Amor Amigo
22 Capítulo 22 - Sombras do Passado
Notas iniciais
Obrigada amore, eu ameii o que você escreveu :))
As quatro amigas cuja vida as uniu de maneira afetiva, tornando-as irmãs de coração como nenhuma delas imaginou ser possível, passaram o fim de tarde, e o início daquela mesma noite, em luxuoso salão de beleza ali no centro de Nova Orleans. Todas as funcionárias do estabelecimento as conheciam de longa data, tornando-as assim não apenas clientes, mas também amigas. Como na grande maioria dos salões de beleza a conversa fluía livremente entre um tratamento estético e outro.
Alice, Tanya e Irina fizeram praticamente tudo o que o luxuoso salão disponibilizava. Somente a depilação ficou de fora, pois já não dava mais tempo. Já Rosalie apenas fez as unhas, e pediu que lhe aparassem as pontas dos cabelos.
Inegavelmente a jovem Rosalie Hale carregava consigo alguns traumas de sua infância conturbada em um instituto para crianças órfãs, onde a diretora agia como uma carcereira cruel. Dentre esses traumas, Rosalie desenvolvera pavor absoluto ao ver alguém segurando uma tesoura. Sempre que alguém se aproximava de seus longos cabelos dourados segurando uma tesoura em mãos a jovem suava frio, imediatamente desenvolvendo a sensação de estar sendo sufocada.
Rosalie escondia de todos tal fraqueza, somente Emmett sabia o motivo de tanta angustia por trás de um simples corte de cabelos. Da angustia que ela sentia ao ouvir o leve som que a tesoura afiada emitia durante o corte preciso. Culpa disso foi o corte de cabelos aos cinco anos de idade, no dia em que chegara ao instituo, contra sua vontade, de forma brutal e hostil.
Certa vez Alice mencionara o quanto Rosalie parecia estranha durante um simples corte de cabelos. Até chegou a fazer piada, dizendo que possivelmente Rosalie escondia um segredo, algo como um pacto envolvendo feitiçaria. Só não imaginava que por trás de tudo aquilo havia um trauma de infância.
[...]
Por volta das dezenove horas às amigas saíram do salão com a ideia fixa de fazerem um lanche perto dali antes de voltarem para casa.
Durante o tempo em que Rosalie esteve no salão Emmett ligou duas vezes. Primeiro para saber como ela estava se sentindo, horas depois ligou avisando que já estava indo para o Pub.
Após terem feito o lanche desejado, em um pequeno fast-food que ficava ao lado de um parque, as amigas se encaminhavam para o veiculo que ficara estacionado em uma vaga em frente ao estabelecimento, quando o destino de Rosalie cruzou o caminho de alguém, a qual ela jugara estar em seu passado para sempre.
Diante os olhos castanhos, e, no momento, incrédulos. Estava nada menos que Heidi Volturi. A mesma Heidi que vivera por alguns anos no mesmo instituo que Rosalie e Emmett. Na época, a garotinha de cabelos cor de mognos brilhantes, aprendera odiar Rosalie desde o primeiro momento em que a viu chegar ao instituto.
Para Rosalie o encontro pelo acaso havia sido como um balde de água fria. Jamais imaginou que tornaria a vê-la, e muito menos, que Emmett não estaria, nesse momento, ao seu lado lhe segurando a mão, transmitindo apoio e segurança emocional.
Rosalie sorria na companhia de suas amigas após uma Alice serelepe ter murmurado bobagens para sua barriga de sete meses, como se o bebê estivesse prestando atenção. Quando seus olhos encontraram os de Heidi Volturi seu sorriso se desfez como se tivesse visto um fantasma. Entretanto, era exatamente isso que Heidi significava em sua vida, um fantasma do passado que voltara das sombras para atormentá-la.
