Amor Amigo
14 Capítulo 14 - Sonhos Baseados Em Memórias
Notas iniciais
Me perdoem pela demora, mas é que com as festas de fim de ano ficou impossível, meu tempo na internet ficou basicamente resumido. Mas agora tudo volta ao normal o/
Que bom está aqui com vocês novamente o/
As novas leitoras, sejam bem vindas :)
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Esse capítulo é dedicado à linda da Kris Reis que recomendou a fic, fazendo assim a minha alegria o/ *comemorando* Obrigada mesmoooooooo pela dedicação e carinho.
Naquele início de noite o casal não fizera amor embaixo do chuveiro. Embora Emmett estivesse envolvido por completo e disposto a fazê-la sua mais uma vez, Rosalie recuou de maneira desolada. Emmett temeu que estivesse machucando-a, então, mesmo um pouco frustrado ele respeitou o espaço da mulher que ama, sem questionar. Apenas se afastou, colocando ambas as mãos sobre o azulejo da parede enquanto a água morna caía sobre sua cabeça.
Rosalie saiu do box mantendo a cabeça baixa, se envolveu em uma toalha felpuda de cor azul e foi direto para o único quarto daquele minúsculo apartamento – quitinete –, assim que Rosalie saiu Emmett a chamou, preocupado, temendo tê-la magoado.
- Rose...
- Está tudo bem... – ela respondera antes de entrar no quarto, sem olhar para trás.
Uma vez no quarto, Rosalie se enxugou e vestiu seu pijama preferido, um pijama de algodão com tema da Penélope charmosa que ganhara de Alice algum tempo atrás.
Rosalie estava procurando pelo secador de cabelos quando Emmett entrou no cômodo, usando apenas uma tolha em volta da cintura. A jovem desviou o olhar sentindo-se envergonhada. Emmett se aproximou um tanto receoso.
- Me desculpa amor... – sussurrou, fazendo um afago nos cabelos molhados de Rosalie. – Eu te machuquei? Pode falar Rose – seu timbre de voz se mostrava temeroso.
Ao falar, Rosalie espalmou sua mão direita sobre o peito forte de Emmett que ainda continha gotículas de água.
- Não foi isso, Emm. É só que... Não consigo... Não aqui... Talvez por tudo o que vivemos nesse lugar, sendo apenas amigos, e pelo o que aconteceu naquela noite... Me desculpa amor, eu sei que você estava muito afim... – involuntariamente seus olhos se dirigiram a toalha em volta da cintura de Emmett. – Acabei estragando o momento – confessou desviando o olhar.
Emmett a abraçou trazendo-a para mais perto de seu corpo, com um carinho sem igual.
- Está tudo bem – beijou o topo da cabeça de Rosalie. – Só voltaremos a fazer amor quando você se sentir confortável quanto a isso. Não quero te forçar a nada. Sabe que sempre será do jeito que você preferir, seja em qual ocasião for. Agora olha pra mim, anjo? – pediu.
Rosalie o olhou e em seus olhos transbordavam confiança.
- Vamos nos mudar amanhã, não vamos? – ela perguntou como se fosse uma criança desejosa de ir a um passeio.
Emmett lhe fez um carinho no rosto antes de responder.
- Farei o que for melhor para sua segurança e seu bem estar. Jamais duvide disso.
Rosalie o abraçou, colando sua bochecha ao peito nu. Enquanto a mantinha em seus braços, ele pensara “Alice espero que você e seus cúmplices consigam fazer o que pretendem, o quanto antes, pois vai se tornar impossível mantê-la aqui por mais tempo”. – Acho que nossa pizza já esfriou – disse ele, com um sorriso travesso. Sacudiu a cabeça espantando os pensamentos. – Vou me vestir rapidinho e então vamos comer – deu um beijinho na testa de Rosalie, antes de se afastar para pegar uma roupa limpa no guarda-roupa que ambos dividiam.
Com um sorriso e um brilho inigualável no olhar, ela disse.
- Emm em breve estaremos guardando nossas roupas dentro daquele closet enorme. Não é maravilhoso, amor? – ela falava, estando sentada na cama observando-o se vestir.
- É sim, meu amor – ele respondeu, revelando um sorriso de covinhas perfeitas e encantadoras.
