Notas iniciais
Meus amores, eu estou tão triste quanto vocês, acreditem! Foi muito tempo investido em me dedicar a essa fic, por muitas vezes parei justamente não querendo fazer algo mal feito ou apenas feito por fazer, preferi parar e adiar até que pudesse voltar e me dedicar de coração. Essa fic leva um pedacinho do meu coração com ela em cada cap. Eu chorei junto com vocês, senti raiva, gritei e xinguei em cada capitulo. Seus personagens as vezes ficam tão vividos em mim que chego a sonhar com eles e com as situações que muitas vezes corro aqui e transcrevo tudo para a fic. O coração esta apertando com a chegada do final mas tudo na vida tem um fim, mesmo as histórias onde deixamos voar nossa imaginação. Ainda teremos mais um cap e depois um epílogo. Bom, é isso, preparem-se, o final deste cap esta bem emocionante. Nossa Anne merece afinal. Beijos a todos e boa leitura.

POV Edward

Duas semanas haviam se passado desde que eu havia feito a maior burrada da minha vida e por isso quase perdi as duas razões da minha existência. Eu nunca me cansaria de pedir perdão a Bella mesmo ela fazendo parecer que já tinha esquecido.

Nossas vidas aos poucos pareciam voltar ao normal. Nossa deliciosa rotina familiar estava de volta e eu não poderia ser mais grato por isso.

Depois da visita inesperada a casa de Emmet eu não havia visto Jasper de novo e para ser sincero não ansiava por encontrá-lo. Ele era meu irmão caçula e talvez uma parte de mim sempre fosse amá-lo, mas atualmente ele era o homem que tentara roubar minha mulher e minha filha, o homem que tentou destruir nossa paz e felicidade e isso fazia com que eu o odiasse. Eu tentava a todo custo não cultivar esse sentimento, mas era quase impossível.

Anne, graças a Deus não havia mais tocado no assunto sobre seu pai biológico. Eu sabia que ela não tinha esquecido, mas minha pequena tinha seu tempo próprio para lidar com seus problemas, todos nós ao longo dos anos aprendemos a respeitar esse seu tempo e a mim só restava desejar que ela demorasse o máximo possível para querer conhecer o seu progenitor. Eu sabia que meu lugar estava a salvo em seu coraçãozinho, mas não podia evitar temer que com o tempo Jasper roubasse meu lugar em sua vida.

Já com Bella eu havia superado esse medo. Meu anjo dia após dia me mostrava em gestos e palavras o quanto me amava. Mesmo durante aquela árdua semana em que ela me manteve longo do nosso quarto ela se preocupava em demonstrar seu amor por mim. Eu sabia que ela sofreu tanto quanto eu com a nossa breve separação de corpos, mas eu também sabia que merecia isso. Eu a havia magoado afinal de contas, aceitar sua punição calado era o mínimo que podia fazer. Ainda me causa arrepios de prazer lembrar do dia em que ela quebrou nosso jejum. Foi no mesmo dia em que ela disse discretamente que estava aceitando a ideia de me dar outro filho. Depois daquele dia ela não havia mais tocado no assunto, mas eu sabia que ela não voltaria atrás, talvez estivesse só esperando esse pequeno contratempo em nossa família se acalmar.

Hoje era domingo, estávamos todos na casa dos meus pais esperando Alice chegar com seu novo namorado. Acho que ninguém mais aguentava ser apresentado a uma nova paixão da pequena. Ela era sempre tão inconstante, mas segundo minha mãe, Alice havia sido bastante convincente ao dize que havia encontrado o homem de sua vida. Sei, como se eu já não tivesse ouvido isso antes.

Anne brincava sentada no chão ao lado de Bella e Rose que se deixavam ser enfeitadas pela minha pequena que dizia que as estava transformando em princesas. Estávamos todos assistindo a cena quando uma voz se fez presente.

– Boa tarde.

Olhamos todos para a porta chocados. Jasper estava de pé na porta da sala parecendo completamente deslocado. Seus olhos estavam cravados em Anne e em Bella. Não pude evitar a onda de ciúmes que me corroeu. Emmet, meu pai e eu nos levantamos de súbito na mesma hora em que Anne corria escada acima. Minha mãe correu atrás dela e Bella ainda tentou chamar um par de vezes inutilmente.

– Eu disse que você teria que esperar pela vontade dela Jasper. _ Bella esbravejou.

Eu estava ao seu lado no segundo seguinte segurando sua cintura. Eu não sabia se queria acalmá-la ou apenas reafirmar que o lugar dela era ao meu lado. Jasper pareceu mais perturbado por Anne ter fugido do que pela minha posição ao lado de Bella.

Vi ele suspirar e olhar para baixo arriando os braços e foi nesse momento que vi em sua mão um grande urso de pelúcia rosa.

– Filho, avisamos que ainda é muito cedo, eu lhe disse que ela estaria aqui hoje, por que veio?_ meu pai perguntou tentando não soar acusador.

– Eu só queria tentar pai._ ele disse sem olhar para ninguém em especial.

Seus olhos se demoraram na escada por onde Anne havia subido para depois de voltarem para Bella. Vi ele engolir em seco e um brilho passar por seus olhos. Reconheci esse brilho imediatamente, era o mesmo que eu tinha sempre que a olhava, ele ainda a amava e isso mexeu comigo. A estreitei mais em meus braços e isso fez com que ele me olhasse.