Indo contra tudo o que Rosalie pudesse imaginar, a jovem de cabelos cor de mognos brilhantes parecia ter se dado bem fora do instituto. Heidi acabava de estacionar um Aston Martin, conversível vermelho, duas vagas após o carro de Tanya. Estava bem vestida, e mantinha o nariz empinado. Rosalie não soube identificar a origem de todo luxo e ostentação. Imaginou que Heidi tivesse sido adotada por uma família de alto pode aquisitivo, ou que talvez, tivesse casado com ricaço logo que saíra do instituto. A única coisa que Rosalie tinha certeza era de que todo aquele luxo não provinha de seu trabalho, mesmo que ela tivesse conseguido um bom emprego, era muito pouco tempo para ter obtido tanto dinheiro, uma vez que Heidi estava com a mesma idade de Emmett, dezoito anos. Se não tivesse sido adotada teria saído a pouco tempo do instituto, e muito provavelmente teria acabado de entrar para a faculdade.
A jovem de cabelos cor de mognos brilhantes falava ao celular, com sua mão livre, segurava a chave do veículo. Seus olhos ficaram em choque ao ver Rosalie a sua frente. Em um nanosegundo sua voz sumiu, deixando quem quer que fosse do outro lado da linha sem respostas. A troca de olhares, nitidamente chocado, era intensa, algo como um duelo, cujo perdedor era aquele que desviasse primeiro.
Alice, Tanya e Irina ainda conversavam e sorriam entre si, alheias a realidade que Rosalie estava vivenciando.
Inesperadamente os olhos de Heidi mudaram de direção, alcançando o ventre avantajado de Rosalie. Com a boca levemente aberta Heidi afastou o celular do ouvido sem ao menos se despedir de quem quer que fosse do outro lado da linha. Apertou o aparelho celular entre os dedos sem se importar em esconder sua raiva mortal.
O desconforto imediato atingiu Rosalie no exato momento em que ela notara que Heidi observava sua barriga com ódio e rancor. Rosalie acariciou seu ventre, como se tentasse proteger seu filho daquele olhar maligno.
Tanya se aproximou encarando Heidi, sem medo. – O que está acontecendo aqui? – exigiu Tanya se posicionando ao lado de Rosalie, com olhar intimidador sobre Heidi, que parecia não ter se abalado com sua chegada.
- Rose? – disse Alice, segurando a mão de Rosalie, buscando seu olhar, que não desviava de Heidi por um segundo se quer. – O que aconteceu, Rose? – insistiu ela. – Até parece que você viu um fantasma.
“Vi algo pior”, pensara Rosalie, com o olhar vago.
- Ei fala pra gente. O que aconteceu? Você está se sentindo mal? – questionou Irina preocupada, acariciando a barriga da amiga.
- Eu estou bem – Rosalie tentou tranquilizá-las, porém não conseguira transmitir convicção em suas palavras.
- Rosalie – sibilou Heidi, entre dentes. – Quem diria que iriamos nos encontrar novamente – murmurou com desdém.
- De onde você a conhece? – exigiu Tanya, ficando a frente da situação.
- Vocês são amigas? – tentou Alice em um tom menos agressivo que o que Tanya utilizara.
Notando tanto desconforto, Irina cutucou Alice e sussurrou:
- Eu acho que não – ambas trocaram olhares significativos, e então Alice deu de ombros.
Heidi olhou para Alice, após afastar uma mecha dos cabelos para trás da orelha.
- Rosalie e eu nos conhecemos no instituto. De onde ela fugiu – completou com provocação. – Oh, me desculpe se falei demais – murmurou com um leve tom de deboche, levando a mão direita à frente dos lábios. Olhou para as garotas e continuou. – Ela não disse a vocês que é uma órfã fugitiva? – zombou.
- Que a Rose viveu por um tempo em um instituto para crianças órfãs isso nós já sabemos, meu bem. Conta outra, por favor, porque essa noticia é velha – defendeu Tanya.
Alice ergueu a cabeça, encarando Heidi com petulância. A baixinha era audaciosa não se intimidava facilmente.
- Ela não é uma órfã fugitiva, sua nojenta – resmungou, defendendo aquela a quem tinha como irmã desde que se conheceram na madrugada de uma noite chuvosa, ali mesmo em Nova Orleans. – Ela é minha irmã – cuspiu as palavras bem na cara de Heidi.
