Amor Amigo

2 Capítulo 2 - Melhor Amigo


Notas iniciais
Oi meninas!!
Vamos descobrir um pouco mais sobre essa história?!
Espero que gostem :)

Na manhã seguinte, Rosalie acordou cedo, assim como todas as outras crianças. Tomaram café da manhã no refeitório, todos juntos. Depois disso foi sozinha ao parquinho no jardim, lá algumas crianças brincavam, parecendo indiferente a tudo em sua volta.

Diferente da garotinha de cabelos dourados, muitas delas pareciam felizes, talvez, essas jamais tenham conhecido outro lar além desse.

A pequena atravessou o gramado chutando uma pedrinha que encontrou pelo caminho.

Vendo que um dos balanços ficara vazio, Rosalie adiantou o passo e, antes que outra criança se adiantasse, decidiu correr um pouquinho, suas perninhas curtas e roliças lhe deixavam tão graciosa.

De costas para o balanço, segurou ambas as correntes se esforçando para subir. Depois de várias tentativas frustradas enfim a pequena conseguira sentar no balanço. Frustrou-se ao notar que seus pezinhos não alcançaram o chão, para que pudesse dar o impulso necessário.

Mesmo sem conseguir se balançar continuou sentadinha observando uma garotinha, um pouco maior que ela, se balançar bem alto no balanço ao lado. Porém a garotinha olhara para Rosalie como se dissesse. “Eu consigo balançar e você não”.

A pequena, de cabelos dourados, não gostou nada da maneira como a garota ao lado lhe olhara. Mostrando que não havia apreciado a cena, Rosalie fez cara de brava virando para o outro lado. Sem que se desse conta estava chorando, mesmo lutando contra a magoa se tornara impossível contê-la.

Seu coraçãozinho machucado pelos acontecimentos recentes desejava com toda força voltar para casa e encontrar seus pais a sua espera, prontos a lhe cobrir de beijos chamando-a de princesinha.

- Rum! – resmungou a garotinha do balanço ao lado. Não deveria ter mais que seis anos de idade. Saiu do balanço em um pulo preciso como se fizesse isso sempre.

Rosalie lhe mostrou a língua, mas a garota não chegara a ver. Não demorou muito o mesmo garotinho que a seguiu ontem quando chegara se aproximou do balanço ao lado. Sentou e permaneceu olhando para Rosalie sem ao menos piscar.

Rosalie olhou para ele, nesse momento os olhares se encontraram como um imã sendo puxado um para o outro. Rapidamente a pequena Rosalie virou a cabeça para o outro lado, seus cabelos que fora cortado no dia anterior, seguiram o movimento.

Devagar Rosalie virou a cabeça para olhá-lo novamente, porém, o garotinho permanecia do mesmo jeito, então rapidamente virou a cabeça outra vez, fugindo do olhar dele.

- Oi! – o garotinho tentou uma aproximação, porém, com palavras dessa vez.

Sem olhá-lo Rosalie respondeu tímida.

- Oi...

O garotinho sorriu consigo mesmo ao notar que tinha dado certo dessa vez.

- Não fique triste... Seus cabelos continuam lindos assim – confidenciou olhando para o chão.

Nesse momento a pequena Rosalie sentiu um pouquinho de felicidade momentânea. Então, pela primeira vez, ela o olhou sem virar o rosto.

O garotinho sorriu revelando covinhas encantadoras em ambas as bochechas. Rosalie lhe sorriu com os olhinhos brilhando.

- Você tem furinhos aqui! – Rosalie colocou as mãozinhas nas próprias bochechas indicando o suposto local.

O garotinho gargalhou.

- Não são furinhos, são covinhas – respondeu sem deixar de sorrir.

- É bonitinho! – Rosalie elogiou.

- Você é bonita – o garotinho deixou escapar, logo depois colocou a mão na boca como se tivesse feito algo errado.

A pequena Rosalie esbugalhou os olhos, surpresa com o que ele disse.

- Parece àqueles anjos que eu vi nos livros infantis que a professora mostrou na aula outro dia – concluiu com um sorriso sapeca. – Quer ser minha amiga? – perguntou após alguns minutos de silêncio.

- Quero! – Rosalie respondeu olhando para ele. Em seu rostinho de anjo um sorriso tentava se fazer notável. – Qual seu nome? – perguntou balançando os pezinhos que não chegavam alcançar o chão.

- O meu nome é Emmett! – respondeu sorrindo.

Rosalie se remexeu no balanço. – Eu gostei do seu nome.

- E o seu, qual é? – Emmett perguntou.

- Rosalie, mas eu gosto mesmo é que me chamem de Rose.

- Legal, ele combina com você – disse balançando um pouco o balanço onde estava.

- Por quê? – Rosalie questionou fazendo cara sapeca.

- Ah, porque lembra rosas... – disse meio tímido.

Ambos ficaram em silêncio olhando pra frente, onde algumas crianças passaram correndo brincando de pega-pega.