– Edward, será que eu posso falar com Bella um instante.

– Jasper, não há nada para você fazer aqui, faça um favor a todos e vá embora._Emmet disse sem esconder sua raiva.

Eu concordava com as palavras de Emmet, mas sabia que se Jasper estava decidido a ficar eu teria que me acostumar a sua presença e Anne era um vinculo que ele e Bella sempre teriam. Bella me olhava em expectativa mordendo os lábios sem saber o que fazer.

– Seja breve Jasper. E espero que respeite minha esposa. _ eu o adverti.

Vi ele assentir para mim antes de sair pela porta da frente. Bella me deu um selinho antes de segui-lo.

Assim que ela sumiu pela porta Emmet esbravejou.

– Eu não sei o que ele ainda vem fazer aqui, por que simplesmente não some por mais 7 anos de novo?

– Emmet. _ Rose o advertiu olhando preocupada para meu pai.

– Eu o entendo Rose, não se preocupe. Acho que uma parte de nós sempre vai pensar assim. Mas você precisa entender que ele é seu irmão Emmet e eu acho que finalmente ele esta amadurecendo.

Emmet apenas bufou e eu me vi indo para a janela tentando ver algo. Senti a mão do meu pai no meu ombro no segundo seguinte.

– Como esta sendo isso para você filho?

Olhei para os olhos do meu pai e vi sua genuína preocupação através de sua pergunta.

– Eu me pego as vezes desejando ardentemente que ele não fosse meu irmão._ sussurrei com vergonha dos meus sentimentos.

– Eu entendo, vocês eram muito unidos. _ meu pai disse com pesar. _ Era linda a ligação de vocês.

– Eu não consigo sentir mais isso pai. Eu tento. As vezes, eu sonho que somos crianças de novo e eu sinto amor por ele, mas quando acordo..... tudo apenas some.

– Eu entendo você filho. Sei que agora ele é o homem que magoou sua família, que marcou a Bella e a Anne. Mas ele também é seu irmão. Eu não estou pedindo que você esqueça o que ele fez, pois nem eu ou sua mãe somos capazes disso, mas peço que você apenas tente aprender a conviver com ele. Ele também é nosso filho Edward e se ele estiver mesmo disposto a mudar vai conviver conosco. Seria bom ter um clima amigável onde vocês não precisassem se olhar como se fossem sair aos socos a qualquer momento.

– Se ele ao menos tentar algo com Bella.... _ parei de falar trincando os dentes de raiva.

– Ele não vai, acredite em mim. Ele não negou que ainda a ama, mas entendeu finalmente o estrago que fez por aqui ao sumir daquele jeito. Ele sabe que não tem mais lugar para ele na vida de Bella.

Olhei para janela para ver os dois conversando no jardim a uma distancia social um tanto maior do que uma conversa pedia, mas agradecia a Bella por isso. Qualquer distancia ainda seria pequena para mim. Estava tentando imaginar o que eles estariam conversando quando a voz do meu pai me surpreendeu.

– Ele te ama sabia?

Olhei para ele rolando os olhos.

– Pai, já entendi que quer que sejamos civilizados um com o outro, não precisa inventar nada.

– Não estou inventando.

Ergui as sobrancelhas em descrença.

– Ele sente ciúmes e inveja, não esconde isso, mas também te ama muito e é muito agradecido a você.

– Por que? _ perguntei completamente perdido.

– Você é pai Edward e agora ele esta aprendendo a ser também, pela primeira vez. O que você sentiria por alguém que cuidou de seu filho quando você nunca foi capaz de fazer?

Engoli em seco digerindo aquela informação.

Sim, eu seria imensamente grato se alguém cuidasse de Anne. Em um mundo onde eu não existisse, iria desejar com todas as forças que alguém pudesse cuidar dela para mim. Talvez existisse esperança para nós dois convivermos afinal.

– Acho que entendo. _ disse simplesmente.

Meu pai ainda deu um tapinha no meu ombro antes de se virar e sair dali.

POV Bella

– Jasper, fazer isso só vai angustiá-la e aumentar o seus medos. Você prometeu que iria esperar.

Eu estava muito brava com o fato dele ter estragado o dia da minha filha.

– Eu sei, mas eu pensei......

Ele se calou de repente e me esticou o bicho de pelúcia que segurava.

– Pode dar para ela, por favor. Eu não sabia do que ela gostava, mas achei que não poderia aparecer aqui sem nada. Nunca dei presente algum a ela. _ sua voz soava arrasada.

– Nunca diga isso a ela.

Ele me olhou sem entender e me vi obrigada a explicar. Suspirei antes de voltar a falar. _ em cada Natal, aniversário, em cada data eu dava algo a ela dizendo que era você. Você sempre deu os melhores presentes. Isso até ela desistir de te esperar.

Vi seus olhos brilharem.

– Obrigado por isso Bella. Você fez mais do que eu merecia._ disse sincero.

– Não fiz por você, pode ter certeza. _ eu não conseguia evitar que minha voz soasse ácida.

Jasper olhou para baixo novamente e dessa vez colocou as mãos no bolso.

– Acha que ela vai gostar? _ perguntou se referindo ao presente.

Rolei os olhos.

– Faz diferença para você?

Ele me olhou parecendo magoado.

