Não tenho palavras para descrever a suntuosidade daquela casa e da festa. Simplesmente não sei por onde começar. Bem, talvez a nossa chegada seja o melhor começo. Fomos de ônibus, não nos sobrou muitas opções, saltamos a alguns metros da casa e fomos andando, rindo e conversando, brincando, como sempre; mas nossas vozes se calaram no segundo em que encontramos o endereço.

A casa era imponente por si só, mas as grades que a cercavam e a música que vinha lá de dentro tornavam tudo aquilo algo de outro mundo, um mundo que nenhum de nos estava acostumado a conhecer.

– Ai-Meu-Deus... Não acredito que nós vamos entrar neste lugar. Isto é realmente uma casa?! – Essas foram as palavras de Maria, que depois de nossos minutos de perplexidade foi a primeira a se manifestar.

Fiquei parada olhando para a grande casa de paredes brancas e janelas enormes, mas definitivamente não parecia muito legal morar ali, quer dizer, ali não tinha muito cara de lar, se é que fui clara. Não tive muito tempo para ficar perplexa: Maria logo se animou, me agarrou pelo braço e correu para dentro. Só tive tempo de tomar o controle de minhas pernas para não cair e ver meus amigos nos seguindo com um leve sorriso no rosto.

Paramos numa espécie de portaria, demos nossos nomes e recebemos permissão para entrar. Maria continuou me arrastando até dentro da casa, onde um senhor que devia ter lá pelos seus 50 anos pegou nossas bolsas e jaquetas, prendeu nossos nomes com etiquetas e levou para uma sala onde havia mais três pessoas arrumando e muitos outros pertences.

Olhei em volta e reconheci vários colegas de turma e algumas pessoas que às vezes esbarravam comigo no corredor. Mas logo fui tomada pela música e pela animação de minha melhor amiga, que obviamente foi o suficiente para contagiar todo o nosso grupo e nos fazer esquecer que aquele não é um cenário normal para nós.

Depois de muito dançar e cantar, quando já estava quase me acostumando com o lugar, mas ainda não o suficiente para não me sentir como uma invasora, Arthur e Nicolas fizeram a música abaixar e fizeram um pequeno discurso pedindo desculpas pela interrupção, agradecendo a presença de todos e pedindo que todos continuassem a se divertirem.

Foi nesse momento que parei para analisar o lugar por dentro, e percebi que talvez não fosse tão ruim morar ali, principalmente pelo tamanho dos cômodos e pelo conforto. Por favor, o banheiro de visitas – que usei em algum momento durante a festa – era definitivamente do tamanho do quarto que eu divido com Lu, provavelmente algo em torno dos 9 m², o banheiro. A cozinha era o dobro, a sala, não sei dizer ao certo, os quarto tive medo de olhar, mas muito provavelmente eram bem maiores que o meu.

Depois do pequeno discurso eles passaram de grupinho em grupinho, conversando e rindo, perguntando pessoalmente o que cada um achava da festa e conhecendo os convidados de seus convidados. Quando eles chegaram até nós já não éramos pessoas de aparência apresentável: estávamos suados, cabelos presos de qualquer jeito e sapatos enfiados na sala da bolsas.

– Vocês estão se divertido bastante pelo que vejo. – A voz meio irônica de Nicolas foi o suficiente para chamar a atenção de Maria e fazer seus olhos brilharem, um olhar que conhecia bem e sabia que logo ela estaria apaixonada.

– Com certeza – Foi a resposta dela, mas seu tom de voz estava entre o sedutor e o cansado. Ele riu em resposta e foi a vez de seu primo falar.

– Bom, estamos felizes em poder recepcioná-los e também conhecê-los. Eu sou Arthur e esse é o Nicolas. Isabel e Luana nós já conhecemos da escola, adoraríamos agora conhecer seus amigos. – Ele olhou para nós sorrindo e mais uma vez vi algo de familiar naqueles olhos verdes.

– Esses são João e Maria, meus melhores amigos, e esse é o Mateus, namorado da Lu. – Respondi depois que consegui libertar meus olhos dos de Arthur.

– Sejam muito bem vindos, então. – Ele respondeu.

– Espero que sejamos todos muito bons amigos. – A frase de Nicolas foi o suficiente para atrair uma resposta de Maria:

– Pode ter certeza que sim. – Ela disse com sua voz o mais sedutora possível, enquanto jogava os longos cabelos loiros para trás, tentando chamar a atenção, mas não de um jeito que pudesse ser ridículo. Na verdade ela parecia até bastante discreta, mas foi o suficiente para atrair mais um sorriso de Nicolas.

Enquanto Arthur se despedia dizendo que iriam falar com os outros grupos, mas que qualquer coisa poderíamos procurá-los, a atenção de Nicolas saiu de Maria e foi direto para Christina, uma menina metida e rica o suficiente para se achar a dona de tudo e todos. Uma menina que definitivamente não é nossa amiga. Ele arrastou o primo para falar com ela, mas para o bem do ego de Maria, minha amiga não percebeu essa pequena troca e ficou satisfeita pelo resto da noite.

Eu não me senti mas nem um pouco relaxada depois disso, tentei descontrair, mas a estranha familiaridade de Arthur me assustava, pois ao mesmo tempo que tinha certeza de que ele era apenas mais um igual a Christina, a minha curiosidade para desvendar esse mistério só aumentava.

Foi então que a coisa mais estranha da noite aconteceu.