- Sabe Emm, na época em que eu tinha uma família...
Emmett a interrompeu.
- Mas você tem uma família, Rose. Por favor, anjo, não diga isso. Esme, Carlisle, Alice, Edward, Isabella e todos os nossos amigos que estão sempre nos apoiando, são nossa família. A família que o coração escolheu. E por último e não menos importante, você tem a mim. Somos uma família diferente, mas não deixamos de ser uma família. Porque família quer dizer nunca abandonar, e nenhum de nós jamais fará isso com você. E acredite anjo, seus pais nunca te abandonaram. Sabe por quê?! – Emmett se aproximou da cama, ficando de frente a Rosalie, que tinha um brilho único no olhar. Devagar ele encostou sua mão direita sobre o lado esquerdo do peito dela. – Eles estarão sempre aqui.
Emocionada, Rosalie se inclinou e o abraçou.
- Você é o melhor presente que a vida poderia ter me dado, Emmett McCarty. É. O cara lá em cima levou os meus pais, mas ele enviou você para cuidar de mim e me proteger. E o mais importante de todos os sentimentos, me dá amor. Porque sem amor ninguém consegue ser feliz. Acho que não posso sentir raiva dele, não é?!
Emmett a segurou pelos ombros, amavelmente.
- Não, Rose. Você não pode jamais sentir raiva de Deus. Olhe todos os amigos que ele nos deu. Tudo isso é uma prova de que ele jamais te abandonou.
Rosalie lhe sorriu.
- É você está certo. Mesmo com todas as coisas ruins que a vida tem nos feito passar, eles são a melhor parte disso – Rosalie constatou.
- Nem tudo está perdido, amor. Mas agora precisamos ir comer – disse Emmett lhe sorrindo ao estender a mão em um convite. Rosalie aceitou sem objeção.
- Sabe Emm, estou até gostando de ter uns dias de folga do trabalho – sorriu –, é bom ficar com você – confessou enquanto iam para a cozinha.
Emmett apertou sua mão, sugestivamente.
- Não acostuma não, amor. Semana que vem eu volto a trabalhar, isso quer dizer que só temos dois dias livre. E você ainda tem o colégio, Rose. Eu quero que você vá para a faculdade. Mesmo que para isso eu tenha que trabalhar feito louco.
Ambos sentaram à mesa. Rosalie abriu a caixa da pizza, e como previsto, estava fria.
— Eu sei Emmett, mas não precisa fazer isso por mim. Eu vou continuar trabalhando, isso não vai mudar. Então, por favor, você também terá que ir para a faculdade. Você prometeu para mim que só estava dando um tempo nos estudos para guardar algum dinheiro – Rosalie o olhou, preocupada.
- Eu não esqueci amor. Agora que já compramos nosso apartamento, e está totalmente pago, temos uma preocupação a menos.
Rosalie segurou a mão de Emmett sobre a mesa e lhe sorriu genuinamente.
[...]
A vida desse jovem casal poderia ter seguido caminhos bem diferentes. Poderia ter seguido caminhos tortos se tivessem se deixado levar pelos perigos que as ruas ofereciam. Entretanto, também poderiam ter tido uma vida fácil se tivessem aceitado todas as regalias que os Cullen, e seus amigos os Denali, estavam dispostos a lhes oferecer. No entanto o jovem casal jamais aceitou nada, além do essencial para uma vida regular. Muitas das coisas que conseguiram foram frutos de seus próprios esforços.
Embora os Cullen tenham facilitado as coisas para eles. Dando o necessário, como por exemplo: a primeira moradia, alimentos, planos de saúde, o primeiro emprego e os estudos. Hoje eles aceitavam muito pouco, um deles era a moradia que em poucos dias deixariam de usufrui-la, e o plano de saúde que Emmett jamais negou, somente por Rosalie. Quanto ao colégio, Rosalie ainda estudava no mesmo que Alice.
[...]
Enquanto comia, Emmett tocou a pontinha do nariz de Rosalie de forma divertida.
- Você tem ideia do quanto é importante para mim, garota?!