Naquele momento, Rosalie estava pálida e parecia ter perdido a voz. A única coisa que ela desejava era se manter afastada de Heidi o máximo possível, para não afetar o seu bebê.
- Sua irmã? – zombou Heidi, com um sorriso irônico. – Ela não tem família, sua tampinha.
- ELA TEM SIM – gritou Alice, extremamente irritada. – Minha mãe e meu pai os receberam como filhos, sua idiota – resmungou não conseguindo conter sua raiva em ouvir alguém ofender aquela a quem amava como irmã.
Tanya sempre ao lado de Rosalie, com um braço estendido defensivamente em frente à barriga da amiga.
- Tapinha idiota – resmungou Heidi.
Aquilo bastou para que Rosalie voltasse a si.
- Não volte a falar assim com ela – exigiu com furor. – Siga o seu caminho sua grande imbecil. Concentre-se em sua vida, busque nela o que tem de bom e pare de infernizar a vida alheia. Busque sua felicidade sem querer destruir os que cruzam seu caminho.
- Qual o seu problema garota? – gritou Irina, encarando Heidi com mau humor.
Heidi a ignorou totalmente, voltando sua atenção a Rosalie.
- Onde está Emmet?
- Não te interessa – respondeu Rosalie. Sua raiva começando tomar proporções maiores.
- Ah me interessa sim – rebateu Heidi, com descaso.
- Vamos garota, siga o seu caminho – sibilou Tanya, estalando os dedos, reforçando sua fala.
Assim como fizera anteriormente com Alice, Heidi a ignorou.
- Ele é o pai desse bebê que você está esperando? – questionou, estendendo a mão com intuito de tocar a barriga de Rosalie, porém Tanya a impediu, segurando firme em seu pulso.
Alice se posicionou raivosa em frente à Rosalie, como se tentasse protegê-la das garras de Heidi.
- Claro que sim – confirmou Rosalie, nitidamente orgulhosa.
- Quem diria Rosalie Hale gravida aos dezessete. Com quantos anos você começou a transar com Emmett? – questionou destilando veneno. – No mesmo ano em que se conheceram – ironizou.
- Nós erámos crianças, sua doente – respondeu Rosalie com escárnio.
- Ou seria aos treze, quando vocês fugiram?! – continuava Heidi a provocar.
- Você é doente. Emmett e eu erámos apenas amigos até pouco tempo. Você me enoja Heidi. Como pode ser tão baixa e mesquinha a ponto de insinuar uma coisa dessas.
- Baixa eu? Tem certeza? – zombou Heidi, descaradamente.
Alice ficou furiosa com aquilo e voltou a entrar na discussão. – Você sabe muito bem a que ela se referiu, sua imbecil.
- Cale essa boca, sua salva-vidas de aquário – revidou Heidi.
Irritada com a forma com que Heidi se dirigiu a Alice, Rosalie voltou a avisá-la.
- Já falei para não falar assim com ela.
- Vocês são tão patéticas – provocou Heidi.
Tanya respirou fundo antes de revidar. – Oh vadia porque não vai procurar por seu cafetão em uma dessas esquinas da vida, que você ganha mais.
- Oh queridinha – ironizou Heidi. – Caso você não saiba, estou noiva de um cara cheio da grana.
Tanya bateu palmas debochadamente. – Parabéns vadia. Agora vasa daqui.
- Cala essa boca – resmungou Heidi.
- Cala a boca você – Irina defendeu a irmã. – Não acha que já falou besteira de mais não?!
Enquanto todos discutiam, Alice se manteve abraçada a Rosalie como se isso fosse protegê-la de qualquer ameaça. Heidi ignorou todos os protestos, dando continuidade a sua provocação.
- Me chamem do que quiserem, não estou nem aí. Eu vou me casar com um cara cheio da grana, e você Rosalie Hale, está com um pé rapado que não tem onde cair morto – frisou o sobrenome Hale com zombaria por Rosalie ter nascido herdeira de um verdadeiro império e no fim ter acabado sem um misero tostão.