– Eu estou tentando Bella, eu juro. Eu quero conhecê-la, fazer parte da vida dela, de verdade.

O olhei sem conseguir duvidar evitar duvidar de suas palavras.

– Quer conhecê-la para que exatamente? Abandoná-la assim que deixar a cidade de novo?

– Eu não vou mais embora. _ ele se apressou em dizer e isso sim me surpreendeu. _ Quer dizer, uma hora vou ter que voltar, empacotar as coisas, sabe como é. _ disse dando de ombros, tentando soar casual. _ Mas quero ficar por perto. Estou procurando trabalho. Papai falou sobre concluir a faculdade. Eu não sei ainda.

Aquilo em nada lembrava o Jasper que conheci.

– Não parece você falando. _ acabei deixando escapar.

– Eu me arrependi Bella. Depois daquele dia, de ver o que fiz a vocês, de como as magoei. Eu..... eu sei que não posso mudar o que fiz, mas te juro. Se me dissessem que eu poderia voltar no tempo, daria qualquer coisa em troca. Um braço, uma perna. Algumas décadas de vida só para ter a chance de voltar a ter vocês de novo.

Não sabia o que dizer então preferi ficar calada. Optei por mudar o tom da conversa.

– Ela ama bichos de pelúcia, mas na próxima vez tente uma boneca da coleção After High. Ela é louca por elas.

Vi seu rosto se tornar confuso e dei uma risada antes de continuar.

– Lembre-se do nome e vá a uma loja de brinquedos, alguma vendedora vai lhe mostrar o que é.

– Vou lembrar disso. _ ele falou animado.

– E não faça isso de novo Jasper. De verdade, espere ela estar pronta.

Ele apenas assentiu.

Eu já ia dizer que ia entrar quando uma voz nos assustou.

– Mas o que....?

Nos viramos e demos de cara com uma Alice paralisada de olhos esbugalhados. Ao lado dela estava um homem alto, moreno de cabelos e olhos negros. Ele parecia preocupado com o estado catatônico de Alice.

– Alice? Alice! _ eu chamava balançando a mão em frente ao seu rosto.

– Bella? O ... o que ele esta fazendo aqui? _ ela disse ainda boquiaberta olhando para Jasper.

Isabella apenas balançou a cabeça.

– É uma longa história Alice, mas vamos entrar, e quem é seu amigo? Não vai apresentar? _ Isabella falava tentando mudar o foco da conversa.

– Uau, eu crente que estava vindo fazer uma surpresa e na verdade a surpresa estava aqui. Mas enfim, esse é meu noivo Peter. Peter, essa é minha prima Isabella, esposa do Edward.

Alice praticamente cantou a palavra esposa e Bella balançou a cabeça não querendo imaginar o quanto daquilo poderia se complicar ainda mais, então apenas guiou Alice e seu ... noivo para porta da frente. Alice não dispensou uma segunda olhada para Jasper e nem mesmo se preocupou em apresentá-lo ao seu acompanhante, mas Bella achava que aquilo já era esperado afinal. Alice e Jasper nunca haviam se dado bem desde que ela se lembrava.

.....

O dia havia se passado sem grandes problemas. A chegada de Alice e a garantia de que Jasper havia ido embora foi o suficiente para fazer Anne descer e se juntar a nós na sala. Minha filha fez questão de ignorar o fato de que Jasper esteve ali e toda a família respeitou sua vontade deixando para comentar o fato mais tarde em sua ausência.

Todos acabaram se distraindo entre as novidades contadas por Alice, principalmente onde ela contava que estava noiva. Esme parecia pronta para ter um ataque, mas Carlisle se apressou em abraçar a esposa e acalmá-la. Alice sempre fora intempestiva, ela não fazia por mal, mas ser inconstante fazia parte de quem ela era.

A noite chegou e com ela nós nos preparamos para ir embora. Por todo caminho até em casa Anne permanecia animada falando sobre o casamento de Emmet que estava próximo e em como ela estava animada em ser a dama de honra e sobre o fato da Tia Alice ter voltado e talvez, só talvez ela tivesse um novo casamento para ir dali a um tempo. Ela estava perdida em sua própria tagarelice e não percebeu o quanto Edward e eu estávamos calados. Assim que chegamos em casa ela correu para seu quarto gritando que ia brincar um pouco enquanto eu me dirigia para a cozinha para preparar nosso jantar.

Estava pegando alguns ingredientes para uma macarronada quando Edward surgiu na cozinha.

– Então? O que Jasper queria?

Dei de ombros enquanto continuava pegando os ingredientes.

– Pedir perdão de novo, perguntar como Anne estava e entregar o presente dela, nada demais.

– Isso não é nada demais Bella e você sabe. _ seu tom era calmo, mas eu sentia o que estava por trás.

– Para mim é. _ falei me virando e indo em sua direção. _ Nada além de falatório sem sentido. Nada do que ele fale tem significado para mim e eu já deixei isso bem claro para ele.

Edward me abraçou e enterrou o rosto em meu pescoço, o abracei apertado e fiquei na ponta dos pés para falar em seu ouvido.

– Eu te amo Edward. Não quero fazer a vida dos seus pais mais difícil do que já é e só por isso faço esse esforço quase sobre humano de ser sociável com ele, mas para mim ele não significa nada, é como se nem estivesse ali.

Ele me olhou de volta e sorriu antes de falar.

