alexander?" Jones franziu a testa, "Eu não te vou deixar!"
"Mas se não o fizeres..." Ele não conseguiu acabar a frase.
"Nós vamos arranjar uma maneira, certo?" A ruiva olhou-o, "Eu sei que vamos."
"Claro." Ryan foi o único que lhe sorriu.
Ninguém falou mais nada, a mesa ficou em silêncio. Lydia arrancou o envelope da mão de Alec e voltou a guardá-lo dentro da mala castanha, não sabia quando seria preciso.
Naquele dia, a ruiva limitou-se a caminhar pelos corredores com a cabeça baixa e a assistir às aulas, com o lugar ao seu lado vazio. Sentiu-se sozinha.
"Vais já para casa?" Malia parou-a.
"Acho que sim." Jones assentiu e voltou a andar.
Mais uma vez, a rapariga colocou-se à sua frente. Lydia franziu a testa e olhou-a confusa, a rapariga parecia querer dizer alguma coisa, mas cada vez que abria a boca, as palavras pareciam escapar-lhe.
"O que foi, Malia?" Lydia foi direta.
"Eu... gostava de te contar uma coisa." A morena engoliu, "Sei que não é a melhor altura e que a Octavia-."
"Tudo bem, podes dizer-me." Ela balançou a cabeça.
"Eu e a Amber... Nós estamos juntas." Mal sorriu, "Sabes, tipo, mesmo juntas."
"Oh." Lydia sorriu também, "Eu estou feliz por vocês as duas."
"Obrigada!" A outra suspirou, "Eu só achei que... sabes, porque nós estamos felizes quando-."
"Mal, tu não estás proibida de ser feliz só porque a Octavia... está... morta." Jones disse-lhe.
"Então porquê que tu estás?" A sua amiga devolveu-lhe, com um olhar triste.
"Eu..." Lydia não sabia o que dizer, baixou a cabeça.
Malia afagou-lhe o ombro, "Não foi tua culpa, Lyds. Tu não podes continuar presa no que poderia ter acontecido. Isso não ajuda."
"Eu sei." Ela assentiu.
Mal deu-lhe um último sorriso antes de continuar o seu caminho e Lydia fez o mesmo. Tinha carro, o que era bom, não tinha de passar por aquela estrada a pé, não precisava de se relembrar. Não que se esquecesse, mas pelo menos naquele momento, estavam adormecidas as memórias. Sabia bem.
A porta da sua casa estava aberta e o seu coração, rapidamente, acelerou. Gritou pela sua mão da entrada, mas nada, então entrou completamente. Estava tudo no sítio, até mesmo o prato que havia deixado em cima da mesa ao pequeno almoço.
"Mãe?!" Voltou a gritar desesperada.
"Lydia."
Levantou o olhar, no cimo das escadas estava ele. Era o Alexander, e nesse momento Lydia respirou fundo, ou tentou. Encostou-se à porta, agora fechada, e deixou-se deslizar até ao chão, fechou os olhos, tentava normalizar a sua respiração.
"Estás bem?" Alec já estava ao seu lado, "Lydia?"
"Eu acho- Eu acho que estou a ter... um ataque de pânico." Disse, ofegante.
Levantou as mãos, estavam trêmulas e o seu coração parecia querer-lhe saltar do peito. A sua garganta parecia seca e ela não se lembrava como é que se respirava.
"Talvez deva ligar à tua mãe?" Ele também desesperou.
"N-Não."
Alexander agarrou-lhe a cara e obrigou-a a olhá-lo nos olhos. O peito ardia-lhe e lágrimas começaram a formar-se nos seus olhos.
"Apenas ouve a minha voz, ok? Conta como eu, ok?" Alec balançou a cabeça, "Nove, doze, sete, treze."
"Eu não con-consigo." Lydia soluçou.
"Vá lá, Lydia. Tu consegues." Ele voltou a repetir, então, "Nove, doze, sete, treze."
