Amor Amigo

23 Capítulo 23 - Amor que Compensa


Notas iniciais
Oi pessoinhas, me desculpem pela demora.

Esme ficou de pé ao lado da cama hospitalar. Na mão esquerda, ela segurava o telefone celular, com a mão direita afagou o rosto de Rosalie, segundos antes de se retirar do quarto, deixando-a sozinha enquanto dormia ainda sob efeito dos sedativos.


Com a aparência cansada, Esme suspirou ao fechar a porta atrás de si. Seu rosto estava sonolento e seus olhos levemente inchados. O relógio marcava quatro e quarenta da madrugada.


[...]


Do outro lado da cidade, Emmett acabava de chegar ao prédio onde vive com Rosalie, sem saber o que havia acontecido. Ele estava cansado, e louco para retirar as roupas do trabalho e cair na cama ao lado da jovem esposa. Afagar sua barriguinha de sete meses, e sentir seu perfume enquanto o sono não o vencia.


Emmett saiu do elevador com as chaves do apartamento, e da moto em mãos. Enquanto andava em direção à porta ele afrouxou a gravata e retirou o paletó. Entrou no apartamento escuro, acendendo as luzes do hall, onde deixou as chaves sobre a mesinha redonda de vidro, que mantinha um vaso de flores frescas no centro. Retirou os sapatos ali mesmo, e os deixou.


Como sempre fazia, quando chegava do trabalho, ele andava cautelosamente pelo interior do apartamento, acreditando que a esposa dormia no quarto do casal.


Emmett estava na cozinha, tomando água, quando seu celular tocou dentro do bolso do paletó que ele segurava sobre os ombros, depois de tê-lo retirado. Assustado, e ao mesmo tempo ansioso para fazer o aparelho parar de tocar, ele tateou os bolsos do paletó rapidamente até encontrá-lo. E quando encontrou, atendeu sem nem olhar quem o procurava, recostando ao ouvido rapidamente, pensando quem diabos estaria a sua procura uma hora daquelas. Não era possível que fosse alguém do Pub, ele havia acabado de chegar de lá. E, sinceramente, ele não estava nenhum pouco afim de voltar.


- Alô – disse ele, rapidamente, mantendo uma expressão curiosa nos rosto.


- Emmett, sou eu, a Esme.


- Esme – repetiu ele, engasgando com a palavra, já imaginando que poderia ter acontecido algo. – O que aconteceu? Porque está acordada há essa hora?


- Emmett você já está no prédio?


- Acabei de chegar, só vim na cozinha tomar um pouco de água. Aconteceu alguma coisa?


- Aconteceu sim querido. A Rose passou mal... – quando Esme mencionou Rosalie ter passado mal, Emmett se atrapalhou e acabou derrubando o copo de vidro dentro da pia, quebrando parte de sua borda. Do outro lado da linha Esme pode ouvir o barulho do vidro se partindo.


- Então... – sibilou Emmett, confuso e preocupado. – A Rose... Não está dormindo em nosso quarto agora? – perguntou como se quisesse ter certeza de que ouvira direito. Apressado, ele saiu da cozinha a passos largos indo até a suíte do casal. Abriu a porta, rapidamente, notando que a cama estava do mesmo jeito que ele deixou antes de sair para trabalhar. – Onde ela está? – perguntou, praticamente gritando.


- Estou com ela agora, no hospital...


Antes mesmo que Esme pudesse concluir sua frase Emmett a interrompeu.


- Hospital? Rose e o bebê... O que aconteceu com eles? Quando isso aconteceu? Porque ninguém me avisou antes? Porque a deixaram pensar que não me preocupo com ela e com o nosso filho?


- Emmett, querido, por favor, me escuta – pediu Esme, tentando acalmá-lo. – Presta atenção. A Rose está bem agora. Está tudo normal com o bebê. Por favor, fique calmo. Graças a Deus foi só um susto.


