Amor, Calibre 45
27 Epílogo
Notas iniciais
5 anos depois...
Havia sido um escuro e frio inverno. Mais longo do que qualquer outro que Thereza se lembrava.
A neve banca dos telhados finalmente começava a derreter e dar lugar para a rala vegetação que em breve germinaria em belas flores.
Havia sido um escuro e frio inverno. Chovia e o desejo de qualquer pessoa normal seria o de estar em um lugar seco e quente, mas ela não era uma pessoa normal...Era?
O vento ricocheteou os galhos secos das árvores ao seu redor e automaticamente se encolheu ainda mais no sobretudo cinza. A gotinhas de água escorriam pelo guarda-chuva. Não sabia dizer há quanto tempo estava ali, parada e sozinha, encarando a pedra de mármore lapidada a sua frente. Mas as inscrições que lia faziam seu peito arder com todas as memórias que lhe traziam.
— Tessa?
A loira se virou ao ouvir a voz familiar e sorriu gentilmente.
— Oliver... O que faz aqui?
O rapaz sorriu de volta ao responder:
— Procurei você por toda parte, achou mesmo que poderia ir embora sem se despedir de mim?
Tessa revirou os olhos e abraçou o irmão com o braço livre. Soltou um “não seja bobo” e voltou seu olhar para baixo. Oliver entendeu o que se passava na mente da irmã e suspirou baixo no silêncio que de repente começou a reinar.
—Você sente falta dele não é?
Ela respondeu com um movimento de cabeça.
— Ás vezes me pergunto se realmente tinha que ser assim.
— Não havia nada que ninguém podia fazer. – Oliver respondeu apertando o abraço que tinha retribuído. – Tem certeza que precisa ir?
Thereza levantou os olhos verdes para encarar os do irmão. Muita coisa havia acontecido em sua vida e agora a única coisa que queria era recomeçar e poder viver em paz. A oportunidade perfeita foi ser transferida para um centro de operações especiais para treinar novatos na Austrália. Longe de tudo e todos, exatamente o que precisava.
— Sim...Preciso fazer isso por mim, sabe?
Ollie meneou com a cabeça e sorriu brincalhão.
— Uma pena, quem vai cuidar para que eu não machuque a pobre Mary.
Tessa riu e bateu levemente em seu ombro.
— Tenho certeza que você é perfeitamente capaz de tomar com da sua própria filha,Oliver! Alias, você só quer alguém que troque as fraldas no seu lugar.
O loiro riu alto e se virou para pegar a mala da irmão do chão.
— Vamos, eu te levo ao aeroporto.
E juntos os irmão desceram a pequena colina que havia no meio do cemitério de Chicago. Tessa ainda se virou mais uma vez para olhar para a discreta lápide que jazia sob uma das árvores do local. Deixou as poucas palavras se fixarem em sua memória pois não saberia quando voltaria a vê-las.
Gary H. Thompson.
1958-2012
“O melhor ainda está por vir.”
(...)
Tessa desembarcou em Sydney naquele mesmo dia. O sol estava quase se pondo, mas ela podia ver como o dia havia sido lindo apenas ao observar aquele céu azul quase sem nuvens. Saiu pelo portão do aeroporto e negou quando os taxistas lhe ofereciam seus serviços. Deixou a mala no chão para retirar o casaco e ouviu.
— Tessa?
Virou-se de imediato e sorriu. Os cabelos estavam loiros, sua pele relativamente bronzeada por ter vivido tanto tempo ali. Mas nunca conseguiria confundi-lo ou esquece-lo.
— Já faz um bom tempo. – Ele disse se aproximando dela. Deu o mesmo sorrisinho de lado que ela tanto amava – Sentiu minha falta, Sra. Owen?
Miguel pegou a mão esquerda da loira e beijou ternamente os dedos da moça, prolongando-se naquele que detinha o discreto anel dourado.
Thereza revirou os olhos.
—Foram apenas duas semanas.
— O suficiente para me deixar doido de saudades. – Respondeu aproximando-se mais de sua mulher. – Você é uma péssima esposa. Me deixa sozinho só pra ver a pentelha do seu irmão nascer, como se ele não tivesse passado por isso antes.
Tessa franze o cenho e pega Miguel pela gola da camiseta puxando-o para baixo e assim o beija intensamente no meio da saída do aeroporto, ignorando qualquer sussurro ou olhadela julgadora. Miguel corresponde abraçando-a forte pela cintura...Como tinha sentido falta disso.
— Idiota...Claro que senti sua falta. – Ele lhe deu um enorme sorriso e beijou sua testa, nunca pensou que poderia se sentir tão feliz quanto se sentia agora.
— Vamos então? – Pegou a mala com uma mão e com a outra entrelaçou seus dedos com os dela. – Afinal, os seus pentelhos te esperam em casa.
— E aposto que te deixaram louco.
Miguel suspirou cansado lembrando-se daqueles intermináveis 15 dias.
— Você nem faz ideia.
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