Amor Autista
9 Capítulo 9 - "Adolescência" Curiosa
Notas iniciais
#Capítulo NOVE#
Os anos estavam passando e a cada dia a família Cullen evoluía um degrau á mais junto com o pequeno Edward, que hoje já não se encontra tão pequeno assim, e a – essa sim – pequena Rose. Edward teve uma fase na transição de criança para a adolescência em que ele espichou rapidamente o que levou a ter dores nas pernas. Quando isso aconteceu, seus pais ficaram preocupados e o levaram em um pediatra e depois de uma bateria de exames (sangue, tomografias computadorizadas) foi constatado que a ocorrência das dores se devia ao crescimento rápido da criança.
Hoje, o não tão pequeno Edward com 13 anos, havia mudado um pouco, suas características físicas e seu timbre de voz estavam sendo deixados para trás e sua infância estava dando lugar á puberdade. Voz engrossando... Aparecimento de pêlos pubianos... Rosto afilado... E a curiosidade sobre meninas.
Quando Esme percebeu o interesse que seu filho estava tendo ao observar as amiguinhas de sua irmã, ela no primeiro momento ficou preocupada, Edward estava indo bem, indo muito bem, sua fisioterapia e fonoaudiologia foram sendo suspenso aos poucos e hoje ele já domina maravilhosamente bem seus movimentos e sua fala não tinha nenhum problema, mas ele ainda frequentava o instituto, suas sessões diminuíram a uma visita a cada quinze dias, mas em casa, seus pais ainda mantem o “cantinho fisioterápico” – que o mesmo batizou – com algumas mudanças de acordo com o crescimento das crianças.
O medo que Esme sentia era a da rejeição. Ela sabe que seu filho é uma criança encantadora, mesmo que alguns momentos sejam limitados, mas Edward é uma criança maravilhosa, mas as outras pessoas não sabiam do quão maravilhoso ele era. Desde que o casal Cullen teve a ideia de mostrar para outras pessoas que não tinham o conhecimento do autismo, suas fases e o que isso significava, ela tinha esperanças de que o preconceito em relação ás pessoas e principalmente, as crianças com qualquer tipo de doença fosse erradicado do mundo, mas Esme tinha os pés no chão e ela sabia que isso seria impossível, mesmo levando a voz dessas pessoas que sofrem o preconceito até mesmo por causa de sua classe social ela conhece bem a realidade. E ela sofre antecipadamente por seu filho.
A preocupação de Esme era tamanha que ela nem ficou feliz por seu filho estar demonstrando algum interesse em meninas.
Ao anoitecer depois que as crianças já estavam em suas camas, dormindo, Esme já recolhida embaixo de seu edredom decidiu que estava na hora de contar a Carlisle o que descobriu sobre seu filho.
Carlisle ouviu tudo atentamente e para a raiva de Esme, com um largo sorriso nos lábios. ao contrário dela, Carlisle estava orgulhoso de seu filho.
– Meu bem, você tem que olhar por um lado diferente. Olhe pelo lado de que o nosso filho está tendo interesse em alguma coisa. Melhor dizendo, ele está interessado no que tem lá fora, em garotas.
– E você não fica preocupado com o preconceito que ele pode sentir desde já? Isso pode acarretar algum outro tipo de disfunção... Sei lá, eu só não quero ver o meu filho sofrer por nenhum preconceito. — Carlisle vendo onde estava o "x" da questão, sentou-se ereto na cama antes de começar a falar sério com ela.
– Esme nós dois sabemos que você é uma excelente mãe. Sei que você daria sua vida por nossos filhos e sei também que no fundo, você é quem está com medo. Meu amor, Edward sempre será seu — falou sorrindo — E ele se interessar por meninas é apenas o curso natural das coisas. — beijou os lábios dela calidamente e voltou a deitar-se em seu lugar. Esme ficou sentada com as costas na cabeceira pensando no que seu marido havia lhe dito. Ela estava com medo? Será que era isso mesmo que ela estava sentindo por seu filho? Sua preocupação foi tanta que ela nem teve tempo de pensar pelo lado bom da coisa. Seu filho estava crescendo a cada dia e era normal uma criança de treze anos sentir interesse por outras coisas que a dois anos atrás ele nem sabia ter. Com um suspirar forte, Esme finalmente reconheceu que era seu medo que estava tapando seus olhos para a evolução de seu filho.