- Não fale assim do meu Emmett, sua cretina – esbravejou Rosalie, estendendo os braços, agarrando os cabelos de Heidi com fúria. Heidi gritou, tentando se livrar do ataque inesperado.
- Sua nojenta mal amada. Sua vadia mal comida. Fique longe da Rose – esbravejou Alice.
Furiosa, Tanya entrou no meio da briga, empurrando Heidi para longe de Rosalie.
- Filha de uma vaca. Você não está vendo que ela está grávida?
Rosalie cambaleou para trás, sentindo tudo a sua volta escurecer. O bebê chutou forte sua em seu ventre segundos antes de ser atingida por uma forte dor no pé da barriga. Rosalie segurou firme o braço de Alice, tanto que ficaram as marcas dos seus dedos no local. Sua mão livre apoiada sobre a barriga, bem abaixo do umbigo, onde a dor era intensa.
- Rose... – choramingou Alice, preocupada. Lágrimas se acumulando em seus olhos ameaçando vir à tona.
Igualmente preocupada, Irina chegou mais perto, ajudando Alice a segurá-la. – Rose o que está acontecendo?
- Me ajuda... – choramingou Rosalie, com os olhos fechados, sua voz totalmente afetada pela dor e pelo medo.
- Tanya! – gritou Irina. – Precisamos levá-la ao hospital agora.
- Eu não posso perder o meu bebê... – suplicou Rosalie, cerando os lábios em uma linha reta.
Olhando de Rosalie para Irina, Tanya empurrou Heidi esbravejando com fúria.
- Some daqui.
Nervosa com o que acabara de acontecer, Heidi passou ambas as mãos nos cabelos, resmungando em resposta.
- Você me paga Rosalie Hale... – abriu a porta de seu veículo com mãos trêmulas, deixando a ameaça no ar.
Tanya se aproximou da amiga, tocando cuidadosamente seu ventre, notando que o bebê estava totalmente de um lado, deixando a barriga de Rosalie levemente torta.
- Ele já ficou assim outras vezes? – perguntou Tanya.
- Sim, mas eu nuca senti tanta dor antes... Algo está acontecendo com o meu bebê... – o desespero atingiu a jovem Rosalie de forma devastadora. O medo de perder o seu bebezinho tão amado era maior que qualquer coisa nessa vida.
Rapidamente Tanya abriu a porta traseira do veículo, voltando para ajudar as meninas acomodar Rosalie no banco. Bateu a porta traseira com força correndo para o banco do motorista assim que Rosalie estava acomodada da melhor forma possível.
- Ele não pode nascer agora... – murmurou Rosalie em meio às lágrimas de desespero. – Ainda não é o momento...
- Ele não vai – Irina a tranquilizou, segurando sua mão.
- Eu quero a minha mãe... – sussurrou, tropeçando nas palavras. – Por favor, liguem para Emmett e para Esme. Estou com medo... – fechou os olhos com força sentindo uma forte dor momentânea.
- Ele vai ficar bem, Rose. A bolsa não estourou – disse Irina, segurando a mão de Rosalie, no momento, era difícil dizer qual delas estava tremendo mais.
- Que bolsa? – perguntou Alice, buscando freneticamente o numero de sua mãe nos contatos de seu celular.
- A bolsa amniótica, Alice – Tanya foi quem respondera.
No segundo em que Tanya lhe respondera, Esme atendeu a ligação.
- Mamãe... – choramingou Alice ao telefone. – A Rose não está nada bem, mas a Irina disse que a tal da bolsa não estourou não.
Do outro lado da linha, Esme sentiu toda sua preocupação de mãe fazer estardalhaços em seu coração.
- Como assim Alice? Explica isso direito para a mamãe, filha – pediu Esme, tentando manter a calma entre ambas as partes. – Onde está a Rose agora?
- Estamos a caminho do hospital. Ela está chorando. Tem alguma coisa errada com o bebê...
- Amor pede para sua irmã manter à calma que eu já estou indo. Me fala para qual hospital vocês estão indo?
Alice olhou para Tanya, mantendo o celular próximo ao ouvido. – Qual hospital, a mamãe está perguntando – virou-se no banco olhando para ver como Rosalie estava. Ela continuava chorando e reclamando da dor no pé da barriga. Irina ainda segurava sua mão, lhe transmitindo confiança.
