Amor Após a Morte

1 00. Prólogo - Maríe


Notas iniciais
Esperamos que gostem...

Prólogo – Maríe

Era difícil encará-la.
Seu olhar era sombrio, nebuloso, eu jamais imaginaria ver aquele olhar novamente desde meu ritual.
Agora, se fosse possível, lágrimas estariam correndo pelos meus olhos. Jorrando como se houvesse algo as forçando sair deles.
Se eu tivesse um coração pulsando dentro de mim ele estaria despedaçado.
Nem todos teriam uma chance... Nem todos teriam a chance que eu tive.
A maioria ia direto para o cemitério, como todos os nojentos normais.
Nunca fui normal.
Mas... Jane... Ah... Jane sempre fora normal.
Sempre fora a gêmea perfeitinha desde que nascemos.
Eu a amava... com todo o meu coração.
Agora eu a amava, com o vazio presente em minha carcaça sem vida.
Eu queria que a perfeitinha agora tivesse a prudência de se manter viva por tempo suficiente para que eu conseguisse extinguir todo o amor que sempre tivera por ela.
Mas ela conseguiu, conseguiu ser mais desatenta do que eu, quando em vida.
A perfeitinha quis dar uma de boa sobrinha que visita a titia nos quintos dos infernos.
Um lugar sombrio e sem vida, sinceramente combina com aquela tia vagabunda que nunca nos havia visitado, nos ligado ou sequer nos ajudado.
Em nossa infância raramente a víamos.
Jane estava voltando da casa da titia e foi encontrada pelos vândalos.
Eles a acharam uma graçinha, e sabe-se lá porque eles deduziram que ela tinha algum dinheiro.
Talvez as roupas de riquinha que ela costumava usar.
A assaltaram. E depois, ainda não satisfeitos, a esfaquearam.
Eu fiquei sabendo disso pelos informantes do palácio das sombras.
Se eu pudesse teria impedido isso. E que se danem as regras daquele maldito palácio de mortos vivos.
Eu não me importava de realmente morrer e ir para o cemitério, desde que Jane estivesse viva, que continuasse com a vida dela.
Mas já era tarde, e quando fui avisada do incidente fui correndo para a sala do julgamento. Teria que encará-la mais uma vez. Aquele demônio das trevas fora o que me condenara em meu julgamento.
Eu poderia muito bem ter ido para o cemitério morrer em paz. Aquele demônio viu algum talento em mim.
Ela não me deixaria morrer mais do que eu já estava morta.
Ela me queria de olhos abertos, sabe-se lá por que.
Eu tentei de tudo para ir para o cemitério. Mas ela só me condenava ao sofrimento, nunca ao descanso eterno.
Abri a porta da sala, e quando vi o estado de Jane entrei em choque.
Ela ainda estava de olhos fechados, morta eternamente, até o momento de seu julgamento.
Ela era PERFEITA. Era a garota normal que toda mãe adoraria ter como filha, todo garoto como namorada e todo professor com aluna.
Ela não acordaria, não me veria mais, embora eu quisesse.
Eu estava condenada. Mais tive uma chance. A chance de salvar quem eu amo, apesar
de eu nunca poder descansar em paz.
E nem para isso eu servira, o aviso viera tarde demais para que eu pudesse fazer algo.
Eu não deveria aguardar nada. Deveria estar de olho na perfeitinha.
Mas quem iria imaginar que ela correria perigo se sempre fora tão cuidadosa com sua segurança?
Agora não importava. Ela seria julgada. Iria para o cemitério, e agora sim, eu nunca mais a veria.
Eu tinha que salvá-la, ou de outro ponto de vista, condená-la. Mas todo o motivo de eu estar ali com aquela chance não teria mais sentido se Jane dormisse eternamente.
E eu a invejaria, por conseguir dormir em paz, para sempre, sem ter que sofrer, por toda sua existência.
Eu a salvaria. Além de ter um passatempo ótimo, durante toda a eternidade, eu teria, por esse período também, a pessoa que mais amo, a única que restou de minha família, perto de mim.
- Ela abrirá os olhos novamente. — uma voz sombria soou pela ampla sala, me fazendo tremer.
Eu fiquei paralisada. Mas... Como? Ela era a perfeitinha que aqueles demônios enviariam para o cemitério sem mais nenhuma discussão. Sem sequer indagar nada.
Eu... Estava feliz por tê-la eternamente ao meu lado... Mas... O que fez aqueles demoníacos mudarem de ideia. Assim sem mais nem menos ir contra todas suas preferências 'superiores' como eles viviam a dizer?
- Ela pode ser bastante útil para nós. É o tipo de garota perfeita que não ignora regras. E quando eu quiser partir não quero que meu esforço seja desperdiçado. — Novamente a voz aterrorizante e sombria percorria a sala.
Agora o vulto vermelho vinho, se dirigia a mim. Uma beleza suprema, mas completamente aterrorizante.
- Sua Jane tem bastante talento querida. Pelo que vejo vocês duas serão muito úteis por aqui. Pode não ver seu talento querida, mas com essa sua arrogância você é capaz de conquistar não só nosso mundo como o mundo daquela sua tiazinha vagabunda. — então ela encostou as mãos escuras em meu rosto, apertando minhas bochechas presas entre seu polegar e seus outros dedos.
Virei à cara.
- Sim lindinha, eu sei da história toda. Sua tiazinha é outra que logo logo irá para o cemitério. Ela me dá nojos, apesar de morar em um lugar super agradável não é?
Recusei-me a responder. Dei um passo à frente, esquivando-me do demônio encarnado e fui até a mesa onde Jane estava deitada.
Seus olhos agora começavam a se abrir e eu não queria ver sua reação ao me reencontrar.
Ela ainda me amaria como eu a amava?

Notas finais
Por favor, indique nossa história e deixem reviews.