Amor De Pai
24 Emoções…
Notas iniciais
[Edward]
— Papai? — Nessie falou de repente.
— Hum?
Olhei para o seu rosto corado, ela estava se divertindo demais correndo de Jazz e Emmett. Ela acenou para a mãe antes que ela entrasse novamente para o quarto para descansar. Era inevitável não sentir por meu amor, queria tê-la conosco naqueles momentos distrativos, porém devido as circunstâncias o melhor era Bella se resguardar ao extremo para não ocorrer problemas a sua saúde ou a criança.
— Eu estou tão feliz.
Ela esboçou um lindo sorriso reluzente de olhos fechados. O dia estava ensolarado e o reflexo do brilho que minha pele cintilante emanava a cegava um pouco, não que ela não gostasse.
— É mesmo? E por qual motivo?
Ela se lançou em meus braços e caí para trás na grama, pois não esperava o “ataque”, aquilo nos fez rir.
— Oras! Porque vamos ficar juntos para sempre, o senhor, a mamãe, meu irmãozinho, os titios, os vovôs…
— Isso é realmente um motivo para comemorar.
Ela assentiu freneticamente e tocou meu rosto com a ponta dos dedos.
— O senhor está tão bonito. Eu já tinha visto a tia Lara assim, mas não conta para ela, o senhor fica muito mais lindo… — ela colocou a mão em concha para confidenciar o fato e eu sorri.
Certamente Lara havia escutado, porém fingiu não ouvir, ela se encontrava ao lado de Esme nos observando da varanda. E riu ainda assim. “Ela é definitivamente apaixonada pelo pai” ela pensou, justificando o que Nessie tinha dito.
— Pequena monstrinha, prepare-se para enfrentar a fúria do titio Em. Roar! — Emmett surgiu imitando um urso, seguido por Jazz que fazia o mesmo, era uma cena cômica de fato. E os três saíram em disparada floresta a dentro. Era reconfortante ver Emm agir como antes, mas todos sabíamos como ele lutava contra sua infelicidade em estar longe de alguém que se amava demais. Eu mais do que ninguém compreendia e conhecia a sensação…
E mais, sentia-me grato pela decisão de Rosalie em se afastar, pois de alguma forma soou altruísta.
Embora tivéssemos desavenças de vez em quando — geralmente quando se tratava de Bella e Nessie — eu não desejava seu mal. Afinal, vivemos milhares de anos como uma família. Esperava que retornasse e quem sabe com uma nova perspectiva.
[Bella]
Seja forte Bella, por favor.
Era a única coisa que eu conseguia pensar vinte e quatro horas por dia, principalmente quando meu corpo se transformava numa geleia e eu nem mesmo conseguia me manter de pé. Sempre que eu tentava me lembrar do que havia acontecido antes de acordar em L.A um sino irritante e doloroso ressoava em minha cabeça. Deveria haver um motivo significativo para que eu pudesse estar de volta ao lado das pessoas que eu amava incondicionalmente... Mas... Se eu morresse, teria eu essa benção de novo?
Uma sensação estranha na boca do meu estômago de repente me fez acreditar que provavelmente não. Foi o bastante para todos os pensamentos positivos ruírem.
Meu peito doeu naquele mesmo instante, uma angústia arrebatadora passava por todas as vias nervosas do meu corpo. Não. Eu queria sobreviver mais do que nunca. Meus filhos precisavam de mim. Edward precisava. Meu pai também, eu já havia causado tanta dor nele, eu mais do que ninguém sabia o quanto um filho era precioso demais. Afaguei minha barriga com todo o carinho que possuía assim que senti meu pequeno mexer, fechei os olhos e comprimi os lábios, sentindo uma dor aguda próximo as minhas costelas.
— Eu também o amo, bebê. — disse como um arrulho.
Enxuguei as lágrimas que deixaram rastros em minhas bochechas assim que ouvi os passos de alguém. Precisava mostrar que tudo estava bem, que eu estava bem.
Logo que vi o rosto de Alice, sorri. Me recordei que desde o momento em que nos reencontramos, não tivemos uma conversa apenas nós duas.
— Bella. Como você está? — perguntou se aproximando — Suas mãos estão tão frias e secas. — disse com uma careta segurando-as.
Ela sacou um frasco verde água de algum lugar e depois de despejar o creme aplicou na minha mão esquerda, fazendo uma massagem relaxante.
— Eu estou ótima.
Alice me encarou como se não acreditasse nenhum pouco na minha declaração, mas ainda assim não rebateu.
— Renesmee e Edward ainda estão no jardim ? — questionei, pois consegui convencer os dois a me deixarem um pouco e se divertirem.
E como eu estava terminantemente proibida de levantar a não ser para tomar banho, ir no banheiro e esticar as pernas, eu não podia verificar o que estavam aprontando.