Rosalie lhe sorriu após engolir seu primeiro pedaço de pizza, depois se inclinou sobre a mesa, encontrando os lábios dele no caminho. Seu celular tocou dentro da bolsa que estava sobre o balcão que dividia a sala da cozinha.
- Emm pega pra mim, por favor – pediu, mordiscando mais um pedaço de pizza.
Sem se incomodar com o pedido ele ficou de pé. Pegando a bolsa de Rosalie sobre o balcão, cavou até encontrar o celular, o qual passou as mãos da dona.
- Obrigada, amor – agradeceu recebendo o aparelho das mãos de Emmett. Olhou no visor se certificando de quem era a ligação. Sorriu antes de atender. – Oi Carmen.
- Oi princesa – disse Carmen do outro lado da linha. – Como está se sentindo hoje? Esme me falou que você estava um tanto tristinha, fiquei preocupada.
Com uma sensação prazerosa, por saber que tinha pessoas que se preocupava com ela, Rosalie respondera.
- Agora me sinto bem melhor. Hoje eu saí um pouco. Você lembra que Emmett e eu estávamos querendo comprar um apartamento? Então, fizemos isso hoje – um sorriso vindo inteiramente da alma iluminou seu lindo rosto.
- Isso é ótimo, querida. Vai ter que me estender um convite, hein – sorriu –, Mas o que você acha de vir me fazer uma visitinha. Passar o dia aqui conosco amanhã?! Estamos todos com saudades. Você quase não vem mais nos visitar.
Rosalie fez cara de pensativa, embora Carmen não pudesse vê-la.
- Ah eu não sei... É que estava pensando em arrumar algumas coisas que possa ser de importância no novo apartamento. Na verdade, nem são tantas assim, são mais coisas pessoais mesmo.
- Assim irei pensar que não gosta de vir a minha casa – Carmen usou uma pequena chantagem, afinal, era cúmplice de Esme e Alice, que há essa hora deveriam estar no apartamento com a equipe de decoração, tirando medidas. Carmen precisava ajudar Emmett a manter Rosalie longe do apartamento amanhã, durante todo o dia, para que a surpresa ficasse pronta, mais do que rapidamente.
Emmett estava atento ao que Rosalie falava, no entanto, sem parar de comer. Além do fato de estar com muita fome ele também precisava disfarçar. Rosalie era bastante esperta. Certamente perceberia algo, caso ele desse bandeira.
- Claro que não Carmen. Adoro ir à casa das duas, por favor, não pense assim. Amanhã Emmett e eu estaremos aí, mas com uma condição. Você terá que preparar minha sobremesa favorita, mousse de limão – Rosalie brincou.
- Pode deixar, terá uma taça enorme de mousse de limão esperando por você, princesa. Dorme bem. Estarei esperando por vocês amanhã, beijo.
- Beijo, tchau – Rosalie respondeu ao finalizar a ligação.
- Então amanhã teremos um compromisso? – Emmett perguntou, divertido.
- Sim e vai ter minha sobremesa favorita...
- Hummm... Deixe-me adivinhar – disse Emmett. – Mousse de limão?! – brincou, como se já não soubesse.
Rosalie bateu palmas como se fosse uma criança feliz com a ideia de saborear sua sobremesa favorita. Geralmente ela mesma fazia, mas também gostava que fizessem para ela. Isso lhe dava a sensação de ter uma família, seja com os Cullen ou até mesmo com os Denali.
Emmett sorriu do entusiasmo dela.
- E você gostou disso, não foi? – ele perguntou
- Aham – respondeu Rosalie, com a boca cheia de pizza.
Emmett gargalhou, tocando na pontinha do nariz de Rosalie. Essa, por sua vez, lhe deu um tapa na mão em protesto.
- Não rir de mim, seu chato – resmungou, mas também começou a rir.
E assim, em meio a risos, ambos terminaram de comer. Limparam a mesa, depois escovaram os dentes e foram para o quarto. Mais uma vez eles dividiram a mesma cama, e Rosalie dormiu com a cabeça sobre peito forte de Emmett, sentindo sua respiração regular. Era em pequenos momentos como esse que Rosalie sentia o que era a verdadeira felicidade.
A verdadeira felicidade não está escondida atrás da riqueza e do poder, mas sim do amor.
[...]
