Amor Amigo
5 Capítulo 5 - Abrigo Provisório
Notas iniciais
Preparadas para descobrirem como esses dois conseguirão passar a noite fora do instituto?
Boa leitura :)
Durante a madrugada fria, os amigos Rosalie e Emmett caminharam por cerca de duas horas, com intuito de se afastarem o máximo possível do instituo, para então somente poderem encontrar um lugar onde pudessem dormir.
Por sorte encontraram um velho galpão vazio no fim de uma rua sem saída. Emmett se afastou de Rosalie para poder abrir a porta do velho galpão. A grande porta velha rangeu, fazendo com que Rosalie se assustasse.
Antes de entrarem, Emmett iluminou o local com a lanterna. Se certificando de que estava vazio, exceto por alguns objetos velhos que ali estavam amontoados um sobre o outro. Certamente aquele local já havia funcionado como um bar, em um passado remoto.
- Vem Rose! – estendeu sua mão para Rosalie, que segurou confiante.
Juntos entraram no galpão, um passo de cada vez, tentando não fazer barulho. Mas algo fez barulho no teto alto, fato que não passara despercebido por Rosalie. A garota apertou a mão de Emmett com força, como se pedisse proteção.
Emmett a olhou. – Tudo bem Rose. Devem ser apenas pombos. Eles se abrigam em lugares assim durante a noite.
- E se forem morcegos?!
- Se forem morcegos, eu te protejo.
Rosalie lhe sorriu amavelmente.
- Vamos forrar o chão e tentar dormir um pouco. Quando clarear, decidimos o que fazer – disse Emmett olhando em volta, em busca do melhor local para passarem a noite.
- Ok. Você pegou algo que a gente possa usar?
- Eu peguei dois cobertores, finos, porque não ia caber na mochila. Tem um na sua e outro na minha. Podemos usar um para forrar o chão e o outro para nos cobrir – sugeriu Emmett.
Rosalie assentiu. Retirou a mochila das costas, abriu o zíper retirando de lá o cobertor. O mesmo Emmett fez.
Rosalie decidiu vestir o casaco, Emmett também, o dele, assim, sentiriam menos frio. Emmett esticou o cobertor cobrindo um pequeno espaço no chão empoeirado para que tivessem onde deitar. Colocou a mochila sobre o cobertor para usá-la como travesseiro.
- Vem Rose! – chamou com os braços abertos, convidando-a a ficar juntinhos para que não sentissem tanto frio durante a madrugada fria.
Rosalie suspirou antes de deitar ao lado de Emmett, apoiando a cabeça no ombro dele. Emmett beijou o topo da cabeça dela carinhosamente. Depois ficou olhando para o teto escuro. A lanterna ainda estava acesa, mas pouco iluminava.
- Rose, você está com fome? – perguntou sem se dar conta de que a garota já dormia. – Rose?! – chamou, agora olhando para ela.
Certamente estava muito cansada, afinal, passou muito tempo trancada, sem comida e sem água. E toda correria durante a fuga, o muro que teve que pular contribuíra para seu cansaço físico, além do emocional.
- Dorme tranquila, meu anjo. Estarei aqui cuidando de você – sussurrou fazendo carinho nos cabelos dourados de Rosalie.
Demorou pouco mais que o normal para Emmett pegar no sono. O local não era dos melhores. Entretanto uma grande preocupação rondava sua mente; de agora em diante teria que proteger Rosalie do mundo lá fora, não somente dos castigos imposto pela senhora Ornella e das implicâncias de Heidi. Teriam agora novas barreiras a enfrentar. Entre elas: a fome e o frio.
O barulho no teto alto daquele galpão abandonado dava a Emmett a certeza de que eram morcegos ali, e não pombos como havia dito a Rosalie. E fora pensando em o quão a garota se assustaria se soubesse que suas suspeitas estavam certas que Emmett pegara no sono.
[...]
