Amor Após a Morte
19 12. Punição - Maríe
Parte 1
Eu sabia que sonhar com ele, e acordar sem vê-lo me traria um vazio pela manhã, mas não resisti. Não conseguia evitar.
Acordei e quase berrei quando vi um vulto encostado na parede.
Minha visão ainda estava embaçada, não distingui quem era.
O vulto correu até mim e colocou a mão na minha boca; impedindo-me de gritar.
Com muito esforço percebi, depois, que era Jane.
- Você ainda vai nos entregar me assustando desse jeito. – sussurrei.
- Só me vingando. – ela riu, contentada. – Qual das duas começa?
- Bom... Como sempre... Vá em frente. Estou curiosa. – me levantei e enquanto ela contava todo o romance da noite fui ao guarda-roupa em busca de algo para vestir.
As palavras saiam deliciadas da boca de Jane, e com cada momento bom que ela passara, cada beijo que ela dera ou recebera, automaticamente ela liberava um suspiro quando contava.
Por fim minha roupa foi uma calça jeans, uma blusa e uma tiara rosa claro, e o all star cano baixo branco da noite anterior.
E a minha reação ao fim da história de Jane foi... Animada, digamos assim.
- Você está praticamente NAMORANDO! – joguei as palavras para fora com entusiasmo.
- Bom... Talvez. Se ele pedir, não irei recusar. Mas acho que é isso. Só falta oficializar.
Sorri contentada. Agora penteava os longos cabelos ruivos.
- Agora... Sua vez! – O sorriso no rosto de Jane demonstrava curiosidade e empolgação.
- Bem...
***
No fim do relato, Jane estava boquiaberta.
- NENHUM BEIJO?! – ela estava pasma com isso. — Como? Você é louca de perder uma oportunidade Maríe?
- Eu não quero acelerar as coisas está bem. Manter a postura da malvada e consciente me agrada. Muito.
- E nessas horas VOCÊ quer ser a perfeitinha. – ela zombou, rindo de leve.
- Perfeita não, ter postura é diferente. Logo, logo me entrego. Não resistirei muito tempo mais á ele. – suspirei ao dizer isso.
- Ahn... Bom... Vou indo mana. Demoniza já invadiu meu quarto á noite desconfiada e logo terei uma bronca...
- Demoniza invadiu seu quarto á noite? Pra que?
- Depois te conto com detalhes. Vou indo.
Nos despedimos e eu estava descendo as escadas quando novamente a sombra surgiu.
- Conseguiu exterminar algum daqueles meus sentimentos demoninho?
- Bom dia Maríe! – ela disse como se eu não tivesse comentado nada.
Fiquei quieta.
- Bem... Me diga você – ela continuou.
- Sinceramente acho que se fez algo, não teve sucesso. – dei uma breve pausa e continuei. – Bom dia. – agora dizia com ironia.
- Boas noticias! – Com essa eu a encarei, erguendo uma sobrancelha, como quem diz “desde quando você traz boas noticias?”
- Temos uma mesa para o café da manhã!
- Ótimo. – Disse sem muita empolgação. – E para onde deveria me dirigir agora? Estou faminta.
Ela apontou a sala e eu apenas assenti, seguindo na direção apontada. Ela logo não estava atrás de mim, seguia para outra direção agora, esperava que ela não estivesse indo dar outro sermão em Jane.
Em alguns minutos eu estava na sala – que agora continha a mesa para as refeições – e pedi apenas um bolo com suco.
Depois fui dar uma volta no jardim. Estranho demoniza não ter comentado o fato de eu estar com roupas claras.
***
Aquele balanço me agradava. Sentir o vento em meu rosto era reconfortante, então era o lugar que eu mais visitava naquele palácio.
Decidi sair de lá, por um momento que fosse, e fui andando até ver o portão, que levava para fora do palácio aberto.
Não hesitei, saí correndo e o atravessei.
Eu agora estava para fora daquele lugar e logo eu teria que voltar. Só queria dar uma volta.
Ela não poderia me reprovar por isso.
O mundo humano me fascinou, como eu sentia falta daquilo tudo.
Acho que as pessoas ainda podiam me ver.
Eu tinha algum dinheiro no bolso, decidi ir ao cinema, não sei por que senti vontade de reviver essa parte de diversão brega, na minha opinião.
***
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