– Eu te amo tanto sabia.

– Não mais do que eu te amo. _ então me estiquei um pouco mais e me perdi sentindo seus lábios nos meus.

POV Edward.

O jantar correu tranquilamente enquanto Anne ainda falava sobre o casamento. Quando acabamos nos sentamos na sala para ver um desenho com Anne e quando o filme finalmente acabou Bella pediu que Anne fosse para o quarto preparar o material para a escola no dia seguinte. Assim que Anne saiu Bella se levantou e pegou uma sacola que estava jogada no canto da sala e me entregou. Olhei para ela sem entender.

– Você poderia entregar a ela e falar que foi ele quem deu?

– Por que eu? _ eu ainda não havia entendido.

– Bom, eu pensei que talvez você pudesse tomar a frente nesse assunto sobre Jasper, assim ele trataria diretamente com você sobre qualquer assunto relacionado a Anne. Você é o pai dela afinal e é o irmão dele, não vejo motivos para eu ter que continuar tratando disso com ele.

No segundo seguinte eu a agarrava e puxava para meu colo a beijando sofregamente.

Assim que nossas respirações se fizeram necessárias ela alisou meu rosto ainda de olhos fechados antes de abri-los e voltar a falar.

– Eu não quero ter qualquer contato com ele além do necessário amor. Quanto menos perto dele eu ficar melhor para mim. Não é como se eu pudesse ficar socando a cara do meu cunhado toda semana afinal.

Ela disse fazendo graça para mim deixando claro a única posição que Jasper ocupava em sua vida. Alisei seu rosto me perdendo em seus olhos.

– Sabe, eu não me oporia em um soco ou dois de vez em quando. _ brinquei antes de voltar a agarrar sua cintura e me perder em seus lábios.

....

Anne terminava de fechar sua mochila quando eu entrei em seu quarto.

– Tudo pronto princesa?_ falei chamando sua atenção.

– Sim papai.

Sem saber ao certo como fazer aquilo eu apenas peguei o urso que estava encostado ao lado da porta e estiquei para ela.

– Isso é para você meu amor.

– É lindo papai, obrigada. _ ela disse abraçando o urso e indo colocá-lo ao lado da boneca de pano que estava na prateleira.

– O presente não é meu princesa.

Ela parou com a mão antes de chegar até a prateleira e então se virou para mim esperando que eu dissesse de quem era.

– Foi Jasper quem trouxe hoje, seu pai achou que você iria gostar.

Vi o exato momento em que ela engasgou e olhou de volta para o brinquedo em sua mão como se ele estivesse coberto por cobras. Ela parecia apavorada, então tentei soar normal, queria que ela visse que não havia nada de errado em ganhar presentes do seu ..... outro pai._ Você gostou amou? Ele me perguntou do que gostava e eu disse que você tinha uma coleção de bichinhos de pelúcia. _ a mentira era por um bom motivo e eu vi em seu rosto um certo alivio ao me ver envolvido com aquilo de alguma maneira.

– Foi sua ideia?

Dei de ombros, tentando simplificar.

– Ele não sabia o que uma menina da sua idade gostava, eu só dei uma dica. Gostou?

Ela olhou para o ursinho antes de dar um suspiro e soltá-lo em um canto do quarto.

– É bonito. _ ela disse sem animo.

Anne se afastou um pouco querendo olhar como havia ficado o urso em seu quarto, eu sabia que era uma nova fase para ela, e ela estava absorvendo aquilo aos poucos.

Então ela simplesmente deu de ombros e se voltou para mim vindo sentar em meu colo.

– Ah, papai, você se lembra não é? Na quinta tem o dia das abelhinhas. Você vai me ver não vai?

– Claro que vou meu amor. _ falei a puxando para meu colo. _ Nem acredito que meu bebê já é uma abelhinha.

– Eu não sou bebê. _ ela disse cruzando os braços e fazendo bico.

Deus, ela era tão Bella quando fazia essa carinha de brava. Sorri antes de a atacar fazendo cócegas.

– Sim, você é, você sempre vai ser meu bebê.

– Ai, ahahahaha, para papai, para. _ Anne dizia entre gargalhadas.

Quando por fim parei ela tentou ajeitar seu cabelo antes de virar para mim com um expressão como se falasse com uma criança de 2 anos.

– Eu já expliquei papai, eu agora sou mocinha. Eu entrei para as abelhinhas e nas abelhinhas não tem bebês, só mocinhas.

– Hum, e o que essas abelhinhas fazem afinal? _ me fiz de desentendido, eu amava quando Anne me contava de suas conquistas.

Seu rosto se iluminou e ela se aprumou em meu colo como se fosse falar algo se extrema importância.

– As abelhinhas são um grupo muito especial da escola. Só pode entrar nele quem tem bom comportamento, boas notas e quem deixou seus medos para trás. Sabe, aqueles problemas que eu tinha? Então, eu não tenho mais, eu sou uma menina boazinha agora e eu consegui entrar. A tia Darcy falou que eu vou ser uma grande abelinha. _ seus olhos brilhavam de orgulho de si mesma.

– Você sempre foi muito boazinha meu amor, você só estava confusa. _ falei a abraçando. _ E eu sei que você vai ser a melhor abelhinha.

Ela tinha um sorriso contagiante.

– E o que uma abelhinha tem que fazer.