Os primeiros raios de sol iluminaram o velho galpão. Rosalie se mexeu antes de abrir os olhos. Sua cabeça estava sobre o peito de Emmtt, que respirava tranquilamente.
A garota sentou no cobertor que cobria o chão empoeirado, passou as mãos no rosto. Depois olhou para Emmett dormindo, ao se afastar dele o cobriu com o lençol que outrora pertencera ao instituto.
“Meu melhor amigo, meu protetor, só você mesmo para pensar em tudo, ou quase tudo”, pensou.
Puxou sua mochila para mais perto, abriu o zíper. De lá retirou a escova de dente e um creme dental. Tudo mérito de Emmett. Com a escova de dente na mão, pensou onde poderia encontrar um pouco de água que pudesse usar.
Levantou passando a dar voltas pelo velho galpão empoeirado à procura de uma torneira.
Atrás de uma divisória de madeira, improvisada, Rosalie encontrou um velho chuveiro. Sorriu consigo mesma, por tê-lo encontrado. Restava apenas saber se saía água dali.
Como se estivesse pisando em ovos, Rosalie se aproximou do velho chuveiro, girou o registro de água devagar. Bufou irritada quando não viu água sair. Dando-se por vencida virou as costas para sair dali. Porém um barulho de água chamou sua atenção. Olhou para trás e viu que as primeiras gotas davam sinal de vida, no entanto, tinha um tom de ferrugem, isso não a agradou em nada.
- Ah que droga! – resmungou frustrada. – Isso não serve para uso...
O que a garota não sabia era que a água estava saindo suja por conta dos canos há muito tempo sem uso. Depois de algum tempo a água adquiriu seu tom normal.
- Ah, agora sim – falou consigo mesma.
Deixou a água correndo para que saísse toda a sujeira do cano, enquanto retornou onde Emmett estava. Pegou sua mochila, onde tinha uma muda de roupa limpa, e voltou para o local onde havia o velho chuveiro.
De frente para o chuveiro, Rosalie colocou uma das mãos em baixo da água para sentir a temperatura. Frustrou-se quase que instantaneamente, pois estava extremamente fria.
- Cacetada! Isso está um gelo – a garota olhou para seus braços e pernas, estavam sujos, talvez pelo tempo que esteve presa no velho porão, frio e mofado. Suas meias três quartos que outrora fora brancas, agora estavam em tons de cinza como se estivessem sido esfumaçadas com carvão, sem falar que a roupa que usava estava com manchas de comida. – É não vai ter jeito, terei que me submeter ao frio e passar por essa tortura. Coragem Rosalie você consegue – incentivou a si mesma em uma tentativa de não fraquejar.
Deu uma olhada em volta certificando-se de que não havia ninguém observando, então começou a despir-se devagar para que houvesse tempo de obter coragem, ou talvez, desistir.
Já sem roupa, Rosalie fez o que pode para não molhar os cabelos. Com aquela água fria ela não conseguiria lavá-los mesmo se quisesse. Pulou algumas vezes tentando aquecer o corpo, depois entrou de uma só vez embaixo da água fria.
- Ah meu Deus, ai meu Deus, meu Deus! – gritou aos pulos embaixo da água fria que caia em seu corpo arrepiado e trêmulo. Seus pequenos seios, ainda em formação, eram a maior prova do frio que estava sentindo mostrando-se arrepiados.
Passou a se esfregar mesmo sem sabão, pois esse foi um dos itens que seu amigo Emmett não se lembrara de pegar. Tudo o que ela queria era se limpar, por hora estava de bom tamanho.
Emmett acordara com os gritos finos de Rosalie, assustou-se ao notar a ausência da amiga ao seu lado.
- Ah meu Deus! – continuava gritando enquanto a água caída em seu corpo. Seus lábios estavam ficando roxos.
- Rose! – o garoto exclamou preocupado indo procurá-la.