Durante a madrugada Rosalie teve pesadelos horríveis, no qual Royce King era o protagonista. Ele a violentava brutalmente de todas as formas imagináveis. Em meio a gritos histéricos ela acordara no meio da noite, e consequentemente acordara Emmett também.
Emmett a segurou pelos ombros tentando fazê-la ficar calma, mas estava difícil, pois Rosalie se debatia tentando se livrar de suas mãos.
- Amor está tudo bem, sou eu – disse Emmett, afetuosamente. – Abre os olhos, Rose. Olha para mim, por favor – pediu.
Rosalie abriu os olhos, relutante, piscou algumas vezes antes de visualizar a imagem de Emmett a sua frente.
Fungando, ela sussurrou.
- Eu quero ir embora daqui... – seus olhos estavam tão assustados, era a personificação do medo.
Carinhosamente Emmett passou ambas as mãos no rosto dela, afastando alguns fios de cabelos dourados que teimavam em lhe cair ao rosto.
- Eu sei que sim, amor. Eu prometo que essa será a última noite que te farei dormir aqui.
- Emm me abraça... – pediu em um sussurro sufocado.
Sem hesitar, Emmett a abraçou apertando-a contra seu corpo protetoramente. Deitou devagar, levando ela junto ao seu peito. Aspirou o perfume dos cabelos de Rosalie enquanto fazia carinho nas costas dela em movimentos circulares. De uma forma surpreendente e inesperada, Emmett começara a murmurar uma canção de ninar, então, Rosalie ergueu a cabeça, apoiou o queixo sobre o peito nu de Emmett mantendo contato visual.
- O que foi? – ele perguntou confuso, tocando o rosto de Rosalie levemente como se fosse da mais frágil porcelana.
- Eu te amo tanto que chega a doer, bem aqui dentro do meu peito – tocou ao lado onde o coração se localizava. – Ele pulsa tão forte por você que me desestabiliza – confessou ela.
Emmett lhe deu um beijo cálido sobre a testa.
- Essa é a forma como eu me sinto em relação a você, meu anjo. Agora fecha esses olhinhos de cílios tão lindos e tenta dormir um pouquinho. Eu estarei bem aqui, coladinho a você durante toda a noite, nada te fará mal.
- Mas e os pesadelos? Eles vão voltar Emmett – murmurou como se fosse uma criança assustada.
- Pense somente em coisas boas, Rose. Pense em todas as coisas que te fazem bem. Amanhã será um dia divertido, e eu quero vê-la sorrindo novamente.
Rosalie beijou o peito nu de Emmett antes de voltar a apoiar sua cabeça ali.
Emmett retornou a murmurar a canção de ninar – uma memória distante de sua mãe –, Rosalie riu baixinho, escondendo o rosto no peito dele.
- Shiii... – tocou a cabeça dela. – É para dormir, não para rir – disse Emmett.
- Emm... – murmurou Rosalie.
- Fala meu amor?!
De olhos fechados Rosalie começou a murmurar uma canção que também lembrava sua infância.
- Amo você, você me ama, somos uma família feliz...
- Isso mesmo, meu amor – disse Emmett apertando-a contra seu corpo. – Com um forte abraço e um beijo te direi: meu carinho é pra você. – Emmett completou.
- Nunca conseguiria viver longe de você – disse Rosalie se aconchegando aos braços fortes de Emmett.
- Nem eu sem você, minha Rose.
Alguns minutos depois Rosalie estava dormindo. Emmett demorou um pouco mais para alcançar o sono, estava preocupado, receoso de que ela voltasse a ter pesadelos.
[...]
Na manhã seguinte Emmett acordou por volta das nove, mas não saiu da cama. Ficou ali ao lado de Rosalie, apenas velando seu sono, fazendo carinho nos longos cabelos dourados.
[...]
Rosalie estava em um de seus sonhos, onde ainda era uma garotinha de cinco anos de idade e seu papai e sua mamãe a amavam incondicionalmente. A época onde o mal não a tocava.
“Acorda princesa” – a jovem mulher de longos cabelos dourados falava. Com um sorriso maternal ela fazia cocegas na barriga de sua garotinha.
A garotinha acordou sorrindo, revelando assim seus dentinhos de leite.
