Amor Após a Morte
22 13. Assustada - Jane
Parte 1
O vulto era Demoniza.
Meu Deus? E agora? Demoniza ia me matar... Ia matar a ele, Bain!
Procurei seu corpo quente, mas encontrei o vazio.
Será que ele havia saído antes que a demoniza chegar?
Eu esperava que sim, para o bem dele e para o meu.
— Achei que tivesse ouvido sussurros aqui. – disse aquela demônia ordinária enquanto vasculhava o quarto sem nada encontrar.
— Então você está precisando limpar o ouvido. Como pode ver, ou melhor, não pode ver. – eu revirei os olhos, tentando não parecer assustada.
— Cada vez mais insolente... Se você continuar assim... – ela parou.
— Vai fazer o que? Me matar? – eu a desafiei.
— Você irá ver. – ela respondeu.
Ufa!
Ainda estava deitada em minha cama, mas eu com certeza não eu iria conseguir dormir, de tão assustada que estava.
E, Bain não iria mais voltar, não se ele fosse sano.
Então, acho que me vingaria um pouco de Maríe pelos sustos.
Sai pela janela e fui me equilibrando como um gato.
Chegando ao quarto dela, eu entrei rapidamente pela janela e encostei-me a uma parede.
Percebi que está foi a primeira vez que eu visitava Maríe em seu quarto.
Ela dormia calmamente e decidi não acordá-la.
Horas se passaram, até que na hora do crepúsculo, Maríe acordou.
Já não era sem tempo!
Assim que me viu, sua expressão mudou da serenidade a susto e ela ia soltar um berro.
Fui até ela rapidamente e tapei sua boca.
Tudo o que menos precisávamos era da demoniza.
Maríe ainda me olhava de olhos arregalados, ela não estava me reconhecendo?
Fui um pouco mais perto dos raios solares fracos para minha gêmea me ver.
Depois de muito esforço ela, finalmente, percebeu que era eu.
— Você ainda vai nos entregar me assustando desse jeito. – ela sussurrou depois que eu a soltei.
— Só me vingando. – eu ri, contente – Qual das duas começa?
— Bom... Como sempre... Vá em frente. Estou curiosa. – ela se levantou e foi até o guarda-roupa escolher uma roupa, percebi, um pouco sem graça, que ainda estava de camisola.
As palavras saiam deliciadas de minha boca — era um prazer para mim, contar sobre meus beijos com Bain, nossos momentos juntos... Eu soltava um suspiro a cada frase, automaticamente, não era uma coisa que eu pudesse para, minha mente não era mais dona do meu corpo – enquanto ela se vestia, desta vez com cores mais claras.
Só omiti a parte que Bain tinha vindo ao meu quarto e a demoniza quase o tinha pegado.
Sua reação a minha história foi animada, por assim dizer.
— Você está praticamente NAMORANDO! – ela jogou as palavras para cima de mim com entusiasmo.
Bem, ele não havia pedido, mas...
— Bom... Talvez. Se ele pedir, não irei recusar. Mas acho que é isso. Só falta oficializar. – eu dei de ombros, fingindo desinteresse, e ela sorriu contentada.
— Agora... Sua vez! – o meu sorriso era curioso e empolgado.
— Bem...
***
No fim eu estava boquiaberta e abismada. Ela não o havia beijado?!
— NENHUM BEIJO?! – perguntei para confirmar se ouvi direito.
— Eu não quero acelerar as coisas está bem. Manter a postura da malvada e consciente me agrada. Muito. – ela falo.
— E nessas horas VOCÊ quer ser a perfeitinha. – zombei, rindo de leve.
Perfeita não, ter postura é diferente. Logo, logo me entrego. Não resistirei muito tempo mais á ele. – Maríe suspirou ao dizer.
— Ahn... Bom... Vou indo mana. Demoniza já invadiu meu quarto á noite desconfiada e logo terei uma bronca... – Ops, havia esquecido que eu não tinha contado essa parte.
— Demoniza invadiu seu quarto à noite? Pra que?
— Depois eu te conto com detalhes. Vou indo. – tentei escapar.
Despedimos-nos e eu sai pela janela, agora o sol estava bem forte
Fui direto para o guarda-roupa assim que entrei no meu quarto.
Escolhi uma roupa clara, assim como Maríe.
Peguei um vestidinho branco e sandálias de salto baixo, quase me esquecendo de pegar uma faixa, também branca, para o cabelo.
Sai correndo para fora do meu quarto e me dei de cara com a demoniza.
— O que você quer? – perguntei quando vi sua expressão desgostosa.
Percebi que era por causa da minha roupa, clara demais para o inferno.
— Perdeu alguma coisa? – olhei para ela de queixo erguido.
Ela apenas revirou os olhos subiu para o quinto andar daquele maldito palácio, só para depois voltar e me encarar.
— Que? – eu estava começando a ficar com raiva.
— Esqueci que temos boas notícias. – eu ergui as sobrancelhas, descrente. – Agora temos uma mesa para as refeições, como você não anda se alimentando direito... Pensei que se “comprasse” uma, você faria todas as refeições.