- Estou aqui – respondeu com a voz trêmula, pois seu queixo tremia por conta do frio. – Não... – antes mesmo que concluísse sua frase Emmett apareceu se deparando com uma Rosalie pelada e totalmente arrepiada.
Emmett ficara sem reação. Rosalie, no entanto tentava se cobrir com as mãos da melhor forma que pode.
- Sai daqui! – gritou assustada. – Sai Emmett!
Emmett piscou os olhos se desculpando.
- Desculpa! – pediu virando as costas para a garota envergonhada. – Você estava gritando, achei que estivesse se assustado com alguma coisa ou se machucado – se justificou ainda de costas.
- Sai daqui... – Rosalie começara a chorar envergonhada. O frio a dominava tremia dos pés a cabeça.
Emmett se retirou cabisbaixo, sentindo-se culpado por envergonhá-la.
- Desculpa... – murmurou ao longe.
Tremendo de frio, Rosalie começou a se secar com uma pequena toalha de rosto que tinha em sua mochila. Vestiu a única muda de roupa que tinha na mesma, com exceção do uniforme extra que eles tinham na instituição.
Vestiu uma calça jeans e uma camiseta vermelha por cima do casaco para disfarçar o emblema do instituto. Nos pés usou o mesmo sapato que estava antes, por ser o único que tinha.
De cara fechada, Rosalie voltou para o local onde tinham passado a noite. Sem olhar para Emmett, ela sentou no cobertor que fora usado para forrar o chão empoeirado. Abriu a mochila, de lá retirou sua escova de cabelos, a mesma que trouxe de sua antiga casa no dia que foi levada para o instituto contra sua vontade.
Emmett estava recostado na parede um pouco afastado de Rosalie. A garota começara a escovar os longos cabelos dourados sem dar atenção ao amigo, que parecia receoso.
- Rose... – chamou cautelosamente. – Você está brava comigo?
Rosalie nada respondera, apenas continuou o que estava fazendo.
- Rose, por favor, fala comigo?! – pediu cabisbaixo, mexendo as mãos sem saber o que fazer.
Sem olhá-lo, Rosalie respondeu.
- Não era para você ter me visto daquele jeito...
- Me desculpe Rose, foi sem querer. Você estava gritando. Eu juro que pensei que estivesse com medo de algo... Ou pior, que estivesse machucada – se explicou indo sentar ao lado da amiga.
Olhando para a escova de cabelos, meio sem jeito, Rosalie pediu.
- Promete que nunca vai contar para ninguém que me viu pelada? – suas bochechas coraram excessivamente. – E que nunca mais vai tocar nesse assunto?
- Claro que prometo, mas, por favor, só não fique brava comigo. Eu gosto tanto de você, não suportaria se ficasse sem falar comigo – disse colocando uma mecha dos cabelos dourados de Rosalie para trás da orelha.
A garota o olhou.
- Eu também gosto muito de você Emm – confessou enlaçando seus braços ao pescoço do garoto. – Só por isso vou te perdoar.
Emmett enlaçou os braços na cintura de Rosalie apertando-a contra seu corpo.
- Sempre estarei cuidando de você, minha Rose...
- E eu quero que continue cuidando de mim – disse Rosalie com a cabeça apoiada no ombro de Emmett.
- Estaremos sempre juntos. Bem, já que você enfrentou aquela água fria acho que eu também irei. – Emmett brincou.
Rosalie sorriu. – É, vai lá! Você vai sentir na pele o que é aquilo.
Emmett lhe sorriu revelando covinhas encantadoras. Deu um beijinho na pontinha do nariz de Rosalie antes de sair levando a sua mochila junto.
- Rose reze por mim?!
Rosalie sorriu mais uma vez.
- Senhor proteja o meu amigo urso. Não deixe que ele morra de frio. Amém! Assim está bom, Emm?
Rindo, ele disse. – Sim eu gostei de ser o urso.
Ambos sorriram.
