Ouvi baterem na porta e parei. Fiquei olhando para o espelho, tentando decidir se ignorava ou se respondia, até que bateram de novo então eu respondi:

– Já estou saindo...

– Não precisa, só vim saber se você estava bem. – A voz dele entrou nos meus ouvidos e fez meu coração disparar. Sem resposta apenas abri a porta para que ele entrasse.

– Você está bem? – Sua voz era calma e realmente preocupada, e por isso eu comecei a chorar de novo.

– Arthur... – Comecei a soluçar antes que pudesse formular qualquer frase com sentido. Ele me abraçou e fiquei ali em seus braços soluçando, enquanto as lágrimas caiam e continuei com as minhas dúvidas pairando na minha mente, sem saber o que fazer.

Alguns minutos depois parei de chorar e larguei seu pescoço, segui para frente do espelho e fiquei olhando para o meu reflexo, respirando fundo e me recompondo, tentando desesperadamente me aclamar, enquanto Arthur estava, pacientemente, sentado no vaso, me olhando com carinho. Lavei o rosto e virei de frente pra ele, nos encaramos por uns momentos.

– O que houve?

– Não sei... Eu só... Não sei... Bateu uma depressão assim do nada... Uma vontade de chorar...

– Tudo bem, não precisa se explicar. Olha, eu vou deixar você pensar... Se precisar de alguma coisa é só chamar. – Disse e começou a se encaminhar prara a porta.

– Espere! Eu... Eu não quero ficar sozinha.

– Então... O que vamos fazer? – Perguntou sorrindo.


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Acabamos parando no meu quintal, depois de fugir da festa pela porta dos fundos e pular a cerquinha de madeira, estávamos no Mini Bosque, eu em cima de uma árvore e ele sentado no chão, me olhando.

– Sua casa é linda, tenho inveja de você por morar nela.

– Inveja? – Me assustei com sua declaração, afinal a casa dele é enorme, e foi basicamente o que eu disse para ele. – Mas a sua cas... É muito maior que a minha.

– Eu sei. Mas a sua é simples e sua família é unida, você tem amigos nas casas do lado e recebe amor, carinho e atenção de todos. A minha é grande e fria, cheia de grades e conforto, aquele do tipo que só serve pra disfarçar a falta de afinidades entre os moradores. Sabe, eu sou muito ligado ao meu primo, fazemos tudo juntos, mas às vezes morar com ele é uma prisão. Digo, toda aqula segurança é meio irritante.

Fiquei parada sem saber o que responder, nunca havia passado pela minha cabeça que eu poderia ter uma vida melhor do que meus colegas te turma ricos e sorridentes. Ficamos conversando por mias alguns minutos e eu contei pra ele sobre a minha preocupação em relação ao relacinamneto de minha amiga eo primo dele. Falei que havia reparado no intersse de Nicolas na Christina, mas omiti o fato de também ter reparado no interesse dela no Arthur. Ele me disse que também ja tinha reparado nessa obsessão dele por ela, e que ele se preocupava, já que a menina não liga nem um pouco pra ele, Arthur também não comentou sobre os sentimentos dela a respeito dele, mas ele prometeu conversar com o primo, para advertí-lo a nao brincar mais com os sentimentos de Maria. Conversamos sobre outro tanto de coisas, principalmente viagens. E então eu resolvi levá-lo até o meu quarto.


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– Nossa, que lindo!

– Eu sei, minha madrinha quem me deu, na verdade eu ganhei hoje.

Estávamos parados na frente do "Encantamento", praticamente babando ao admirar o quadro.

– Esses olhosão lindos...

– Também gosto muito deles, sabe... Foi uma das coisas que mais me chamou a atençao nesse quadro.

– Parecem com os seus.

– Mas eu não tenho olhos claros.

– Eu sei, mas o olhar dela me lembra o seu, não sei explicar.

Olhei para ele e me deparei analisando cada detalhe de seu rosto, desde os lisos cabelos negros, até o queixo quadrado, passando pelos olhos verdes, os cílios longos, as sobrancelhas negras e grossas, o nariz pontudo e um pouco largo, mas estranhamente perfeito. Parei em seus lábios vermelhos e carnudos, sendo o superior mais fino que o inferior, me surpreendi com o súbito desejo de beijá-lo. Dei um passo trôpego em sua direção e ele se aproximou também um pouco. Mas antes que qualquer coisa pudesse acontecer entra no quarto uma Maria muito agitada.

– Aí está você, te procurei pela festa toda e não te achei, até que o João me disse que tinha te visto vindo pra cá. – Disse ela me arrastando para fora. – Você não devia ter saído assim. Tenho tanta coisa pra te contar!!! Você não vai nem acreditar...

Ela continuou falando e contando sobre sua coversa com Nicolas e alguns outros detalhes. Olhei para trás e vi Arthur nos seguindo, sorrindo. Sorrindo para mim.