Enquanto Esme falava, Emmett voltava a passos rápidos para hall de entrada, onde havia deixado seus sapatos e as chaves. Arrancou a gravata que ainda estava pendurada no colarinho e jogou no meio do caminho. O paletó havia ficado na cozinha sobre o balcão.


- Fique calmo?! – repetiu ele. – É a minha esposa e o meu filho. Como quer que eu fique calmo. Para que hospital vocês a levaram? – perguntou enquanto calçava os sapatos, mantendo o celular preso entre o rosto e o ombro.


Esme lhe passou o endereço, pausadamente, e tudo o que ele fez foi repeti-lo em voz alta para não esquecer. Depois disso, continuou repetindo mentalmente enquanto pegava o elevador e descia até a garagem. Para ele fora como se o elevador descesse em câmera lenta. Chegou até a pensar que pelas as escadas seria mais rápido, quando enfim as portas se abriram ao chegar ao térreo. Ao sair do elevador, ele arregaçou as mangas da camisa até acima dos cotovelos. E a passos rápidos ele se aproximou da moto. Apressado, e repetindo o endereço mentalmente, ele colocou o capacete, subiu na moto e saiu rapidamente da garagem subterrânea. Logo que entrou na avenida, saiu cantando pneu pelo o asfalto, sem olhar para trás.


Durante todo o trajeto até o hospital, Emmett esteve pensando em Rosalie, e repetindo para si mesmo o endereço. Não conseguia parar de se perguntar o que realmente teria acontecido para ela ter passado mal. Já que quando ela saiu com as amigas lhe garantiu que estava passando bem e, quando ele telefonou, algum tempo depois, foi à mesma resposta.


À medida que se aproximava do hospital, a preocupação e a ansiedade por ver Rosalie só aumentava avassaladoramente. Pouco tempo depois, ele estacionou a moto no estacionamento do hospital e saiu correndo para a recepção em busca de informações a respeito do estado de saúde de sua jovem esposa e do bebê que ela esperava. Durante esse processo, ele recebera também um crachá de acompanhante e as instruções de como chegar ao quarto em que ela estava hospitalizada.


Emmett entrou no elevador e, rapidamente, chegou ao segundo andar. Quando as portas tornaram a abrir, ele encontrou Esme sentada em uma das cadeiras de espera que ali se encontrava. Certamente estava a sua espera, deduziu ele.


Esme ergueu a cabeça e, ao notar que era Emmett, ficou de pé. Nesse meio tempo, duas enfermeiras passaram por ela indo para o elevador.


- O que realmente aconteceu, Esme? Por favor, me diz que está tudo bem a Rose e o bebê?!


- Calma Emmett. Eles estão bem agora. Vai ficar tudo, é só seguir a recomendações médicas. Se ela o vir assim vai ser pior.


- É. Você tem razão – disse ele, seguindo-a até a porta do quarto em que Rosalie estava. – Mas, mesmo assim, não paro de me preocupar com eles. Não paro de pensar que ela precisou de mim, e eu ao menos sabia que ela estava passando mal – completou ressentido.


Esme lhe tocou o ombro quando pararam em frente à porta. Devagar ela abriu a porta, revelando o interior do quarto hospitalar, que por menor que fosse o estado de saúde, nuca, absolutamente nunca, era agradável estar ali.


Ao vê-la deitada sobre aquela cama, com uma das mãos sobre o próprio ventre, Emmett entrou no quarto devagar, sentindo uma sensação estranha afundar seu coração em angustia desconcertante, misturando-se com alivio por vê-la, de certa forma, bem. Ele olhou para o soro que pingava lentamente, e aquilo não o ajudou. A passos curtos ele se aproximou da cama, segurou a mão que recebia o soro, fazendo um leve afago.


Seus olhos queimavam, feito brasa, quando ele se inclinou e beijou os lábios de Rosalie, lentamente. Voltando a ficar de pé, normalmente, com lágrimas nos olhos, ele afagou a barriga dela sobre o cobertor. Suspirou longa e pesadamente antes de voltar sua atenção a Esme.


- Eles vão mesmo ficar bem, não vão? Ela só está dormindo, não é?


