Amor Autista

18 Capítulo 18 Segunda Fase - Depois da Tempestade


Notas iniciais
Oi povo, como estão? Sem delongas quero agradecer a todos os comentários e avisar que se recomendar... spoiler terá (muahahaha sou má).

Naquela noite ninguém conseguiu dormir bem. Suas mentes estavam ligadas a tudo que ocorrera mais cedo. Um pensava no beijo. Outro pensava na briga. Outros pensavam no rumo que tudo estava indo... todos estavam chateados e tristes. Apesar de tudo, Edward só queria lembrar do beijo que ele e Isabella deram, era somente naquilo que ele queria pensar e desejava muito poder repetir aquele ato que concluiu ele ser saboroso e muito, muito prazeroso. Uma das melhores coisas que já fizera na vida.

Edward nunca beijou nenhuma garota antes, Isabella foi sua primeira experiência romântica, uma experiência curta, mas que mexeu com ele. Não poderia sentir o gosto do beijo ainda, mas repassava-o várias e várias vezes na mente para tentar sentir o gosto dos lábios dela novamente. Não se lembra que gosto tinha, mas se lembra que foi maravilhoso.

Abraçando o travesseiro forte, soltou um resmungo de frustração por não conseguir sentir o gosto. Mas estava decidido que queria mais.

Como não conseguia dormir, decidiu então tomar seu calmante, quem sabe assim Edward não dormiria logo!

(***)

Carlisle e Esme estavam abraçados na cama, ele acariciava o braço da esposa para cima e para baixo.

— O que iremos fazer? – perguntou ela em relação ao seu filho.

— Sinceramente? Não quero pensar nisso no momento. Minha preocupação maior agora é a nossa filha. Essa proteção excessiva não é normal.

— Te entendo perfeitamente. Temos duas preocupações só que ambas são diferentes. – seu olhar focava no teto escuro, apenas com uma luz muito fraca do abajur ao seu lado.

— Eu não sei – Esme estava pensativa – desde que a Bella foi para casa estou pensando incansavelmente em nossa filha.

— Você poderia compartilhar desse pensamento comigo? – sua esposa se ajeita melhor na cama apoiando-se no cotovelo direito olhando fixamente para o marido.

— Estou pensando em leva-la a um psicólogo. Sei que é normal ter ciúmes entre irmãos, mas algo me diz que não é apenas isso. Eu sinto que ela precisa de ajuda. – desabafou.

— Bem, se você acha que é preciso amanhã conversaremos com ela, então você procura um de sua confiança. – gratificada com o apoio do marido, deu-lhe um beijo voltando a sua posição anterior na cama.

(***)

Rosalie nem na cama se encontrava. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar. A todo momento ela se pega enxugando uma lágrima teimosa escorrendo pelo seu rosto. O nariz inchado ferira pelos movimentos de “enxugação”. Sua vontade era de gritar. Gritar bem alto para que todos pudessem ouvir e sentir sua raiva. Seu desprezo. Sua revolta.

Como assim, Edward estava gostando daquela intrometida chata?

Seu pensamento se agarrava a essa pergunta que ninguém poderia responder. E com tudo isso a menina que sempre esteve para seu irmão, que sempre esteve ao seu lado para o que quer que fosse estava ultrajada e com muita raiva do mesmo. Sentia-se traída por ele, pois ele sabia perfeitamente que ela não gostava da garota. Ele sabia que era ela quem o deixava nervoso e agitado. E mesmo assim não conseguia entender como que aquilo poderia ser possível!

Sentada na poltrona, levantou-se rapidamente pisando forte no chão. Foi até a gaveta de sua escrivaninha, pegou algumas folhas e caneta e começou a escrever. A cada folha que escrevia, escrevia com mais e mais raiva até que não aguentou. Jogou-se na cama abraçando o travesseiro e gritou. Gritou muito deixando toda mágoa e raiva sair e quando não conseguia mais gritar a menina voltou a chorar copiosamente mais uma vez.

