Apesar de estar preocupado se todos, principalmente sua irmãzinha, conseguiria voltar para casa em segurança, estar no futuro não era grande coisa para o Ryohei. Ele ainda via a pequena Kyoko como uma criança que apesar responsável não se deveria depositar fardo algum. Ele estava realmente feliz treinando todos os dias, e treinando de verdade, ficando mais forte e mais forte. Ele estava tão animado que nem se lembrava de ter sono ou fome.


Certa manha acordou e olhou o relógio na cabeceira de sua cama, sete horas, hora da caminhada extrema antes de começar a treinar. Naquele dia o treino com os outros iria ser só depois do almoço então seria só ele e seu saco de boxe de novo, como nos velhos tempos que pareciam ser só há três semanas, mas tecnicamente era há mais de dez anos. Esse tipo de idéia passava pela cabeça dele muito vagamente para ele as achar engraçadas ou trágicas.
Cansado, ele parou para arrumar as ataduras das mãos, seu olhar passou pelo relógio na parede que marcava duas horas, parecia estar esquecendo alguma coisa. Algo normal demais para ser esquecido, mas o que? Olhou para si mesmo: estava vestido, se lembrava de ter escovado os dentes, tinha dado a caminhada da manha... O estomago fez um som que o fez perceber uma dor que não tinha notado antes, fome, é claro. Kyoko deve ter ficado preocupada, ou se divertido por conhecê-lo a ponto de saber que boxe o fazia esquecer o almoço.

Quando ele chegou na cozinha só encontrou uma garota magrinha, de cabelos curtos, lavando os pratos, ela com certeza parecia bem mais inofensiva do que era. Ela se virou sem encará-lo enquanto ele abria as portas dos armários tentando encontrar qualquer coisa que pudesse ser colocada na boca. Ela ainda tinha muita vergonha de conversar com qualquer um que não fossem as garotas ou o chefe, mas já andava livremente pela base e no máximo rezava para não encontrar o garoto de cabelos prateados que estava sempre explodindo as coisas ou reclamando com alguém.
— Chrome, não é? Os outros almoçaram há muito tempo? Cadê a Kyoko?
— Kyoko-san foi com a Haru-san buscar os alimentos que vão ser necessários para o jantar. O boss ia te chamar para almoçar, mas o Reborn-san falou que uma hora você viria... – A voz dela foi sumindo enquanto ela fitava o chão.
— Se a Kyoko não se preocupou está tudo bem – ele voltou a mexer nos armários – tenho que comer alguma coisa para poder voltar a treinar ao extremo! – só a idéia já parecia animá-lo.
— Errr... eu ainda estou aprendendo a cozinhar, mas... – passou pela mente dela desistir da idéia e simplesmente deixar a frase pela metade, era uma proposta absurda – eu posso tentar cozinhar algo pra você. – Ela fechou os olhos como quem espera uma negação.
— Obrigado Chrome-chan! Isso seria útil ao extremo! – O sorriso do Ryohei se iluminou, por um momento fez Chrome se lembrar do Ken, mas depois percebeu que era diferente, não a fazia se sentir em casa, simplesmente mais nervosa ainda.
Ela fez alguns bolinhos de arroz, o formato deles parecia mais normal depois de treinar um pouco mais, alguns acompanhamentos e serviu para o garoto que parecia impaciente. Mais pelo treinamento do que pela comida.
Ele mandou-a sentar-se à mesa enquanto ele comia e comeu com muito gosto, agradeceu como se fosse a melhor comida que já tivesse provado. Ela estava ficando realmente encabulada com tudo aquilo.
— Você também precisa treinar agora não precisa? – o ultimo pedaço da comida ainda estava na boca. Ela assentiu. – Então vamos logo! Treinar ao extremo! – Ele a puxou pelo braço até as salas de treinamento correndo. Chrome a principio se assustou, não estava acostumada com contato físico, mas logo se deixou levar e sentiu uma pequena felicidade se misturando com a vergonha.

Notas finais
Escrevi essa parte a algum tempo e dei uma rapida revisada antes de postar. Pensar nesse casal me faz sentir uma certa dó do Mukuro, tirei a mina dele -q
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.