Esme se aproximou devagar, lhe tocando o ombro. – Ela só está dormindo, querido. Vai ficar tudo bem. A enfermeira saiu daqui agora a pouco. Logo pela manhã o médico que a atendeu, vira examiná-la mais uma vez antes de lhe dar alta.


Emmett assentiu, maneando a cabeça fracamente. Olhou a poltrona que se encontrava atrás de suas costas, onde Esme estivera sentada antes, e então, ele sentou-se e permaneceu afagando a mão de Rosalie.


- Que horas ela veio para cá? Quem a trouxe?


- As meninas a trouxeram no inicio da noite, após terem lanchado em um fast food perto do salão onde passaram à tarde – institivamente Emmett lembrou que Rosalie lhe disse que queria fazer as unhas, e então, ele prestou maior atenção nas unhas dela. Estavam mesmo lindas como ela gostava. Estavam decoradas com esmalte branco e incolor, com pequeninos desenhos intercalados entre uma unha e outra. E então Esme prosseguiu. – Parece que alguém, que vocês conheceram no instituto, não gostou muito de rever Rosalie.


Imediatamente, Emmett mudou a postura na poltrona e olhou atentamente para Esme, que estava de pé, próximo da cama. – Do instituo? – perguntou ele, surpreso. – Mas quem? Há anos não encontramos com ninguém de lá.


- Pelo o que as garotas me disseram. Era uma moça chamada Heidi. E que essa Heidi provocou Rosalie, que por esse motivo elas acabaram discutindo. Consequentemente Rosalie ficou muito nervosa e isso afetou o bebê. Com isso, ela começou a sentir dores e tonturas, o que a fez se apavorar ainda mais, o que só piorou a situação. Chegando a acreditar que estava começando a entrar em trabalho de parto. Alice me ligou, muito nervosa, e eu as encontrei aqui alguns minutos depois. A Rose já estava medicada quando cheguei então eu não consegui falar com ela ainda.


- E porque não me avisaram antes? – perguntou, olhando para Rosolie, que murmurou um gemido alheia a presença de ambos.


Esme se aproximou um pouco mais, e afagou os cabelos de Rosalie antes de respondê-lo.


- Porque a situação foi normalizada, Emmett. Entenda que eu também me preocupo com você. Eu não quis te tirar do emprego às pressas. Espero que não fique chateado comigo por causa disso. Eu só estava pensando no melhor para vocês.


- Não estou chateado com você, Esme. Eu jamais ficaria. Não com você. Só não quero que ela pense que não me preocupo com ela e com o nosso filho. Os dois são importantes demais para mim. Meu Deus eles são o meu mundo.


- Ela sabe que você se preocupa, Emmett. Ela sabe que você a ama, e sabe disso melhor do que ninguém.


Emmett se inclinou beijando os dedos da mão de Rosalie, cujo ele acariciava. – Com tantas pessoas para ela reencontrar, tinha que ser justo a Heidi – sussurrou, voltando a sentar-se normalmente.


- E, afinal, quem é essa Heidi, filho?


- É uma garota, apenas um ano mais velha que a Rose, que viveu no instituto no mesmo período em que nós vivemos, até o dia em que fugirmos de lá. Bem, se ela não foi adotada por nenhuma família, deve ter saído de lá há pouco tempo. Durante o período em que estivemos lá, ela dedicou seu tempo em fazer da vida da minha Rose um inferno. Por causa dela a Rose foi castigada varias vezes. Inclusive nos dias que antecederam nossa fuga. Por causa dela a minha loirinha foi trancada em quarto de porão escuro em meio a ratos e outros insetos nojentos. Permaneceu sem comida e sem água por dois dias consecutivos. Até que eu a encontrei e a tirei de lá. E o resto você já sabe.


À medida que o relato seguia, Esme sentiu um enorme vazio dentro do peito. Era inconcebível que aquelas crianças houvessem sofrido tanto, a ponto de preferirem os perigos das ruas ao local onde estavam. De certo que Esme tinha conhecimento de parte da história de ambos, mas não da boca deles; metade fora contada por Alice e a outra parte pela assistente social que lhe ajudara com a tutela dos dois. Eles não se sentiam a vontade para relembrar o passado a todo instante e sempre evitavam o assunto.