– Okay. Você pode estar certo nisso, mas mesmo assim... Tenho medo por ele, nosso filho é uma criança ainda e não consigo ver que ele está crescendo. Isso para uma mãe deve ser uma coisa natural, não me entenda mal meu bem, eu quero que nosso filho seja feliz, mas... Nem sei mais o que estou falando — sussurrou para si mesma.
Carlisle ouviu o que ela disse baixinho e tratou logo de consolá-la. Ele entendia perfeitamente o que ela estava sentindo para com o filho. No fundo, Carlisle sabia que também sentiria isso quando fosse á vez de sua pequena demonstrar interesse em rapazes. Ai seria a vez de Esme o consola-lo.
– Você só quer o bem dele e nada mais. — sorriu ele.
– Você está certo. Vamos dormir porque amanhã é um novo dia e... — suspirou pesadamente — Se não for pedir muito, tente sondá-lo sobre isso, essa "curiosidade" dele. — Esme fez aspas com os dedos quando disse a palavra curiosidade.
Carlisle abraçou sua esposa de conchinha beijando sua nuca enquanto concordava com ela e sorria. Esme apenas bufou e fechou os olhos e não demorou muito ela começou a ter pesadelo com seu filho indo embora com uma garota cheia de tatuagens e piercing no nariz e na sobrancelha.
Na manhã seguinte...
Toda a família já estava de pé fazendo o desjejum. As crianças comiam tranquilas, mas Esme olhava de soslaio para o marido, com mil perguntas muda e entendendo perfeitamente o que sua mulher desejava abaixou os olhos e evitou olhá-la, pois a vontade de rir era imensa e se acaso isso ocorresse, seus filhos iriam perguntar o motivo e Carlisle não queria deixar sua esposa em saia justa na frente das crianças, por mais que ele pudesse contar uma mentirinha para saciar a curiosidade das crianças.
Após o desjejum, Rosalie foi para o balanço que ainda existia nos fundos da casa, enquanto Edward foi para seu quarto. Dizia ele que estava empenhado em um projeto para a escola. Edward havia sido escolhido pela orientadora de sua classe para com outros alunos de sua série a planejar um programa de computação para a Feira de Ciência Estudantil. Carlisle estava mais que feliz em ver o filho tão envolvido com outras crianças.
– Acho que essa é uma excelente hora para você ir conversa com ele. – questionou sua esposa enquanto ambos recolhiam a louça da mesa.
– Você acha? Não está cedo ainda para essa conversa? – retrucou ele com um sorriso zombeteiro nos lábios.
– Carlisle, eu ainda não estou em “condições” de ter esse tipo de conversa com o nosso filho. Acho melhor ele ficar sabendo de... De... – ela fez gestos com a mão como se fosse para ele prosseguir adiante – Você sabe o que. – Carlisle sorrindo largamente, foi até ela dando-lhe um beijo gostoso na bochecha antes de seguir para o quarto do filho.
– Okay. Estou indo falar com ele neste momento. É bom ele ficar sabendo agora do que saber no futuro mais adiante lá fora e errado.
Ao chegar no quarto do filho, Carlisle deu dois toques e abriu a porta com cuidado pedindo permissão para entrar. Desde pequeno, esse era o ensinamento dos pais ao entrar em um lugar com portas fechadas quando se encontrava uma pessoa dentro. Edward estava muito concentrado em sua parte do trabalho, Carlisle montou para ele um canto onde ele podia por todas as suas tranqueiras necessárias para o projeto.
– Posso ajudá-lo em algo? – perguntou chegando perto do filho. Edward levantou a cabeça e recebeu o pai com um lindo sorriso. Carlisle chegou mais perto e puxou um banquinho sentando-se próximo dele – E então, precisa da ajuda do “paizão”, aqui?
–Não pai, eu dou conta e por favor não chateie-se, mas o senhor não vai entender nada do que estou fazendo. Eu e meus amigos do projeto estamos quase finalizando tudo antes do prazo estimado pela nossa orientadora.
Seu pai sorriu e ficou a observar o filho que voltou a mexer no projeto para a feira. Carlisle ficava sempre encantado ao observar como o filho tão bem empenhado.
