Notas iniciais
+ emoções

– Você topa ir num lugar legal? — Perguntou Daniel – Você vai adorar.

– Você pode ser um pedófilo – Respondi desconfiado.

– Que pena, eu não sou, então vamos Micaster?

– Como sabe o meu nome? – Perguntei rispidamente.

– Tá na mochila Mané, vamos nessa – Respondeu.

Tucker, em Vermont, é uma cidade bem bacana, tudo é perto, e qualquer intriga é bem vinda, porque afinal, as próprias pessoas gostam de fazer fofoca, só para ter algo para falar.

– Estamos indo pra onde? – Perguntei curioso.

– Para o restaurante do meu tio, o Boogies, lá tem quase todas ás culinárias, pessoas ou culturas do mundo – Respondeu. – Eu estava esperando minha prima Keyzi Migglethon, filha dele chegar, mas acho que ela se esqueceu.

– Tá certo – Comentei.

O restaurante Boogies era bastante legal, para chegar lá só levava uns 10 minutos a pé, a entrada do restaurante era perto da universidade, uma escada levava para a porta que se encontrava logo abaixo, e era bem atrativo, havia um palco pequeno, em cima havia uma placa que dizia “Show Livre”, e eu me sentei com Daniel em uma mesinha próxima ao palco, ele se levantou e foi direto ao balcão buscar duas sodas para tomarmos e se sentou novamente, de repente, um holofote azul clareou um banquinho no palco, e lá estava sentada uma garota com cabelos castanhos avermelhados, seu delineador realçava os olhos cinzentos tempestade, seus cabelos estavam cortados num Chanel muito bonito, e estava usando uma boina preta, suas vestes eram pretas, usava meia calça listrada em preto e branco, que era igual as suas luvinhas, em seus pescoço estava um laço rosa alaranjado quase vermelho, igualmente em seus pulsos, só que eram fitinhas, em suas sapatilhas tinham estrelas que brilhavam no escuro e ela começou a recitar citações:

Oh, deixemos as traições, acordemos para uma nova vida, oh, vivemos num simples fato marcante, barulhento como uma tormenta!

Aqui se ouviu uma batida num Bongô.

Oh, querido, não me subestime, pode ser que sua vida... Termine.

Ela jogou uma moeda para o alto e começou a estalar os dedos, todos no restaurante começaram a fazer o mesmo, e no final se apagaram os holofotes e se acenderam as luzes e todos estavam a aplaudindo.

– Obrigada, obrigada – a garota agradeceu ao seu público.

– Keyzi, sua maldita! Eu estava te esperando naquele inferno de praça até agora! – Como Daniel é delicado...

Ah! Keyzi é muito bonita.

– Eu avisei que estaria aqui, não me culpe por seu distúrbio memorial, e você não me esperou até agora, agora você está aqui e não lá – Eu gostei dela por que ela conseguia deixar ele sem jeito e gostava mais ainda por ela ser tão culta, egocêntrica e abstrata com o seu jeito de ser – Ah, e você é amigo do Dan-Mijão? – Ela me perguntou, eu não pude deixar de rir, não pude de deixar de rir do “Dan-Mijão”, muito menos de como o Daniel corou ao ouvir isso:

– Sou Micaster Grey, mas pode me chamar de Micky – Respondi sorrindo.

– Ah, ok, Micky. – Falou Daniel.

– Para você é Micaster, Daniel – eu disse, rispidamente.

– Ok, Micky – Disse Keyzi – Pode me chamar de Key, e por falar nisso, qual é o seu talento?

– Como assim Key? – Perguntei intimidado.

– No que você é bom? – Respondeu, com outra pergunta.

– Bom, eu canto, canto bem e tudo mais, mas não tenho coragem – Eu parecia um babaca medroso.

Keyzi não estava mais me ouvindo, na verdade, ela já estava no palco com o microfone, estalando os dedos outra vez, eu achei que ia começar outro de seus números citados, mas eu me enganei...

– E agora com vocês, meu novo amigo, Micaster Grey! – Eu esbugalhei os olhos quando ela falou meu nome, e se eu desafinasse? O salão estava lotado! Mas advinha o que o bruxo idiota fez?

– Essa música que irei cantar agora, não é muito conhecida, mas é uma das minhas músicas prediletas, para alguns a letra poderia ser feita para você mesmo, a música, sempre exemplifica alguém, se é que isso existe, mas vamos deixar de abobrinha, e vamos cantar a bos... Da música, ela se chama After All — Cher.

