Amor Autista
2 Capítulo 2 - Autista
Notas iniciais
Em forma de agradecimento as três recomendações que AA recebeu com apenas UM capítulo, estou aqui para agradar a todas as 30 pessoas que comentaram e a Jaque Lokit... Erika Patty Cullen... Reeh Cullen Black... a vcs o meu maior agradecimento. Obrigada a todas vocês.
Ps: não me lembro do nome da leitora que me perguntou se a Bella será autista também e a resposta é Não, ela será uma pessoa comum, normal por assim dizer.
Sem mais... Boa leitura!
#Capítulo DOIS#
Carlisle corria feito um louco pela estrada indo em direção ao hospital de Forks. Esme sentada ao seu lado chorava silenciosamente agarrada a sua pequena Rose. O pensamento de ambos era o mesmo. “O que aconteceu com meu filho”, “ O que está acontecendo, o que aconteceu para que ele desmaiasse”, “Senhor, não deixe que nada de ruim esteja acontecendo ao meu filho”. Esses eram o pensamento de ambos.
Esme a todo caminho olhava para o filho enquanto apertava sua filha nos braços com medo de que algo acontecesse com ela também.
Ao chegar ao hospital, Carlisle saiu apressadamente com seu filho nos braços mais uma vez e entrou correndo pedindo por socorro, que seu filho havia desmaiado e que alguém precisava ajudá-lo. Três enfermeiras apareceram, sendo que uma delas com uma maca velha enferrujada, mas com um lençol limpo, aparentemente. Assim que Carlisle depositou Edward na maca um médico de estatura normal de pele branca com cabelos negros como a noite, curtos e olhos escuros se aproximou deles pedindo para que o pai informasse-o o que havia acontecido, o que a criança havia comido, o que ele estava fazendo quando desmaiou... hás perguntas normais que qualquer médico faz a um paciente ao chegar na emergência.
Carlisle dizia atropelando as palavras, ele estava muito nervoso e só conseguia dizer que o havia encontrado desmaiado dentro do armário de casa. Enquanto Carlisle falava, o médico fazia os primeiros exames com sua lanterna, visão, ouvido e garganta.
O médico tentando entender o que o pai dizia, foi levando a criança para a emergência pedindo para as enfermeiras que estavam por perto para chamarem alguém do laboratório e o pessoal da tomografia. Urgentemente.
O medico Aro, que continha seu nome no crachá, fez os primeiros socorros a criança. Olhou as pupilas, que estavam dilatadas, os ouvidos e a boca. Mediu sua pressão e reparou que estava caindo. Não tinha outro jeito.
Antes da tomografia, Aro fez toda a medicação para que a pulsação da criança voltasse ao normal. Na sala de tomografia, Edward ainda se encontrava desmaiado.
Após os exames de que o hospital de Forks disponibilizava foram feitos, Edward acordou, ele ficou nervoso e não parava de chamar pela mãe.
- Minha... Quero minha mãe... Minha mãe. – dizia o garoto agitado, com as pessoas estranhas que ele via ao seu redor. Quando seus olhos se focaram em um ponto afastado de no alto da parede branca, Edward começou a chorar tapando o rosto com as mãos. Ninguém ali sabia dizer o que estava acontecendo com a criança.
Esme passou Rose para o colo de Carlisle que saiu do quarto com a filha deixando sua mulher com seu filho mais velho.
- Meu amor, a mamãe está aqui. Não precisa ficar nervoso e nem chorar okay? A mamãe está aqui com você.
Esme dizia enquanto acariciava os cabelos ruivos de seu filho. Aos poucos ele foi se acalmando e quando parou de chorar, retirou a mão de sua mãe de sua cabeça.
- Quero. Quero ir para a casa. Não gosto dessas pessoas.
Edward ainda soluçava por causa do choro repentino, mas sua mãe já estava acostumada com a forma que seu filho falava ultimamente. Sem meias palavras e pausadamente.
- Edward querido, temos que esperar seus exames ficarem prontos, assim que o médico o liberar, iremos para casa.
O olhar suplicante de Edward para sua mãe durou apenas alguns segundos. Ele não suportava que as pessoas o olhassem tão fixamente e ele odiava ter que retribuir esse contato visual então, ele moveu seus olhos para a janela do quarto, calando-se.