— Sim, Emm e Jazz se juntaram a eles e está uma bagunça completa lá embaixo, até mesmo tirei algumas fotos.
Sorri.
Eu tinha certeza que Renesmee — ainda que eu não soubesse que esperava uma menina — mudaria a vida de todos ao seu redor. E mal podia esperar para que o bebê que eu carregava, também colorisse ainda mais nossas vidas.
— E o que a traz em meu quarto?
Ela semicerrou os olhos e passou para a mão direita. Aquilo era muito bom.
— Eu não posso simplesmente vir ver como minha amiga e irmã está? Sinceramente senhora Cullen.
Ela bufou e eu ri.
— É claro que pode, deve na verdade. Fico feliz que você esteja aqui para cuidar de mim.
Seus olhos se arregalaram teatralmente.
— Quem é você e o que fez com a minha amiga?
Soquei de leve seu ombro e ela riu.
— Bella. — disse num tom cauteloso, segurando minhas mãos. — Eu preciso mostrar uma coisa.
Meu coração começou a acelerar gradativamente, embora não estivesse claro o assunto que nós iríamos tratar. Ela pegou o pequeno aparelho prateado e ligou a tela.
— Isso se chama instagram e é uma das melhores ferramentas para encontrar alguém hoje em dia — ela me mostrou um aplicativo com o design de uma câmera e assim que entrou fiquei atenta aos conteúdos — e alguns dias atrás pesquisando e pesquisando encontrei essas fotos.
Imediatamente meus olhos se encheram de lágrimas, meu peito começou a doer, quase ao ponto de me sufocar ao ver de quem se tratava.
— Renée. — sussurrei.
Alice assentiu.
Eu tinha a sensação que havia se passado mil anos desde que eu vira seu rosto pela última vez.
— Eu hesitei muito em mostrar, mas como sei que sente tanto a falta dela, achei melhor revelar de uma vez.
E não era apenas minha mãe no clique de ambiente familiar, havia uma nova pessoa entre ela e Phill. Um garotinho aparentando ter a mesma idade de minha Renesmee.
— Alice! — eu falei chocada, chorando e rindo ao mesmo tempo. — Eu não acredito que tenho um irmão.
— E não é apenas isso, descobri que ele nasceu no dia do seu aniversário também. Veja só.
A imagem na tela foi capaz de silenciar toda a dor que eu sentia por não poder mais fazer parte da vida de Renée, era confortante saber que apesar de me “perder” ela continuou sua vida, e mais a prova disso era o pequeno embrulho azul bebê que estava em seus braços enquanto ela o encarava com o todo o amor que poderia possuir.
Havia um texto abaixo da foto que tomou toda a minha atenção.
Hoje é um dia feliz, mas também um pouco triste. Feliz porque você, meu bebê, é a esperança e força que eu tanto pedi a Deus… E triste porque sua irmã não está mais aqui, mas enquanto nossos corações baterem sua lembrança estará viva… A mamãe ama vocês, Benjamin e Bella.
Deixei que as lágrimas rolassem silenciosas pelo meu rosto enquanto admirava fascinada minha mãe e sua pequena esperança, e em saber que ela ainda se lembrava de mim.
— Eu também te amo, mãe… — sussurrei e fechei os olhos com força totalmente embargada por aquele sentimento esmagador. Parecia que toda a carga emocional caira sobre meu ombros naquele momento.
Alice pegou uma coberta e colocou em volta de mim antes de me envolver em seus braços, o cuidado de Alice em não causar frio em mim, as fotos da minha mãe, pensar em meu pai me fez por um momento me sentir tão culpada. Desde que conheci Edward e descobri sua verdadeira origem, quis me tornar vampira e viver para sempre ao seu lado, mas eu nunca pensei realmente que custaria a felicidade dos meus pais também.
E ainda coloquei os Cullen em perigo diversas vezes.
— Eu sei o que você vai dizer, Bella. Eu previ isso, mas não é verdade. Nós todos amamos vocês e faríamos tudo de novo. Seus pais também te amam independente de qualquer coisa… Não pense mais nisso. Você precisa se concentrar em você mesma e no baby Cullen.
Instantaneamente segurei meu ventre com força. Eu fiz uma promessa a ele e a todos. Eu definitivamente iria sobreviver.
[...]
Depois que fiquei mais tranquila e consegui controlar minhas emoções, procurei por mais informações sobre minha mãe e sua família, especialmente de Benjamin. Ele definitivamente tinha dois anos, era muito elétrico e gostava de carros. E cada vez que via uma nova foto, eu ficava muito mais em paz. Saber que minha mãe estava bem era o bastante para mim. Eu poderia checar sempre que eu quisesse.
Mas por que Charlie não havia me dito que minha mãe tinha outro filho? Talvez ele achasse que aquilo me machucaria de alguma forma. E era o contrário, na verdade.
Charlie.