Esme se afastou da cama e sentou-se em um banquinho próximo a poltrona que Emmett estava.


- Ela vai ficar bem – disse Esme. – Nós vamos cuidar dela e tudo voltará ao normal. Faremos o possível para que Rose não volte a encontrar essa tal de Heidi – Esme segurou a mão dele que repousava sobre o braço da poltrona. – O médico que a atendeu, disse que ela precisará ficar em repousou até o nascimento do bebê. Ela não vai poder ficar nervosa, nem fazer esforço. Então... – Esme pareceu procurar as palavras corretas para usar. – Eu pensei que, talvez, vocês pudessem ficar em minha casa até o bebê nascer, e o pós-parto. Eu sei que talvez você não esteja disposto a passar por essa mudança agora, mas é o melhor para ela e o bebê. Preciso que esteja de acordo e que me ajude a convencê-la, caso ela não queira ir.


Emmett olhou para Esme, com o semblante cansado. Era notável que ele precisava dormir.


- Vai ser estranho... – murmurou ele. – Estou acostumado a um tipo de privacidade que não poderei ter em sua casa, Esme. Mas se é bom para Rose, é bom para mim também. Ela vai aceitar. Tenho certeza que sim. Ela os adora.


- Não se preocupe querido. Eu vou preparar um dos quartos para vocês. Você poderá dormir durante o dia, tranquilo, que estarei cuidando dela e do bebê.


- Estou acostumado a andar pela casa em trajes nada comportado quando acordo, mas eu prometo que irei me comportar – disse ele, um tanto envergonhado.


Esme sorriu. – Faça isso, querido. Mas eu entendo perfeitamente que privacidade é tudo o que um casal busca. Principalmente quando se está no inicio de uma relação, assim como vocês. Carlisle e eu passamos por essa fase. Eu sei bem como é...


Agora foi a vez de Emmett esboçar um sorriso. –Você é uma ótima mãe – disse ele.


- Eu sou?


- É sim. E tem mais. Se eu pudesse escolher uma mãe, ela seria igual a você.


- Oh, querido – murmurou Esme, afagando o braço de Emmett. – Eu sinto como se fosse mãe dos dois. Quero protegê-los. Quero cuidá-los. Vocês só precisam me permitir isso... – sua última fala foi morrendo aos poucos, talvez pelo medo da rejeição.


Emmett segurou a mão direita de Esme e depositou um beijo. Ela maneou a cabeça, com os olhos marejados de lágrimas, em seguida recostou-se ao ombro dele.


- Você quer ir dormir em casa? Eu fico com a Rose daqui em diante.


- Eu quero estar aqui quando ela acordar – murmurou Esme, em resposta.


- Então vamos trocar de lugar. Você vem para a poltrona e eu fico no banco – sugeriu.


- Não precisa querido. Eu já dormir aí a noite inteira, e daqui a pouco o sol estará brilhando lá fora. Então fica você aí um pouco.


Emmett ficou de pé. – Por favor, Esme, eu não irei me sentir bem com isso – disse ele, apontando a mão para a poltrona, agora, vazia.


- Tudo bem... – sussurrou Esme, trocando de lugar com ele.


Depois disso, ambos ficaram em silêncio por um longo período e acabaram cochilando. Foram acordados somente algumas horas depois, com a enfermeira entrando no quarto. O sol já brilhava através das pequenas janelas de vidro.


- Bom dia – disse a enfermeira quando os viu abrir os olhos.


Emmett estava recostado ao braço da poltrona que Esme estava sentada. Ele parecia tão desconfortável ali.


- Bom dia – ambos responderam ao mesmo tempo, ajeitando a postura.


A enfermeira continuava verificando coisas e fazendo anotações logo em seguida. Emmett e Esme observavam em silêncio.


