Amor Entre Grades

19 A cabeça que vai do caos ao paraíso


Notas iniciais
Olá meus caros leitores ! *desviando da imensidão de kunais em minha direção* Brincadeiras a parte, eu queria muito me justificar pela imensa demora na postagem desse capítulo final. Depois de quase três anos após a última postagem, cá estou eu, pra finalmente finalizar a fic e me explicar. Eu tentei, por várias vezes, escrever esse capítulo final, porém ele nunca soou como devia. Eu sentia que eu estava "me obrigando" a escrever algo que eu sentia que não estava ficando como eu queria, e eu definitivamente não queria postar algo que não me deixasse satisfeita. Aconteceu muuuitas coisas na minha vida pessoal nesses anos que se passaram, eu mudei muito, vivi coisas novas e minha escrita mudou também. Mesmo me sentindo diferente, tive a preocupação de escrever em uma linguagem que se "encaixasse" com meus capítulos anteriores, mas que abordasse algumas questões mais "maduras" pois senti que os personagens também amadureceram junto comigo nesse processo. Acho que nesses dias senti a "inspiração certa", li a história novamente e consegui escrever um capítulo final que eu me orgulhei. Espero que gostem, de coração, pois essa fic é um xodó pra mim. Vejo vocês lá em baixo !

— SAIA DAQUI, AGORA ! – A voz de soprano da Hyuuga se fez presente aos berros

Mesmo de longe, dava pra ver o quanto os olhos cor de lua estavam aborrecidos. As nuances avermelhadas, saiam dos olhos e contornavam toda a pele alva da garota. Traços de aborrecimento.

Shino, deu um passo pra trás na defensiva. Não precisava ser muito inteligente para saber que ninguém o queria ali. Hinata, Naruto e Sakura estavam praticamente acampando na sala de espera do hospital, na espreita de qualquer sinal de resposta positiva do corpo de Sasuke que pudesse melhorar o prognóstico ruim.

Sakura se prontificou de segurar Naruto, que se encontrava largado nas poltronas do fundo, anteriormente tirando uma soneca. O loiro queria avançar em Shino por conta dos últimos acontecimentos, porém Sakura foi mais rápida ao conter o Uzumaki.

— Eu sei que vocês não me querem aqui – A voz de Shino parecia murcha – Mas vim ajudar.

— Qual é, cara ! – Berrou Naruto ainda sendo segurado por Sakura – Enfia os seus insetos envenenados no meio do ...

— Parem os dois com essa palhaçada ! – Interveio Hinata virando-se pra Shino – Você sabia o quanto ele era importante pra mim. Não precisava ter feito o que fez.

— Ele tinha você nos braços, Hinata ! Eu vinha trabalhando nesses insetos há muito tempo e ele me provocou em combate...

— E realmente precisava usá-lo como cobaia para esses seus insetos? Ele tinha acabado de ser solto. Mesmo que ele quisesse ir embora da vila, ele poderia ir, era um homem livre! Não feriu nem Naruto, nem a mim ! – A voz da Hyuuga parecia morta, como se apenas um fio de esperança a sustentasse para estar ali horas a fio naquele hospital esperando uma notícia milagrosa para Sasuke

Naruto ainda se esperneava, mas Sakura era forte o bastante para mantê-lo ali. Se ela soltasse o Uzumaki, cadeiras iriam voar naquela sala de espera.

— Você merece é um par de chifres do tamanho do mundo, Shino ! – Berrou Naruto enfurecido – Francamente ! Usar um veneno desses no Sasuke, só porque Hinata foi atrás dele ! Você não podia fazer essa experiência com os seus insetos em ratinhos de laboratório ? Precisava usar Sasuke ?

Shino pegou os óculos escuros e os guardou no bolso. Nos seus olhos cor de mogno, agora vulneráveis, podia-se observar o quanto estavam vermelhos e com o cenho franzido. O quanto cada pedaço de seu rosto sentia muito com aquilo.

— O problema é que vocês esquecem das coisas muito rápido – Sua cabeça se esforçou pra não ser preenchida pela avalanche de memórias que se inclinavam diante dele – Mas eu ainda sinto. E eu ainda não consigo esquecer.

Os olhos agora miravam Hinata com fúria. Quase como dedos apontados diante dela. A menina se inclinou temerosa, entendendo completamente o que ele queria dizer.

— Kiba já está morto – A voz dela estava cada vez pior – Mas a morte do Uchiha não justificaria a primeira. Jamais vai poder trazê-lo de volta, Shino. Nosso Kiba se foi.

E ele ficou em deleite com a expressão “nosso”. Aquilo o lembrava de tempos antigos, de seu trio inabalável. Aquela palavra o fazia recordar da amizade de tempos doces e até um tanto inocentes, de quando ela ainda era dele.