Logo que Edward foi para o sexto ano, a preocupação dos pais em relação ao seu comportamento na escola aflorou. Antes, ele tinha apenas duas professoras onde uma era para ajudá-lo dentro da sala de aula, agora, cada matéria um professore diferente e isso poderia ocorrer uma confusão alarmante na cabeça do pequeno. Seus pais conversaram muito com ele antes que as aulas retornassem para que ele subisse mais um degrau acima. No começo foi um pouco complicado, mesmo com a escola tendo conhecimento de sua condição, mas com cuidado e muito carinho de todos os seus professores, Edward aos poucos foi aceitando bem o troca-troca.
Carlisle continuava a observar o filho, mas agora ele não sabia como abordar o assunto “meninas”. Suas mãos estavam se esfregando uma na outra e ás vezes eram passadas na nuca para aliviar a tensão do corpo.
– Pai, o que o senhor quer? De verdade! – exclamou a criança pegando o pai desprevenido.
Carlisle estava tão tenso observando o filho que não reparou que ele o observava também — Sei que quer dizer-me algo, já reparei que quando o senhor fica assim com as mãos inquietas é por que algo está acontecendo, então... Pode mandar.
Carlisle nunca havia visto o filho dizer assim. Com tanta naturalidade e convicção. Seu coração deu palpitações de felicidade e orgulho pelo filho. Edward largou o que estava fazendo e sentou-se de frente para o pai esperando para que o mesmo começasse a falar. Arranhando a garganta Carlisle abriu e fechou a boca algumas vezes antes de iniciar a conversa.
– Bem, filho. Hã... Eu não sei como começar essa conversa. – soltou.
Há Esme, eu vou adorar ver você tendo esse tipo de conversa com a Rose. Opa, a Rose não. Acho que não, minha princesa vai demorar muito a ter esse tipo de curiosidade. Gostaria de vê-la aqui, tendo essa conversa com Edward. Ó Deus, pensei que seria fácil falar sobre meninas com meu filho, mas me equivoquei. – pensou Carlisle.
– Vá direto ao ponto, pai.
– Okay. Tudo bem. Lá vamos nós! — sussurrou a última frase – Filho o que você acha sobre meninas? Quero dizer, você tem... Meu Deus, que difícil!
– O que tem as meninas? – perguntou sem importância.
– Você alguma vez já... Ham... Você as acha bonitas? – quanto mais o pai tentava levar a conversa adiante, mais vermelho ele ficava.
– Pai, meninas são bonitas. Quer dizer, algumas são mais que as outras, mas vejo você e a mamãe sempre dizer que não importa a aparência da pessoa o importante é a beleza interior de cada um de nós. Então... acho que todas devem ser bonitas.
– Sim. Você está certo, mas infelizmente nem todas as pessoas são assim. Infelizmente. Mas quero saber se você tem uma menina que você gosta. – Edward não entendeu a pergunta – Uma que seja especial!
Os olhos dele rolaram para todos os cantos pensando nas palavras do pai tentando entender, mas quando a ficha caiu, seus olhos arregalaram-se e Edward fitou o pai abismado e Carlisle continuou dando um sorriso de desculpa para o filho.
– Sem querer eu o peguei agachado espiando pela janela enquanto sua irmã brincava lá fora com algumas de suas amigas outro dia e isso me deixou curioso sendo que algumas delas tinham quase a sua idade. – Edward continuou mudo – Você está gostando de alguma delas? Isso é normal, você agora já é um rapazinho entrando na adolescência e acho que já podemos ter esse tipo de conversa. Tudo bem? – Edward apenas balançou a cabeça para cima e para baixo devagar. Carlisle estava com um sorriso no rosto tentando passar tranquilidade para o filho – Não precisa ficar constrangido, uma hora esse dia iria chegar e é melhor aprender em casa, certo do que na rua errado. Então vamos conversar de homem para homem ou se você preferir de pai para filho.
– Pai para esse tipo de conversa... Hum... Acredito não ter um jeito de falar a não ser a verdade. Uma conversa franca e se o senhor acha que está na hora, que assim seja. – Edward não parava de surpreender seu pai.