“Mamãe, cosquinhas não vale.”
“E o que a mamãe precisa fazer para que essa princesa de lindos cabelos dourados acorde sem manha?”
“Tem que dar beijinhos...” – a pequena Rosalie falou, fazendo beicinho.
“Oh, mas isso é ótimo. A mamãe adora cobrir de beijos essa princesinha linda” – a jovem mulher respondeu, erguendo o pijama cor de rosa que a filha usava, deixando sua barriguinha à mostra, para cobrir de beijos.
Recebendo muitos beijinhos em sua barriguinha a pequena Rosalie respondera.
“Eu te amo mamãe, bonitinha.”
A jovem mulher parou com as cocegas. Olhando diretamente nos olhos da filha, perguntou.
“Quanto você ama a mamãe, minha vida?”
A pequena Rosalie depositou ambas as mãozinhas no rosto da mãe e lhe disse com convicção.
“Muito, mamãe bonitinha. Muito, muito, muito. Tanto que meu coraçãozinho não consegue guardar tudinho aqui dentro” – tocou em seu peito do lado do coração.
A jovem mulher sorriu.
“A mamãe te ama muito. Nunca esqueça isso, minha princesa” – a jovem mulher confirmou, pegando sua garotinha no colo, levando para o banheiro para se preparar para ir à escolinha.
Alguns minutos depois a pequena Rosalie corria pelo grande quarto, decorado em tons de rosa e branco. No centro havia uma linda cama de dossel branco, idêntica a de uma princesa. Apenas de calcinha e uma tiara de princesa na cabeça, a pequena Rosalie corria pelo quarto com suas perninhas roliças.
Seu pai, Ramon Hale, apareceu na porta do quarto e lhe sorriu.
“Papai.” – a garotinha gritou feliz.
Ramon abriu os braços e sua garotinha correu ao seu encontro. Ele a pegou no ar.
“Eu sou uma princesa que nem as da Disney.”
Seu pai sorriu e lhe deu um beijo estalado na bochecha.
“A mais linda de todas, meu amor.” – disse Ramon. Os olhos de sua garotinha brilharam feito joias preciosa. “Mas uma linda princesa não pode andar por aí sem seus vestidos. O que todo o reino irá pensar de nós?” – brincou.
A pequena Rosalie gargalhou nos braços do pai.
“A mamãe falou que não posso ir à escolinha usando um vestido de princesa” – cruzou os bracinhos fazendo cara de brava.
A jovem mulher de cabelos dourados saiu do closet, segurando o uniforme de um colégio tradicional, frequentado somente por crianças de classe alta.
“Vem filha, vem pôr o uniforme.”
O pai colocou sua garotinha de pé na cama, e a jovem mulher começou a vesti-la.
“Mamãe, eu posso ir com a minha tiara de princesa?” – piscou seus longos cílios, propositalmente.
“Claro que pode filha”
“Eu te amo, mamãe” – disse a pequena Rosalie, seguido de um beijo estalado na bochecha da mãe.
[...]
E fora com esse beijo que Rosalie se despediu de seu sonho contra sua vontade. Ela despertou abrindo os olhos lentamente, visualizando a imagem de Emmett lhe sorrindo amavelmente.
Na verdade, o sonho de Rosalie era nada mais que uma memória preservada pelo seu subconsciente da infância ao lado dos pais que a amava sem medidas.
- Bom dia, amor – disse Emmett. – Dormiu bem?
Rosalie lhe sorriu genuinamente. Era incrível como Emmett amava vê-la sorrir dessa maneira.
- Bom dia Emm. Você tinha razão, sobre pensar em coisas boas. Eu não tive mais pesadelos, pelo contrario, eu sonhei com a mamãe e o papai. Foi tão lindo Emm. Eles pareciam tão reais. Mamãe estava tão linda... E papai, nossa, tão meu porto seguro. São minhas memórias sempre em forma de sonhos para não me deixar esquecê-los.
- Eu te disse. Eles estarão sempre com você. Em suas memórias e em seu coração. Assim como a minha mãe está sempre em meu coração – Emmett nunca mencionava seu pai, pois ele fora o ser repugnante que destruíra sua família. Um ser assim não merecia ser lembrado.
