Amor Após a Morte
28 16. Verdade e Consequência - Maríe
Notas iniciais
16. Verdade e Consequência — Maríe
Parte 1
Ahaha. Hilário, simplesmente hilário.
Demoniza no chão.
Até parece que eu iria realmente ajudá-la.
Me virei e saí andando.
Olhei rapidamente para Jane, esperando que ela me visse dando um último adeus.
Ela não prestava atenção em mim, então me virei e fui embora.
Será que Nate iria muito para longe?
Em algumas horas eu saberia disso.
Olhei o relógio.
Seis e meia. Eu tinha uma hora.
***
Quando eu já estava no quarto tomei meu demorado banho e me vesti com uma roupa clara qualquer.
Sempre sem abandonar meus all stars e minha tiara.
Agora o que eu não sabia era ONDE me encontrar com Nate.
Ele não dissera nada, nem eu, para variar.
Pulei a janela e fui para o jardim, era sempre lá que eu ficava. Esperava que ele soubesse.
***
Oito horas.
Onde estava Nate?
Eu estava quase indo para meu quarto, quando senti algo, que fez minhas pálpebras pesarem e meus olhos cederem.
A última coisa que senti foi meu corpo caindo adormecido no chão.
***
— Maríe? Maríe? – Era a voz de Nate em meu ouvido.
Eu não consegui responder, apenas abri os olhos e encarei os seus verde-água sob a escuridão de seus cabelos me fitando.
Quando finalmente pude sentir as palavras saindo de minha boca, Nate me interrompeu.
— Você encostou em uma planta venenosa e acabou desmaiando.
Se não fosse morta, estaria morta AGORA.
— Ahaha. – Era de certa forma irônico. – Ahn... Então... Nossa conversa?
— Ah, bem... Eu vou viajar depois de amanhã.
— Para onde?
— Coréia do Sul.
— Fazer o que tão longe?
— Temos que ficar de vigia por um tempo. Também somos um tipo de anjos da guarda de algumas pessoas. Alguns assassinatos injustos por lá. Não poderemos sair até que os criminosos sejam presos. Bain irá comigo, e alguns anjos da guarda também.
— Ahn... Vai demorar muito?
— Até os criminosos serem presos. Isso pode levar alguns anos.
— ANOS?! – como ele podia falar aquilo tão calmamente?!
— Você tem a eternidade lembra? E, aliás, o que minha falta traria para você?
— Meu melhor amigo, lembra?
— Ah, falta de melhor amigo. Entendo. Bem, viemos conversar isso. Já te expliquei, agora eu vou. Tchau.
— Espera aí. – Ele se virou pra mim, buscando esperanças nas minhas palavras.
— Pois não? – Ele arqueou uma sobrancelha.
— Por que se atrasou tanto?
— Atrasei-me para quê?
— Engraçadinho. Marcamos de nos encontrar para você me explicar tudo. O que não é realmente um encontro.
— Marcamos de nos encontrar, mas não é um encontro. Sempre irônica Maríe. – Ele esperou alguma reação minha, fato, mas fiquei quieta. – Bem, te procurei por todos os cantos, e então me lembrei do jardim. Agora eu vou.
Enquanto ele andava eu fiquei quieta. Ele não andava com passos rápidos então realmente esperava uma reação minha.
— Ei! – gritei.
Ele se virou lentamente.
— Pode passar aqui amanhã? Sabe, já que você só vai depois de amanhã.
— Arrumando as malas. – ele respondeu sem expressão.
— Vinte e quatro horas? – arqueei uma sobrancelha.
— Posso passar bem de noite.
— Eu durmo á tarde e aguento passar a noite acordada. – Pisquei para seus olhos profundos.
Ele assentiu com a cabeça e se virou. Continuou andando até que o perdi de vista.
Parada por alguns instantes, de repente ouvi uma voz sussurrando em meu ouvido:
— Até ‘ melhor amiga’.
Virei-me rapidamente para cima, mas antes de conseguir abraçá-lo, vi suas asas batendo ritmicamente, fazendo-o subir cada vez mais.
E a cada encontro que tínhamos, eu perdia minha chance de tê-lo só para mim.
Mas agora eu tinha uma decisão. Na próxima noite, meus lábios encontrariam os dele.
***
Acordei feliz, sabe-se lá porque – talvez pela quase certeza de que beijaria um anjo naquele dia – e tomei meu banho.
Com meu short e minha blusa no estilo de sempre – sem jamais deixar meus all stars e tiaras – desci para tomar café.
O cabelo ruivo ainda molhado se esvoaçava com o vento e me fazia arrepiar com o vento frio do lado de fora.
Quando cheguei á metade da escada, subi de volta. Eu não aguentaria o tempo do dia e então peguei uma blusa de frio com touca.
A vesti rapidamente e agora sim fui para o café.
Passei pelo longo corredor e percebi uma fresta da porta de mogno aberta.
A voz sombria vinha de dentro dela.
Encostei-me na parede, e me escondi dos vultos que saiam da sala.
Apenas dois ficaram lá dentro, e eu tinha certeza de quais eram.