– Certo. Vamos lá! Você tem alguma curiosidade sobre “garotas”?
– Não, mas... Pai, porque meninos casam com meninas?
– Bem Edward, essa é uma pergunta óbvia. Meninos e meninas se casam porque tem amor entre eles e como diz na Bíblia “crescei-vos e multiplicai-vos”. Apesar de que nem todo casal possa ter filhos. Edward, quero que você aprenda uma coisa desde já. Mulher foi feita para liderar, pois elas são mais forte que os homens. Mas toda regra á uma exceção. Principalmente quando se trata do amor. Ás vezes o homem se apaixona por outro e assim é com algumas mulheres. O amor não tem lei, essa é a realidade. – essa foi a explicação mais viável para que seu filho pudesse entender.
– Pai. Posso continuar a falar “menino” e “menina”?
– Sim, claro.
– Na escola tivemos uma palestra á um tempo atrás onde o palestrante explicou isso, sobre os gays e lésbicas. Mas o que importa é o que a pessoa tem por dentro, não é?
– Exatamente meu filho. Mas responda para mim a minha pergunta? Você está gostando de alguém?
– Não, mas eu fico pensando... Na escola tem uns casais de namorados e a forma do corpo das meninas é diferente das dos meninos e me pergunto se é isso que faz o menino se apaixonar pela menina?
– Não meu rapaz – sorriu o pai – É o nosso coração que escolhe quem vamos amar. As vezes ele escolhe a pessoa errada, mas nosso coração sempre encontra a nossa metade da laranja” certa, um dia.
– Então porque o corpo delas é diferente do nosso?
– Porque Deus fez assim. Como disse antes, a mulher nasceu para ser líder e engana-se quem diz que mulher é sexo frágil, pois fique sabendo Edward que a mulher é o ser mais forte do universo.
Os olhos do filho brilharam e disse ele numa alegria sem tamanho.
– Então a mamãe é bem forte!
– Sim. E por ela ser tão forte é que Deus fez a mulher a sua perfeição e competência para gerar uma vida dentro dela. Acredite em mim meu filho, se eu fosse capaz de gerar um filho dentro de mim, eu não teria nem um terço da força que sua mãe teve quando você e sua irmã nasceram.
– Claro que não pai. O senhor não pode sentir uma dor de cabeça que já fica de cama! – exclamou a criança a gargalhadas altas.
– Okay seu danadinho, o dia que você sentir uma dor de cabeça forte e for chorar no colo de sua esposa, a gente volta a tocar nesse assunto! – disse Carlisle num tom de ofensa falsa.
Aos poucos, as gargalhadas foram diminuindo para o riso até que ambos ficaram em silêncio novamente.
– Pai. O senhor acha que um dia eu me casarei? – mais uma vez seu pai foi surpreendido pela pergunta, deixando-o triste ao ver a tristeza e o medo nos olhos do filho.
– Porque a pergunta? Diga-me a verdade filho.
Mais uma vez o coração de Carlisle palpitou freneticamente. Sentia agora o temor que sua esposa dizia sentir em relação ao filho está interessado em alguma garota. Seu único pensamento após a pergunta do filho é de que ele gostasse de alguém, mas não fosse correspondido.
– Não é isso. Sou um autista, talvez eu nunca encontre a minha metade da laranja por isso.
Carlisle sentiu seu coração parar se entristecendo pelo filho, mas mesmo assim ele não permitiu que o filho pensasse que por ser autista, ele não poderia encontrar o amor em sua vida.
– Nas suas condições você é perfeitamente capaz de encontrar alguém para dividir a sua vida contigo. Quem sabe sua metade não está andando por aí? Você será capaz de amar e ser amado.
– Pode ser. Talvez a minha metade ainda não tenha nascido. – Edward levantou-se e abraçou o pai dizendo que estava com fome.
– Nossa. – disse o pai ao verificar a hora no relógio de pulso – Conversamos tanto que não vimos a hora passar. Vamos descer sua mãe já deve está pondo a mesa para almoçarmos.
– Acho uma ótima ideia. – soltou-se de seu pai e caminhou na frente.
– Hei Edward, acho que devemos repetir isso mais vezes. O que acha?
