Amor Após a Morte
10 8. Enconto no Cemitério - Jane Parte 2
Notas iniciais
Parte 2
As horas se passavam, e eu ainda estava trancada naquele maldito local.
Estava desesperada.
— Me solta... – eu gritava, mas nada.
Até que... Alguém pareceu ouvir meus gritos e agora lutava contra o cadeado.
— Jane... Fica calma... Vou te tirar daí... – me falou Maríe.
E então com um barulho surdo o cadeado cedeu.
Eu estava livre e meu encontro salvo.
— Obrigada! – lhe abracei.
— Claro... Agora se apresse... Vá tomar um banho e se vestir para seu encontro.
— Mas, o que eu vou dizer a demoniza?
— Não se preocupe com isso... Só vá... Antes que se atrase.
— Brigada maninha... Você salvou meu encontro.
— Novamente eu digo: O que seria de você sem mim?
— Nada... Absolutamente nada.
Eu já estava correndo quando ouvi seu chamado.
— Jane... Não saia pela porta, podem te ver.
Por onde, diabos, eu sairia então?
— Vá pela janela... Acredite em mim... Você não vai se machucar.
Ela estava louca, né?
— Vá pela janela. – repetiu ela lentamente como se falasse com alguém que tinha problemas mentais.
— Tudo bem... – eu disse me rendendo.
Ela sorriu e eu voltei a correr, só pensando em Bain.
Escalei rapidamente a parede e estava em meu quarto.
Rapidamente fui tomar um banho e depois me troquei, dando uma olhada no espelho e quase me esquecendo de me maquiar.
Coloquei uma sombra discreta, passei delineador preto e um batom rosa.
Estava cheirosa e maquiada agora... Era uma zumbi cuidadosa.
Só parei quando eu estava de frente para a janela.
Estava com um pouco de medo, mas... Eu teria que pular.
Sem muito tempo a perder, me sentei no mármore frio e joguei minhas pernas para o lado de fora, surpreendendo-me quando saltei e cai com um baque surdo.
Eu agora andava.
Não sabia onde ele estava, havia muitos túmulos.
Senti um calor dentro do peito e, depois sabia exatamente para onde eu ia.
O calor que vinha de Bain me guiava.
Eu continuava andando lentamente, meus saltos fazendo um pouco de barulho e as folhas se agitando ao meu redor.
Agora tinha uma neblina muito densa.
Mesmo assim, consegui chegar até ele.
Seu rosto era lindo e se espalhava em um sorriso.
Também sorri enquanto eu me aproximava mais... A cada passo mais perto do calor que emanava dele.
— Oi... – eu disse quando estava a meio metro dele.
— Olá... Você está muito bela. – ele disse me elogiando e dando-me um buquê de rosas vermelhas.
— Obrigada... Acho que eu não preciso falar nada de você... – eu fiz uma pausa – Você sempre está bonito... Bonito não, lindo!
Ele apenas sorriu, pegando em minha mão. O calor era tão agradável.
— Sua pele é sempre gelada? – ele me perguntou olhando para nossas mãos.
— Estou morta, lembra?
Ele sorriu ainda mais.
— Uma zumbi não deveria ser tão... – ele parou.
— Tão o que?
Agora nossos lábios estavam a um centímetro de distância.
— Tão... Perfeita...
Seus lábios estavam prestes para tocar os meus, mas eu me distanciei dele, surpreendendo-me, pois o que eu mais ansiava era que nossos lábios se tocassem, mesmo assim eu me afastei dele.
— O que foi? – seu olhar era de preocupação.
— Não sou perfeita, estou longe de ser perfeita.
— Por que pensa assim?
— Por que é minha culpa que Maríe tenha morrido e, eu também sou culpada pela minha morte.
— Quem é Maríe?
— Minha irmã... Irmã gêmea... Ela é tudo o que eu tenho.
— Você está enganada se acha que é a culpada...
— Sou sim... Eu que insisti para que escalássemos aquela montanha, foi minha culp...
— Não... Não é...
Suas mãos pegaram as minhas e seu olhar prendeu-se no meu, fazendo com que eu mergulhasse naquele azul profundo.
Ele se inclinou novamente para me beijar e, desta vez, não resisti.
Seus lábios carnudos me chamavam e eu tinha que atender a este chamado.
Uma de suas mãos estava em minha cintura e a outra em meu cabelo e, minhas mãos estavam em seu pescoço.
Foi o melhor beijo da minha vida, parecei até o primeiro...
Não sei por quanto tempo ficamos nos beijando, ali, naquele cemitério.
Quando seus lábios se separaram dos meus eu me inclinei para beijá-lo novamente.
Quando eu estava hiperventilando ele se afastou de mim para deixar que eu respirasse.
Nós nos sentamos nas folhas e ficamos abraçados, o calor emanava ainda mais forte dele para mim... Era impossível me separar dele.
— Eu te... Eu te amo. – ele me disse.
— Eu também te amo... – sussurrei e seus lábios estavam novamente nos meus.
Eu estava tão feliz... Pela primeira vez na vida eu não era a “Jane perfeitinha”... Só podia ser realmente quem eu era ao lado dele!
Deitamos-nos, ainda abraçados, na relva.
Nem percebi que eu estava tão cansada... Não percebi quando dormi em seus braços, tudo o que percebi era que ele não ia me soltar...
***
Acordei com o sol novamente em meu rosto.
Ainda estava abraçada a Bain...
Droga! Eu dormira lá... Mas, que...
— Bom dia... – ele sussurrou em meu ouvido e me beijou.
Fui incapaz de não responder ao seu beijo.
— Tenho que ir...
— Por quê? – seus olhos estavam tristes.
— Vão me matar se eu não voltar...
Ele ainda me fitava com os olhos tristes enquanto eu levantava.
— Vou ver se posso voltar hoje... Na mesma hora? – eu perguntei.
— Estarei esperando por você.
Dei mais um beijo nele e depois parti.
Corri desenfreadamente até o palácio e depois escalei a parede.
Tomei um susto quando entrei...
A demoniza estava lá, me encarando com aqueles olhos sombrios.
— Você está encrencada.
Disso eu já sabia.
— Posso saber onde esteve e com que esteve?
Algo me dizia para não contar sobre Bain.
— Pode... Eu estava no cemitério, sozinha.
— O que fazia lá? – seus olhos se estreitaram.
— Estava pensando.
— Muito bem... Vou tentar acreditar em você, afinal você é a perfeitinha, não é? Mas se estiver mentindo para mim...– ela parou sem completar a frase e depois saiu.
Dessa eu me safara.
Tomei um banho e me deparei com Maríe me esperando na minha cama.
— Então... Conta tudo! – ela me disse com um sorriso malicioso.
Suspirei e revirei os olhos.
— Você dormiu fora então... Meu Pai! Jane a perfeitinha?!
— Ah, fique quieta... Não aconteceu nada disso... Quer dizer...
Eu parei, tomei um ar e comecei a contar sobre meu encontro romântico com Bain...
Quando vi uma rosa com um bilhete em minha cama.
O bilhete dizia:
Te encontro hoje a noite... Estou te esperando.
Te amo...
Bain
Sorri e percebi que Maríe me encarava...
— Tudo bem... Eu vou contar... Eu cheguei lá e...
Notas finais
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