Demoniza e o tal Ron que nos primeiros dias de Jane me esmagara o braço.
— Elas não estão aqui por causa de suas maldades quando vivas. Pelo menos não Jane.
“Ron, querido Ron. Já é hora de você saber como são selecionadas nossos condenados por aqui.
Para cada escolhido há uma guerra entre os céus e o nosso inferno.
Não somente vemos as qualidades ou defeitos deles, os lados e atos bons e ruins. Também vemos os prejuízos que esses condenados causariam em cada reino.
As partes de personalidade mais fortes. E os resultados que surtiriam efeito de cada pequena ação.
Maríe, por exemplo, ela é extremamente desobediente. Acha que no reino do céu, o mundo claro e perfeitinho, Maríe ganharia alguma recompensa?
Ela seria punida. Desobedeceria friamente cada ordem que recebesse.
E, depois de cansados, os anjinhos bondosos e carismáticos, receberiam a ordem de enviá-la para cá.
Só adiantei o processo.
Além disso. Maríe NÃO tem a capacidade de ter algum sentimento.
Ela ESTÁ MORTA.
Porém, a capacidade que ela tem de se iludir é ainda maior. E faz com que ela acredite que pode amar ou odiar. Ou qualquer outro sentimento.
O que ela sente por mim é pura fúria ilusionaria, causada pelo fato, de ela achar que ama sua irmãzinha santa.
Ela não me engana. O teatrinho delas é péssimo. Já fui melhor, quando condenada.”
Eu quase chorava agora. Então eu realmente não tinha sentimentos?
Soluçava sem lágrimas, em um silêncio profundo, numa escuridão sombria.
Ela continuou e eu decidi ouvir antes de correr. Precisava saber a verdade de tudo.
“Enfim Ron, a única coisa que ela é capaz de sentir, é a sede de poder, vitória. A sede de provar que sempre tem razão, a sede de querer que tudo que ela faça ou diga seja razão.
E uma hora ela, tais como os outros semelhantes á, irão ver isso. Agora, apesar de tudo isso, os anjinhos do céu ainda são bondosos o suficiente. E fazem questão de querer achar uma saída para todos os condenados arrogantes.
Eles querem oferecer a salvação para todos.
Acontece, QUE A SALVAÇÃO NÃO EXISTE. Principalmente para aqueles, que não foram capazes de realizar tais ações na vida, quem dirá na morte.
Condenados, pela eternidade.
Com isso, essa patética ideia de salvação, as guerras físicas começam.
Temos que realmente escolher os melhores soldados de cada reino, e lutar.
Algumas vezes no reino clarinho e perfeitinho, algumas vezes aqui nas trevas.
As lápides registram os mortos de nosso reino, os perdidos de em lutas.
Muitos conseguem ser mortos com uma estaca especial cravada no peito por um determinado tempo.
E esses são enterrados.
Porém, existem vários outros, que são enterrados ainda vivos, por algum engano, conseguindo fugir.
E até hoje na história da eternidade, nunca vi alguém que fugisse para nosso reino.
Todos estão lá no reinozinho do céu.
E as lápides apodrecem aqui.
Quando a guerra acaba, os vencedores levam a mais nova alma penada.
A guerra acaba quando um dos oponentes se render, quando todos estiverem mortos, ou quando um dos lados perde todas suas armas de luta ou defesa – o que os fazem se render, ou então causará o descanso eterno de todos.”
Injustiça. Foi tudo no que pensei no momento.
“Agora. No caso de algumas pessoas como Jane...
Ron... Muitas vezes não são necessárias guerras. Muitas vezes a personalidade e atitude das pessoas são o que os condenam.
Às vezes, são tão extremamente fortes para determinado lado, que instantaneamente é determinado seu destino.
O caso de Jane foi exatamente isso.
Seu lado certo era o céu. Sem dúvida alguma.
Tive que dar meu jeito, para que eu não a perdesse, alguém que nesse inferno pudesse me obedecer – sempre ficamos com os pires por aqui, sabe. – e consegui ocultar por algum tempo, sua partida do mundo humano. – ocultar dos mensageiros divinos. – E nesse tempo fiz o ritualzinho que tirou sua alma.
Sem a alma dela, conseguimos ocultar boa parte da personalidade. Eu, por algum tempo, acrescentei minha alma mais repugnante desse inferno nela. O que a fez imediatamente ser escolhida para viver sua eternidade aqui. Depois retirei a mesma de dentro de si, e agora ela vive aqui.
Faço isso muitas vezes. Fácil driblar os mensageiros. Mas é trabalhoso, apesar de fácil.
Aposto que muitas vezes eles me driblam também, mas eles não precisam retirar as almas ruins, eles nem retiram almas. Só acrescentam qualidades. Por favor.”
Jane estava aqui por injustiça? VÍBORA.
O que eu sentia podia não ser ódio ou raiva. Mas eu queria matá-la.
— Entende as regras agora Ron? A verdade de tudo aqui? Aprenda a conviver com isso, e colabore, que terá o prestígio das outras sombras.
— Sim senhora.
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