E apesar da voz aos pedaços, a menina não chorava. Kiba sempre estaria em um pedaço intocado em suas memórias. Sempre seria o melhor parceiro de todos. Mas ela estava no caminho da aceitação e agora entendia que Kiba foi pra missão sabendo de todas as consequências. Sasuke não o matara diretamente, foi por consequência de tentar se esquivar de sua fuga Kiba não resistira.

— Eu sei – A voz de Shino veio quase como um sopro, com pouca força pra sair – Nunca consegui aceitar, nem perdoar. E jamais poderia culpa-lo por você escolher a ele e não a mim.

— Eu não quero chegar nesse assunto de novo, Shino – Hinata se inclinou na primeira poltrona que antes estava sentada e se jogou completamente exausta – Vá embora, por favor. Não sabemos quanto tempo ainda resta para Sasuke.

Naruto e Sakura escutavam o diálogo por alto, sem entender sobre seu enredo. Hinata havia comentado com os dois sobre seu envolvimento emocional com o Uchiha, durante sua trajetória de cuidados na cela, porém ainda haviam muitas lacunas que despertava a curiosidade dos dois. Era estranho pra eles, ver Sasuke, seu companheiro do time 7, se envolvendo com alguém feito Hinata, a qual esbanja uma doçura que soaria distante para a frieza do Uchiha. Era como se os dois fossem uma combinação improvável.

— Mas eu vim ajudar. Você está correta no que disse. Se Sasuke morrer jamais terei Kiba de volta. E também, jamais vou te ter de volta, porque você nunca foi minha.

Ela tornou a observá-lo, ainda sentada na poltrona. Seu corpo estava exausto. Exausto por ficar horas seguidas dormindo e acordando naquela poltrona de hospital. Exausta por criar e recriar expectativas visualizando um futuro onde teria que lidar com mais uma morte de alguém importante. E além de Sasuke ainda havia Shino, o qual ela não entendia o relacionamento deles, mas estava extremamente magoada com tudo que estava acontecendo.

— Eu sei que mesmo com o Uchiha morto nós dois, ainda sim, não conseguiríamos ficar bem. Você o ama incondicionalmente.

— Eu também amei você – A voz da garota era fraca quase sem força para responder

— E acho que sempre vamos nos amar. Mas é diferente, e eu entendo.

Ele se aproximou dela, resistindo ao ímpeto de tocá-la. Com Hinata ainda sentada, Shino jogou no colo da menina uma espécie de ampola pequenina, com cerca de 10 ml em seu interior de algum líquido transparente.

— Nunca quis ser um assassino. Entregue aos médicos, Hinata, isso é o soro com os anticorpos prontos do veneno que desenvolvi. Espero que funcione, como funcionou nas cobaias do laboratório. – Ele se afastou e se dirigiu a saída enquanto Hinata estava paralisada

Com o corpo tremendo ela analisou a ampola com o líquido misterioso. Tinha uma tampa metálica na ponta e o líquido parecia transparente, feito água. Não existia etiqueta e nenhum outro aviso escrito na embalagem.

Rapidamente os dedos mais firmes e astutos de Sakura tomaram a embalagem da mão de Hinata e se prontificaram para tomar as atitudes mais sensatas possíveis. Ela se inclinou para Hinata, olhando dentro de seus olhos.

— Hinata, preste atenção, por favor. Você é parceira dele há anos. Podemos confiar nele ? Esse soro é um processo de imunização passivo confiável ?

—Bom, eu acho que Shino não seria mal caráter de dar veneno para terminar de matá-lo. Digo isso porque se ele quisesse Sasuke morto era só questão de aguardar mais algumas horas...

— Isso parece uma água de esgoto velha – Disse Naruto querendo pegar a ampola com os dedos, porém, Sakura foi mais rápida e se esquivou

Aquela era a verdadeira aluna de Tsunade. Seus olhos eram firmes avaliando a melhor possibilidade do contexto atual. Os anos de treinamento com Tsunade em suas artimanhas médicas lhe dera um preparamento adequado pra lidar com aquilo. Se Naruto quebrasse a ampola as consequência poderiam ser graves.

— O que você sabe sobre esse lado do Shino, mexendo com engenharia genética ? Ele é bom? – Perguntou Sakura enquanto avaliava o líquido contra a luz do hospital

— Sei que ele tem um laboratório próprio dos Aburame, no centro da vila. E na casa dele, desde pequeno, ele é ensinado a mexer com venenos e ter esses cativeiros de insetos o qual ele faz essas modificações.

— Shino, desde criança, demonstra habilidade ao lidar com esse tipo de coisa – Analisou Sakura lembrando-se de toda reputação da família Aburame com o laboratório famoso e todos os insetos – Mas isso não quer dizer nada. Essa ampola pode salvar a vida de Sasuke, ou terminar de matá-lo.

