Amor E Auto-hipnose
7 Capítulo 07: É o último dia da minha vida
Notas iniciais
Caramba, por qual razão ainda estou aqui, a não ser Emily? — é o que eu fico pensando por toda a festa. É apenas ela que me faz ficar aqui.
CHEGA. VAMOS COLOCAR OS FATOS NA MESA DA VIDA.
Ela me ama? NÃO! — é o meu subconsciente. É por essa razão que não posso simplesmente chegar e beijá-la. E eu sei disso. Que correntes cruéis... falam que ela me ama, mas me impedem de tocar a amada Emily. Então, o que fazer para conseguir passar os obstáculos desse caminho? Eu, sinceramente, já tenho bastante informação sobre Emily. Não necessito ficar vivendo um teatro no colégio, com pessoas ignorantes e outras falsas. Minha família... bem, só se preocupam mesmo com o trabalho. Então, já que estou me considerando um pseudo-stalker, por qual razão não avançar para o próximo estágio?
– Desculpem, não estou me sentindo muito bem. Tenho que ir para casa... — dou uma desculpa qualquer para o grupo e sio para a saída da casa de festas. Por mais que Emily me prenda ali, estou indo-a ver mesmo, não faz diferença, então. Sigo para casa, e está chuviscando. As gotas batem em meu cabelo... mas meu cérebro está processando uma quantidade enorme de informações, que me impedem até mesmo de sentir o frio. Assim que eu abro a porta de casa, não consigo me expressar direito após ver essa cena. Minha mãe está em prantos na mesa de granito da cozinha. Corro em seu auxílio. — Mãe?! O que houve??! — pergunto, balançando o braço dela. Ela levanta a cabeça, fazendo espalhar os fios lisos de cabelo castanho-claro. — Filho... seu pai...
Meu pai...
– Está me traindo...
Está traindo a minha mãe.
São as palavras que me fazem repensar totalmente sobre as decisões do futuro stalker. Eu beijo sua cabeça, abraçando-a fortemente. — Calma. — digo suavemente. Largo-a, olho em seus olhos. — O que houve? Me explique... — digo. Ela ainda está chorando bastante. Peço um lenço que estava perto e enxugo as lágrimas. — O seu pai... está chegando tarde do trabalho... então, eu... eu fui investigar... lembra que eu... lhe dei dinheiro para ir de... ônibus...? — ela pergunta. — Ficou bem óbvio que você estava fazendo algo, mãe... — digo. — Então... eu vi ele... e uma outra mulher se beijando em uma esquina, dois quarteirões depois do prédio onde ele trabalha. Que... calhorda!! AAAAAH!! — ela se levanta abruptamente e pega um copo — Monique Lhuillier Arianne HiBall, da Waterford– e joga contra uma parede. — Mãe... não precisa desperdiçar algo tão caro. Se meu pai é um calhorda, precisa sacrificar suas coisas, mesmo que seja um copo, por ele? — pergunto. Ela fica mais calma e senta. Não para de chorar. Ela coloca as mãos no rosto. — Eu fiz tudo por seu pai... se ele está no cargo que está -
A porta se abre. É meu pai.
A expressão da minha mãe é nenhuma. Ela simplesmente está paralisada. Alguns segundos, toda a cena entra em um estado de imponderabilidade. Após mais alguns poucos segundos, ela pega uma faca — Wusthof Culinar PEtec– e corre em direção a ele. Levanto-me da cadeira, fazendo-a cair, e corro em direção a minha mãe, conseguindo segurar o braço dela a tempo. — MÃE! CALMA! — grito. Meu pai fica sem entender nada, e coloca a mão no coração, por causa do susto. — SEU DESGRAÇADO! VOCÊ... TEM QUE PAGAR PELO O QUE ME FEZ!! — minha mãe começa a gritar. — O que eu fiz?! — meu pai pergunta. — CHARLES, ME SOLTA!! AGORA!! — ela continua a gritar. Eu seguro com mais força. Está difícil continuar assim. É tanta força convergendo que ela escorrega o braço e corta dois dedos meus. O sangue jorra pelo ar, e minha expressão de susto, choque e dor faz com que as expressões de meus pais se tornem de espanto. Eu perco o equilíbrio e caio no chão. Agora a atenção de minha mãe se volta para mim, que deixa a faca cair no tapete na sala e corre em meu auxílio. — FILHO!! FILHO!! FILHO!! CHARLES!! ME PERDOA, ME PERDOA!!!!! — ela grita.
Eu olho o meu dedo alguns metros longe de mim, no canto superior direito do tapete, que de bege, foi para parcialmente vermelho. Agora estou sem o dedo indicador e o médio da mão direita. Eu sou destro. — FILHO!! POR FAVOR... ME PERDOA!! — ela continua gritando. É tanta dor que eu não consigo reagir direito. — SUA VADIA! PRECISAVA FAZER ISSO!?! — meu pai começa a gritar. — Pai... por qual motivo... traiu minha mãe...? — essa pergunta faz o silêncio ecoar pela casa. — Eu... eu... — meu pai começa a gaguejar. Ele simplesmente abre a porta e sai. — Mãe... não me leve ao hospital... me dê... um curativo aqui mesmo... ou chame uma emergência em domicílio... eu pretendo fazer uma coisa... hoje... — digo, baixo. Ela balança a cabeça concordando, me coloca suavemente sobre o tapete e vai em direção a mesa do telefone. Ela disca algum número e começa a falar algo em relação a mim. Ela esqueceu de estancar meu sangramento... não a culpo... eu...
acabo perdendo a consciência.
...
Acordo. Estou na minha cama, com os dois dedos cortados, agora com o resto enfaixado... minha mãe está dormindo na poltrona do lado da minha cama. Eu olho para a janela, a lua está minguante. Eu fiz uma decisão hoje... então, olho para o relógio. são 00h52min. Eu me levanto bem devagar, pego um papel e começo a escrever...
Por favor, me perdoe...
Mas estou indo em direção a meu futuro...
Para aquela que me ama.
Eu pego todas as fotos de Emily, pego também o meu MP4, carregador e algumas roupas.. Eu olho para as partituras. Agora é impossível eu tocar violino... Então olho para outra parte do armário. Pego alguns papeis e algumas canetas. Pego também qualquer coisa eletrônica minha que eu tenha. Celular, tablet... quem sabe eu passe um tempo lendo isso. E também levo comigo a minha coleção de livros, e a coleção de mangás. Eu coloco tudo em uma mala. Coloco um casado preto com capuz. Uma roupa bem pesada e coloco coturno nos pés. Minha mãe incrivelmente não acordou. Pego a mala e sigo para a entrada da casa. Com relutância e tristeza, tranco a porta e jogo a chave bem longe, e procuro não olhar aonde eu joguei.
Agora, esse foi o último dia da minha vida...
Para um renascimento feito por amor...
E auto-hipnose.
Notas finais
Uma nova companheira.
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