Ela pareceu pensar por um segundo antes de contar os afazeres nos dedos.

– Precisamos ajudar a professora, ajudar nos dias de festas, ajudar as crianças novas na escola e as que ainda tem seus medos. _ ela parecia muito concentrada pensando em suas futuras responsabilidades.

– E você esta pronta amor?

– Estou sim papai. Eu estou.

– Que bom. Eu tenho que levar algo na quinta? _ falei realmente não me lembrando se eu tinha que fazer algo.

Ela balançou a cabeça negando. _ Não. A mamãe já comprou a roupa amarela, sabe, amarelo, abelha, enfim. _ ela disse rolando os olhos. _ Tio Emmet vai me levar uma pulseira com pingente de abelha, por que ele é meu padrinho de abelhinha. Tia Rose e mamãe vão estar lá no dia, mas vão ficar sentadas. É você quem vai entrar comigo e é o Tio Emmet que vai me dar a pulseira me promovendo a abelhinha.

– E por que é o tio Emmet e não eu que vai te dar o presente? _ perguntei com uma pontada de ciúmes, queria ser eu a dar aquilo a minha princesa, seu cargo infantil tão esperado.

Ela apenas rolou os olhos e estalou a língua falando como se fosse óbvio.

– Ele é meu padrinho de abelhinha papai, ele quem tem que fazer isso. Você tem que entrar comigo. Você é meu pai. Os papais, ou a pessoa especial _ ela divagou explicando como aprendeu na escola, todas as crianças tinham pessoas especiais, mesmo as que não tinham pais ou algum membro da família. _ É que entram com as abelhinhas. É quem as guiou até ali. Você me guiou papai, você é minha pessoa especial.

E ali em seus olhos brilhando eu podia ver todo amor da minha princesa por mim, era o mesmo que eu tinha por ela, ela era a minha pessoa especial também, a que me ajudou a chegar até aqui, a que me guiou em todos esses anos me ajudando a não me perder no caminho.

– Você também é a minha pessoa especial meu amor, a minha filha.

....

A semana se passou rapidamente e quando vi já era quarta feira. Todos estavam animados, Anne não sabia, mas não seria apenas Rose e Bella as assistindo amanhã, ali estariam todos nós, meus pais, Alice, seu noivo que era até um cara legal e para surpresa de todos parecia ser um homem bem maduro e decidido. Jane também viria para esse dia.Seria uma surpresa para Anne que não via a madrinha a meses. Ela andava meio afastada, seu pai havia adoecido, um tipo grave de leucemia e pela ironia do destino, ela foi a ultima pessoa a quem ele procurou pedindo ajuda e a única compatível com ele. Ela não avia sido mesquinha e se prontificou a ajuda-lo na mesma hora o que causou uma certa comoção nele. A operação fora feita em outro estado e enquanto o ajudava a se recuperar o homem parecia empenhado em tentar conquistar a filha. A vida as vezes é engraçada. Enquanto alguns homens dariam tudo para terem uma filha, alguém do seu sangue ao seu lado outros apenas rejeitavam esse presente.

Eu estava concentrado em terminar um projeto de segurança para um senador que estava preparando para levar sua família para morar em Los Angeles quando meu telefone tocou. Atendi distraído sem olhar quem era e por isso levei um susto ao ouvir a voz de Jasper do outro lado.

– Edward?

Apertei meu telefone em minhas mãos não querendo imaginar o que seria agora, mas me vi obrigado a responder.

– Sim, sou eu, algum problema Jasper?

– Er.... bom, eu liguei para Bella hoje e ela me disse que eu deveria tratar de qualquer assunto com você. Bom, você poderia me encontrar hoje?

Pensei em como Bella havia mantido sua intenção em se manter longe de Jasper e uma vez que eu realmente apreciava isso era melhor eu aceitar manter ele por perto.

– Sim, tudo bem, onde?

– Pode almoçar comigo?

Então ele me passou o endereço do restaurante onde estava me esperando e eu me levantei pegando minha carteira e chaves do carro me preparando para ir encontra-lo.

...

– Obrigado por ter vindo._ ele disse desajeitadamente segurando minha mão.

Por um momento me peguei pensando que aquilo deveria ser tão desconfortável para ele como era para mim e esse pensamento me fez relaxar um pouco.

– Bom, você disse que tinha um assunto para tratar, então vamos a ele. _ eu disse me sentando e tentando manter uma certa formalidade. Talvez fosse mais fácil, talvez não...

– Bom, er.... na verdade eu só queria avisar que consegui um emprego. Não é nada grandioso, mas enfim, é o suficiente para me manter na cidade, eu também já arrumei um lugar para mim.

– Isso é muito bom Jasper. _ falei tentando imaginar como seria tê-lo por perto sempre.

– Como.... como Anne recebeu o presente, ela gostou? _ havia ansiedade em sua voz.

– Sim, ela gostou. Esta no quarto dela ao menos, isso já é um avanço.

Ele me olhou sem entender e eu dei uma risada.

– Acredite, ela não hesitaria em lança-lo pela janela caso tivesse vontade.

Eu tinha intenção em dar-lhe um vislumbre do temperamento de Anne, mas em vez disso eu vi um brilho tomar conta de seus olhos com aquela ínfima informação.

– Ela faria é? Talvez isso seja bom então.