— Você confiaria na palavra dele, Hinata? – Dessa vez a pergunta foi de Naruto

— Shino é bom. Acho que ele armou isso para o Sasuke porque sabia que tinha como solucionar tudo. Ele está morrendo, não podemos perder mais tempo !

E juntos ele seguiram, prontificados a falar com o corpo médico do local e talvez mudar o destino de Sasuke Uchiha.

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A curvatura de suas costas parecia ser esculpida. Seus ombros continuavam largos apesar de agora estarem ligeiramente menores. Seu corpo todo parecia mais longilíneo que o normal, já que sua camada de músculos se encontrava menos espessa. Dois dias inteiros internados, e o soro de Shino fizera milagre. Bastou apenas 30 minutos, com o soro direto na veia, para que ele já se sentisse novo em folha, e os outros dois dias de internação foi para comprimento de protocolos hospitalares e hidratação do corpo.

— Como se sente ? – Disse Kakashi enquanto ele finalmente guiava o Uchiha para fora do hospital

— Vivo – Era a resposta mais verdadeira

Aqueles dias sob o efeito dos insetos de Shino foram piores do que qualquer dia na cela de sua antiga prisão. Todos os efeitos colaterais do veneno, enjoo e a sensação de estar atolado na areia movediça sem conseguir se mexer, perdendo seu ar tudo ao mesmo tempo, foram terríveis.

Kakashi segurava para Sasuke uma sacola de plástico com algumas roupas que ele usara nesses dias de hospital. Tudo que Sasuke tinha agora no mundo, era aqueles itens da sacola.

— Então você estava planejando escapar, não é? – Era nítido o tom de desapontamento de Kakashi

— Não me culpe. Não achei que devesse ficar aqui.

— E por que não ? Aqui você tem amigos que arriscaram a vida por você. Com você aqui, conseguiríamos avançar nas pesquisas em torno do que achamos no esconderijo de Orochimaru. Você é um homem livre, Sasuke. Conseguiu uma segunda chance, não precisava fugir.

— Desde o início isso foi um plano seu não é ?

Eles já andavam ao redor de Konoha, sem nenhum rumo fixo.

— Eu sempre quis o melhor pra você.

— Então você a escolheu de propósito? O que te fez pensar que Hinata teria alguma influência sobre mim?

— Uma pessoa incrível tem total potencial para mudar pessoas babacas.

— E você acha que ela conseguiu me mudar ?

— Mudar, exatamente, não. Mas florescer. Você só pode mudar a si mesmo, se você quiser. Mas sempre senti que você precisava de um lar.

— E por que não escolheu Naruto ou Sakura ?

— Eles já foram escolhidos pra você tem muito tempo. E eles foram o seu lar durante um período, no passado. Mas depois de capturado, Hinata, estava arrasada com a morte de Kiba. E você estava arrasado por estar vivendo sem viver, de fato, já que estava preso. Achei que ela teria a medida de doçura exata pra fazer você se sentir vivo.

E essa era a melhor palavra pra descrever, Sasuke Uchiha, nesse exato momento.

Vivo

— Acho que o veneno do Shino foi mais efetivo em relação a isso. Apenas na morte eu vi, o quanto eu queria estar vivo.

— Mas por que você quis fugir ? Você já era um homem livre, Sasuke....

— E como poderia garantir ? Como eu preveria o momento que Anko decidisse surtar e me trancafiar de novo ?

—Você conquistou sua liberdade. Sabe disso. As informações que estavam no esconderijo de Orochimaru era procuradas por anos. Você correria muito mais perigo fora da vila com os seguidores do Orochimaru, do que aqui dentro.

O silencio se fez presente. As passadas largas de Kakashi e Sasuke eram aleatórias, porém onde quer que Sasuke pisasse, ele iria ser notado. Nitidamente ouvia-se o burburinho de dedos apontados e cochichos soltos a cada passada do Uchiha na Vila da Folha. Ele odiava esse tipo de atenção, embora ele sempre quisesse ser reconhecido, ele odiava se sentir a fofoca da semana.

— Eu não queria magoá-la – Disse Sasuke – Ela ficaria melhor aqui. Sem mim.

— Olha só – A voz de Kakashi era surpresa – Então é verdade quando dizem que o “amor não é egoísta” ?

— Eu também pensei em mim. – Sasuke ponderou – Eu queria viver a minha vida como sempre vivi. Sozinho. Estar preso nessa possibilidade de amor o qual eu posso magoar ou ser magoado me aterrorizava.

Kakashi sorriu olhando pra sua esquerda. A sua juventude que agora se encontrava no passado o fazia divagar para longe com as lembranças, sem dúvida alguma, o Uchiha o fazia se lembrar de seus tempos mais amenos, onde Kakashi era jovem e com a pele cheia de colágeno, enquanto que todo o seu corpo com muitos anos a menos, era capaz de fazer acrobacias hoje impensáveis. Kakashi também fora um conquistador em seus tempos de juventude, e assim como Sasuke, ele também não conseguiu se entregar a ninguém, por simplesmente ter medo.