- O meu bebê não pode nascer ainda... – murmurava Rosalie em meio ao choro e a angustia que o medo lhe causava.
- Para que hospital, Tanya? – insistiu Alice.
- Eu sei lá – respondeu sem desviar a atenção do transito. – Para o primeiro que eu encontrar, desde que tenha médicos que possam atendê-la.
- Mamãe aviso qual, assim que estivermos lá...
- Por favor, filha, faça isso o mais rápido possível.
- Daqui a pouco ligo de volta mamãe.
Alice finalizou a ligação, tornando a virar o corpo no banco, para poder ver melhor como Rosalie estava.
- Fica calma Rose – pediu Alice. – Vai dar tudo certo. A mamãe logo estará a caminho. Ela vai saber como agir, ela vai cuidar de você... – estendeu a mão para tocar a de Rosalie.
- Ela vai mesmo? – perguntou chorosa. – Eu gosto muito de vocês meninas, mas eu quero a Esme comigo... – uma pontada no pé da barriga a fez calar.
Um pouco mais à frente, Tanya fez uma curva brusca seguindo em direção ao hospital mais próximo. Sem se preocupar com forma que estacionara o veículo, ela parou em frente ao Ochsner Hospital.
Alice e Tanya saíram do veículo ao mesmo tempo. Em questão de segundos Irina também já estava fora do carro. Tanya e Irina tentavam ajudar Rosalie enquanto Alice saiu em disparada em direção à entrada de emergência do hospital. Não demorou míseros segundos para que ela voltasse acompanhada de uma enfermeira trazendo uma cadeira de rodas.
Tanya e Irina que haviam ajudado Rosalie a sair do carro, conduziram-na até a cadeira de rodas, onde ela sentou muito devagar devido à dor intensa que estava sentindo no pé da barriga. Com ela acomodada na cadeira, à enfermeira a conduziu pela rampa chegando ao salão de emergência onde gritou por alguém que acabara de entrar em uma porta à direita, em pouco tempo um médico obstetra surgiu apressado.
- Ela disse que está na trigésima primeira semana de gestação, mas que está com dores no pé da barriga... – explicou a enfermeira que a conduziu até ali.
Rapidamente o médico levou suas mãos aos punhos da cadeira de rodas levando-a para a sala de exames, com a enfermeira barrando a entrada das amigas rapidamente.
- Tanya vem comigo – choramingou Rosalie, angustiada. Tanya até que tentou, mas a enfermeira não permitiu.
- Desculpa Rose... Eu vou estar aqui com as meninas, não se preocupe assim que nos permitirem estaremos com você.
No meio trajeto do corredor hospitalar o médico virou a direita, mas as amigas ainda puderam ouvir Rosalie fazer um pedido desesperado.
- Alice chama a mamãe e o Emmett...
Alice estava tão nervosa que nem se deu conta de que Rosalie se referiu a Esme como sendo sua mãe. Rapidamente ela sacou o celular da bolsa buscando o contato de Esme novamente. Irina fez o mesmo, ligando para sua tia Carmen, que logo estaria pensando o pior, pela demora em voltarem para casa.
Uma nova enfermeira se aproximou indicado onde ficava a sala de espera, e pediu que aguardasse por noticias lá. Tanya, Irina e Alice se encaminharam a passos curtos até a sala indicada, onde encontraram um jovem rapaz ao lado de uma senhora. O rapaz parecia a ponto de sair correndo, tamanha sua ansiedade. Suas mãos sempre mexendo uma na outra, e seus pés não paravam de balançar.
Cerca de trinta minutos depois Esme pareceu às pressas, empurrando as portas duplas da sala de espera. Poucos minutos depois Carmen entrou pela mesma porta, tão apressada quanto.
Enquanto esperavam por noticias do estado de saúde de Rosalie e do bebê, as garotas se encarregaram de contar tudo que havia acontecido desde que saíram do salão. Sem deixar de lado um único fato que fosse. Especialmente ao que se referia a Heidi Volturi.