- O doutor virá daqui a pouco para examiná-la, antes de assinar os papéis da alta – avisou, mexendo agora no soro. – Vocês podem ir tomar um café na cantina do hospital, posso ficar com ela por alguns instantes se quiserem.


- Não é necessário, esperaremos que ela acorde primeiro – confirmou Emmett.


- Sendo assim, voltarei daqui a pouco com o doutor. Com licença – disse a enfermeira ao se encaminhar em direção à porta.


- Obrigada – agradeceu Esme, antes que a enfermeira se retirasse.


Alguns segundos depois, Rosalie gemeu, tentando mudar a posição em que estava na cama, tentando uma posição mais agradável. Mas, não encontrava, todas as posições haviam se tornado desconfortáveis desde que sua barriga começara a crescer. E, por vezes, ela não conseguia respirar direito.


De repente dois pares de olhos, preocupados, vira-se em direção à cama hospitalar. Esme pulou da poltrona quando Rosalie puxou sem se dar conta, o braço que continha o soro.


- Calma querida – pediu ela, segurando o braço de Rosalie, cautelosamente.


Quando o som da voz de Esme alcançou os ouvidos de Rosalie, ela abriu os olhos devagar, parecendo não lembrar ao certo onde estava. Sua visão estava meio embaçada, e, ela piscou algumas vezes seguida até focar a imagem.


- Mamãe... – murmurou ela, com a voz fraca.


Tocando-lhe a mão, Esme respondera. – Não meu bem, sou eu, Esme.


- Ah, mamãe, senti tanto medo, e você nunca chegava. Porque demorou tanto? O bebê continua bem? – seus olhos varreram o quarto – Cadê o Emmett?


Em meio a todas as perguntas que ela fizera, Esme se perdera na primeira fala. Esme sentiu seu corpo inteiro tremer, sendo tocado pela sensação maravilhosa de ouvi-la chamar de mamãe, depois de anos a espera por esse momento. Esme sentiu seus olhos queimarem, acumulando lágrimas, mas não resistiu a se inclinar e enche-la de beijos. Beijos estalados e carinhosos por todo seu rosto pálido.


Rosalie esboçou um leve sorriso, ainda se sentindo estranha. Atrás de Esme, Emmett observava a cena em silêncio. E, quando ela voltou a ficar de pé novamente, lágrimas rolavam em seu rosto.


Nesse meio tempo, Emmett ficou de pé atrás de Esme, e Rosalie lhe sorriu com amor e segurança. Seus olhos estavam inchados e seu rosto estava um tanto abatido, mas ela sentia-se segura agora, estando na companhia dos dois.


- Ursinho – sussurrou ela, estendendo a mão livre para Emmett, que recebeu beijando-lhe os dedos delicados. – Eu quase perdi o nosso bebê... – murmurou com a voz abafada, sentindo os olhos se encherem de lágrimas.


Emmett lhe afagou a mão. – O nosso bebê está bem, amor.


- Foi Heidi – disse Rosalie. – Foi ela, ursinho. Ela estava lá...


- Eu sei. Esme já me contou tudo.


Institivamente Rosalie buscou Esme com o olhar. Ela ainda estava ao lado da cama, bem perto a cabeceira, e chorava silenciosamente.


- Porque está chorando, mamãe?


Esme lhe sorriu em meio às lágrimas. – Porque acaba de me chamar de mamãe, querida. E não foi apenas uma única vez. Tenho esperado tanto por esse dia... – completou, com um soluço.


Rosalie apertou a mão de ambos, e murmurou.


- Eu amo vocês. Amo muito – olhou para Emmett. – Meu ursinho, meu companheiro, meu amor, meu amigo – suspirou e olhou para Esme. – Meu conforto, minha mãe, a única que conheço, e tenho recordações nítidas – lágrimas escorrem no canto de seus olhos alcançando a fronha do travesseiro.


- Não chora querida – pediu Esme, lhe fazendo um carinho no rosto. – Estamos todos emocionados agora – constatou, olhando para Emmett que estava visivelmente emocionado.


