Amor Faminto
2 Capítulo 1: Popular
Notas iniciais
CAPÍTULO 1
Há algo que ninguém acredita, mas é a mais pura verdade. Não vai acontecer comigo, pensam, mas acontece. Acontece sempre. As pessoas mudam. Os sentimentos desaparecem. Duas pessoas apaixonadas seguem diferentes caminhos. Amigos vão-se embora, perdem-se. Duas pessoas que se amam tornam-se desconhecidas. Há três palavras, no entanto, capazes de resumir tudo o que aprendemos sobre a vida: ela continua. Com ou sem ti. A vida continua, mas as cicatrizes, infelizmente, também.
Beep beep beep — smash!
"Estúpido alarme!"
Aquele era o terceiro alarme que ela partia. A minha mãe vai ficar tão chateada, Lydia pensou.
A rapariga de cabelos vermelhos levantou-se e cambaleou até à casa de banho para rapidamente tomar um duche e se preparar para a escola. Oh, aqui estava ela de volta para as suas rotinas, mais uma vez. Assim que Lydia se vestiu e se salpicou com perfume, desceu para a cozinha.
"Oh, bom dia querida!"
A sua mãe estava sentada à mesa, a tomar o pequeno almoço.
"Escola é uma-"
"Olha a linguagem minha menina!"
"Urgh." Lydia afundou-se na cadeira.
"Olha tenho a certeza que vai ser um ano incrível, Lydia." A sua mãe sorriu do outro lado da mesa.
Também Alexander se sentia com alguma incerteza no qua diz respeito à escola. Não colocava os pés numa há algumas décadas. Não se recordava como era, julgava ter perdido a prática.
"Tu vais te integrar facilmente, Alec, não te preocupes." Lily afirmou entusiasmada.
"E tu tens-nos a nós!" Ryan, um dos irmãos mais velhos, exclamou.
"Yeah, como? Eu não posso chegar ao pé de uma pessoa e dizer 'hey vamos ser amigos?'. Não é assim que funciona." Alec suspirou. "Ah e eu sou a porra de um vampiro!"
A sua mãe aproximou-se e beijou-lhe carinhosamente os cabelos pretos. "Tu pensas demais."
Lydia sentia-se nervosa, havia passado todas as suas férias de verão ocupadas, primeiro com a viagem a Paris, depois com outra coisa qualquer. As únicas pessoas com quem se havia encontrado no verão foi com os seus melhores amigos.
Lydia fechou os olhos, deixando-se levar pelo carinhoso beijo que a sua mãe depositou na sua testa.
"Tu pensas demais." A sua mãe disse. "Pega nas tuas coisas, eu estou à espera no carro."
Lydia assentiu.
Correu pelas escadas acima, enquanto Amelia batia com a porta da rua, e agarrou na sua mala castanha. Trancou a porta, rapidamente, quando saiu.
Cada um dos adolescentes foi deixado na escola, Lydia tinha ido de boleia com a sua mãe e Alexander havia se pendurado em Lily que ia para a floresta Este, o que ficava em caminho, para grande sorte sua.
Alec olhou para o seu horário mais uma vez, apenas para se certificar que aquela era mesmo a sala certa. Seria demasiado vergonhoso entrar na sala errada no primeiro dia de aulas.
Sim, é esta.
"Deves ser um dos novos alunos." Sra. Williams notou.
Alec tentou escapar às apresentações, e apenas correr para se esconder na cadeira no fundo da sala, mas não foi rápido o suficiente ou a professora era apenas muito observadora.
Alec parou e voltou-se lentamente, com um sorriso falso nos lábios. Apenas assentiu.
"Ótimo! Porque não te apresentas à turma?"
Ele fitou a professora estranhamente. "Quer dizer para eu ficar em frente à turma e falar sobre mim mesmo? "
"Sim, isso mesmo." Ela sorriu calorosamente.
Alec voltou-se para olhar a plateia, todos olhando-o.
Alguns tinham as mãos a cobrir a boca para que Alec não percebesse que murmuravam, mas não eram assim tão discretos. Ele é o vampiro, sussurram aos amigos. Ou talvez Alec tivesse uma boa audição, o que não era uma mentira. Vem com todas as outras características de ser um vampiro.
"Hey, o meu nome é Alexander..."
"Diz-nos mais... De onde és, essas coisas..." Sra. Williams encorajou-o.
Alec estava muito para além de desconfortável. Tentou encontrar um bom lugar para focar o seu olhar. Ele tentou a parede, mas não era uma boa ideia, ia apenas parecer um idiota.
Uma rapariga com largos canudos de um delicioso tom de cereja manteve os seus olhos verdes fixos nos seus, então ele resolveu pousar os seus nela por um determinado período de tempo. Ela lançou-lhe um sorriso de desafio.
