Amor Após a Morte
17 11. Somente eu mesma - Maríe
Parte 2
Nos separamos no meio do caminho. Seu namorado... Do qual ainda não me recordo o nome... Estaria de um lado, e Nate... Ah Nate... Ham... Do outro.
— Tchau... Te vejo assim que voltar. – Falamos juntas, como se tivesse sido combinado, e então demos uma risadinha.
Ela caminhava para a outra direção, e quando vi que ela não poderia mais me avistar, tentei tomar outra direção.
Eu não... Podia me encontrar com ele. Bem... Eu não obedeceria à víbora. Só não queria me apagar e pagar uma de garota apaixonada correndo atrás de um anjo perfeito.
Parecer durona e rebelde era o meu eu. Somente eu mesma.
Quando me virei para o lado que eu pensava ser o oposto do de Nate, eu o avistei parado na parede de plantas. Igualmente irresistível.
No momento em que cometi o erro, dei meia volta e comecei a caminhar rapidamente na outra direção.
As sandálias me atrapalhavam, então, retirei-as e as carreguei na mão.
Os galhos secos no chão não me incomodavam.
Pude sentir seu cheiro me tomando cada vez mais, aumentando seu incrível aroma.
Ele estava se aproximando.
DROGA! Continuei andando mais rápido, eu não tinha rumo. Mas logo pensei no jardim.
Não iria adiantar. Teria de despistá-lo primeiro.
Fora um breve, muito breve plano, que em segundos falhou.
Enfim Nate estava lá. NA MINHA FRENTE! Ô caramba. Eu era mesmo lerda!
- Pelo que vejo você está tentando fugir do... Ham... Do... Encontro. – Ele teve dificuldade em pronunciar a palavra.
- NÃO. É. UM. ENCONTRO. – murmurei entre os dentes trincados.
- Certo, tudo bem. Quer que chame como? Uma pequena... Reunião de dois amigos? Por mim. – ele deu de ombros. Obvio que estava sendo muito mais do que irônico.
- Podemos dizer que uma armadilha de uma irmã muito malvada, ou, se preferir, uma perseguição.
- Ahn... Até entendo a... Armadilha... Mas... Perseguição?
- Bem... Você está me seguindo, não? Eu... Também chamo isso de... Perseguindo. – engoli em seco.
- Está bem. Mas... Se foi uma armadilha de sua irmã... Por que exatamente está vestida assim?
- Meu corpo está desligado do cérebro. – Murmurei envergonhada.
- E... Isso sugere... Que... Você não queria se trocar, mas seu corpo foi atrás de uma roupa extremamente linda, se me permite dizer, mesmo com seu cérebro dizendo para colocar um pijama e se deitar, ou sugere que você não queria estar aqui comigo e está? – ele riu de suas suposições.
- Segunda opção. – Disse derrotada.
- Então... Se não quer minha companhia... Eu vou indo. — e ele se virou. Eu sabia que ele estava blefando.
- Você sabe que eu não vou atrás de você. Também sabe que vai se arrepender de não ter me obrigado a ficar em sua companhia. – eu atirei, convencida de minhas próprias palavras, enquanto me recostava em um muro ali por perto, cruzando os braços, com as mãos ainda segurando as sandálias.
- Isso quer dizer, que você se preocuparia comigo, por eu estar arrependido, e está me indicando, que... Não terei uma segunda chance... Esta noite? – ele pareceu confuso.
- Deduza como quiser. – me virei e continuei a andar.
- Está bem. Você venceu. – ele ergueu as mãos, eu achei. Não estava virada para ele para comprovar. Ainda estava andando. Sorri triunfante, e disse, desafiando-o.
- Havia mesmo alguma competição? — ergui uma sobrancelha.
Ele apenas me puxou pelo braço, me fazendo olhar para ele.
- Pois não? – Pisquei os olhos inocentemente.
- Vai negar o encontro que sua irmã nos arranjou? – ele me olhou desconfiado.
- Uma reunião de dois amigos. – disse por fim.
- Vai negar? – ele continuou sério.
- Podemos sentar e conversar. – sugeri.
Então, ele segurou minha mão – a que não estava ocupada com as sandálias – quando eu parei.
Ele me puxou, me estimulando a andar.
Apenas soltei minha mão da dele. – de muito mau gosto, mas parecer desesperada não era minha intenção. – Ele parou confuso. Pareceu mover a cabeça um pouco na diagonal, hesitante.
Eu logo o ultrapassei com passos decididos e firmes.
Ele ainda estava parado e eu já estava bem a sua frente. Decidi me virar, parando.
- Você não vem? – perguntei sem finalidades.
Ele apenas continuou andando e logo estava ao meu lado. Eu continuei parada esperando ele se aproximar mais para que começássemos uma conversa.
Então, quando finalmente estávamos lado a lado, ficamos murmurando alguns gostos pessoais, só por falta de assunto, até chegarmos no jardim.
Sentamos nas balanças, e, simplesmente, fiquei em silencio, olhando o céu. Estrelado. Estranho. Parecia que eu ainda era humana.
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