Amor Adolescente
1 Renascimento
Notas iniciais
Desde que fui criado, 25 de Agosto de 2007 para ser mais exato, conheci um homem. Homem pálido, expressão cansada, muito deprimido. Henry Woodlock é seu nome, me disse para chamá-lo de Henry apenas.
Henry foi quem cuidou de mim até agora, mesmo com a mesma expressão de sempre, eu conseguia ver que aquele senhor se importava comigo. E isso era fascinante, não me pergunte por quê acho isso.
Henry me ensinou tudo, desde o alfabeto até como construir uma bomba. Sou muito grato a ele por minha inteligência avançada.
Meu aniversário foi ontem, fiz 14 anos. Era só eu e Henry. Henry contava histórias para mim e eu as ouvia atentamente, sem perder nenhum detalhe. Eu gosto de histórias, elas são interessantes.
De certa forma, eu me lembro de Henry, mesmo antes de existir. Henry era meu pai, e meu nome era Kenny.
Eu e henry estávamos na cozinha, em uma casa pequena, húmida e sem vida. Henry me olhava, como se não acreditasse no que criara.
Henry ainda me encarava, algo percorre pela minha espinha e consigo ouvir sua respiração.
— Por que fez aquilo? — Henry pergunta, ainda encarando.
— Fiz o quê? — Eu respondo nervoso.
— Apenas me responda.
— Pai, não sei do quê está falando, logo não saberei responder.
Henry se levanta da cadeira e anda até mim. Ele se abaixa e me encara do jeito mais medonho possível.
— Por que matou ela? — Uma lágrima se forma em seus olhos, porém Henry não a deixa cair.
— Matei quem? — indago com voz apertada.
— Por quê matou ela cacete?! — Diz Henry com voz estridente, me agarrando pelo pescoço.
Quase sem ar, Henry ainda segurando meu pescoço com as duas mãos, me levanta da cadeira e me joga no chão.
— Você vai pagar pelo que fez, seu demônio! — Gritou Henry com voz vacilante.
Depois disso, não me lembro de mais nada. Possivelmente foi um sonho, ou algo do tipo. Não acredito que Henry poderia fazer algo assim, eu conheço ele. Acho que conheço.
Henry é cheio de segredos, não sei nem metade deles. Gostaria de saber, eu realmente gostaria, mas ele nunca me fala.
Contei sobre o sonho para Henry, ele ficou tenso. Começou a tremer e sem querer gritou:
— QUE PORRA? — Henry se virou rápido, por um momento achei que tinha quebrado o pescoço. — KENNY?!
— Senhor, minhas orelhas são sensíveis. — Choramingo tapando minhas orelhas.
— Ah sim, sinto muito Charles. Mas, Kenny? Quem é Kenny?
— Também não sei, senhor.
— Espere... Eu tive um filho, Kenny Woodlock, 12 anos, Esquizofrênico e Disléxico. — Henry diz coçando sua barba. — Mas, como pode ter sonhado com ele? Vocês não se conhecem.
Aquele assunto estava estranho demais, e sonhar com Henry tirando a vida de seu próprio filho? Que mistério...
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