Um bom incentivo para falar.
"Venho da Califórnia... os meus pais foram enviados para aqui pelo Conselho Vermelho e... é isso." Alec terminou então a sua introdução.
Alec estava sem fôlego quando a Sra. Williams lhe mostrou a única cadeira vazia na sala. Ele suspirou de alívio quando se afundou na cadeira. A rapariga rude já tinha a cabeça enfiada nos livros e ele decidiu que também era melhor tomar atenção à aula.
Lydia não estava a exagerar quanto à sua indisposição de ir para a escola, não era que não gostasse de aprender, esse não era realmente o problema. Eram as pessoas, e, infelizmente, quanto a isso, não havia muito que pudesse fazer.
Suspirou de alívio quando chegou ao seu cacifo, o abrigo de qualquer pessoa que esteja a tentar fugir do mundo. E essa seria Lydia, de facto.
"Hey."
Lydia tirou a cabeça de dentro do armário. E ali estava a sua melhor amiga Octavia com a sua postura popular, o seu cabelo escuro perfeito e os seus saltos de matar. E aí ela lembrou-se:
Eu sou popular também.
"Hey, Lyds! Senti tanto a tua falta!" Sorriu.
Esta fechou o cacifo da rapariga de cabelos vermelhos e arrastou-a pelo corredor com ela. Octavia começou rapidamente a contar sobre as suas férias, embora já tivesse ouvido tudo isso pois haviam-se encontrado nas férias, e Lydia já sabia que todo aquele intervalo seria exaustivo, mas era bom estar com Octavia. Por mais sarcástica, rude e superficial que ela fosse, ela continuava a ser a pessoa mais compreensiva, amiga e prestável que Lydia havia conhecido. E era, no fundo, a sua melhor amiga.
Os irmãos de Alec tinham sido inteligentes o suficiente para se manterem afastados dele todo o dia. Além de serem ridículos e demasiado interessados em raparigas, de quem gostam de se alimentar sem os pais saberem, são estúpidos. E, além disso, Alec gosta de estar sozinho.
A rapariga dos cabelos vermelhos da aula de Álgebra estava sentada com quatro raparigas e quatro rapazes numa das mesas do refeitório. Eles estavam todos a rir-se e a divertir-se. A milhas, Alexander conseguia perceber que eram os populares da escola. Eles obviamente eram jogadores de Lacrosse e elas provavelmente faziam parte da claque ou da equipa de volley.
Claro!, pensou Alec imediatamente, ela era demasiado bonita para fazer parte de um grupo de baixo estatuto social, uma coisa de humanos. E provavelmente um dos rapazes seria o namorado dela, sem Alec perceber bem como. Ela parecia certamente maldosa. Tudo o que Mathews conseguia ver era que a rapariguinha dos cabelos vermelhos tinha uma alma fria e rude, rodeada por superficialidade e burrice.
Urgh. Odeio populares.
Alec não precisou de baixar muito a música para se conseguir concentrar na conversa a acontecer na mesa dos populares. A amiga da rapariga de cabelos vermelhos, Octavia, ele conseguiu perceber, estava muito entusiasmada com algo e estava desesperadamente a tentar chamar a atenção da outra.
"Oh meu deus!"
A rude acabou por olhá-la. "O quê?!"
"O vampiro não para de olhar para ti!" Octavia apontou.
Alec rapidamente baixou a cabeça. Ele queria rir. Octavia achava que ele estava a checar a sua amiga, mas mal sabia ela que, afinal, Alec estava apenas realçando todos os seus defeitos.
"Cala-te, Octavia! Olha para ele, não-."
"Eu estou! Ele é gostoso!" Alec deu um sorriso de lado, ao ouvir a morena. "Porque não vais falar com ele?"
"Porque ele é um falhado!" A rapariguinha antipática riu.
"Ele é um vampiro, não um falhado. Todas as raparigas não param de olhar para ele!"
Octavia tinha razão. Alec sabia que as raparigas o estavam a checar, mas ele também sabia que provavelmente nenhuma delas continuaria assim tão interessada ao vê-lo transformar-se, não era uma coisa bonita de se ver.
"De quem estão a falar?" Outra das raparigas entrou na conversa.
"Um dos novos vampiros na cidade... Vês, Malia?" Octavia voltou a apontar.
"Carne fresca." Malia suspirou.
"Alexander. É o nome dele."
Alec levantou a cabeça para ter a certeza que aquela tinha sido a voz da rapariga dos cabelos vermelhos. E era.
Ela sabe o meu nome, hm.
Quem diria que ela se lembraria do nome do falhado que estava na sua aula de álgebra? Ou talvez apenas toda a gente soubesse, mas não se atrevia a dizê-lo em voz alta. Afinal todos sabiam que os Mathews tinham chegado à cidade, Os Vampiros.