"N-No-Nove," Inspirou, "d-doze," Expirou, "sete," Inspirou, "treze."
A sua respiração normalizou-se e o seu coração acalmou, o seu peito ainda doía, mas quase que passava despercebido. Lydia tombou a cabeça para cima do ombro de Alec e deixou-se descansar, enquanto ele lhe acariciava os longos cachos vermelhos.
"Como fizeste isso?" Ela murmurou.
"A minha mãe costumava ter ataques de pânico quando era humana." Alexander contou-lhe, "O meu pai costumava ajudá-la, ele dizia que contar fora de ordem exige concentração por isso... tu esqueces o ataque de pânico."
"Oh."
Lydia voltou à sua posição original e Mathews ajudou-a a levantar-se, ela já estava bem mais calma. Pegou na mala castanha, que não se tinha apercebido ter largado, e começou a subir as escadas, sabia que Alec a seguiria. Ignorou os últimos cinco minutos.
"O que estás a fazer aqui?" Ela não olhou para trás.
"Vim ver como estavas depois daquilo da carta, sabes." Alec explicou-lhe.
"Eu estou ótima." Lydia encolheu os ombros.
Abriu a porta e deixou-o passar primeiro, não era a primeira vez que entrava no quarto, mas ainda assim ele parecia nervoso.
"Talvez devesses ponderar." Ele comentou.
"Sobre?" Jones franziu a testa.
"Deixar-me."
A ruiva revirou os olhos e largou a sua mala castanha algures no chão, deixou-se cair na cama larga e olhou-o, esperou que ele lhe fizesse companhia, mas Mathews continuava a olhar pela janela, completamente perdido.
"Apenas vem deitar-te comigo, Alexander." Ela pediu-lhe.
Alec olhou-a, "Tu sabes que devias."
"Por favor."
Ele suspirou longamente, antes de tomar o lugar, na cama, ao lado da ruiva. Lydia deitou-se de lado, para que os seus olhos se encontrassem e para que lhe pudesse tocar, enlaçou-lhe o pescoço com o braço, trouxe-o para mais perto.
"Eu não te vou deixar." Ela beijou-lhe os lábios, "Nunca."
Alexander envolveu-lhe a cintura e voltou a beijá-la. Quando se voltaram a olhar, tinham ambos um sorriso nos lábios. Mas, então, ele ficou sério e ela assustou-se, não sabia o que estava errado.
"O que foi?" Lydia traçou-lhe os lábios com os dedos, "Diz-me."
"Algo aconteceu ontem à noite." Ele baixou o olhar.
"Algo?" Ela engoliu, não sabia o que esperar.
"Sim, algo." Alec humedeceu os lábios e só, então, olhou-a, "Ethan, ele está morto..."
"Como?" Jones levantou um pouco a cabeça, "Quem o matou?"
Os olhos verdes escondiam algo para além das palavras da ruiva e Alec percebeu, também. Percebeu o desconforto, foste tu? ela perguntava com o olhar.
"Não, não." Ele balançou a cabeça, "Nenhum de nós. Foi ela, a vampira. Ela deixou-nos um recado também."
"Meu deus." Lydia tombou a cabeça na almofada, outra vez.
"Lamento." Mathews acariciou-lhe a bochecha, "Sei que não o querias morto."
"Mas... ele não estava na equipa dela?" A ruiva franziu a testa, confusa.
"Não mais." Ele disse.
Não conseguia acreditar que mais alguém havia morrido às mãos da vampira. Ela era, ao contrário da maioria dos vampiros que havia conhecido até aquele momento, um monstro. Ela não tinha limites e se alguma vez tivera, havia ultrapassado todos eles.
Alec pressionou os seus lábios contra os dela, numa tentativa de a distrair de quais fossem os pensamentos que a assombravam, e tinha resultado. Tudo aconteceu muito depressa, mas rapidamente, Mathews estava em cima dela, os olhos azuis fixos nos dela.
E beijaram-se. Amaram-se, outra vez.
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