Emmett desceu do balanço em que estava e foi para trás do balanço que Rosalie estava. Rosalie o seguiu com o olhar. No momento em que Emmett puxou o balanço para trás, Rosalie comemorou.

- Que legal! Balança com bastante força Emmett.

O garotinho balançou forte, assim como a garota de cabelos dourados pedira.

Rosalie inclinou a cabeça para trás enquanto o balanço fazia o movimento. Seus cabelos dourados cortados na altura dos ombros balançavam com o vento.

- Iupiii! – exclamou feliz pela primeira vez desde que chegara ao instituto.

Emmett continuava balançando-a sem tirar o sorriso de covinhas de seu rosto.

Um pouco afastado dali, a garotinha que estivera antes no balanço, esnobando Rosalie, observava os dois enquanto eles riam. De braços cruzados e cara fechada ela batia o pé no chão.

Quando o balanço parou, Rosalie sorrindo disse.

- Foi legal Emm... Você é legal!

- Você também é legal – disse de pé ao lado do balanço em que Rosalie estava.

- Você tem irmãos? – Rosalie perguntou colocando sua mãozinha direita em uma das bochechas de Emmett, bem em cima da covinha, completando com. – Eu gostei delas são tão fofinhas – apertou a bochecha de Emmett deixando vermelhinha.

Respondendo a pergunta que Rosalie tinha feito, Emmett disse.

- Não tenho ninguém...

- Eu também não tenho ninguém... – respondeu fazendo beicinho, inconscientemente. – Além de ser meu amigo, você gostaria de ser meu irmão?

- Sério? – Emmett perguntou surpreso e orgulhoso.

- Aham, mas você tem que prometer que sempre vai me proteger.

Sem ao menos pensar Emmett respondeu erguendo a mãozinha.

- Prometo de coração aberto que sempre irei te proteger... De qualquer coisa.

- Tá legal! – Rosalie respondeu pulando do balanço, indo abraçar Emmett.

Emmett era apenas um ano mais velho que Rosalie, mas já era possível notar uma razoável diferença entre a altura dos dois.

Após o abraço, onde selava a cumplicidade dos dois, Emmett sugeriu mais uma brincadeira.

- Rose você quer brincar de pega-pega?

- Aham! – Rosalie respondeu.

- Está com você! – Emmett gritou depois de tocar o ombro de Rosalie.

A garotinha que observava com cara de brava, mexeu as mãos como se ameaçasse bater em Rosalie.

Emmett saiu correndo com Rosalie em seu encalço. Agora já não estavam no gramado, estavam no piso de cimento grosso. As bochechas de Rosalie começavam a ficar coradas pelo esforço da corrida.

Passando pela garota irritada, Emmett a convidou.

- Quer brincar Heidi?!

A garotinha de cabelos cor de mogno brilhante, respondeu entre dentes.

- Depois...

Emmett deu de ombros e continuou correndo para lá e para cá, com Rosalie tentando pegá-lo, sem sucesso.

Heidi saiu e não demorou muito a retornar. Com um sorriso malvado ela atirou no chão algumas bolinhas de gude. O primeiro a cair fora Emmett, logo depois foi à vez de Rosalie. Como o uniforme de Emmett era calça ele machucou apenas as mãozinhas ao cair. Rosalie, no entanto, machucou ambos os joelhos, uma vez que, seu uniforme era um vestido, muito sem graça por sinal.

Antes mesmo que Emmett ficasse de pé, ouviu o choro contido de Rosalie. Queria chorar a plenos pulmões, mas estava envergonhada, isso a fez chorar baixinho. Pequenos filetes de sangue escorriam por seus joelhos brancos.

Sentadinha no chão, ela olhava o ferimento com as mãozinhas agitadas sem saber o que fazer.

Perto dali, Heidi sorria satisfeita.

Com as mãozinhas machucadas Emmett sentou ao lado de Rosalie no chão de piso grosseiro.

- Eu sei que está doendo, Rose, mas, por favor, não chore. Olha, está vendo? – ergueu as palmas das mãozinhas para que Rosalie pudesse ver.

Com lágrimas no rosto, Rosalie maneou a cabeça positivamente.

- Você também tem um dodói... – Rosalie sussurrou entre o choro.

Emmett colocou uma de suas mãozinhas sobre o machucado no joelho de Rosalie e disse.

- Agora nós somos irmãos de sangue. Para sempre!

Rosalie soluçou e o abraçou afetivamente.

- Que ridículo! – Heidi resmungou irritada.

- Não chore Rose! Eu vou com você na enfermaria. Vem! – mesmo com as mãozinhas machucadas ele ajudou Rosalie a ficar de pé.

- Isso arde... – Rosalie queixou-se, com uma lágrima ao alcance de seus lábios rosados.

- A moça lá, vai fazer o seu dodói parar de arder – Emmett a tranquilizou.

Como suas mãozinhas também ardiam, por conta do machucado, ele enlaçou seu braço ao de Rosalie como se fossem um casal de noivos indo para o altar.

