Amor De Gato

26 Surgem os novos campeões


- Você está sugerindo que eu aceite humanos nos desafios? – Fidelius perguntou mal acreditando no que tinha ouvido.

- Sim majestade. Existe alguma regra contra isso?

- Não, não existe. Quer dizer, esse tipo de situação nunca foi prevista quando as regras foram criadas, então legalmente não é proibida a participação de humanos.

- Então? Os médicos falaram que dois dos seus campeões sobreviveram. Eu posso curá-los com magia felina! E os três restantes podem ser meus amigos. Tenho certeza de que eles serão capazes de vencer esses desafios.

- Espere, ainda faltará um.

- Esse serei eu, meu pai.

- Felicius? Nem pensar!

- Eu quero fazer o terceiro desafio, é uma das minhas maiores especialidades e sei que sou capaz.

- Não posso correr nenhum risco. O melhor é que você fuja do reino e vá viver no mundo dos humanos. Pelo menos estará vivo e seguro até que...

- Acha mesmo que vou abandonar o senhor, nosso reino e nosso povo? Nunca!

- É uma ordem!

- Uma ordem que eu não vou obedecer, meu pai. Meu dever é com o povo gato. O senhor não me disse isso uma vez?

- Agora a situação é diferente. Não posso colocar sua vida em perigo. Mais tarde, quando você estiver forte e preparado, poderá voltar.

- Se meu tio subir ao trono, será uma grande tragédia para nosso povo. Não podemos esperar vários anos para fazermos algo sendo que podemos fazer agora.

O clima entre os dois estava ficando tenso. Fidélius era muito teimoso e se recusava a arriscar a vida do filho. E Felicius parecia ter herdado um pouco da teimosia do pai e não estava disposto a desistir quando ainda havia uma esperança.

- Majestade, senhor... por que não nos dá uma chance? Sei que poderemos superar essa dificuldade! É como o Felicius falou, não podemos deixar Lord Teigr subir ao trono. Ele fará o povo sofrer com certeza.

- Pelo menos Felicius estará vivo para lutar depois!

- E como o senhor acha que ele se sentirá ao saber que seu povo sofre nas mãos de um tirano? Por favor, não vamos desistir agora!

O rei ficou olhando para ela, pensativo. Por que ela estava fazendo aqueles olhos tão fofos e brilhantes? E aquela carinha de filhote de gato? Por que aquilo o estava amolecendo?

- Por favor, vamos tentar...

Felicius já tinha sido advertido a respeito do “modo mel” da Magali. E aquilo parecia realmente funcionar, impressionante! Se ela lhe pedisse fazendo aquela carinha tão doce, ele era capaz até de comer ração para cachorro!

- E você acha mesmo que seus amigos serão capazes de vencer os desafios?

- Sim. Eu confio neles. Nós já vencemos vários desafios antes, já lutamos, superamos provas e obstáculos. Sei que vamos conseguir.

Ele olhou para os ministros, que até então ouviam tudo calados. Bastou uma troca de olhares para ele saber qual decisão tomar. Todos ali estavam desesperados e ninguém queria sequer pensar na possibilidade de Lord Teirg subir ao trono. Qualquer solução era bem vinda.

- Eu só aceitarei com uma condição. – ele falou por fim. – se perceberem que não haverá como vencermos os desafios, quero que tirem Felicius do reino imediatamente. Fujam e não olhem para trás! Você pode prometer isso?

- Posso sim senhor, mas sei que isso não será necessário.

- Ainda assim, eu não quero correr riscos. Você ouviu, Felicius. Se as chances não estiverem a nosso favor, eu exijo que você vá embora, fuja para bem longe e se esconda. Já que você pode assumir a forma humana, será mais fácil se esconder.

- Sim, meu pai. Farei isso SE estivermos perdendo. Do contrário, continuarei bem aqui.

- E quanto aos seus amigos, Magali? será que eles aceitarão nos ajudar?

- As aulas já acabaram e eles devem estar vindo para cá, majestade.