(***)

A manhã estava estranha na casa dos Cullens. Normalmente era uma casa mais agitada pela manhã, mas hoje as coisas não estavam como antes. Sem Isabella e Erick, Esme preparava a refeição tendo como amigo o silêncio. Carlisle no escritório falava ao telefone com um amigo médico, tomou a frente, pois viu que sua esposa não citara nada nesta manhã. Edward em seu quarto apenas olhava para a parede a sua frente onde havia vários alto-retratos de Isabella desenhados a lápis feitos por ele pregados com fita adesiva. Olhava e olhava desejando tê-la ali para poder matar o que estava te matando, desejava muito poder sentir os lábios dela no seus novamente. Ele não ligava se havia feito direito no seu primeiro beijo, mas sabia que a prática levava a perfeição e ele queria mais. Muito mais. E Rosalie, dormia com a boca aberta depois de passar horas e horas chorando e sentindo raiva de tudo e todos.

Entrando a tarde, nada havia mudado. Aliás, algo mudou. Carlisle e Esme entraram num diálogo caloroso sobre o rumo que devem tomar com sua filha.

— Esme, nós precisamos tomar uma decisão. Ontem você estava de acordo, aliás foi você quem sugeriu e hoje ao que me parece, depois de eu ter dado alguns telefonemas você aparentemente mudou de ideia.

— Não é isso. Eu só ... tenho medo do que ela pode pensar. Amo nossa filha mais que tudo, eles são nossos tesouros e não sei como ela vai reagir se fizermos isso. Não quero magoá-la, meu bem.

— Nenhum de nós quer isso. Eu te entendo, mas se formos repassar na memória todas as vezes em que nossa filha foi agressiva com a Isabella veremos que foram inúmeras. Não tem nem como contar. E foi apenas com ela e você sabe o porquê. Isabella foi a única que quis se aproximar do nosso filho.

— Eu sei. E isso me dói.

Com olhos cheios d’água a matriarca implorava por mais tempo para pensar sobre se a filha deveria ter alguma ajuda psicológica. Vendo que a esposa não daria nenhuma resposta a isso, saiu do escritório, deixando-a sozinha com seus pensamentos.

Ela era mãe. Apesar de conhecer bem sua filha, Esme acreditava que talvez dando mais atenção para a filha, isso poderia passar. Talvez conversando também poderia fazê-la entender. Mas o único problema era o ciúme excessivo que Rosalie tinha para com o irmão, sempre que Isabella estava presente. Esme voltou mais uma vez a pensar na discussão do dia anterior. Aquilo não estava certo. Depois de conversar com Isabella, viu que seu filho poderia ter tudo que uma pessoa normalmente tem. Ele já era amado e a muito Isabella nutria esse sentimento por seu filho. Seu único medo é até onde isso vai. Esme não deseja que nenhum de seus filhos sofra e ela sabe que neste momento sua menina está sofrendo por não aceitar que o irmão pode ser independente e ela precisa entender isso. Mas mesmo assim, não deseja que a filha tenha o sentimento de revolta. De que seus pais estão lhe virando as costas. Esme não vai suportar se a filha a rejeitar caso aceite que ela precise realmente de um psicólogo. Estava entre a cruz e a espada. Mais uma vez.

E então veio a noite. Uma noite comum em Seattle com o tempo fechado e frio sem estrelas visíveis. Apenas nuvens.

A casa parecia morta. Edward estava ansiosa para ver Isabella novamente, mas isso não aconteceu, a mesma nem um telefonema deu para sua família. Ficou se perguntando se ela não voltaria mais. Ele olhava para todos os cantos tentando se acalmar. Pegou seu celular, entrou na sua playlist clicando em uma música aleatória e fechou os olhos para fazer um exercício de respiração. Isso o acalmava as vezes. Mas não deu certo e foi procurar por sua mãe, encontrando-a no quarto da irmã, com seu pai junto. Não quis escutar a conversa e resolveu esperar. Ele precisava ver Isabella, ou pelo menos ouvir sua voz e com isso em mente foi procurar o celular da mãe.

Sem conseguir o que queria, Edward foi procurar por sua irmã assim que viu seus pais descendo as escadas e entrou em seu quarto sem bater.

— Oi Pinguinha.