– Hum... Acho que não pai, sem ofensas, mas o senhor se enrola mais que carretel, mas – o menino olha para o pai e diz – Eu te amo mesmo assim.
Carlisle se enchia de alegria porque eram raros os momentos em que Edward olhava nos olhos de seus pais para se declarar.
Chegando na sala de jantar a mesa ainda estava sendo posta pelas duas damas da casa. Esme e Rosalie foram interrompidas pela chegada dos cavalheiro.
– O que minhas meninas estão conversando? — disse Carlisle indo sentar-se a cabeceira da mesa.
– Sua filha acabou de me perguntar como que os bebês vão parar dentro da barriga das mamães e eu perguntei de volta como ela acha que eles chegam lá.
Sem respiração. Sem cor. Olhos arregalados. Mãos suando. Coração frenético e mente assustada. Era assim que se encontrava Carlisle. Catatônico.
– E eu disse que a Lauren me disse que a mãe dela disse que a menina quando está grande ela toma uma piu... uma piula... uma... — Rosalie tocou o queixo com a ponta do indicador no modo pensativa até que resolveu substituir a palavra pílula por outra — um remédio que a cegonha trás e é assim que o bebê vai parar dentro da barriga das mamães.
– E eu estou dizendo que a mãe da Lauren explicou errado. que os...
– ESME! — Carlisle enfim saiu de seu estado catatônico.
– Esme o quê? Nossa filha precisa saber o certo ou você quer que ela aprenda isso de forma errada? — deixando o marido de lado, ela olhou para a filha e continuou a conversa — Como eu estava dizendo, não é assim que os bebês vão parar dentro da barriga das grávidas.
Carlisle não conseguia mover um músculo, enquanto Edward olhava para a mãe atentamente a explicação.
– Rose. você já percebeu que o corpo da mulher é diferente da do homem e é essa diferença que nos dá o privilégio de gerar uma vida dentro de nós.
– Mas como?
– O homem tem uma coisa chamada pênis, que fica entre suas pernas. — Carlisle engasgou e Esme foi em busca de um copo d'água enquanto continuava — E a mulher tem a vagina que fica entre as pernas da mulher.
– Tá, mas como que os bebês chegam até lá?
– Rose, se você parar de me interromper eu poderei explicar-lhe direito. — disse entregando a água para o marido. A criança zipou a boca fazendo o gesto com a mão simulando que a boca estava trancada — Ótimo. O bebê chega na barriga da mulher através da vagina, quando o pênis do homem entra.
Carlisle já não tinha mais cor e Esme continuava a explicação de forma mais natural do mundo.
– Argh, isso parece nojento! — fez cara de nojo.
– Dizendo assim parece mesmo, além do mais você ainda é muito pequena pra entender isso na prática, mas quando você for mais jovem e adulta, isso muda, na sua visão não será mais nojento e sim, prazeroso por que é a forma que um homem e uma mulher fazem amor. Mas que fique bem claro mocinha, isso só deve acontecer quando você for adulta e independente. Ficou claro?
– Como água cristalina dona mamãe! — disse a pequena batendo continência.
Edward olhou para o pai e viu que ele estava perto de passar mal com aquela conversa e achou graça.
– Bem, como vou explicar de uma forma que você possa entender sem ser vulgar? — disse a mãe pensativa enquanto terminava de por a mesa — Já sei. Imagine uma cobra grande engolindo um cachorrinho. Agora faz de conta que o cachorrinho é o pênis e a cobra a vagina. É assim que o bebê vai para dentro da barriga da mulher, por que quando o pênis está dentro da mulher, o homem solta uma gosma branca que tem vários espermatozóides e quando eles se fecundam dentro da mulher é a hora que o bebê começa a se formar lá dentro. Entendeu agora como que as mulheres ficam grávidas?
Rosalie e Edward ficaram pensativos, olhando para um ponto fixo tentando entender melhor o que a mãe disse.
– E foi assim que fomos parar aí dentro da sua barriga? — perguntou a pequena.
– Exatamente assim.
– Argh, mãe que nojo!!! — Rosalie e Edward exclamaram ao mesmo tempo fazendo cara feia enquanto Carlisle saia da mesa proferindo tais palavras.
– Acho que vou vomitar. É muita informação numa única manhã.