Em seguida a garçonete chegou a fizemos nossos pedidos. O restante do almoço se passou obviamente muito desconfortável para nós dois. Ambos não estavam nem na metade do prato quando decidimos apenas largar as comidas e pedir a conta. Saímos do restaurante e eu pensava em fazer finalmente meu caminho até o carro para ir embora, mas Jasper começou a caminhar em outra direção lentamente o que me dava a ideia de que ele queria que eu o acompanhasse. Ele caminhou calado e pensativo por um quarteirão inteiro. Eu já estava me perguntando se deveria realmente tê-lo seguido quando ele finalmente parou e se sentou em um banco. Olhei em volta e percebi que estávamos no píer e suspirando me sentei ao seu lado. Eu lembrava que Jasper gostava de vir aqui quando algo o aborrecia quando ele ainda era um adolescente.

Ele ainda estava perdido em sua mente, seu olhar perdido no mar quando ele me assustou voltando a falar.

– É impossível não é Edward?

Achando que ele se referia a Anne, e vendo o tom torturado de sua voz tentei amenizar as coisas.

– Claro que não. Sei o quanto esta difícil para todos nós, mas vamos achar um jeito de conviver......

– Não me refiro a isso. _ ele disse me cortando e se virando para mim.

– Então?

– É impossível conviver com Bella e ...... não se apaixonar. Não é?

Eu não enxergava acusação ou falsidade em seu tom. Ele parecia apenas.... arrasado. Tentei pensar nas palavras do meu pai e tentar achar um meio de fazer isso funcionar. Eu precisava ao menos tentar. Eu não iria tripudiar, mas também não iria mentir.

– Eu a odiava sabia?_ vi ele me olhar confuso e continuei em tom de confissão. _ Tudo que você me dizia nas ligações, seu rancor em não poder voltar para casa, sua distancia. Eu achava que tudo era culpa dela. Quando a vi pela primeira vez..... _ falei balançando a cabeça, minha mente viajando para anos atrás._ Eu estava vindo para expulsá-la da vida dos nossos pais. Mas quando eu coloquei os olhos em Anne pela primeira vez eu me apaixonei por aquele bebê que corria de vestido junto do cachorro, era seu aniversário de 3 anos e eu juro que me apaixonei por ela a primeira vista. _ olhei para Jasper que me olhava com lágrima nos olhos. _ Era como olhar para uma cópia sua de vestido. Seus cachinhos loiros, seus olhos claros, seu sorriso. Ela era sua cópia irmão._ ele olhou para baixo e ouvi um soluço vindo dele. Uma parte de mim quis abraça-lo, mas outra, a maior, apenas quis continuar. _ Depois de alguns minutos eu a vi pela primeira vez e o meu primeiro pensamento é de que ela deveria ser um anjo. Eu me peguei desejando que ela não fosse namorada de Emmet ou nada disso, mas quando a vi se abaixando e pegando Anne no colo tudo ficou claro para mim. Eu ainda tentei pegar de volta toda aquela raiva, mas não consegui. Ela nunca escondeu que sabia das minhas verdadeiras intenções, eu também nunca havia disfarçado o que sentia por ela em minhas ligações anteriores, então eu fiquei muito surpreso quando ela me deixou ficar perto de Anne enquanto eu estava aqui. Foi inevitável ficar perto dela também, então quando eu finalmente soube de tudo que aconteceu realmente e não da forma distorcida que você contava..... eu me vi dividido. Você sempre seria meu irmão e eu amaria você, mas ver o quanto Anne sofria por você. Ver o mal que você fez a Bella_ eu divagava lembrando de tudo enquanto olhava para o mar._ Eu fiquei aqui por apenas 15 dias, mas por mais que eu tenha negado na época eu acho que quando fui embora já estava apaixonado por ela. Por alguns anos eu apenas mantive isso adormecido, eu achava que era errado, mas uma hora apenas foi demais para mim e eu me vi obrigado a vir para cá lutar por essa mulher. _ me virei para ele que já não me olhava mais, seus olhos estavam cravados no chão, mas eu sabia que ele me ouvia atentamente. _ Eu odiei você. Odiei por todo mal que causou a Anne e odiei por ter fechado o coração de Bella tão forte que foi quase impossível para mim conseguir uma chance com ela. Ela é mais do que minha esposa Jasper, mais do que minha companheira, ela é o ar que eu respiro, é a essência que me mantém vivo. Por ela eu sou capaz de tudo irmão, até mesmo de esquecer o laço de sangue que nos une.

Ele ouviu a tudo atentamente e ainda olhando para o chão quando assentiu com a cabeça se virando para me olhar.

– Eu conheço a sensação.

Fechei os olhos e trinquei o maxilar impossibilitado de segurar meu ciúme.

– Não vou negar que ainda sou apaixonado por ela Edward. _ ele sussurrou e me fez abrir os olhos para pegar cada pista que ele me dava do quão sincero estava sendo. _ Não quero recomeçar minha vida aqui com mentiras. Eu a amo. Talvez isso tenha diminuído de intensidade enquanto estive fora, mas bastou vê-la outra vez para isso bater em mim com a mesma força que era a anos atrás.

– Se fosse tão forte assim você não teria ido embora. _ não consegui segurar minha língua.