— Sai daqui.

Rosalie não queria ouvir nada do irmão. Estava com muita raiva ainda de tudo o que aconteceu e neste momento tinha medo de ofendê-lo, pois sentia-se muito machucada por ele. Edward não deu ouvidos ao que sua irmã lhe disse e mesmo assim entrou.

— Eu quero que você converse comigo, Pinguinha.

Ao chama-la assim, Rosalie não aguentou e soluços altos soaram. Foi como uma facada no peito. Não queria que ele a chamasse assim, sempre se lembrava do carinho que ele lhe dera e quando a chamara pelo apelido era como se Edward a tivesse colocado em seu mundo particular. Mas agora isso acabou. Não sentia carinho. Sentia raiva. Mágoa. Ódio até. Mas era seu irmão, aquele a quem ela prometeu proteger quando ainda nem sabia direito o que significava o autismo.

— Ei! Por favor, pare de chorar. Você sabe que odeio quando você chora. – pediu com carinho.

— Você só pode estar brincando! – levantou a cabeça encarando a parede vazia ao lado. – Escute bem, Edward, eu não quero te ofender, mas se o que eu ouvi for verdade... não fale comigo nos próximos dias.

Seu irmão nada fez, apenas ficou a olhando sem conseguir uma reação adequada. Enquanto não falava nada, repassou na mente uma canção lenta. Não queria que sua irmã se sentisse dessa forma. Ele sabia que ela não gostava de Isabella, mas mesmo assim estava surpreso com sua reação. Será que é ciúmes? Pensou. Preciso fazê-la entender que gosto realmente de Isabella e que não importa o que aconteça ela será sempre minha irmã. A número 1.

Dentando ao lado da menina e olhando para teto começou a falar.

— Não posso dizer que te entendo, até porque não sei bem o seu motivo, mas eu ouvi a discussão ontem e posso tirar alguma coisa disso. Pinguinha, olhe para mim. Por favor. Olhe. — a garota não fez nenhum movimento de que faria o que foi lhe pedido. Ela não iria olhar, então traçou uma estratégia rápida para que ela entendesse como ele se sentia em relação a Isabella – Ás vezes eu me pergunto por que tenho essa síndrome? Muitas vezes eu não entendo porque faço tal coisa, mas sei que é normal para mim. Fico olhando as pessoas a minha volta na faculdade se divertindo, saindo a noite, ouvindo músicas altas, na verdade para mim a maioria das músicas que eles escutam está mais para “gritaria em conjunto” do que música. Mas um dia eu achei a minha música gritante – sua mente voou para Isabella — e sabe do que mais? Eu gostei, então a ouvi várias e várias vezes. Você não vai gostar do que vou lhe falar agora, mas é assim que me sinto quando estou perto dela. Isabella é minha música gritante. No começo eu me sentia desconfortável. Achava estranho e evitava sempre passar perto dessa música, até que um dia eu ouvi uma diferente e eu não controlei. Não controlei porque eu queria ouvir aquela música especifica. Eu não sei até quando continuarei a querer essa música. Pode ser que eu não goste dela daqui a um mês, ou um ano, mas pode ser que ela seja a minha música para sempre. Quem sabe? O destino e uma faca de dois gumes. Eu não quero que você fique assim por mim. Não te quero triste, você sabe que eu não fico nada bem quando você fica assim. Você será sempre a minha Pinguinha, não importa quantos anos eu viva. Nós gostamos de músicas diferentes.

Irritada com aquela declaração a menina levantou-se furiosa olhando fixamente para o irmão e com toda raiva e mágoa que estava dentro do seu peito deixou explodir. Não queria saber se ele ficaria chateado ou triste, mas sentia a necessidade de expor tudo o que sentia para ele.

— Eu não quero saber o que você sente por aquela garota. Eu não gosto dela desde a primeira vez que a vi. Desde o dia que ela fez você surtar como eu nunca havia visto. Eu a detesto. Não quero saber dela e por culpa dela, eu amanhã terei que ir a um médico de doidos por que nossos pais acham que eu estou com alguma obsessão com vocês dois, então Edward... que vá para o inferno você e essa garota intrometida que desde o dia que entrou em nossas vidas só nos atrapalha. Mas infelizmente apenas eu que vejo isso. Vocês todos estão fascinados por ela, vocês estão todos enfeitiçados por aquela bruxa.