— Sabe, Sasuke, você é muito parecido comigo.

Sasuke, continuou calado. Ele sempre sentira uma identificação com seu sansei, embora não soubesse exatamente do que ele estivesse falando.

— Mas sabe de uma coisa ? – Continuou Kakashi – Hoje já mais velho vejo que fui muito burro. E estou vendo que você está cometendo o mesmo erro que eu. Não seja burro, Sasuke, não existem problema algum.

— Problema em quê ?

— Em ser vulnerável. Em se arriscar.

— Não consigo. Sinto que não mereço. Que ela também não merece, algo como eu. Algo obscuro. Algo que já foi ruim de um jeito que ela jamais foi.

— Eu entendo perfeitamente. Hinata é boa. Claro que eu não estava cogitando um romance entre vocês quando eu a contratei para cuidar de você, mas se está acontecendo, porque você insiste em deixar ela ir ?

— Eu nunca fui bom. Minha cabeça vale milhões. Jamais poderei ter filhos, uma família...

— E quem está falando em casamento ? Vocês começaram a se envolver agora, Sasuke. Você tem um complexo de inferioridade muito grave, você sente que não a merece e você sente medo de arriscar. Como ninja você é ousado e bem articulado. É excelente em jutsos, se dedica em seus treinamentos, se joga de cabeça, se esforça até não poder mais... mas quando se trata de amor, você foge, como se não merecesse.

Ele se sentia completamente exposto. Sua máscara de ninja inabalável não funcionava com Kakashi. Ele conseguia entender a psicologia por trás de todo o seu histórico com abandonos. Eles continuavam andando sem rumo fixo, agora em um pedaço bem menos populado da aldeia.

— Sei que sua vida não foi fácil. Tudo o que você passou com Orochimaru, com seu irmão, com toda a sua família...gerou buracos em você. Traumas que você que você insiste em negar.

— Você me pegou – Disse Sasuke se sentindo livre como a muito tempo não sentira – Eu fujo de tudo que soe como família.

— Naruto, Sakura, Hinata...eles são laços importantes pra você. E quando você não consegue fazê-los ir embora, você é quem se afasta.

— Até onde quer chegar ?

— Que você deve parar de se matar. Parar de se sentir pouco, parar de achar que não merece ser amado. Eles fizeram de tudo por você. Eu acompanhei Naruto fazendo discurso aos aldeões tentando fazer com que eles mudem a opinião sobre você, Hinata o ajudou também, mesmo sendo tímida. Eu acompanhei as lutas de todos eles, todas as lágrimas que duraram anos, só pra te trazer de volta, Sasuke. Agora, se você não quer ser ajudado, você precisa se afastar pra sempre e deixar a vida deles seguir, por que não é justo com eles também. Se for vir, que seja pra ficar, que seja pra se entregar.

A enxurrada de memórias tomou conta do Uchiha, de todos os anos de tentativas frustradas em querer trazê-lo de volta. De lutas e choros, de todo o compilado de planos bem elaborados, treinamentos e conversas que não valeram de nada. Kakashi estava completamente certo, e Sasuke sabia disso. Sabia sobre toda a crise existencial em sua cabeça, sobre todo o caos de seus pensamento, sobre todas as memórias doces que culminavam em traumas devido a forma como tudo acabou.

— Sabe onde você vai dormir hoje ? – Perguntou Kakashi ao ver que eles ainda andavam sem rumo fixo

— Vou achar um lugar pra mim. Algum canto pra ficar.

— Está vendo só? É exatamente sobre isso. Se você tivesse dado a eles, a chance de entrar, você já teria um lugar pra dormir hoje. Você teria um lar, nessas pessoas.

O vazio dentro de si ardia feito brasas. Na medida que sentia vontade de gritar, para espairecer, também não conseguia emitir som algum. Como um nó abafado na garganta. Sentindo todo o seu corpo sob o efeito da adrenalina tinha uma pessoa que piscava em sua cabeça como uma bateria, alguém que era a melhor ideia de família que ele poderia ter.

— Preciso ir – Disse Sasuke antes de sair correndo deixando Kakashi para trás

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Ele viu como os fios loiros e longos brilhavam no sol. Balançando com o vento, com tanto volume, que pareciam ter vida própria naquele rabo de cavalo que chegava até o quadril. O uniforme ninja, na cor roxa, contrastava com sua pele alva que parecia queimar naquele sol escaldante.

— Eu queria agradecer – Shino apareceu de supetão acompanhando a loira para agora pra caminhar ao lado dela

— Agradecer ?

— Não soube ? Entreguei o soro que salvaria Sasuke da morte. Eu jamais teria coragem de usar um veneno, se eu já não tivesse desenvolvido um antidoto pra ele. Antes de se desenvolver algo poderoso, devemos ter responsabilidade sobre esse algo.