Rosalie libertou a mão que segurava a de Emmett para poder secar seu próprio rosto. E foi nesse pequeno espaço de tempo que ela sentiu seu bebê mexer, pela primeira vez, desde que a induziram ao sono. Ela sorriu, tendo a certeza de que seu bebê estava bem. Com a mesma mão que secara o rosto, ela afagou a barriga, com um lindo sorriso iluminando seu rosto pálido.


- Noah acordou também – suspirou ela, feliz. – Acho que quer desejar um bom dia ao papai e a vovó.


Emmett se inclinou beijando a barriga de Rosalie. Voltou a se afastar, afagando de uma extremidade a outra da barriga, sentindo os leves movimentos do bebê naquela manhã.


- Bom dia garotão – murmurou ele, próximo à barriga de Rosalie. – Que susto você deu em sua família, hein? Principalmente em sua mamãe. Aguenta mais um pouquinho aí – Emmett sorriu quando o bebê chutou. – A vovó também está aqui – disse ele, cedendo espaço a Esme.


Esme sorriu, secando as lágrimas do próprio rosto, antes de encostar sua mão na barriga de Rosalie, sentindo o bebê se mexer.


Ela olhava para Rosalie enquanto lhe afaga a barriga. – Sua irmã me pediu para dizer que te ama, e que ama o Noah também.


- Onde ela está? – perguntou Rosalie, ansiosa.


- Ela foi para casa com Carmen e as meninas. Mas estava muito preocupada com você, meu bem.


A conversa fora interrompida pela chegada do médico acompanhado pela enfermeira.


- Bom dia – disse ele ao se aproximar da cama hospitalar.


- Bom dia – todos responderam, porém, Rosalie, com um pouco mais de atraso que os demais.


Emmett e Esme se afastaram da cama, cedendo espaço ao médico. Rosalie manteve o olhar fixo nos dois. Quase implorando para que não saíssem dali.


O médico se aproximou examinando-a brevemente. – Como está se sentindo a futura mamãe, essa manhã?


- Já me sinto bem – respondeu ela, sem desviar o olhar dos dois a usa frente. Esme lhe sorriu encorajando-a e Emmett lhe deu uma piscadela. – Já posso ir para casa, doutor?


- Bom, levando em consideração que você passou a noite bem. E o bebê está fora de perigo – ele pareceu pensar e isso deixou Rosalie ansiosa. – Você pode ir para casa sim. Mas, vai ter cumprir com todas as minhas exigências. Repouso absoluto durante a primeira semana, em todos os sentidos, e depois vai continuar com os cuidados, porém menos exagerado, até que o bebê nasça. Pode me garantir que fará isso?


- Sim, doutor – afirmou ela, louca para sair dali.


- Ótimo – disse ele, apontando para o soro. Indicando que já poderia ser retirado. A enfermeira se aproximou e começou a removê-lo do braço de Rosalie, cuidadosamente.


Preencheu alguns pontos no prontuário médico, e assinou algumas folhas, entregando uma a Esme.


- Bem, eu vou sair para que vocês possam ajudá-la a se vestir – olhou para Rosalie mais uma vez. – Seja cuidadosa se quiser que seu bebê venha ao mundo no tempo certo. Estou confiando em você Rosalie Hale. Não vá me decepcionar, hein.


Rosalie colocou ambas as mãos sobre a barriga. – Não vou. Ele vai ficar aqui até que esteja totalmente pronto.


O médico esboçou um leve sorriso. – Era o que eu esperava ouvir. Com licença – disse ele antes de se retirar.


A enfermeira estava ajudando Rosalie a sentar-se na cama, quando Emmett se aproximou para ajudá-la.


- Eu preciso fazer xixi. E com urgência – disse ela, com a mão sobre a barriga, fazendo todos rirem.


A enfermeira se afastou deixando que Emmett a ajudasse. Então ela foi à frente e abriu a porta do pequeno banheiro que havia no quarto. Enquanto isso, Rosalie caminhava devagar ao lado de Emmett.