Devagar ambos seguiram até a enfermaria. No caminho Emmett passou o dorso de sua mãozinha roliça na bochecha de Rosalie, secando uma lágrima.

- Tia, Tia... – Emmett entrou na enfermaria, ansioso, chamando pela enfermeira.

- Calma mocinho! Se machucaram, hein?! Não deveriam correr tanto. Sabem que a senhora Ornella não gosta que façam isso. Venham, deixe-me ver esses machucados – disse olhando para as mãozinhas de Emmett. – E você mocinha, olha só como estão esses joelhinhos – estalou a língua insatisfeita indo buscar o quite primeiro socorros.

Apenas alguns minutos ela retornou com a caixinha de primeiros socorros.

- Sentem-se os dois! – apontou para dois banquinhos coloridos a sua frente.

- Primeiro o dodói dela – Emmett sugeriu.

- Que cavalheiro – disse a moça da enfermaria, cujo nome é Adele.

- Vai doer? – Rosalie perguntou chorosa.

- Fica tranquila, não vai doer nenhum pouquinho.

- Tá! – Rosalie respondeu.

Enquanto Adele fazia a assepsia no ferimento, Rosalie afastou alguns fios de cabelos que estavam grudados em suas bochechas coradas.

- Prontinho, seu dodói logo, logo ficará bom – disse para Rosalie, já virando para pegar as mãozinhas de Emmett para fazer assepsia no machucado.

- Seu dodói não está doendo, Emm? – Rosalie perguntou

- Não, eu sou forte – disse orgulhoso.

Ambos sorriram.

- Emm, deixa eu ver o seu dodói?! – Rosalie pediu se inclinando para mais perto do banquinho que Emmett estava.

Emmett estendeu as mãozinhas, agora limpas. Rosalie encostou os lábios levemente em um beijinho em ambas as mãozinhas dele.

Emmett sorriu. – Porque você fez isso?! – perguntou curioso.

- Mamãe falou pra mim que um beijinho faz o dodói sarar mais rápido.

Emmett lhe sorriu antes de abraçá-la carinhosamente.

- Agora vão e não deixem que a senhora Ornella os vejam assim – Adele os avisou, sorrindo.

- Está bem, teremos cuidado – responderam juntos como se tivessem decorado a fala.

Ambos saíram da enfermaria do mesmo modo que chegaram, com os bracinhos enlaçados.

- Emm...

- Sim, anjinha?!

Rosalie gargalhou com o modo como ele a chamou.

- É verdade que agora somos irmãos de sangue?

- Claro que sim! Você não viu que o meu sanguinho se juntou ao seu quando unimos o nosso machucado?!

Inocentemente Emmett acreditava que seu gesto os fazia irmãos, como um pacto.

- Você será para todo o sempre, meu irmão amigo?

- Eu prometi loirinha... E eu nunca quebro uma promessa.

Rosalie lhe sorriu satisfeita com a resposta.

Ambos voltaram para o pátio, com os ferimentos doendo bem menos que antes. Perto do parquinho ambos sentaram no chão, recostados em uma parede. Lá ficaram conversando.

- Emmett seu papai e sua mamãe também estão no céu?

Emmett pareceu ficar triste. Rosalie colocou seu bracinho no ombro dele confortando-o.

- Meu papai era malvado...

Rosalie abriu a boca em um “Oh”

- Ele matou minha mamãe. Ele ia matar a mim, mas mamãe não deixou, então, ele matou ela. Depois a policia atirou nele para me salvar – disse com os olhinhos cheios de lágrimas. – Ele estava muito assustador naquela noite – confessou. – Eu chorei muito anjinha, vendo a minha mamãe morrer pra me salvar de um papai malvado. Já tem quatro meses que eu cheguei aqui – disse contando nos dedinhos, parecendo pensar.

Rosalie que já tinha um bracinho no ombro de Emmett, estendeu o outro na frente de dele e o abraçou.

- Agora nos vamos ficar juntos para sempre, não vamos, Emmett?

Retribuindo o abraço, ele respondeu.

- Para sempre!

Emmett sorriu para Rosalie, revelando suas covinhas encantadoras. Rosalie sentia-se bem ao lado dele, ao lado do seu melhor amigo.

Um carinho peculiar se estabeleceu entre os dois desde o primeiro momento, e o gesto de Emmett em unir sua mãozinha machucada ao joelho de Rosalie, igualmente machucado, serviu apenas para envolvê-los inocentemente ainda mais em um laço de carinho e segurança sem igual.

Notas finais
Obrigada a quem comentou no capítulo anterior :) me fizeram muito feliz!
Meninas eu amo incondicionalmente esse capítulo. O carinho e a amizade inocente é tão graciosa.
Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu *olhinhos brilhando*
Vejo vocês nos reviews!
*Lembrando que eles são crianças e agiram de forma inocente.
Beijo, beijo
Sill