— Se você já tinha soro porque entregou só agora ? E porque está me agradecendo ?

— Porque confesso que por uns minutos quis me vingar pelo Kiba. Quis ver Sasuke morto. Porém, eu jamais teria coragem, e suas palavras me fizeram despertar pra realidade, Ino, pois eu não sou um assassino.

A menina sorriu levemente. Era como se lentamente, as coisas pudessem voltar ao lugar e eles, finalmente, depois de todo o caos, pudessem respirar em paz.

— Espero que Hinata seja feliz e eu também. Não quero mais ser dominado pela minha soberba. Acho que temos que ser humildes pra aceitar quando os ciclos se fecham e aceitar o início de um outro.

—Que lindo – Disse Ino com uma pitada de orgulho e ironia misturados – Um homem rejeitado aceitando essa rejeição como um homem.

— Bom...você foi muito sincera comigo e acho que eu mereci todo o tom de deboche.

— Usei foi pouco. – Ela deixou escapar um riso

— Concordo. Mas me sinto melhor agora, e vim agradecer.

— Tudo bem. Fico grata que todo furacão de loucuras já passou e finalmente vamos ter um pouco de paz. – Disse se afastando em um tom de despedida – Preciso ir na lavanderia, pegar minhas roupas que já estão prontas...

— Ah, sim, tudo bem. Também fico feliz que tudo está bem agora. – Juntando todo o ar que ele tinha ele criou coragem – Ah, Ino ? O que acha de hoje à noite sairmos pra beber alguma coisa ?

Ino soltou outra risada debochada.

— Acho que não tenho vocação pra ser segunda opção de alguém, de novo, né ?

Shino sentiu as bochechas queimarem com a rejeição. Estava obvio que ele ainda sentia algo por Hinata, porém ele já decidiu que sua vida iria seguir e estaria tudo bem explorar outras opções. Ino era digna de interesse, além de linda e cheia de personalidade, ainda era guerreira como mulher e como ninja da folha.

— Estou superando, Hinata. Claro que não vai ser da noite pro dia, mas sei que tanto eu como ela vamos ficar bem sendo apenas amigos.

— Entendo – Disse Ino – Mas até lá prefiro beber meus drinks sozinha.

— Tudo bem – Disse Shino tentando entender o lado dela também

Afinal, Ino era tão espontânea que até nesse momento embaraçoso ela conseguia ser sincera e leve.

— Mas, quem sabe um dia, né ? Preciso ir, Shino ! A lavanderia me espera ! – Disse se afastando e fazendo sinal de despedida com as mãos

Shino acenou de volta, vendo ela se afastar.

Ela estava completamente certa. Agora era o momento de pensar em si e dar tempo para a reconstrução. E independe do desfecho, ela sentia seu amadurecimento e amor próprio florescendo de um jeito que ela sabia que seu querer, futuramente, poderia ser de Shino ou de qualquer outro rapaz, mas que acima de tudo, ela saberia priorizar sua saúde mental e seu próprio tempo.

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Os dedos estavam trêmulos enquanto tocavam à campainha. Sua cabeça traçava um protocolo de diálogo para se organizar no que pretendia dizer, mas ao mesmo tempo, ele sabia que não saberia dizer nada do que teria planejado. As palavras lhe faltavam na medida que a visse novamente.

Foi quando finalmente uma figura surgiu a porta. Definitivamente, não era Hinata sob a grande porta esculpida de madeira mogno escura. Mas era bem parecida. A figura graciosa era alguns centímetros mais baixa que Hinata, tinha os mesmo olhos perolados, porém existia algo neles que Hinata não possuía. Era uma articulação diferente. A Hyuuga mais nova sempre fora menos inocente, mesmo com a pouca idade. Existia um brilho perolado diferenciado, enquanto os mesmos fitavam o Uchiha feito uma serpente esguia.

— O que está fazendo aqui, Uchiha ?

Seus joelhos tremeram ligeiramente, ele jamais imaginara ver a irmã mais jovem de Hinata recepcionando-o. Mas ele manteve-se na sua mentira inabalável, mantendo a força nos joelhos pra não demonstrar nenhuma fraqueza.

— Não esperava vê-la por aqui. Você é Hanabi né?

— Como não esperava ? Eu moro aqui, idiota.

Até o tom de voz era diferente do de Hinata. Todo o sopro de ar que se passava nas cordas vocais, formando o som, era mais encorpado, tinha uma potência e raiva que nunca vira em Hinata. Porém, visualmente, eram fisicamente muito parecidas, exceto pela postura bem esbelta que a Hyuuga mais nova contemplava.

— Tem razão – Disse Sasuke fazendo de tudo para baixar a guarda que seu inconsciente insistia em subir inabalável – Hinata está por ai? Posso vê-la?

— Ela está sim. Mas não pode ver você agora.