Well, here we are again
I guess it must be fate
We've tried it on our own
But deep inside we've known
We'd be back to set things straight

De repente, Keyzi começou a cantar a outra parte:

I still remember when
Your kiss was so brand new
Every memory repeats
Every step I take retreats
Every journey always brings me back to you

E cantamos juntos este refrão:

After all the stops and starts
We keep coming back to these two hearts
Two angels who've been rescued from the fall
And after all that we've been through
It all comes down to me and you
I guess it's meant to be
Forever you and me
After all

Keyzi continuou:

When love is truly right
This time it's truly right
It lives from year to year
It changes as it grows
And oh the way it grows
But it never disappears

Desta vez, cantei o refrão sozinho:

After all the stops and starts
We keep coming back to these two hearts
Two angels who've been rescued from the fall
And after all that we've been through
It all comes down to me and you
I guess it's meant to be
Forever you and me
After all

Continuei:

Always just beyond my touch
Though I needed you so much

E Keyzi deu um super grave:

After all what else is living for

E quando cantamos o refrão juntos, parecíamos um só:

After all the stops and starts
We keep coming back to these two hearts
Two angels who've been rescued from the fall
And after all that we've been through
It all comes down to me and you
I guess it's meant to be
Forever you and me
After all

E desta vez, deixei Keyzi cantar sozinha o final:

After all the stops and starts
We keep coming back to these two hearts
Two angels who've been rescued from the fall
And after all that we've been through
It all comes down to me and you
I guess it's meant to be
Forever you and me
After all.

O salão explodiu em palmas, gritos e bis, eu sorri, eu agradeci, e por um momento esqueci o mundo lá fora, e peguei alguém de surpresa:

– Daniel! Vem cá Dan! Mostre seu talento!

“Micaster, você tá maluco?” – Notei ele fazer com a boca.

– Dan, 3 segundos para vir ou eu e Key falaremos o seu apelido carinhoso – E demos um sorriso malicioso.

“Você me paga Micaster” – Daniel sussurrou em meu ouvido, ao subir no palco.

Ele apanhou a guitarra e começou a tocar In the end — Linkin Park.

Estava lotado aquele dia, e tudo estava indo bem, até chegar quem não devia pelo menos Dan superou sua vergonha:

– Micaster Alvin Grey! – Disse o ser repugnante.

– Olá Rickchard Dawling Spolleto.

Ele assumiu uma expressão venenosa:

– Não sábia que sua classe havia abaixado tanto Micaster – Ele sabia como me tirar do sério, Rickchard Spolleto, foi um garoto que tentou me seduzir para ganhar uma nota boa na apresentação do meu curso de artes, só que eu descobri a armação e cantei Beggin On Kness — Victoria Justice e eu o humilhei na frente de mais de 368 pessoas.

– E nem eu que o seu bom gosto havia batido as botas, ah é, você nunca teve – Eu sorri maliciosamente.

– Calado sua Gazela – Ele disse, eu fiquei totalmente envergonhado, e antes de ter qualquer reação, um vulto passou do meu lado e quando vi, Rickchard estava no chão com o nariz sangrando, Daniel havia lhe dado um soco, e disse:

– Nunca mexa com meus amigos, seu mauricinho de meia tigela!

– Você vai ver! – Vociferou Rickchard, mas antes que pudesse levantar, enfiei a sola do meu sapato na sua cara tosca.

– O que está acontecendo aqui? – Perguntou Keyzi vendo Rickchard com o nariz ensanguentado – Ah, Daniel, quantas vezes tenho que dizer? Vamos andar sobre o caminho do perdão e da compaixão.

– Pro inferno a compaixão! – Exclamou Rickchard.

– Rickchard, Rickchard, Rickchard, pobre Rickchard. Você anda por aí se achando o tal, um garoto de cidade baixa, com atitudes de cidade grande. Você anda tão preocupado em mandar más vibrações para lá e para cá, que você simplesmente não percebe que você mesmo se sufoca com sua fumaça de segunda mão – E veio a coisa que mais gosto em Key, o estalar de dedos, todos começaram a estalar os dedos, era como um coral dizendo para Rickchard: Acorda.

Ele se irritou e saiu, vencemos a batalha!

Quando olhei as horas no relógio, eram quase 19:00 horas!

Apanhei minhas coisas, abracei Keyzi e Daniel rapidamente e corri para casa, liguei meu MP4 e para uma cena de triunfo estava tocando Paparazzi — Lady Gaga.

Eu não vou descansar até que seja meu, Pa-pa-parazzi.

Quando cheguei em casa, minha tia me deu um susto, ela falava tanta coisa que eu quase não entendia, mas eu entendi perfeitamente a parte do:

– Eu estava quase chamando a policia! — e a do — Por que você não diz onde estava? Diga logo!

eu simplesmente berrei com raiva:

– Porque a vida é minha tia! Ela me pertence! Para de me tratar como o seu bebezinho! Que droga!

Virei-me e fui para o meu quarto, despi minhas roupas e fui tomar uma chuveirada para refrescar as memórias, quando ouvi um barulho de alguém entrando pela janela do meu quarto...