– Eu sei que errei, errei além da compreensão. Fui um covarde e isso apagou qualquer chance que eu tivesse com ela. Eu não sou burro, eu conheço o gênio daquela mulher. Ela pode ser mais dura e madura hoje, mas acredite, lá dentro eu ainda vejo a antiga Bella e eu a conheço bem. Eu sei que ela jamais me perdoaria, mesmo que você não existisse na vida dela ela não me perdoaria. Acho que talvez tenha vindo daí todo meu desespero, eu vi, eu finalmente enxerguei o que perdi irmão.

O olhei permanecendo calado e ele continuou.

– Eu não vou atrapalhar a vida de vocês. Dou minha palavra. Não vou dizer que virei um santo e faço isso por amor de irmão ou qualquer outra coisa, mas faço por que acho que é o mínimo que devo a ela, não atrapalhar sua felicidade. Mas eu realmente quero uma chance com minha filha e eu gostaria que você realmente me desse essa chance.

Havia sinceridade em seu olhar.

– Eu não vou te atrapalhar se é esse seu medo. _ falei sincero.

– Obrigada.

– Mas também não vamos obrigá-la a nada. _ o alertei.

– Eu sei, ela já deixou bem claro isso. Eu não vou mais aparecer assim, surpreendendo. Mas quero que você saiba que eu vou estar de longe olhando. Não vou virar um stalker nem nada, não precisa se preocupar. Eu só quero poder vê-la, mesmo que de longe. Acompanhar sua vida, seu crescimento. Tudo bem para você?

– Desde que não deixa ela te ver e não aborreça Bella, não vejo mal nisso. _ falei já me levantando.

Eram muitos sentimentos conflitantes ali, eu estava cansado.

– Obrigada Edward, de verdade._ ele disse levantando sua mão que eu aceitei e apertei.

– Por permitir que a veja?

– Por ter estado lá quando eu fui burro demais para fazê-lo. _ ele me surpreendeu com sua sinceridade

– Não me agradeça. Fazer isso me trouxe os melhores presentes da minha vida. Eu cuido delas com minha vida se preciso.

Vi a dor em seus olhos, assim como a gratidão. Eu precisava sair dali.

Me virei e fui andando no sentido que viemos deixando um Jasper para trás voltando a se sentar no banco. Eu já estava me afastando quando decidi olhar para trás e fazer algo que talvez fosse dar uma pequena ideia ao meu irmão do que ele realmente causou em sua filha.

– Jasper?

Ele levantou a cabeça em minha direção e esperou.

–Amanhã as 14:00 terá uma recepção na escola de Anne, ela será promovida a abelhinha. Você deveria ir. Só cuide para que ela não veja você.

Ele assentiu com os olhos brilhando e eu me virei para ir embora dali. Não havia mais nada para mim ali.

POV Jasper.

Eu estava nervoso. Foi difícil convencer meu chefe a me deixar sair no meio da tarde, fui obrigado a contar uma parte da minha vida para ele para finalmente o homem liberar minha saída. Já passava um pouco das 14:20 quando finalmente entrei no colégio de Anne. Havia uma moça na recepção e assim que cruzei os portões ela veio até mim.

– Nome por favor?

Me assustei, será que Edward havia lembrado desse detalhe? Liberar minha entrada? Afinal, por que haveria restrição em uma festa de colégio?

Decidi apenas dar o meu nome e esperar para ver o que acontecia. _ Jasper Cullen.

A moça correu os olhos por uma lista quando seus lábios se crisparam antes dela olhar de volta para mim.

– Esta atrasado senhor Cullen. Entre por aquela porta e muito cuidado para que Anne não o veja. Seu irmão foi bem claro sobre o senhor não poder ser visto por ela.

Fiquei levemente surpreso por Edward ter falado de mim, da nossa situação. Será que ele havia contado que não era o pai de Anne de fato para a escola? Por que ele faria isso quando poderia ser passar por pai dela?

Eram tantas perguntas em minha cabeça. Andei rapidamente até a porta que a moça me apontava e de lá me esgueirei por trás das pessoas até finalmente ter uma boa visão do palco onde minha filha estava junto com 3 outras meninas. Ela estava linda, um vestido amarelo com detalhes em preto, cabelos presos por uma fita amarela e caindo em cascata por suas costas. Ela era sem duvida a criança mais linda do mundo. Ela parecia nervosa enquanto um homem tomava o microfone na frente do palco e começava a falar.

– Aqui em nossa escola nós temos orgulho em nossa forma de educar nossas crianças para enfrentar esse mundo difícil e tantas vezes cruel que existe lá fora. Aqui nós ensinamos a elas que as adversidades que a vida nos dá não deve nos abater e sim nos ensinar a dar valor a aquilo que temos de especial. Essas pequenas princesas que hoje aqui estão atrás de mim chegaram a essa escola machucadas e marcadas por uma vida que muitas vezes foi cruel com elas, mas com a ajuda de suas famílias e sob a direção que lhes indicamos elas conseguiram encontrar dentro de si as verdadeiras guerreiras que são. Hoje elas não são mais vitimas e sim exemplos a serem seguidas por outras tantas crianças que como elas foram marcadas pela vida de alguma forma.

A medida que aquele homem ia falando a compreensão ia me tomando e minhas lágrimas começaram a cair. Eu olhei em volta e vi Bella chorando sendo amparada carinhosamente por minha mãe, assim como via meu pai, Alice e a tal Rose olharem com ar de admiração para minha filha. Eu não via em lugar algum Edward e Emmet, mas sabiam que eles estavam aqui, eles sempre estiveram com ela.