"Como sabes, Lydia?"
Então Lydia é o nome dela, percebeu. Claro, até o nome dela era popular.
"Ele está na minha aula de álgebra." Ela encolheu os ombros.
"Mais uma razão para falares com ele." Octavia cantou.
"Eu não preciso que me arranjem namorado, ok? Certamente, não um vampiro." Lydia virou-se para o lado dos rapazes e entrou numa nova conversa.
"Então, maninho!"
Os irmãos de Alexander sentaram-se nas cadeiras vazias à sua volta. Ele rolou os olhos e bebeu mais um pouco do conteúdo dentro da sua garrafa térmica. Sangue, claro.
"Vimos-te a olhar para a mesa dos populares." Wes apontou. "Nós vamos estar ali."
"Yah, quero ver-vos tentar." Desafiou Alec.
"Podes crer, Alec!" Ryan ajeitou-se na cadeira. "Curti com a rapariga ao lado da rapariga dos cabelos vermelhos esta manhã."
Alec suspirou, claro que ele tinha.
"Octavia?" Perguntou, para ter a certeza.
"Correto." Ryan assentiu.
"Eu tentei falar com a bonitona dos cachos avermelhados... não correu muito bem. Ela é linda, sem dúvida, mas tão rude!" Mark contou.
Alec tentou reproduzir na sua cabeça a cena de Mark a ser rejeitado pela popular que tem uma alma gelada. Aquilo sim deve ter sido divertido, pensou! E então deixou uma risada escapar.
"Achas piada?! Pelo menos eu tentei!" Mark cruzou os braços.
"E falhaste." Devolveu Alec.
Ryan e Wes acabaram por acompanhá-lo no gozo.
A aula de Biologia depois de almoço caía bem. Era a favorita de Lydia Jones, por isso sentia-se um pouco melhor, pelo menos já não queria se esconder entre os livros, mais ou menos. Era complicado.
"Boa tarde! Bem-vindos a Biologia aplicada." Sr. Styles saudou. "Obviamente nem todos deviam estar aqui, mas já que estão aprendam algo."
Metade da turma não estava a tomar atenção e a outra metade estava a gozar com a acusação do professor. Pior parte era que ele tinha razão e Lydia sabia. Muitos alunos não são inteligentes o suficiente para frequentar biologia, muito menos biologia aplicada.
"Primeira pergunta. Senhorita Cooper."
Todos desviaram o olhar para Octavia. Lydia agradeceu por não ser o seu nome, ela não estava nem perto de estar preparada para perguntas.
"Qual o nome da enzima contida nos retrovírus e que participa da síntese de DNA a partir de uma molécula de RNA viral?"
A rapariga de cabelo escuro arregalou os olhos, procurou focar-se. Todos a olhavam sem grande surpresa. A rapariga não era muito inteligente, mas Lydia sabia que ela tinha outras qualidades. Além disso, ela iria ajudá-la com aquela disciplina mais tarde.
"Senhorita Jones?"
Lydia olhou o professor, "Transcriptase reversa."
Todos na sala a olharam como se ela tivesse acabado de ser morta por um alce e ele estivesse a comer todas as suas entranhas.
Vá lá, é a pergunta mais fácil que Mr. Styles fará durante todo o ano, pensou.
O professor sorriu, "Muito bem. Parece que está na disciplina certa, Jones. Transcriptase reversa. Ah, para aviso, amanhã têm um teste para testar os vossos conhecimentos."
De seguida, Lydia afundou-se na cadeira, procurou fugir aos olhares dos seus amigos. Eventualmente, todos voltaram a tomar atenção à aula, exceto Alexander. Ele continuava a olhá-la com as sobrancelhas franzidas e um olhar desconfiado.
"O que foi?!" Atacou-o.
Alexander rolou os olhos de forma exagerada, "Nada."
E a aula continuou normalmente.
Logo que a aula terminou, Lydia correu para o seu cacifo, com o objetivo de evitar todos os seus amigos, especialmente Octavia.
Urgh, este dia foi tão horrível quanto imaginei, Lydia pensou mais uma vez, talvez um pouco mais do que tinha previsto esta manhã.
A rapariga dos cabelos vermelhos abriu o seu cacifo e colocou as suas coisas lá dentro. Assim que bateu com a porta, notou Octavia encostada ao seu lado.
"Como sabias a resposta?"
"Sorte." Encolheu os ombros.
Lydia então começou a andar pelo corredor, em direção à rua.
Mentira, óbvio. Ela tinha estudado genética avançada no ano anterior. A sua mãe era uma pesquisadora. Mas isso era algo que Lydia preferia manter para si, para que conseguisse continuar a ser apenas popular e burra.
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