Enquanto Carlisle ia em direção a um lavabo, Esme sentou-se a mesa dando risadas do marido.
(***)
A semana passou-se como de costume, raramente a rotina da família era alterada e o próximo fim de semana seria o aniversário de sete anos da pequena Rosalie. Depois de anos sem comemorarem nenhuma data comemorativa, Carlisle e Esme decidiram que estava na hora das festas anuais voltar para dentro de sua casa, e eles começariam com o aniversário da menina.
O tema escolhido para a festa foi "Fundo do Mar". Tudo já estava organizado com os pedidos, agora é só esperar o sábado dar as "boas-vindas" e festejar.
Enfim, o sábado chegou não com uma cara boa, o céu de Seattle estava nublado, mas isso não tirou o brilho da festa que estava próxima da hora de começar e muito menos a empolgação da pequena.
A empresa responsável para montar a mesa dos doces chegou na hora certa e foram logo arregaçar as mangas e montar a mesa, que ficou uma obra-prima. Maravilhosa. Na mesa dos doces havia um bolo no formato de um aquário com várias cores nos corais, bandejas de biscoitos cobertos por chocolate colorido em formato de Cavalo — marinho, sereias e peixes de diversos tipo, todos com cores diferentes.
A hora chegou. Os convidados foram entrando e a pequena a cada presente que ganhava quicava de alegria. Carlisle e Esme estavam muito felizes, principalmente em ver que Edward estava tentando agradar a irmã em ficar ao lado dela para que pudessem receber os convidados. Esme estava junto com eles nessa tarefa.
Mas Edward por mais que se esforçasse a realizar o desejo de sua irmã, estava sendo muito difícil para ele ficar ali no meio de tanta gente falando alto e ao mesmo tempo, além da música que parecia incomodar somente a ele. Estava angustiante.
Todos os convidados já haviam chegado, menos uma criança.
Rosalie se encontrava na pista de dança montada num canto afastado da mesa dos doces. A festa rolava no quintal dos fundos da casa e Rosalie estava uma graça dançando toda desengonçada como uma criança normalmente dança. Era pequena e possuía muita energia, seus movimentos eram espalhafatosos, sem contar o fato de ser "gordinha" o que faz toda a sua graciosidade ser notada.
– Rose? Oi. — chegou quem faltava.
– Erick? Oi. Até que enfim você chegou! — Rosalie foi até ele abraçando-o — Cadê sua mãe?
– Não pode me trazer, por isso demorei e quase não vinha se não fosse por minha prima. Eu tive que ligar para ela pedindo para me trazer.
– E onde ela está? Quero conhecer a sua salvadora. — disse sorrindo.
Erick procurou sua prima com os olhos e a avistou olhando a mesa dos doces.
– Ali está ela! — disse apontando — Vamos! — e ele saiu puxando-a até a sua prima.
(***)
O parabéns foi cantado e Edward não suportando mais estar ali, saiu sem dizer nada indo em direção a casa, sendo observado pelos olhos atentos dos pais.
– Eu vou ver como ele está! — disse Esme
– Não! — Carlisle a impediu — Deixe-o. Ele já foi forte o bastante ficando tanto tempo no meio de toda essa bagunça de crianças e gente estranha. Deixe-o sozinho por alguns minutos, talvez ele queira silêncio agora.
Ponderando o que seu marido disse, decidiu voltar para a festa.
Bolo cortado, doces distribuídos, bebidas servidas. Tudo estava saindo perfeitamente. E chegando ao fim.
– Senhora? Com licença. Gostaria de um copo de água para eu beber antes de levar meu primo para casa, se não for um incômodo. — Esme olhou para a garota que veio acompanhando Erick York, amigo de escola de sua pequena.
A garota tinha a pele branca com alguns pontinhos vermelhos pelo rosto, não sabia dizer se eram espinhas ou sardas, pois seria indelicado demais da parte dela se ficasse olhando para o rosto da garota ao invés de responder-lhe a pergunta olhando em seus olhos.
– Não é nenhum incômodo minha querida. Mas não posso ir lá agora, como você pode ver algumas crianças estão indo para suas casas e não sei onde está meu marido.
– Não tem problema, se a senhora não se importar eu mesmo posso ir buscar. — disse a garota mostrando simpatia para a dona da casa.
