Amor Após a Morte
2 01. Prólogo - Jane
Notas iniciais
Não seja um leitor fantasma ;D
Prólogo – Jane
Eu estava em um beco escuro quando minha hora chegou.
Estava voltando da casa de minha tia, ia sempre visitá-la as quintas-feiras, mesmo sendo longe.
Não tinha por que ficar em casa. Ela estava vazia, sem vida.
Então as quintas-feiras eu ia visitá-la.
As quintas-feiras eram os piores dias, eram os dias em que Maríe e eu ficávamos juntas, saíamos juntas.
Maríe, minha irmã gêmea, a pessoa que eu mais amava no mundo.
Maríe, que foi arrancada de minha vida há um ano.
Já fazia um ano que ela tinha partido, um ano que ela descansava eternamente...
Um ano...
Não pude mais aguentar, me desatei a chorar.
Parei de andar e encostei-me a uma parede fria, escorregando nela até me sentar no chão molhado.
Agora chovia — uma chuva torrencial — mas eu não me importava, pois tudo o que eu tinha dentro de mim era a dor, a dor da perda.
Não parecia que tinha se passado um ano desde que aquele terrível acidente aconteceu.
E desde aquele ano eu me sentia culpada, muito culpada, pela morte de Maríe.
Foi minha culpa, eu amava escalar e chamei Maríe para ir comigo.
Ela não queria, mas eu insisti até que ela concordou.
Depois de uma hora escalando nós já estávamos cansadas, mas eu insistia para continuarmos, eu queria subir até o topo.
Maríe ia na frente.
Até que ela pareceu escorregar e, com um grito ela estava caindo em direção às pedras.
Sem muito pensar eu me joguei também, só que eu não ia morrer, estava com a única corda em minha cintura, como em um bung jump, eu caia, mas não tinha o risco da morte.
Eu tentava um jeito de segurá-la, mas nada dava resultado.
Ela continuava caindo, caindo em câmera lenta, até que os seus gritos cessaram e tudo ficou em silêncio.
— Oi, gatinha! – alguém disse, tirando-me de meus devaneios e dando-me um susto.
— Tá chorando por que princesa? – me perguntou um homem, seu hálito tinha cheiro de álcool.
Eu apenas enxuguei minhas lágrimas de meu rosto, me levantei e sai andando sem responder a pergunta do homem.
Tomei outro susto.
Ele não estava sozinho, tinha mais quatro homens com ele, e eles agora me cercavam.
— Não tão rápido... Por que não fica um pouco conosco?
Os outros sorriram e eu me preparava para dar um grito.
— O que tem aqui? – disse o homem puxando minha bolsa.
Eu rapidamente a entreguei, esperando que eles me deixassem em paz.
— Eu esperava que tivesse mais dinheiro princesa, afinal você se veste como se fosse rica. – ele olhou todo o meu corpo.
Eu estava calada, fria e imóvel.
— Não me leve a mal, mas eu tenho que fazer isto, entende?
Os meus olhos seguiram sua mão que tirava uma faca de seu casaco.
Meu Deus! Eles iam me matar!
Eu interrompi o silêncio com um grito estridente.
Eles riram e a faca foi para o alto e depois para meu tórax, perfurando-o.
Eu cai no chão molhado arfando.
— Acho que só uma facada é o bastante... Você vai morrer, não vai ser uma morte rápida e sofrerá muito, mas, sabe... A dor é boa.
Com essa eles saíram rindo alto.
Meu sangue escorria no chão e o cheiro me nauseava.
Doía muito.
Eu queria morrer logo, queria acabar com aquele sofrimento.
Pareceram que se passaram horas, até que a dor diminuía e eu entrava cada vez mais em um estupor.
Mais alguns minutos se passaram até que eu dei meu último suspiro e morri.
***
Eu estava no escuro.
Não era assim que eu imaginava que seria a minha morte.
Não sabia se aquilo era a morte, pois parecia que minha alma ainda estava presa a meu corpo.
Sim, minha alma ainda estava presa ao meu corpo. Então eu não conseguia descasar em paz.
Sem nenhum aviso eu escutei uma voz e depois eu vi os olhos de quem falava.
Era a morte.
Sua voz era apenas um sussurro, um sussurro que me dava arrepios.
Seus olhos eram nebulosos e sombrios.
A voz sussurrava algo como julgamento.
Mas que julgamento?
Depois tudo ficou escuro novamente e eu não consegui mais vê-la ou ouvi-la.
Embora eu pudesse senti-la.
A morte estava vasculhando toda a minha alma.
E novamente eu pude ouvir seu sussurro.
Ela dizia “Uma garota perfeita, totalmente perfeita. Sua alma será muito importante para mim... Hum... Acho que Maríe irá gostar... Afinal, ela fica muito sozinha naquele castelo... O que seria melhor do que a companhia de sua irmã gêmea?”
Como assim Maríe? Que castelo? Maríe estava em um castelo? Ela não descansara em paz?
Eu tentava – em vão – achar as respostas para todas essas perguntas.
Depois tudo ficou escuro novamente e eu estava caindo nesse breu.
Tudo ficou em silêncio por um instante, antes que novamente o sussurro da Morte ecoasse em meus ouvidos.
Ela me dava uma ordem.
Ela me disse ”Abra os olhos” repetidas vezes até que eu os abri e maravilhada fitei os olhos de Maríe.
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