Amor Após a Morte

27 15. Susto - Jane


15. Susto — Jane

Parte 2

Me senti tão bem comprando meu material de leitura. Como antigamente.

Maríe e eu sempre comprávamos diversos livros, ambas adorávamos ler.

Escolhi alguns livros que achava que ela iria gostar também e fui pagar.

A moça que estava no caixa desconfiou de mim, talvez porque eu fosse muito jovem para ter o cartão de crédito sem limite e, também por ser tão pálida.

Sem dizer nada recolhi minhas compras e decidi comprar algumas roupas e sapatos também.

Sorri e me encaminhei para minhas lojas favoritas.

***

Eu estava cheia de sacolas para voltar a pé para o Inferno. Então decidi pegar um táxi, sendo que eu também tinha algum dinheiro no bolso e não só o cartão.

Ele me olhou seriamente quando eu disse o destino.

— Tem certeza? Porque, bem... O cemitério não é o melhor lugar para um jovem que nem você!... Muito menos com um monte de compras.

— Tenho certeza sim... Obrigada por se preocupar! – eu dei lhe meu sorriso encantador.

Ele balançou a cabeça e começou a dirigir.

***

Chegamos ao destino rapidamente.

— Chegamos. – anunciou o motorista.

— Quanto foi a corrida? – perguntei.

— Vinte. – ele me olhava pelo retrovisor.

Peguei as notas e as joguei no banco de motorista, acenei e sai.

Ele começou a dirigir assim que eu sai.

Com uma risadinha comecei a pensar que o cara tinha medo de mortos.

Entrei no cemitério.

***

Assim que entrei em meu quarto comecei a arrumar meus livros nas prateleiras e minhas roupas e sapatos no closet.

Quando acabei estava exausta.

Quase estava me esquecendo que eu me encontraria com Bain hoje.

Rapidamente tomei um banho e me maquiei. Depois fui me trocar.

Escolhi um vestido vermelho curto, um sapato preto de salto alto e uma tiara preta de lacinho de cetim.

Com um último olhar no espelho eu sai pela janela.

— Aonde vai?

Soltei um grito e escutei uma risada.

Não era demoniza, mas sim Bain... Meu Bain.

***

Deus! Todos estavam me dando um susto hoje!

— Qual é o problema de vocês? – perguntei com raiva ainda tentando respirar – Parece que amam me dar sustos... Que droga!

Ele ainda ria.

— Não tem graça!

Ela tentou se controlar e assim que conseguiu me puxou para seu peito.

— O que você está fazendo aqui? Pensei que ia me encontrar com você no cemitério.

— Bem... Eu vou viajar.

O que?

Ele também ia viajar... Que ótimo!

— Para onde?

— Para um lugar.

Olhei para ele com uma sobrancelha arqueada.

— Desculpe... Não posso falar.

Suspirei.

— Quando volta?

— Eu não sei.

— Perfeito!

Ele me abraçou e beijou a minha testa, em seguida meus lábios...

Seus braços se estreitaram mais e me apertaram contra ele.

— Vou sentir saudades. – ele falou me beijando.

— Também vou. Vê se volta logo pra mim.

Ele sorriu e pediu passagem com a língua e eu cedi.

Ficamos nos beijando por mais alguns minutos até que eu fiquei sem fôlego e percebi que meu corpo doía.

O empurrei e me sentei na cama.

— O que foi?

— Demoniza me castigou ontem... Ainda está dolorido.

Seu rosto estava chocado e, pela primeira vez em que eu havia o visto, com raiva.

— Como ela ousa?

Dei de ombros e assim que recobrei o fôlego o puxei para mim.

Sua raiva pareceu ceder quando eu estava o abraçando.

Ele recostou sua cabeça em meu colo e eu acariciei seus belos cabelos loiros.

Ficamos alguns momentos em silêncio até que eu falei.

— Quando você vai?

— Hoje à noite.

Suspirei.

Ele começou a se levantar e quando o havia feito olhou gravemente nos meus olhos.

Eu mergulhei de encontro com o mar de seus olhos e sem pensar o beijei novamente.

Ele me puxou para si e me abraçou.

Fechei meus olhos cor de amêndoa quando ele o fez também.

Suas mãos faziam círculos em minhas costas para aliviar a tensão que eu sentia.

Eu me inclinei mais para ele, pretendendo o beijar até a hora que fossemos dizer até logo, não diria adeus para ele. Não podia suportar pensar nessa palavra.

— Prometo voltar logo! – ele sussurrou e me beijou novamente. – Mas, agora tenho que ir.

Pronto! Eu estava em pedaços.

Bain desvencilhou-se dos meus braços e me empurrou para os travesseiros, beijando-me novamente.

— Até logo Jane. – ele parou quando viu minha expressão e olhou para o céu – sempre que a lua estiver lá, brilhando, olhe para ela, pois eu também olharei. Não importa o que estiver fazendo.

Eu sorri e olhei para o céu também.

— Vamos estar para sempre juntos.

— Para sempre.

Bain me deu um selinho e pulou a janela, deixando-me sozinha. Rapidamente me levantei e fui até esta para ver meu namorado sumindo por entre as sombras.

Quando eu não o via mais eu voltei para cama, enrosquei-me nas cobertas e comecei a chorar.

Sem mais nem menos um tulipa vermelha apareceu em minha cama.

Tulipas não tinham cheiro, mas esta tinha.

Era o maravilhoso cheiro de Bain.

Peguei-a por entre as minhas mãos e recomecei a chorar. Só parei quando – muito cansada – consegui encontrar o caminho do sono.

Não tive sonhos esta noite e sim pesadelos.

Horríveis pesadelos.

Notas finais
Esperamos que tenham gostado...
Por favor, deixem seus reviews e...
Feliz 2.011!!!!!