- Você já os chamou? E eles aceitaram?

- Sim. Eles jamais teriam recusado.

Assim que teve a idéia, Magali usou o celular para chamar Mônica, Cebola e Cascão. Quem diria que seu aparelho fosse pegar tão bem no Reino dos Gatos? Uma mão na roda!

Quando os três foram introduzidos a sala do trono, Fidélius logo reconheceu aquela moça dentuça que arrancou uma jaula do teto e arremessou contra vários guardas, abatendo todos eles. Apesar da aparência delicada, ela parecia ser bem forte e ele acabou sentindo uma ponta de esperança. Quanto aos outros dois, será que teriam alguma capacidade para vencer?

- Majestade, esses são os amigos de quem falei. Mônica, Cebola e Cascão.

- Creio que Magali já deve ter explicado para vocês sobre os desafios.

- Sim, ela já falou tudo. – Mônica se adiantou.

- E vocês já sabem quais provas farão?

- Claro. E estamos prontos. Para quando vai ser a peleja?

- Dentro de alguns dias. – ele ficou surpreso com a disposição deles em lutar. – se quiserem, poderão treinar junto com os outros campeões.

- Tá tranqüilo.

- Há mais uma coisa. De acordo com as regras, os campeões podem ter uma espécie de equipe de apoio. Essa equipe não poderá intervir diretamente, mas poderá dar conselhos e apontar possíveis soluções para os desafios. No seu caso, se quiserem, poderão chamar outros humanos de sua confiança. Decidam isso mais tarde. Nossos treinadores irão levá-los ao local de treinamento onde poderão ficar a par de todas as regras dos desafios. Espero que fiquem à vontade. Serão bem tratados.

***

O novo local era como um grande ginásio, com vários equipamentos de ginástica, pistas com obstáculos e muitas outras coisas para o bom treinamento dos participantes.

Todos ficaram olhando para os humanos, um tanto ressabiados. Será que aqueles moleques fracotes e magricelas iam ter alguma chance?

- Quanta coisa! E olhem só aquela pista de corrida! Dá para treinar parkour tranqüilo! Mal posso esperar para experimentar!

- Quantos pesos! E são até parecidos com os que eu vejo nas academias.

Diante do olhar espantado de todos, Mônica pegou um do chão com apenas um braço. Era um peso grande e um homem forte e bem treinado tinha dificuldade para erguê-lo do chão usando os dois braços. E ela segurava aquilo como se fosse feito de papel!

- E eu? Como vou treinar meus miolos? O meu desafio é mais inteligência do que força!

- Existe uma área especifica nesse ginásio para o seu tipo de treinamento. Vou mostrar.

Cebola foi atrás de Felicius, Cascão resolveu experimentar a pista de obstáculos e Mônica tentava encontrar algum peso que não parecesse feito de isopor. Como alguém podia ficar forte treinando com aquelas porcarias?

- Mô, o rei falou que a gente pode levar outras pessoas para ajudar.

- Ah, é. Vejamos... acho que pode ser o Franja, a Marina e o DC.

- O DC?

- Com aquela cabeça virada, ele pode acabar arrumando boas soluções para os problemas. Você sabe que ele consegue pensar em coisas que ninguém mais pensa. O Franja deve ajudar nos desafios de inteligência do Cebola e a Marina é bastante criativa também, pode ter boas idéias. Tirando eles, quem mais a gente chamaria? A Carmen? A Denise? Não dá, né? Talvez o Nimbus?

- Não pode ter nenhum tipo de magia nos desafios, a regra é bem clara. Tanto que eu nem vou poder ajudar em nada por causa dos olhos de gato. O Nimbus não vai dar.

- Não esquenta. A gente consegue superar essa. Sempre conseguimos, né?

- Sempre. E você, não está com medo? Dizem que o seu oponente é muito forte!

- Vê lá se eu vou ter medo de um gatinho? É ruim, heim! Eu vou é fazer um belo tapete com ele e colocar no chão do meu quarto!

- Ai, Mô! Você não presta mesmo!