- Você tem toda razão, mas ainda assim os queria aqui ao meu lado para poder abraçar, sentir o perfume e chamá-los de mamãe e papai apenas mais uma vez. Soa tão reconfortante a palavra mamãe. Acho que essa palavra carrega consigo o sinônimo do maior amor do mundo. Eu sei que você também sente falta de sua mamãe Emmett, mas não gosta de falar sobre isso.
- Sim, eu sinto meu amor. Mas a minha prioridade agora é fazê-la feliz. Não posso me perder no passado e esquecer de fazer você feliz, Rose.
- Eu te amo Emmett, muito, muito, muito.
- Eu te amo muito mais – Emmett retrucou lhe dando um selinho. – Agora vamos levantar dessa cama e empacotar nossas coisas, e depois iremos à casa de Carmen e Eleazar. Você prometeu que iria, lembra?!
- Lembro sim – respondeu, sentando-se na cama.
Ambos levantaram, e juntos foram ao pequeno banheiro fazer a higiene matinal. Rosalie fazia careta diante o espelho enquanto escovava os dentes. Emmett a olhou e tentou imitá-la, o que ocasionou risos de ambos.
Rosalie concluiu essa parte de sua higiene lavando o rosto e secando em uma pequena toalha de lavabo.
- Eu vou passar um café – disse ela, antes de se retirar do banheiro, deixando Emmett passando creme de barbear no rosto.
Rosalie passou pela sala evitando ao máximo olhar em direção ao sofá, o qual lhe trazia memorias nada agradáveis. Já na cozinha ela ligou a cafeteira, e colocou algumas fatias de pão na torradeira.
Poucos minutos depois Emmett chegara à cozinha, levando consigo o perfume da loção pós-barba. Aproximou-se de Rosalie lhe dando um selinho.
- Fico feliz que esteja se sentindo melhor hoje – disse ele, puxando a cadeira para sentar.
- Sonhar com a mamãe e o papai sempre me deixa aliviada de qualquer problema. Não sei... É como se através dos sonhos eles absorvessem metade de meus temores e angustias – puxou a cadeira, ficando de frente para Emmett, dando início ao café da manhã.
[...]
Alguns minutos depois ambos empacotaram alguns objetos de uso pessoal, e todas as roupas, devidamente guardadas em malas, para a eventual mudança com destino ao novo lar.
Tomaram banho juntos, mas diferente do banho de outrora, Emmett não tentou nada, além de pequenos carinhos. Emmett sempre fora um garoto responsável e sabia os seus limites assim como os de Rosalie. E naquele momento ele sabia que o ambiente em que viviam já não fazia mais bem a garota que sempre quis proteger.
Saíram do banho juntos, e enquanto Rosalie se vestia Emmett mal conseguia parar de olhá-la. Ela era tão fascinante...
[...]
Como não podia deixar de ser ambos saíram de moto, e Rosalie envolveu seus braços em torno da cintura de Emmett com uma segurança sem igual.
Após alguns quilômetros percorridos, Emmett parou em frente a uma grande casa. Essa, por sua vez, se destacava entre tantas outras mansões daquele bairro, no requinte e bom gosto.
Rosalie desceu da moto e foi direto tocar a campainha. Apenas alguns minutos e o grande portão fora aberto automaticamente. Emmett entrou com a moto logo após Rosalie.
Ainda no jardim de flores viçosas, Rosalie foi recebida por Carmen, que já vinha de braços abertos convidando-a a um abraço.
- Que bom recebê-la aqui, princesa – disse Carmen, apertando Rosalie em seus braços, afetivamente.
O modo como Carmen se dirigia a Rosalie, sempre lhe fazia lembrar a sua mãe. Inconscientemente Rosalie a abraçou como se estivesse abraçando sua própria mãe. Depois do sonho que tivera, Rosalie estava ainda mais saudosa da presença de sua adorada mãe.
- Que bom que vieram – disse Carmen após o abraço. – Venham, entrem, por favor, estão todos ansiosos por vê-los. – E você Emmett não para de crescer garoto, está cada vez mais alto e mais forte – disse Carmen, sorrindo.