Não podíamos deixar que ele viesse nos visitar por enquanto. Ele iria constatar que algo estava muito errado ao ver minha barriga enorme. Nenhuma desculpa seria tão boa o suficiente para mantê-lo afastado de possíveis perigos. Não poderia arriscar que ele descobrisse sobre vampiros, não era uma opção. A vida dele estava em jogo, embora ele soubesse vagamente que os Cullen não eram uma família comum ou tradicional.
E mais, assim que eu fosse transformada em vampira depois do nascimento do bebê seria também muito perigoso tê-lo por perto, talvez a pior ameaça ao meu próprio pai, pois eu não tinha certeza se conseguiria me controlar. Então infelizmente não o veríamos por um bom tempo.
Meu coração se apertou.
— Mamãe, o que a senhora está pensando? — Renesmee indagou ao meu lado, desviando a atenção do desenho da Cinderela que passava na gigante TV na parede.
— No vovô Charlie, meu anjo. Eu estou com saudades dele.
— Ah! Eu também sinto saudades do vovô. Mas depois que o bebê nascer nós vamos vê-lo!
Assenti.
Tentando não demonstrar qualquer vislumbre de tristeza. Renesmee não precisava saber agora que demoraria muito para ver Charlie de novo. Ela havia cismado que Sue e seu avô iriam se casar em breve e teriam um bebê, assim como a ‘vovó Renée’, eu mostrei as fotos de Benjamin para ela e Edward quando retornaram.
Eu ficaria muito feliz se isso realmente acontecesse, meu pai finalmente continuaria sua vida e com uma mulher muito incrível como Sue. Isso significaria que Seth seria meu meio-irmão e também Leah. A lobo que me odiava.
Mas eu desejava isso para o seu bem ou para diminuir minha culpa? Talvez um pouco dos dois.
Sacudi a cabeça. Eu já estava começando de novo a me culpar pela infelicidade de todos.
— Vamos jantar? — perguntei a Renesmee e ela assentiu. Embora eu tomasse sangue continuamente, ainda precisava me alimentar saudavelmente.
— Eu vou falar com a vovó para me ajudar a trazer nossa comida.
— Eu não acho que isso seja preciso, lindinha, posso descer com você.
Renesmee sacudiu a cabeça.
— Não, mamãe. O papai disse que a senhora não pode fazer esforço e se levantar da cama sem que precise, eu vou ficar bem, eu sou mais forte que os leões da montanha, não é?
Ela levantou os braços para me mostrar sua ‘força’, o que acabou com que eu soltasse uma breve risada. Embora eu soubesse que Renesmee era extremamente habilidosa e tinha herdado todas as qualidades vampirescas, ela ainda era minha filhinha e eu involuntariamente me preocupava bastante com ela.
Soltei um suspiro.
— Tudo bem, mas estarei olhando você do topo da escada. — concordei por fim, tendo uma sensação esquisita no peito.
Ela sorriu assentindo freneticamente.
— Eu volto rapidinho! — ela soprou um beijo e antes que eu ordenasse que ela não corresse enquanto descia os degraus, algo perturbador aconteceu.
Faltava apenas um lance de escada e ela pousaria segura no chão, suas pernas gordinhas se embaralham e ela perdeu o controle da direção. Meu corpo inteiro congelou. Vi horrorizada seu pequeno corpo rolar bruscamente degrau por degrau, e inconscientemente me inclinei para frente para tentar inutilmente correr e pegá-la.
— Renesmee! — meu grito esganiçado doeu em meus ouvidos ao mesmo tempo que todos surgiram, Edward foi mais rápido e conseguiu capturá-la antes que seu corpo se chocasse no chão, mas ela estava desacordada. — Minha filha! Edward! — assim que gritei seu nome, uma dor absurda tomou conta do meu corpo e senti algo se romper de dentro para fora. A dor era quase conhecida.
Edward que estava com nossa filha nos braços, tentando reanimá-la, olhou transtornado para o alto, para mim. Agarrei o corrimão com força, mordendo os lábios pela sensação insana que me corroía. Fiquei ainda mais aturdida por ver sangue na testa e nas pernas de minha bebê. Minha filha!
Me odiei por não conseguir chegar até ela, choraminguei por não ter sido capaz de proteger minha criança, e muito mal por estar colocando meu outro bebê em risco. Ouvia vozes ao redor, mas não consegui prestar muita atenção ao ponto de compreender as palavras.
O que estava acontecendo?
Senti meu corpo ficar mole a cada segundo e a sensação ir de encontro ao chão, mas antes que isso acontecesse de fato, senti mãos frias me segurarem.
— Renesmee… — choraminguei num sussurro.
— Vai ficar tudo bem, Bella. — eu estava tão perdida que não consegui identificar quem havia falado.
A última coisa que capturei antes da escuridão chegar foi o rosto pálido de minha filha e o olhar preocupado de todos.
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