Alice quis ligar para Emmett, mas Esme pediu que esperasse até que o médico voltasse com noticias. Não adiantaria em nada fazê-lo sair às pressas do emprego, correndo risco de sofrer um acidente de moto e complicar ainda mais a situação em que se encontravam.
Esme estava de pé ao lado de onde Alice estava sentada. Seus olhos não desviavam da porta, ansiosa pelo momento em que o médico chegaria com noticias de sua filha. Mesmo que Rosalie se negasse aceitá-la como mãe, era exatamente esse o sentimento que Esme tinha por ela. E isso era incontestável.
O médico surgiu através das portas duplas entrando na sala de espera, seu semblante era calmo, não demonstrava nenhum tipo de informação ruim. As meninas o reconheceram e rapidamente ficaram de pé.
- Como a Rose e o bebê estão? – questionaram ao mesmo tempo, pareciam terem sido ensaiadas.
— Preciso falar com o adulto responsável pela paciente.
Ambas apontaram rapidamente para Esme, que já estava ao lado do médico.
- Como minha filha está doutor? Aconteceu algo com o bebê? – pediu por respostas, com seu coração angustiado, temendo que sua menina estivesse nesse momento sofrendo a perda irreparável de seu bebezinho tão desejado. Isso não podia acontecer de forma alguma, pois destruiria Rosalie por completo.
- Sua filha está bem senhora...?
- Cullen – respondeu Esme. – Esme Cullen.
- Senhora Cullen, sua filha e o bebê estão fora de perigo agora.
Todas suspiraram, aliviadas em saber que Rosalie não havia perdido o seu bebezinho tão desejado.
- Mas o que aconteceu exatamente? – pediu Carmen antes mesmo de Esme, que já estava com a pergunta na ponta da língua.
- Foi apenas um susto, as amigas se assustaram e acabaram deixando a futura mamãe ainda mais nervosa. Ela não está em trabalho de parto e o bebê está bem. Rosalie já foi transferida para um quarto. Está sedada agora, ela estava muito nervosa e isso afetou o bebê. Ela terá que passar a noite em observação e somente o responsável poderá ficar com ela. Dependendo de como passe essa noite darei alta pela manhã, mas, desde já aviso que terá que se manter em repouso até o nascimento do bebê se não quiser ter problemas maiores.
- Posso ver minha filha agora?
- Pode. As demais poderão vê-la amanhã durante o horário de visita, caso ela permaneça no hospital.
Esme olhou para Carmen que estava abraçada a Irina. – Carmen você pode levar Alice para casa? Carlisle e Edward vão estar lá esperando por ela. Explique para ele que está tudo bem. Que a Rose vai ficar apenas em observação, e que podem ficar em casa, tranquilos.
- Pode deixar Esme. Cuidarei de sua filha como se fosse minha, não se preocupe. Estarei disponível qualquer hora, não hesite em me ligar.
Esme olhou para Tanya e Irina. – Obrigada meninas. E você filha vá para casa com elas. Amanhã você ver sua irmã.
- Não vai ligar para Emmett, mamãe?
- Ligarei assim que ele sair do trabalho. Rose e o bebê estão bem, não tem porque assustá-lo fazendo-o sair do emprego as pressas. Agora seja boazinha e vá para casa com Carmen e as meninas.
- Está bem mamãe. Quando a Rose acordar diz pra ela que a amo muito e o meu sobrinho também.
- Eu direi filha. Agora vai com a Carmen.
Ambas se retiraram. Irina saiu abraçada a cintura da tia. Tanya com o braço sobre os ombros de Alice.
- Foi um baita susto tia. Achamos que a Rose estivesse perdendo o bebê – confessou Irina. Carmen passou a mão direita sobre a testa da sobrinha, carinhosamente.
- Eu imagino que sim, querida. Mas já passou, agora sabemos que os dois estão bem, e que Noah tem tudo para nascer no tempo certo.
Alice parou de andar, juntamente com Tanya, olhando para Carmen resmungou:
- Eu vou arrancar os cabelos daquela vagaranha quando encontrá-la novamente. Ela vai aprender na marra a nunca mais fazer isso com a minha irmã.