Esme não sabia o que fazer para convencer a uma criança de apenas 9 anos, que tinha decisões próprias e que falava com toda certeza do mundo o que sempre quis. Uma coisa era certe, Esme tinha orgulho de seu filho.
Edward era uma criança que não fica a vontade perto de outras, principalmente se for mais nova do que ele. Uma vez, quando estava na sala de aula, uma menina sentou ao seu lado para pedir um lápis, sua reação chocou a professora que chamou sua mãe a escola para que ela ficasse sabendo e fizesse algo com Edward. O coitado estava tão concentrado no que fazia que assim que a menina encostou em seu braço, ele rudemente gritou para que a menina se afastasse dele e a empurrou contra a carteira escolar que estava atrás dela. Foi um fato que ocorreu no começo deste ano letivo e também foi onde Esme começou a observar mais seu pequeno Edward. No fundo, no fundo, Esme sabia que algo não estava certo com seu filho.
De volta ao quarto onde Edward se encontrava, Esme seguiu seu olhar e ele olhava para uma árvore enorme, com as folhagens verdejantes, não tinha nenhum fruto, mas era uma bela árvore. Depois de muito tempo, Esme viu seu pequeno fixar seu olhar em algo que o chamara atenção.
Naquele mesmo dia os exames de Edward saíram, Carlisle e Esme que se encontravam à beira do leito de seu filho, foram chamados a se retirarem do quarto para que o médico pudesse conversar com eles.
- O que meu filho tem doutor? – perguntou Esme.
O olhar do Dr. Aro não era muito otimista e sem rodeios foi logo dizendo.
- Vocês precisaram levar o garoto para um hospital onde tenha melhor estrutura. Aqui no hospital, não temos tudo o que precisaríamos para fazer exames mais detalhados no filho de vocês.
A respiração de Esme ficou suspensa, ela sabia, sabia que no fundo seu filho tinha algum problema, mas no fundo de sua alma, ela rezava para que fosse algo de sua imaginação, de que Edward não tenha nenhum problema de saúde.
- Como assim, doutor? – perguntou Carlisle.
- Veja bem. O exame de sangue deu uma pequena alteração que não temos recursos aqui para aprofundar e a tomografia não nos mostrou nada, precisaríamos fazer um exame mais profundo, uma ressonância, para ser mais preciso.
Esme sentiu pela primeira vez, seu mundo cair. Não sabia o que dizer ou o que fazer. Calisle vendo o brancura de sua mulher, temeu que a mesma desmaiasse também, assim, passou a mão em volta de sua cintura para pelo menos tentar sustentá-la, caso suas pernas falhasse.
- Por favor doutor, nos diga tudo o que precisamos fazer, onde ir e qual o médicos procurar.
Após o pedido de Carlisle, Dr. Aro, deu todas as instruções para que os pais do pequeno Edward pudessem seguir. Aro deu-lhes nomes de vários médicos amigos dele aos quais eles deveriam procurar em Seattle. Seattle tinha um dos melhores hospitais de Washington.
Naquele mesmo dia, Edward recebeu alta, e ao por os pés em casa foi diretamente para o armário. Seus pais estavam esgotados pelo tempo que ficaram naquele hospital. Depois que as crianças estavam na cama dormindo o sono dos justos, Esme e Carlisle decidiram que no dia seguinte, começariam as marcações de consultas para Edward.
No dia seguinte, Esme conseguiu ligar para o hospital quem o Dr. Aro havia os indicado e descobriu que todos os médicos da lista que deveriam levar seu filho trabalhavam no mesmo. Sem pensar duas vezes, avisou a Carlisle e todos foram em direção a Seattle.
Foi uma semana de correria e exames feitos em Edward. A criança já estava cansada de tanto ser furada e de ver tanta gente diferente. Ele gritava, chorava, esmurrava seus pais e se recusava a tomar remédios que ajudariam na ressonância para clarear as imagens de seu cérebro. Os pais já não sabiam mais o que fazer.
Edward visitou médicos, neurologista, pediatra, psicóloga, fonoaudióloga entre outros, fez exame de sangue bem mais detalhado do que o primeiro feito em Forks. Tudo foi feito para que o diagnóstico saísse preciso. Um diagnóstico que foi como receber uma facada em brasas no meio do peito de Carlisle.
