Amor De Pais
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Notas iniciais
Amor de pais
A única coisa que vejo daqui é a lua, grande e brilhante como eu nunca havia visto antes, sozinha no céu negro, o triste céu de uma noite de outono, fria, arrepia os pelos da minha espinha, meu pé, gelado de encontro a pedra fria do parapeito da sacada do meu prédio, meu peito dói, rejeição, humilhação, vergonha. Olho para baixo e os faróis dos carros brilham como se fossem pequenas formiguinhas, movo um dos meus pés para o ar. E agora? Dou ou não dou o passo para minha liberdade?
A mulher do tempo falou que a previsão de frio para hoje, engraçado ela dizer isso, meu coração esta frio, ouço minha musica favorita quando o celular vibra acusando uma nova mensagem.
“Eu te amo”
A frase, sozinha, sem remetente, como se precisasse, era dele! DELE! Ele me ama, eu o amo! DEUS, por que é tão difícil? Só por que somos dois homens não temos o direito de nos amar? Mas eu não consigo mais, não posso, eu não sei o que fazer, contar ou não contar? Estou tão cansado de esconder. Pensei muito e essa mensagem é o que eu precisava pra seguir em frente.
-Victor, o jantar esta na mesa! – Gritou minha mãe.
Finalmente tive coragem para dizer o que amargurava o meu coração dia após dia.
-Mãe, pai, sou gay!
...
Não sei dizer se a reação dos meus pais foi a esperada ou surpreendente, ao tempo que eu sabia que não seria fácil, não imaginava que seria tão difícil.
Meu pai não conseguia olhar para mim sem deixar o sentimento de frustração transpassar seus olhos, já minha mãe, deixava clara que seu desejo era não estar ali.
O que me deixava mais decepicionado, irritado e até mesmo com ódio dels era saber que essa reação era devido principalmente as doutrinas em que eles acreditavam, meus pais provavelmente nunca me aceitariam por que eu certamente seria motivo de chacota para os obreiros da igreja.
Cansado de ouvir os sermões de decepção dos meus pais sobre a vida ilícita que eu estava levando eu corri dali, corri e corri, subi as escadas do prédio até o ultimo andar, a sacada do prédio, me encostei no muro e chorei como nunca havia chorado antes.
Eu me recuso a viver uma vida em que eu não possa ser eu mesmo, tirei minha roupa quase toda e fiquei apenas de cueca, saquei meu celular da calça jeans jogada no chão e respondi a mensagem.
“Eu te amo mais”
Imediatamente recebi a resposta
“Para sempre!”
“Para sempre!”
Respondi-lhe também.
Sbi na sacada, a mulher do tempo estava certa, esta frio, a lua, sozinha no céu, a pedra gelada de encontro aos meus pés, o frio na espinha, os carros lá em baixo parecendo formigas, minha liberdade eterna em apenas um passo e...
-VICTOR! NÃO!
Eu olhei para trás e me pai estava lá, mas eu me desequilibrei e minha amada liberdade se tornou o abismo, caindo em câmera lenta, ainda o vi, debruçado na sacada, tentando me pegar, eu nunca saberia o que ele queria me dizer, e instantes que pareceram horas, tudo acabou.
Notas finais
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