Juntos andaram em direção à porta principal da grande casa. Emmett sorriu do comentário de Carmen a respeito do seu crescimento. Eleazar veio ao encontro de ambos, cumprimentando educadamente.
Inacreditável, em pouco tempo Emmett e Eleazar estavam absortos falando sobre baseball.
Irina chegou sorridente à sala de estar, usando roupas de ginastica.
- Olá Rose! – cumprimentou gentilmente, seguido de um beijo no rosto.
- Desde quando a senhorita precisa malhar? – Rosalie brincou.
Rolando os olhos Irina sorriu.
- Exagerei ontem à noite na pizzaria com um grupo de amigas. Preciso queimar as calorias – gesticulou com as mãos como se estivesse gorda.
- Então somos duas – disse Rosalie se divertindo.
- Você também exagerou na pizza? – Irina perguntou.
- Não exatamente, mas acho que estou acima do peso – disse Rosalie.
- Parem com essa obsessão em achar que estão gordas, já – disse Carmen. – As duas estão com o corpo perfeito, não vejo nenhuma gordurinha aí. Parem com isso, pelo amor de Deus.
Ambas sorriram com cumplicidade.
- Você não vê tia? Estou ficando uma balofa – disse Irina, então começou a rir do próprio comentário mentiroso.
- Eu vou te dar uns petelecos se continuar com isso, Irina – disse Carmen, soando autoritária. – E você também Rose, esquece isso.
Rosalie e Irina trocaram olhares como se fossem duas crianças sendo repreendidas.
- Onde está a Kate e a Tanya? – Rosalie perguntou.
- Tanya ainda está dormindo. Chegou do aniversário da prima do namorado quase cinco da manhã e desabou na cama. E Kate... – olhou em volta –, olha ela aí, querida – disse Carmen assim que Kate chegou à sala de estar segurando uma bebezinha loira de cinco meses de vida, olhinhos verdes e lábios rosados tanto quanto uma cereja.
- Oi Rose. Oi Emmett – saudou educadamente, com um sorriso gentil.
- Oi Kate, como vai? – disse Emmett.
- Como vai a mais nova mamãe da família? – disse Rosalie.
- Um pouco cansada, mas a cada sorriso dessa coisa fofa, qualquer esforço vale a pena. Ela anda tão risonha ultimamente. Vocês precisam ver.
- E você também – disse Irina. – Ah, e os tios corujas também – olhou para Carmen e Eleazar.
- Como não babar por essa fofurinha da titia. Não é bebê?! – Carmen respondeu segurando a mãozinha gorducha da pequena Violet.
- Me deixa segurar ela um pouquinho? – Rosalie pediu, já estendendo os braços para segurar a pequena Violet.
Kate passou a filha para os braços de Rosalie, que imediatamente aspirou o cheirinho gostoso de bebê, morrendo de vontade de apertar suas bochechinhas rechonchudas. Beijou as mãozinhas e os pezinhos, e a pequena lhe sorriu com seu sorriso sem dentinhos. Rosalie se derretia de amores pela pequena em seus braços.
[...]
Carmen e Eleazar criaram as três sobrinhas desde a infância, pois os pais viviam trabalhando em ação humanitária pelo mundo. Estavam – e ainda estão –, sempre em um país diferente.
Talvez isso não fosse o melhor para suas filhas – terem crescido sendo criadas pelos tios –, mas hoje nenhuma delas se incomodava com isso. Certamente que no passado houve choros e birras, mas com o tempo elas acabaram aceitando e hoje são felizes tendo a família que tem ao lado dos tios. Muito dificilmente elas viam seus pais biológicos.
Kate tinha casado há pouco menos de dois anos com o empresário do ramo de vinhos, Garrett, mas estava sempre regressando ao seu antigo lar. Sempre tentando desfrutar a companhia de suas irmãs e tios. Embora fosse muito feliz com o marido ela não gostava de ficar muito tempo sem vê-los.
Rosalie sempre admirou a família que os Denali eram. Entretanto em seu coração sempre se destacariam os Cullen.
Notas finais
Espero que vocês tenham curtido :) e não deixem de comentar, amoras da minha vida.
Se mais alguém quiser recomendar, fará um bobo coração feliz ♥
Beijo, beijo
Sill
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