– Então está bem. E eu não me importo.
E assim a garota entrou na casa em busca de um pouco de água para se refrescar. Decidindo-se em não abusar da hospitalidade da senhora, ela decidiu beber água direto da pia.
Após saciar-se com a água, sua curiosidade veio à tona. Ela nunca havia visto uma cozinha tão simples e linda, ali não havia nada de extravagante como ela via em sua casa.
Sem perceber, ela começou a andar pela casa e só deu por si, quando sua mão abriu a porta de um cômodo. Dentro dele estava Edward. Era o quarto dele.
– Oh! Desculpe-me, não sabia que havia alguém aqui. Eu...
A garota ficou na porta do quarto, observando-o. Edward estava com um livro aberto nas mãos e em nenhum momento seus olhos saíra de cima das páginas amareladas. A garota vendo que ele não estava dando importância para a sua presença, começou a olhar o quarto dele. As paredes eram de uma cor azul clara, algumas prateleiras pregadas na parede com alguns bichos de borrachas. Um quarto comum de garoto, até ser surpreendida por uma estante no canto. Coisa que não se vê em quartos de meninos. Era uma estante com livros. Ela chegou mais perto e contou quantos volumes ele possuía. Não eram muitos, mas para uma criança... Era surpreendente. Deduziu que o garoto havia poucos anos que havia pego o hábito pela leitura.
– Esses livros são ótimos. — silêncio — Eu nunca vi uma criança que gostasse de ler. Além de mim, claro. Você é o primeiro. — mais silêncio.
A garota não se incomodou com a falta de educação do menino e continuou a observar o quarto.
– Sabe, você parece ter pais legais. Só pelo fato de você ter esses livros aqui. — suspirou — Que livro você está lendo? — Edward não respondeu e a garota então, resolveu abaixar-se a sua frente para ver a capa do livro que ele estava lendo. Nesse momento ela olhou para ele e viu que ele estava olhando para ela também, mas não passou despercebido por ela o fato de ele ser bem bonito. Edward olhou-a apenas por um instante e logo voltou-se para a sua leitura — Uau. Esse livro eu ainda não li, mas tenho muita curiosidade. Ele é bom? — ela não obteve resposta — Acho que você dever ser surdo e mudo, por isso não responde nada do que digo. Sinto muito por esse infeliz destino. — suspirou ela ainda agachada — Mas eu gostaria de me apresentar a você e saber seu nome.
A garota tocou no queixo do menino levantando ao se lembrar de que os especialistas dizem sobre surdos e mudos: "Eles não ouvem, mas entende o que as pessoas falam para eles através da leitura labial.
– Meu nome é I-SA-BE-LA SW-AN. Entendeu? Meu nome é Isabella Swan.
Edward sem conseguir fazer os exercícios mentalmente para controlar seu incômodo, bateu na mão da garota e fechou o livro bruscamente levantando-se do lugar e indo em direção a porta do quarto que se encontrava aberta e começou a gritar.
– SAIA. SAIA JÁ DAQUI, SAI, SAI, SAI, SAIA LOGO!
A garota assustada com o rompante dele levantou-se sem jeito e começou a sair do aposento com o resto escarlate em vergonha, quando Carlisle apareceu na porta ofegante e preocupado com o filho.
– O que aconteceu filho? O que... -Carlisle parou de falar assim que viu a menina assustada saindo do quarto passando por ele igual a um furacão.
Edward continuava a gritar quando Carlisle foi até ele abraçando-o na tentativa de acalma-lo. Edward gritava e tentava afastar o pai que com paciência conseguiu acalmar o filho antes de deixa-lo soltar-se dele.
Esme não ouviu os gritos do filho, pois estava ocupada fazendo a despedida dos convidados, mas não deixou passar despercebido a cara de assustada da garota que havia lhe pedido água minutos antes.
– Obrigada senhora pela recepção. Estava tudo lindo e maravilhoso e desejo muitos votos de felicidade a sua filha, mas preciso levá-lo agora. Até a próxima, quem sabe.
Esme queria questionar a garota do porque ela estava falando daquela forma tão agitada, mas a menina não deu chances á ela, pegando na mão do primo que terminava de se despedir da aniversariante e saindo do local.
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