— Mas por que não ?

— Porque eu não quero – O som de deboche veio como sinos mostrando a voz delicada apesar de firme na risada maquiavélica – Você conseguiu sobreviver à morte não é? Agora deixe Hinata em paz, ela já enfrentou o bastante nas suas mãos.

Ele sabia o quanto ela também estava correta. O tão correta quanto Kakashi também estava, ao afirmar que todos que se envolveram com Sasuke Uchiha foram magoados por todos os buracos de sua mente, onde seu pedaço cheio de falhas e traumas, não consegue se envolver. Mas ele se sentia um novo homem. Um homem que sentira o veneno dos insetos de Shino. Um homem que sentiu sua alma ser sugada para as sombras quase sendo destinado ao pó. Ao nada, que a morte o levaria para estar.

— Vá embora e não volte mais aqui !

— HINATA !! – Berrou Sasuke com todas as suas forças antes que Hanabi pudesse fechar completamente a porta

— Cale a boca ! – Disse Hanabi fazendo som de silencio com o dedo indicador – Quer causar mais o quê na vida dela, Uchiha ? Vá embora !

— HINATA ! – Ele sabia o quanto Hanabi estava certa mas ele também sabia que precisava ver Hinata de todo jeito

Ele tinha plena consciência que acumulando chakra por todo o seu corpo ele conseguiria pular o portão da casa dos Hyuuga. Ele sabia o jutso exato para arrombar a porta e chegar até Hinata. Mas havia uma força invisível que o impedia de passar pelos muros daquela casa, era como se aquele ambiente fosse sagrado demais para ele ter a ousadia de invadir. Era o respeito tão grande que ele nutria por ela, que o impediria de agir dessa maneira tão brutal. Mas sua garganta ainda não conseguia parar de berrar.

— HINATA !

Ele viu que Hanabi tinha sumido de vista, e notou uma ligeira movimentação dentro da casa devido o som das vozes lá dentro. Seu coração acelerou ao reconhecer a delicada voz de soprano.

— O que foi? – Ela de repente surgiu abrindo a porta da casa vendo-o longe pelo menos uns três metros de distancia no portão

Era exatamente como Kakashi havia explicado. Cada pedacinho de Hinata soava como “lar”. Seus braços envoltos pelo moletom largo pareciam tão convidativos pra ele, como se estivessem quentes para o abraço mais macio do mundo, seus traços delicados, apesar de tristes, ainda sim, pareciam felizes ao vê-lo. Os perolizados desses olhos eram totalmente diferentes dos de Hanabi. Não existia um melhor ou pior. Mas Sasuke sabia que os dela seriam os seus favoritos, com toda a doçura delirante que fazia o seu laço, o mais difícil de se escapar.

— Hinata ? Podemos falar um pouco ?

O corpo da menina se inclinou em direção ao portão, porém um braço puxou Hinata de volta pra casa.

— Deixe de ser tonta! – Era a voz de Hanabi dura e hostil – Ele não te merece!

— Eu sei que não – A voz de Hinata era triste – Mas preciso ouvir o que ele quer me dizer.

Hinata se desvencilhou mais uma vez dos braços da irmã e caminhou até o portão. Que doce coincidência. Mais uma vez, eles estavam separados por grades. Mas dessa vez o portão não iria abrir, eles conversariam por ali mesmo, com aquelas grades diante deles soando como uma muralha imensa. De maneira bizara, Sasuke sentiu uma ligeira saudade daquelas grades da torre de sua cela. Hinata sempre estava presente, e apesar da tristeza de estar preso e todas as sessões de tortura, existia uma doçura e inocência que ele poderia manter na prisão, onde se sentia estranhamente protegido do mundo externo. Porém, ali não era o mesmo contexto e ele tinha que assumir as consequências sobre isso. As consequências de um homem livre solto com o peso do mundo.

Ele colocou a mãos entre as grades do portão, desesperado. O medo de deixar tudo ir novamente o atingia completamente. Ele não era acostumado a manter laços os quais sua mente achava não merecer.

— Hinata, eu sei que fui um imbecil por ir embora...

— Foi mesmo!

— Deixa eu terminar! Eu quase morri envenenado ! Senti meu espirito saindo do corpo, como se eu não fosse voltar mais. Desejei ter respirado mais, ter amado mais...desejei ter ficado. Ficado aqui com você.

— Uma pena ver você partir tantas vezes. Também achei que você iria morrer.

Os traços delicados eram tristes. Quase como se em um grito de silencio pudesse dizer tantas coisas.

— Na minha morte foi quando eu desejei ter mais vida. E tudo que minha mente pensava, era que queria essa vida com você. Queria ver o sol se pondo, treinamentos ao ar livre, beijos na sua boca, sentir o cheiro de seus cabelos, sentir a sua pele...e...ir pessoalmente na padaria com você comer aqueles doces deliciosos ao seu lado.