Emmett entrou junto com Rosalie no pequeno banheiro, e pela primeira vez, ela se permitiu fazer xixi com ele dentro do banheiro. Ele ficara surpreso por ela não tê-lo pedido para sair, mas preferiu não mencionar.


- Mamãe – murmurou ela. – Traz as minhas roupas, por favor.


Esme olhou em volta, antes de encontrar os pertences de Rosalie sobre uma pequena prateleira. Os recolheu e foi até a porta do banheiro, entregando tudo a Emmett que estava perto da porta.


- Quer ajuda com o banho, filha?


- Não precisa. Eu não vou tomar banho aqui. Vou só me trocar mesmo. Eu só quero tomar banho quando estiver em casa.


- Está bem então. Eu vou ligar para Carlisle e avisar que você já recebeu alta, e que já estamos indo para casa – avisou Esme, voltando para perto da poltrona onde havia deixado sua bolsa. Abriu, e de lá retirou o celular.


Rosalie ficou de pé após ter usado o banheiro, e lavou ambas as mãos – Amor me ajuda – pediu ela, ficando de costas para Emmett, para que lhe ajudasse a retirar a roupa hospitalar.


Emmett desfez os laços na parte traseira da roupa e deslizou a peça sobre os braços de Rosalie. Assim que ela ficou nua, ele lhe afagou a barriga com ambas as mãos, por trás de suas costas.


Ela se recostou ao corpo dele murmurando. – Você não dormiu nada, não é amor? Me desculpa por isso.


- Não se preocupe comigo. Agora é hora de cuidar de vocês – disse ele, ainda afagando a barriga dela.


- Está bem – concordou, sentindo-se cansada.


Devagar ela se afastou, começando a se vestir, vez ou outra ele a ajudava. Assim que terminou de se vestir ela lavou o rosto e usou um creme dental que havia sobre a pia, escovando os dentes com o próprio dedo, uma vez que, até então, ninguém se lembrara de lhe levar uma escova de dentes. Ela fuçou dentro da bolsa e pegou a escova de cabelos, e afirmou, mentalmente, que sempre andaria com uma escova de dentes também.


Emmett passou a mão na cabeça, parecendo pensar um pouco. – Amor nós vamos ter que ficar um tempo na casa de Esme. Pelo menos até o bebê nascer – Rosalie o olhou, confusa. – Ela vai cuidar de vocês quando eu estiver trabalhando. Tudo bem para você?


- Não tem problema algum, desde que você vá comigo – disse ela, com segurança.


- Mas é claro que irei com você – respondeu ele após lhe dar um selinho. Rosalie lhe sorriu, e juntos saíram do banheiro, da mesma forma que entraram, bem devagar. – Depois eu passo no apartamento e pego o que iremos precisar – avisou, já fora do banheiro.


- E então, vamos – disse Esme, segurando a braço de Rosalie. Ela lhe sorriu e maneou a cabeça positivamente.


Nesse meio tempo a enfermeira entrou no quarto, trazendo uma cadeira de rodas.


- Para quê isso? – perguntou Rosalie, assustada.


- Para você ir sentada até o estacionamento, nada demais, querida. – avisou a enfermeira.


Rosalie olhou para Esme, depois para Emmett antes de se sentar na cadeira de rodas, como se quisesse a aprovação de ambos. Esme pegou a bolsa dela, e junto com a enfermeira, saíram na frente. Esme abriu a porta e permaneceu segurando para que Emmett passasse com Rosalie na cadeira de rodas.


Rosalie olhou para trás e garantiu a si mesma que só voltaria a um quarto daqueles quando fosse para ter o seu bebê, não antes disso.



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Notas finais
Eis que Rosalie abriu o coração e deixou o amor de mãe entrar ♥
Esme está nas nuvens com isso. E para carimbar sua felicidade, ela vai levar Rosalie para casa, pelo menos por alguns dias.

Agora Rose só precisa ter cuidado para não induzir a um parto prematuro.

Espero que tenham gostado :)

Recomendação é sempre bem vinda.

Beijo, beijo

Sill