Sua ira era flamejante, Edward ficou sem ação, só conseguia olhar para sua irmãzinha que tanto ama, abismado. Ela realmente não gosta de Isabella e agora via isso claro como água cristalina, mas ele gostava dela. E muito.

Sua alma se entristeceu com as palavras da irmã. Não queria que ela tivesse esse sentimento. Estava triste. Nunca quis fazer a irmã sofrer, mas ele estava gostando de verdade de Isabella e isso machucava sua irmã.

Não era certo e vendo-a chorar dessa forma o fazia querer chorar também.

— Eu só quero ser normal com uma garota normal.

Os soluços de Rosalie não paravam e cada vez mais Edward sentia seus olhos arderem.

— Eu gosto dela. Por favor, Pinguinha! – sua voz era de cortar o coração de qualquer um.

— Não me chame assim nunca mais na sua vida!

Imaginando que não poderia ficar mais triste do que já estava, agora era Edward quem saia machucado. Saiu ás pressas e trancou-se em seu próprio casulo, colocou uma música bem alta e ali ficou sozinho chorando.

Passou um dia... Dois... Uma semana e nenhum contato foi feito com Isabella. Esme até que tentou, mas não obteve sucesso. Em uma de suas últimas tentativas Isabella mandou-lhe uma mensagem curta onde dizia que queria colocar os pensamentos no lugar e dar um tempo para a família.

Edward continuou recluso e isso preocupava seus pais, enquanto Rosalie em sua primeira consulta com um psicólogo deixou claro que estava ali obrigada.

Dois dias depois da discussão, ela procurou por Erick que por sua vez preferiu dar um gelo nela. Não queria ouvir nenhum tipo de desaforo e as palavras ditas a ele ainda martelava em sua mente. Hoje ela sabia que foi cruel com seu melhor amigo e precisava se desculpar com ele, mas fazia dias que ele não a atendia e nem queria vê-la. Ela foi uma vez em sua casa, mas não havia ninguém, estava vazia. Erick e ela nunca ficaram mais do que algumas horas sem se falar.

Ela precisava do seu amigo de volta.

Pediria perdão se isso o trouxesse de volta.

Prometeria a ele até mudar de atitude em relação a prima se ele a perdoasse.

Rosalie estava realmente arrependida do que falara. Depois de dias, colocou-se em seu lugar. Era triste a vida dele.

(***)

Mais alguns dias se passaram e a rotina na casa começava a voltar ao normal. Edward e Rosalie voltaram a se falar, mas ele não a chama mais pelo apelido que os unia como nenhum outro casal de irmãos. Estavam todos na cozinha ajudando esme a preparar um lanche da tarde quando o programa da tv foi interrompido para uma notícia trágica. Um acidente de avião sem sobreviventes. Na tela aparecia um helicóptero filmando a aeronave em chamas cabulosas com quatro caminhões dos bombeiros tentando apagar o fogo.

Todos estavam atônitos olhando fixamente para a tela pequena. O coração de Esme se apertou quando começou a noticiar os nomes dos passageiros identificados. Muitos só poderiam ser através de exames de DNA.

Sem entender por que, pegou seu celular e viu que havia uma mensagem, era de Isabella que dizia que iria viajar para a Inglaterra nesta tarde.

— Para onde ia esse voo? – perguntou na esperança de estar criando coisas na cabeça sem fundamento.

— Inglaterra. – respondeu seu marido sem tirar os olhos da tela. Um baque foi ouvido e todos a olharam. O celular havia caído de suas mãos e seus olhos fixaram em seu filho, mas antes que pudesse dizer algo a campainha tocou.

Notas finais
ps : no próximo capítulo veremos como foram os dias de Isabella e Erick pós briga. Bjs e nos vemos daqui a 15 dias, sim, vcs leram certo, 15 dias e eu volto com o próximo capítulo.