Rosalie continuou escovando os lindos e longos cabelos dourados. Gargalhou quando ouviu Emmett xingar um palavrão, tão logo a água fria caiu em seu corpo.
- Como você conseguiu Rose?! – gritou enquanto pulava.
- Viu só que gelo?! – Rosalie respondeu de onde estava. – Se ferrou! – disse sorrindo.
[...]
Depois de alguns minutos, Emmett retornou. Agora usando a única muda de roupa que tinha na mochila, com exceção do outro uniforme do instituo, assim como sua amiga Rosalie. Usava uma bermuda jeans e uma camisa preta. Usava também o casaco do instituto por baixo na camisa. Nos pés, um all star preto, já bastante surrado. O sapato que usava no instituto guardou nos bolsos laterais da mochila.
- Quase que bato as botas de tanto frio – disse ao sentar ao lado de Rosalie novamente.
- Estou com fome Emm.
- Eu peguei algumas fatias de pão e um potinho de geleia – disse retirando um saquinho de papel de dentro da mochila. – Depois precisaremos dar um jeito de conseguir mais comida. Vai ser complicado, mas precisaremos tentar.
Entregou o saco de papel para Rosalie, que abriu retirando o pão, em seguida abriu o pote de geleia retirando um pouco com o próprio dedo, afinal, não tinha nada que pudesse ser usado para isso.
Emmett a imitou, e em silencio ambos comeram as únicas fatias de pão que tinham. Depois tomaram um pouco da água mineral que Emmett pegara no instituto.
Carinhosamente, Emmett passou a mão no rosto de Rosalie e disse.
- Vamos sair e ver o que encontramos por aí? Algum lugar melhor pra ficar não sei...
- Emmett nós iremos ter que voltar para dormir aqui? – perguntou com uma carinha que Emmett teve vontade de apertar suas bochechas rosadas.
- Se não encontrarmos outro lugar, sim – confirmou fazendo um carinho no rosto de Rosalie, tentando confortá-la. – Mas não fique com medo. Eu vou cuidar de você.
- Não estou com medo. Só preocupada. E se não conseguirmos dinheiro para comer e para nossas necessidades, o que faremos? Deveríamos ter pensado nisso antes...
- Não deixarei você passar fome, Rose. Vou arrumar um emprego, pode ser como ajudante em um restaurante, afinal, tem vário aqui em Nova Orleans. Não será difícil. Nem todos são chiques, a sempre um meia boca.
- Mas e se não conseguirmos, por sermos muito jovens?!
- Não se preocupe, darei um jeito...
- Não somos ladrões Emmett.
- Claro que não Rose. Conseguiremos honestamente. Agora vamos! Põe todas as suas coisas de volta na mochila, para o caso de não voltarmos para cá.
Rosalie assentiu guardando o pouco que tinha inclusive os dois cobertores que usaram na noite anterior.
Colocaram as mochilas nas costas. Emmett segurou a mão de Rosalie, ambos se olharam após um breve suspiro. Saíram do velho galpão após terem observado a rua brevemente.
Enquanto andavam pelas ruas movimentadas, vez ou outra Emmett olhava para Rosalie e lhe sorria. Talvez assim ela se sentisse mais confortável.
- Sabe Rose, talvez fosse melhor pegarmos o bonde e irmos para outro bairro. Quanto mais longe do instituto melhor será para nós.
- Estou de acordo – Rosalie confirmou. – Não quero ter que olhar nunca mais na cara daquela vaca hipócrita que é a senhora Ornella.
E assim os dois começaram a andar – sacudindo as mãos –, rumo ao ponto onde o bonde que faz trajeto pelas ruas de Nova Orleans, passaria.
Restava agora saber como seriam suas vidas dali em diante. E como conseguiriam dinheiro para sobreviver, sendo tão jovens ainda.
Notas finais
E aí meninas o que acharam do capítulo?
Vejo vocês nos reviews!
Beijo, beijo
Sill
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