Sentados no consultório do Dr.Marcus, foi revelado o que o pequeno Edward tinha.
- Seu filho é Autista.
Morrer! – esse foi o primeiro pensamente de Carlisle. Ele queria morrer a ter que ouvir que seu primogênito era uma criança autista, uma criança que muitos julgam ser anormais, uma criança que para muitos, é banida da sociedade, uma criança que poucos entendem seu defeitos e qualidades, uma criança que para muitos não significa nada, que são um zero a esquerda, que só estão entre os “normais” para atrapalhar.
Carlisle não queria aceitar que seu filho fosse doente, ele não queria passar por aquilo de novo, não queria. Seu mundo parecia ter se partido em um milhão de pedaços, um milhão de cacos de cristal que não se juntaram jamais.
Esme segurava sua pequena Rose no colo enquanto chorava baixinho para não assustar sua filha. Ela sabia que algo de errado acontecia com seu filho, ela só não sabia o quê.
Inconformado, Carlisle se levantou abruptamente do acento.
- Como que meu filho pode ter essa doença sendo que ele nasceu absolutamente normal e saudável? Como?
- A criança pode nascer perfeitamente saudável e o autismo se apresentar meses ou talvez anos mais tarde. Isso é uma coisa que a ciência ainda não sabe explicar Sr. Cullen, mas por sorte, o autismo do seu filho não está em um estágio avançado e com o tratamento certo, ele poderá viver uma vida perfeitamente normal. – explicou o médico com toda calma do mundo, calma que Carlisle estava dispensando no momento.
- Como que meu filho poderia viver uma vida normal? Ele será chacota de muita gente lá fora. Ele terá limitações em tudo, será xingado de vários nomes, débil mental, idiota, burro, e de outros mais.
Carlisle estava com a respiração ofegante, sua voz não tinha saído baixa e sim alterada, bastante alterada. Não parava de pensar nas coisas idiotas que outros idiotas estaria dizendo e fazendo com seu filho.
- Peço que se acalme Sr. Cullen, as coisas não são do jeito que o senhor pensa. Veja bem, a muitas crianças autistas que são super inteligentes, e acho que o senhor não percebeu a sorte que tem.
- Onde o senhor ver sorte?
- Vejo sorte a partir do momento em que seu filho ouvi, fala, anda e enxerga. Sr. Cullen, muitas crianças autistas são diagnosticadas tarde demais e acabam perdendo essas coisas, algumas não ouvem mais, ou falam, ou até mesmo andam, algumas apenas vegetam em cima de uma cama. Então me diga se o senhor não tem sorte com seu filho? – Dr. Marcus deixou a perguntar no ar.
Ouvindo todas aquelas coisas, Carlisle teve de reconhecer que sim, que eles tinham sorte de seu filho não ter nenhuma seqüela.
- Autismo é um transtorno global do desenvolvimento marcado por três características fundamentais. Inabilidade para interagir socialmente; dificuldade no domínio da linguagem para comunicar-se ou lidar com jogos simbólicos; padrão de comportamento restritivo e repetitivo. – explicou Dr. Marcus para Esme que havia lhe pedido que explicasse a doença. Carlisle estava tão absorto que não ouvia nada, apenas se punia por ter sido tão negligente para com sua família. Sim, Carlisle agora se culpava pela doença do filho.
- E essa doença tem tratamento? Eu espero que tenha!
- Sim senhora, o autismo tem tratamento e deve ser aplicado o quanto antes nele para que a doença não continue avançando. Confesso que o tratamento não existe um padrão, mas cada paciente deve ser tratado individualmente de acordo com suas necessidades e deficiência. Há alguns casos onde o paciente é beneficiado com o uso de medicamentos. Para concluir, todos que estão a volta no convívio de Edward precisaram passar por um psicólogo, tendo uma criança autista em casa é bastante exaustivo e a senhora e seu marido deveram criar alguns técnicas para que vocês possam se comunicar mais facilmente com ele.
Dr. Marcus explicou tudo o que Esme perguntou, as mudanças não poderia ser radicais, eles deveriam ir aos poucos para que ele não se agitasse tanto e acabasse se ferindo com algo.
Após todas as dúvidas esclarecidas, ambos saíram de lá com um propósito. Fazer todo o possível e o impossível para que seu filho fosse uma criança normal.
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