Os olhos de Hinata se arregalaram ao ver os ônix do Uchiha marejados.

— Kakashi sensei disse toda a verdade pra mim hoje. Que eu nunca me coloquei na posição de merecedor. Por tudo que eu vivi, por todas as dores que passei...nunca imaginei ser capaz de amar ou ser amado. Sempre tive medo. Mas eu quero a vida com você, Hinata !

— Mas eu estou cansada, Sasuke ! Você parece incapaz de se envolver, incapaz de sentir alguma coisa, se não fosse o veneno de Shino você estaria bem longe daqui agora com Karin e Suigetsu.

— É verdade. Mas ainda estaria pensando em você mesmo de longe. Ainda estaria querendo estar com você, mesmo com meus traumas do passado me impedindo de estar.

Ele esticou a mão entre as grades, pegando o braço trêmulo da menina. Ele direcionou a mão dela diretamente em seu peito. Seu peitoral agora estava quente e vivo, com um coração batendo enlouquecido dentro dele.

— Eu quero tentar, Hinata. Eu quero enfrentar todos os meus demônios. Pela primeira vez eu não quero fugir ! Quero encará-los. Quero entender todo o caos que minha mente me trás. Quero discernir tudo que faz eu me afastar por medo. E eu vou te ajudar também, no que você precisar.

— Sasuke... – Os olhos perolizados já choravam com a dúvida e com o desespero de não saber o que fazer

Ela sabia que Sasuke era complicado. Sabia que não seria sua opção de paz. O caos estava dentro dele mesclado ao fogo de todas as suas convicções.

— Eu amo você – A voz de Sasuke queimava os olhos escuros feito um abismo impossíveis de contestar qualquer coisa que ele dissesse

A mão dela costurada em seu peito em chamas.

— Não sei se estou pronta pra lidar com todos os seus traumas. Não sei se estou pronta pra lidar com todo o caos da sua cabeça.

Ela sempre dependera emocionalmente dos outros. Shino sempre estivera em suas sombras oferecendo proteção e Sasuke preso em Konoha também funcionava de suporte para todas as suas decepções. Mas, finalmente, depois de ficar horas conversando com Naruto e Sakura na sala de espera do hospital, ela finalmente entendera o que era pra ela ter sacado a muito tempo. O amor que ela dera aos outros, deveria ser dela o tempo inteiro. Não deveria ser de Shino nem de Sasuke. Ela não deveria ter mantido nenhum dos dois por perto devido o medo da solidão. O amor deveria estar preso em seus ossos e tecidos do corpo. Transbordando dentro dela. E agora sua sensatez não sabia se seria justo com ela mesma se envolver com um Uchiha tão problemático.

— Eu também te amo – Ela confessou com a voz quebradiça – Mas não sei se é correto.

— Eu sei que eu venho com um pacote de defeitos que talvez você não consiga lidar. Mas infelizmente ou não, as pessoas vem com sua bagagem completa. Não podemos aceitar estar com alguém só pelas suas qualidades. Eu sou compilado de vazios, compilado de defeitos e qualidades, sou tudo e nada. E eu sei que nós nos amamos pelo nosso pacote completo.

Ela tirou sua mão do peito dele e secou as lágrimas soltas nas bochechas.

Ele sentia os olhos perolados vagando ao redor de si, cogitando as possibilidades.

— Eu quero me esforçar. Kakashi vai me ajudar. Existem ninjas médicos que também possam me auxiliar com esses traumas. Não quero fugir dessas experiências ruins, mas entende-las e saber como superá-las. Não quero mais ser um vingador que busca por algo que nunca vai conseguir. Quero me fortalecer com você. Quero ser vivo e feliz ao seu lado.

Isso era o que ela, desde o início, queria ouvi-lo dizer. Ele era o atrito de sua vida perfeita. A dose problemática de perigo e a fazia sair da inércia. Ela o amava em suas nuances escuras e cinzentas. Porém, justamente depois de tudo que sua mente compreendeu, ela não via mais beleza no caos, mas sim na paz. Romantizar a insensatez do Uchiha seria totalmente incoerente, dado a felicidade pacífica que ela almeja. Seu amor próprio gritava dentro dela pra se afastar, porém ela sabia do obvio. Ela o amava, ela o amava !

— Eu quero uma vida feliz e tranquila. Me casar com um homem que eu ame, ter um filho ou dois e não me meter em problemas. Não te imagino nisso, Sasuke, Não te imagino na minha realidade pacífica e pacata.

— Nem eu – Disse ele rindo sozinho – Mas acho que eu posso ser bom. Um homem bom e longe de caos. O principal caos está em mim mesmo, dele não importa quantas vezes eu fuja, o abismo vive em mim. Eu quero me livrar disso. E não sei sobre filhos, nem planos pro futuro, nós nem começamos a namorar né ? Mas acho que existe uma perspectiva de melhora em mim e acho que podemos viver a nossa paz juntos também. E sinceramente ? Eu nunca amei ninguém na vida, como eu amo você. E sei que se você me deixar ir eu vou entender completamente o seu ponto de vista, mas seria encantador poder viver essa vida com você se me der essa chance.