Eu pus a toalha ao redor da cintura e apanhei o porta–toalhas de rosto e fui andando bem devagar, quando abri o armário, alguém pulou de dentro gritando BU! E por instinto natural, eu com o porta–toalhas em mãos o soquei e atingi na testa, foi só aí que reparei que era o Daniel:

– Ai, Micaster! – Exclamou, com a testa sangrando.

– Você me assustou, seu imbecil! – Resmunguei.

– Keyzi, sai logo daí – Ele falou fitando minha gaveta e Keyzi saiu de lá.

– Isso é algum número de circo? – Perguntei, irritado.

– Nós o seguimos para ver se ia ficar tudo bem, só isso – Respondeu Daniel, com a mão na testa. Eu não aguentei, me compadeci de pena, voltei ao banheiro, pus o roupão de banho e peguei em meu armário de remédios ataduras e esparadrapo e voltei ao quarto.

– Vem, cá, Daniel, me deixa parar esse sangramento – eu disse.

– E o que não comprova que você vai usar meu sangue para fazer vodu? – Até quando ele ta perdendo sangue, ele tenta me irritar, que droga!

– 1, 2...

– Já entendi – Ele veio em direção a minha cama, se sentou, apanhei um pedaço de atadura e pus na testa inchada dele, colei-a com o esparadrapo e estava prontinho.

– Só tire amanhã, ok? – Aconselhei.

– Micaster tem olhos tão lindos Key, parecem os oceanos mais claros, é tão bonzinho o Mickyzinho para o Daniel – Ele falou naquele tom de bebê irritante! Eu olhei para Keyzi, ela entendeu, pôs o Daniel de pé, segurou em seus ombros, e enfiou uma joelhada em sua virilha, e como instinto natural masculino, ele começou a se contorcer no chão de dor.

– Obrigado, Key. – Agradeci a ela sorrindo.

A noite estava linda lá fora, destranquei a porta do meu quarto, e saí com eles pela janela, e os guiei pelas ruas da cidade, até chegarmos ao morro do observatório velho, subi na árvore, e eles fizeram o mesmo, se sentando ao meu lado no galho grosso que era bem alto, dava para ter uma vista perfeita da cidade, o céu com pequenas estrelas e apenas algumas bem brilhantes e Keyzi falou para quebrar o gelo:

– A noite está realmente linda – Comentou.

– Gente, vocês acreditam em vida após a morte? Ou vocês acham que é morte e só? – Perguntou Daniel.

– Bom, eu acho que é apenas a morte, o mesmo clichê de sempre, tristeza, dor, angustia, náusea, a mesma coisa fúnebre de sempre – Respondi.

– Mas, você só morre se quiser e só – Disse Keyzi.

– Como assim Key? – Perguntei interessado.

– Você pode diminuir o número de tristeza Micaster, tipo, pode fazer que as pessoas guardassem você na memória apenas como uma lembrança boa, assim você não estaria morto entende? Você estaria apenas dormindo para toda eternidade – Ela respondeu no seu jeito culto de ser.

– Mas Key, nós sempre vamos fechar os olhos pela eternidade e todos vão chorar! Vamos para sete palmos de baixo da terra, e muitos serão atingidos por esse caos – Ás vezes fico tão indignado comigo mesmo.

– Mas Micky, ser eternizado em sentimentos é uma coisa, ser eternizado em algo eterno é outra coisa, Keyzi está te falando de um ritual da amizade – Falou o Dan.

– Que ritual Keyzi? – Perguntei meio assustado.

– O ritual da estrela Micaster, é um ritual de amizade, você escolhe com quem está eternizado, não existe separação depois da morte, entende? É algo para todo sempre! Você olha para o céu, escolhe uma estrela, da um nome para ela, e ela realizará alguns de seus desejos do coração, e você faz um pacto de amizade eterna com seus amigos em nome da estrela – Ela fala como se fosse algo tão simples, mas vamos nessa, já que não tem jeito, bruxo mortiço.

– Loux – Disse eu.

– Saúde – Disse Daniel.

– Não bobão, foi o nome que escolhi – Disse eu – Eu Micaster Alvin Grey, na frente da estrela Loux, aceito ser eternizado para todo sempre, com Daniel Rookwood e Keyzi Migglethon, e nos amaremos para toda uma eternidade nas estrelas, amigos eternos, e nenhum poder na terra poderá quebrar este pacto, apenas o último sobrevivente de nós, se quisermos! Aceitam? – Perguntei.

– Aceito – Respondeu Keyzi.

– Perfect, tudo Perfect – Falou Daniel.

E fomos cada um para sua devida casa logo em seguida, deixando apenas a névoa do luar...

Notas finais
Enjoy!