- Você viu o tamanho dela? – Tanya fez questão de lembrá-la.
- E daí?! A minha raiva com relação ao que ela fez a Rose hoje, é bem maior que a estatura dela. E além do mais, se for o caso, eu chamo Emmett e o Edward.
- Conta comigo se precisar, estou cheia de vontade para dar uma lição naquela vaca – resmungou Tanya. – Só não arrebentei a cara dela ali mesmo porque socorrer Rose e o bebê era prioridade. Mas escreva o que te digo: àquela tal de Heidi sei lá das quantas não perde por esperar.
[...]
Enquanto isso no interior do hospital...
O médico obstetra que atendera Rosalie acompanhou Esme até o quarto onde sua filha estava. Abriu a porta devagar permitindo que Esme entrasse, e as deixou as sós.
Esme olhou em direção a cama hospitalar e a encontrou dormindo com uma das mãos sobre a barriga, como se quisesse ter certeza de que seu bebezinho ainda estava ali no calor de seu útero. O braço que recebia o soro repousava sobre o colchão, gotas de soro pingavam lentamente dando o aspecto doentio.
Esme se aproximou, tocando com carinho a mão que repousava sobre o colchão.
- Minha garotinha... – sussurrou. – Mesmo que você se negue a me aceitar como mãe, para mim será sempre minha filha. Minha garotinha de cabelos dourados... Até parece que é mesmo filha de Carlisle – esboçou um sorriso fraco, fazendo a comparação entre a cor de cabelos de ambos. – Você sempre será minha filha Rose, não importa o que aconteça. Porque de alguma forma o destino se encarregou de trazê-la para mim. Sempre tão determinada, mas no fundo, é só uma garotinha assustada procurando por amor. Às vezes em que age de forma grosseira, está somente ativando um mecanismo de defesa para se proteger. Eu sei que amava muito sua mãe biológica, meu bem. Mas me dá uma chance para te mostrar que posso ser uma boa mãe para você – Esme direcionou seu olhar a mão de Rosalie que estava sobre o ventre avantajado. – Sei que ama loucamente esse bebezinho, e graças a Deus ele está bem. Não me perdoaria se algo grave tivesse acontecido. Eu não deveria permitir que ficasse longe de mim... – afagou a barriga de Rosalie por sobre o cobertor. – Aguenta mais um pouquinho bebê. Embora a vovó esteja ansiosa para conhecê-lo e carregá-lo no colo, ainda não é o momento.
Rosalie se mexeu, murmurando coisas sem sentindo. Mas logo murmurou chamando por Emmett.
- Emmett...
- Logo ele estará aqui, meu bem – sussurrou Esme, mesmo sabendo que provavelmente ela estava sonhando. Esme lhe deu um beijo na testa, logo depois sentou na poltrona ao lado da cama, onde permaneceu velando o sono de sua filha. A filha que seu coração escolhera desde que a viu pela primeira vez, assim como a Emmett.
Esme colocou o celular para avisar assim que desse o horário de Emmett voltar para casa. Fazendo carinho na mão de Rosalie que repousava sobre a barriga, ela começou a murmurar uma canção de ninar.
Algum tempo depois o médico apareceu para ver como Rosalie estava. Examinou-a brevemente logo depois fez algumas anotações no prontuário e se retirou. Horas mais tarde foi à vez da enfermeira, ela conferiu o soro, falou brevemente com Esme e se retirou.
Por volta das quatro e meia da manhã, o celular de Esme avisou do horário de ligar para Emmett. Certamente ele surtaria ao ficar sabendo o que tinha acontecido, e sem duvida, por ser o último a ser informado. Entretanto, Esme tinha certeza de que agiu da melhor forma possível. Não quis causar alarde e arrancá-lo do emprego as pressas, uma vez que a situação estava controlada. Tudo havia se resolvido bem para Rosalie e o bebê.
Notas finais
Quem será o noivo da Heidi O.o?
Espero vê-las (os) nos reviews :)
Beijo, beijo
Sill
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