Com os dedos tremendo ela girou a chave na fechadura para abrir o portão que os separavam. Assim, sem barreiras, eles se abraçaram enlouquecidos como um mergulhador de metros profundos que finalmente chegara ao topo onde finalmente pudesse respirar.

Kakashi, estava completamente certo. Cada centímetro dela, onde podia ser tocado soava imensamente como lar. Seus braços o agarravam pelo pescoço o pressionando contra seu corpo, e por mais animalesco que isso soasse, era estranho saber que até o cheiro natural dela o fazia se sentir em casa e extremamente acolhido. Hinata era seu porto seguro e Sasuke era o dela.

— Arghh – Ela gemeu em meio aos riso espontâneo no meio das lágrimas -Você está me esmagando nesse abraço de urso, Sasuke !

— E vou te esmagar muito mais, menina ! – Disse pegando-a no colo e girando ela no ar enquanto a menina ainda o abraçava

E no meio do giro, suas bocas se encontraram como dois imãs magnéticos de polaridades opostas. Cada pedaço um do outro era como um “click” de quebra cabeça. Até o gosto da saliva um do outro era familiar e prazerosa, como se a química entre todo o compilado de suas reações estivesse correta.

— Ai credo – Dava pra ouvir a voz de Hanabi que espiava a cena na porta da casa

Os dois se afastaram do beijo rindo da reação de Hanabi. Não teria problema, ele teria tempo pra mostrar o quanto ele quer mudar. Hanabi e o senhor Hyuuga aos poucos podem ser conquistados. Porque em todo o cálculo incalculável de momentos que o fizera chegar até ali, ele sabia que queria simplesmente estar.

— Agora me faz um favor? – Disse Sasuke

— Qual ?

— Vamos na padaria ? Queria lhe pagar a dívida que tenho contigo de todos os doces que me comprou.

— Não brinca comigo que eu sou cara de pau pra aceitar, viu ? E também posso te deixar no maior prejuízo.

— Então vamos já ! – Ele a pegou pela mãos e saíram correndo aos risos

E juntos, ele foi saborear a delícia de estar com ela e sobre toda a variável ilimitada de sabores que ele agora podia provar com a melhor companhia. Ele teria oportunidade de entender seu temperamento sensível, de compreender sobre sua delicadeza, de discernir sobre si mesmo e de como seu cérebro pode ser sua perdição, mas também seu paraíso. Ele não tinha garantia alguma que aquilo tudo iria dar certo. Sua mente era traiçoeira, onde cada ocitocina liberada o fazia pensar que não merecia nada. Mas a vida é bela e cheia de amores. E entender que ele merece cada trajetória daquilo seria o maior de seus desafios. Mas tinha muita chance de vingar, pois de todas as belezas presentes no mundo, ele sabia que queria estar exatamente ali.

Notas finais
E aí o que acharam ? Com certeza a conversa de Kakashi e Sasuke, pra mim, foi uma uma minhas partes preferidas do capítulo inteiro. Gosto muito de estudar essas questões de psicologia, e entendendo um pouco melhor sobre Sasuke, senti que ele tinha esse complexo de inferioridade, esse medo de se envolver e criar laços e achei que para um final adequado ele devia se entregar a esses demônios, pra entendê-los e superá-los ! Por opção, achei que seria melhor deixar o fim de Shino e Ino em aberto também. Acho que Ino é madura o suficiente para se colocar em primeiro lugar e compreender que ela e Shino merecem esse tempo separados para entenderem o que querem pra si. Diferente do casal Sasuke e Hinata, que nitidamente já se gostavam e "se escolheram", achei que ficaria muito forçado declarar esse final para Shino e Ino, já que existia muita coisa mal resolvida entre eles. E o que dizer de Sasuke e Hinata ? Eu sou suspeita pra falar né, pois eu AMO esse casal. Acho que a experiência de quase morte do Sasuke foi fundamental para mudar a mente dele e o fazer valorizar cada âmbito de sua vida. Com certeza foi determinante, e as palavras de Kakashi eram o que faltava para ele ser sincero sobre seus próprios traumas psicológicos, encará-los e tentar se entregar para aquela que lhe fez tão bem. E aí o que acharam ? Espero que todos vocês não tenham ido embora ! Comentem e recomendem a história, se acharem que ela merece, vou responder todo mundo. Foi um verdadeiro prazer escrever essa história, e mesmo com a imensa demora com essa fase final, me sinto com a sensação de dever comprido por ter conseguido finalizá-la. Obrigada por tudo e beijos de chocolate pra todos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!