– A muitos anos escolhemos as abelhas como símbolo pois as abelhas definem uma forma diferente de sociedade. Elas são insignificantes enquanto sós, mas praticamente invencíveis quando juntas. Elas tem um sistema social e familiar próprio e único. E assim como nossas crianças, cada uma tem uma família única, diferente e especial em sua maneira e aprendem a levar isso para poderem aprender a viver em sociedade. Hoje essas três meninas atrás de mim deixam seus dias de crianças tristes para trás e entram para a irmandade das abelhas. Hoje elas deixam de ser as ajudadas e passam a estender as mãos para suas semelhantes que como um dia foi com elas, precisam de ajuda. Elas se tornam um pilar importante em nossa escola e passam a ajudar outras crianças com sua experiência de vida. Não se deixem levar por sua idade senhoras e senhores, a maioria dessas crianças já passou por mais coisas que você ou eu vamos passar em toda nossa vida e por isso são guerreiras, que lutam dia após dias por sua felicidade e seu direito de se sentir completas e especiais. Temos muito a aprender com cada uma delas. Digo com muito orgulho que me lembro do primeiro dia de cada uma aqui e sei o quanto evoluíram até aqui o quanto foi difícil seu caminho e como são vitoriosas apenas em não terem desistido. Senhoras e senhores, eu apresento a vocês as abelhinhas do primeiro semestre de 2015.

Então uma salva de palmas foi ouvida e assovios e gritos soaram de todos os lados. Deveria ter em torno de 50 pessoas naquele pequeno auditório, mas a alegria e felicidade que aquelas pessoas demonstraram ali fez parecer que haviam mais de 200. Quando por fim eles se acalmaram uma mulher aparentando ter seus 50 anos tomou a frente e pegou o microfone.

– Kristen Stwart, quem te guia para abelhinhas? _ a mulher perguntou visivelmente emocionada olhando para uma pequena menina com cabelos castanhos aparentando ter uns 10 anos.

A menina deu um passo a frente e respirou fundo antes de falar para que todos ouvissem._ Minha pessoa especial, meu avô Sam Stewart.

Então um senhor veio até ela se abaixando para depositar um beijo em seus cabelos e a levou até o outro lado do palco por onde entrava uma senhora de cabelos brancos.

– Kristen, sua madrinha das abelhas Sue Stewart lhe entrega sua pulseira como lembrança para que leve por toda a vida que você é uma abelhinha, uma guerreira que junto com aqueles que ama é capaz de vencer o mundo.

Outra vez uma salva de palmas foi ouvida e então a menina deixava o palco acompanhada do casal de idosos. Novamente a mulher tomou a frente do palco antes de fazer a pergunta que tiraria todo meu ar.

– Maryanne Cullen, quem te guia até as abelhinhas?

Minha filha deu um passo a frente antes de erguer a cabeça e dizer com voz firme, mesmo estando visivelmente emocionada.

– Minha pessoa especial, meu pai Edward Cullen.

Nessa hora eu vi meu irmão aparecer por uma porta e tomar uma longa respiração antes de dar um passo adiante e pisar no palco andando até Anne e segurando sua mão antes de se ajoelhar no palco e beijar sua testa. Quando ele se levantou todos puderam ver que os dois estavam chorando, mas ambos com um sorriso no rosto. Edward pegou ainda segurando a mão de Anne a guiou até o outro lado do palco enquanto a mulher voltou a falar.

– Maryanne, seu padrinho das abelhas Emmet Cullen lhe entrega sua pulseira como lembrança para que leve por toda a vida que você é uma abelhinha, uma guerreira que junto com aqueles que ama é capaz de vencer o mundo.

Então nesse momento um Emmet chorando igual a criança entrava no palco e segurando o pulso de Anne como se fosse o mais precioso de todos os cristais colocava nela a pulseira antes de se abaixar e sufocá-la em um abraço. Anne jogou seus braços em torno dele o abraçando de volta e sussurrando algo em seu ouvido. Novamente aplausos e assovios foram ouvidos. Eu conseguia distinguir os gritos de Alice no meio da multidão, assim como o assovio do meu pai entre tantos outros. Quando Emmet finalmente soltou Anne ela se jogou nos braços de Edward que a segurou no colo e junto os três deixavam o palco para que a terceira menina pudesse ser homenageada. Os gritos e palmas ainda continuavam e me sentindo repentinamente sufocado eu me vi precisando correr para fora dali.

Passei correndo pela moça que antes estava no portão ignorando sua pergunta se estava tudo bem. Não, não estava nada bem e a culpa era somente minha.

Não foi somente o mal que eu causei a Anne que eu consegui entender ali, mas também que não havia espaço em sua vida para mim. Ela já tinha Edward preenchendo cada pedacinho da sua vida, ele era a sua pessoa especial, era aquele que a ajudou em todos os momentos, aquele que a resgatou do inferno que eu joguei nela. Ele era o seu pai.

Continua......

Notas finais
Então, o que acharam? Esse final seria uma dica do que espera por Jasper? Será que ainda ha chances para ele ou Anne realmente não tem mais espaço para ele na vida dela? Opiniões? Palpites? Bom, nos vemos no proximo cap que provavelmente vem amanhã. Bjs a todos. Dani