— Devo dizer obrigada?
Ela nada respondeu apenas se virou e voltou a subir.
Que demônia patética. Revirei meus olhos.
Segui para a mesa, que estava vazia, e peguei apenas uma maçã. Completamente sem fome.
Fui para o pátio do palácio.
Nem uma alma.
Rá, essa era boa... Como se tivesse mais alguém nesse inferno com alma a não ser Maríe e eu.
Ainda não entendia por que não pude apenas morrer e ir para o céu.
Bem, o que estava feito estava feito e, eu não poderia mudar nada.
Decidi ir para o jardim, esperando encontrar Maríe lá, mas quando cheguei, não havia ninguém, nem aqueles vultos idiotas estavam lá.
Com um cansaço mental muito grande por não ter dormido a noite inteira, me sentei na balança.
Meu pensamento voou para Bain... O que estaria fazendo?
— Jane... Cadê a sua irmãzinha? – me perguntou aquele demônio desgraçado.
Mas, que...
— Não sei... Até parece que eu vou cuidar daquela menina malcriada.
Ela revirou os olhos ao mesmo tempo em que meu coração se partia.
— Se a vir... – ela começou, mas eu não deixei que terminasse.
— Se eu a vir, não irei dar nenhum recado ordinário seu! – eu me levantei e dei as costas para ela.
Corri para o cemitério.
Não tinha outro lugar para ir... A não ser o mundo humano.
O mundo a que eu não podia ir, esse era um dos avisos.
Então fui ao cemitério e me sentei em um túmulo qualquer. Lá eu fiquei chorando, ou o que se podia chamar de choro sem lágrimas.
Tudo o que eu queria era estar no céu, com mamãe e papai.
Minha mãe morreu tão nova em um acidente de carro... Maríe e eu éramos tão pequenas quando essa tragédia aconteceu e, ainda para piorar nosso pai ficou louco e se matou.
Sempre cuidávamos uma da outra, na verdade, ainda cuidamos, mas de maneiras diferentes...
— Jane? – me virei e vi Bain.
Corri até ele e ele me pegou nos braços.
— Oi. – falei enquanto ficava na ponta do pé para beijá-lo.
— Desculpe por ontem, não pude voltar...
— É, você realmente ficou louco, né? Não podia voltar e nem muito menos ter entrado...
Ele me calou com um beijo.
— Te amo. – isso me lembrou uma coisa...
— Bain... O que somos exatamente? Tipo, a gente tem uma amizade colorida ou somos... Namorados? – sussurrei a última palavra.
Ele apenas riu e se ajoelhou... O que ele estaria tramando?
— Jane Christine Hateway... – ele disse meu nome completo enquanto pegava a minha mão.
— Como sabe o meu nome inteiro? – tinha certeza de que nunca disse meu nome completo.
— Sei tudo sobre você... Então... Jane Christine Hateway quer ser minha namorada? – seus olhos azuis eram brilhantes e me prendiam.
Não conseguia dizer nada, então apenas assenti.
Ele sorriu e me puxou para si.
— Te amo. – sussurrei e ele me beijou.
Mal podia esperar para contar a Maríe...
Ele riu e percebi que verbalizei meu pensamento.
— Por falar em Maríe... Ela esta deixando Nate louco. – ele riu mais ainda.
— Ela só esta se fazendo de difícil. – revirei os olhos e me arrependi do que disse, Maríe iria arrancar meus cabelos. – Ela é rebelde...
— Bem, espero que ela não demore a falar o que senti por Nate, pois ele pode cansar de esperar e... – ele fez uma pausa e deu um sorrisinho brincalhão – E arrancar cada pena de sua asa.
Estremeci... Com certeza demoniza iria fazer isso com eles se pegasse Maríe ou eu com um...
— Diga a ele para ficar tranquilo, pois ela logo cede.
Seus olhos me fitaram e ele disse muito lentamente.
— Quer ir ao céu, sabe conhecer... Outros anjos e... Minha família... – ele deu de ombros, mas seu rosto estava radiante só de pensar na ideia.
— Talvez outro dia, sabe... Se aquela ordinária me pega... – seus olhos se arregalaram com a palavra ordinária. – Que foi?
— Não estou muito acostumado com... O vocabulário daqui.
Eu ri e ele abaixou os olhos.
— Tudo bem... Mas, até que eu to pegando leve com meu vocabulário. – podia ficar muito prior se quisesse.
Eu disse e me dei conta do tempo que ficara com ele, já fazia quantas horas?
Revirei os olhos, meu tempo com ele sempre passava como se fosse minutos.
— Tenho que ir, qualquer outro dia eu vou ao céu. – era para mim já estar lá, mas enfim...
— Tudo bem... Posso te encontrar a noite? – ele me perguntou e eu não precisei pensar.
— Lógico. – eu o beijei e comecei a ir embora quando ouvi um barulho e me virei novamente.
Meu namorado estava com suas asas abertas e com um sorriso no rosto vendo minha expressão.
— Até a noite. – Bain me disse e desapareceu voando.
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