Amor

16 Ignorância


Quando Nagisa saiu para a rua, ela não encontrou Aki no outro lado. Ela atravessou e foi até o poste onde ele estava. “Hidaka-kun?”

“Aqui.”

A voz era distante, vinha de uma rua lateral, mais escura. Com cautela, ela entrou. Sem luzes para lhe cegar, ela avistou o garoto nas sombras, sua face com curativos cheia de preocupação.

“Sua tia está em casa?” ele perguntou.

“Sim, mas ela não sabe que eu saí.” Ela então exclamou, “Por que você fugiu de casa?! Sua família ligou para mim e eles estão te procurando!”

Aki ficou surpreso. “Como eles têm o seu número?”

“Eles descobriram... agora, por favor! Você está machucado! Volta!”

Ele recusou, mais desesperado, “Mas eu quero tanto falar contigo, eu não podia esperar até amanhã!”

Nagisa estremeceu e sorriu, afirmou com uma voz cheia de empatia, “Eu... também queria falar contigo, m-mas a gente podia fazer isso por telefone.”

“Não.” O garoto se aproximou e ficou parado na frente dela.

A expressão dele era nervosa e Nagisa não conseguia compreender o que seria.

Então, em um rápido movimento, ele a envolveu com os seus braços.

Ela sentiu as mãos dele pairando as suas costas, tocando o seu cabelo. Aquilo era um abraço? Sua face respondeu com um rubor.

Aki estava com uma respiração descompassada.

Era hora de ajudar. Nagisa o abraçou, mais apertado. Logo ela sentiu as mãos dele pressionarem e seus corpos ficaram juntos.

Ele então falou, “Você não quer terminar comigo...”

“Não!” Ela olhou de relance para grande curativo atrás da cabeça dele. Um cheiro forte de queijo Roquefort assaltou as suas narinas. “Não quero.”

Eles sentiram a respiração um do outro, estavam sincronizados.

“Desculpe... eu fui duro contigo na enfermaria,” disse ele, “Eu estava pensando na minha derrota, Takuma, a gangue, minha família... mas não em você. Eu não consegui me controlar e quando percebi, você tinha ido embora.”

Ela apertou ainda mais o abraço. “Não é verdade! Você pensou em mim, você quis me proteger, mas você não precisa fazer um sacrifício para isso.”

Aki respirou fundo. “Você gosta de mim, certo Momoe-san? Mas... Você me vê como um homem?”

“Isso de novo...” Nagisa revirou os olhos. “Eu já lhe dei a minha resposta. Eu não me importo, eu quero você.”

“Isso é importante para mim! Você me vê como um?”

Ela sorriu, quase deu uma risadinha, mas se conteve, pois tal insegurança era compreensível. “Sim, sim. Você não é um marica, Aki Hidaka, para mim você é um garoto normal, um jovem homem se soa melhor, meu namorado.”

“Que bom...”

A voz contente dele era tudo que ela queria ouvir, mas então Nagisa notou que as mãos dele estavam descendo até a sua saia. “H-Hidaka-kun?”

O garoto falou no ouvido dela, “Eu quero que você tenha certeza disso.”

As mãos levantaram a saia e ela sentiu as pontas trêmulas dos dedos dele tocando a sua coxa, subindo até a bunda. Em choque, Nagisa o empurrou. “NÃÃOOO!”

Sendo jogado para trás, Aki quase caiu. Furioso, ele rangeu os dentes e exasperou, “Então sou o que para você? Namorado é que eu não sou!”

Vendo ele novamente assim, Nagisa não sabia o que dizer.

Ele abaixou cabeça, completamente frustrado. “Isso... Isso é uma brincadeira?”

“Não!”

Ele olhou para ela, com lágrimas se formando. “Olha para o meu rosto! Olha! Olha o que está acontecendo desde que você me pediu em namoro! Não há mais lugar seguro, tudo piorou.”

Nagisa juntou as mãos e pôs na frente da sua boca. Ela balançou a cabeça, quase chorando.

“Eu posso morrer por ti.” Ele fungou o nariz. “E eu não sei por quê. Eu não sei por que você me pediu em namoro, eu não sei o que você viu em mim.”

“Eu... Eu...” Nagisa hesitou. Dizer para ele que tinha pedido ele em namoro para ajudá-lo com Takuma e o envolvimento com a gangue poderia deixar aberto para interpretações e não era uma boa hora para isso. Precisava afirmar o que podia, “Eu gosto de ti, simplesmente isso...”

“Simplesmente?!” Aki ficou incrédulo. “Você gosta de mim como? Estava entediada e precisava de um passatempo? Ou se sentia sozinha e sabia que eu não iria recusar.”

Nagisa pôs as mãos na cabeça. “Não... não...”

“Para sua mente deturpada eu sou só um objeto que alimenta os seus desejos. SEU MONSTRO!”

Mas sua perturbada expressão passou ser de surpresa, encarando Aki.

O garoto estava esbaforindo de raiva, com lágrimas descendo.

Contudo, o semblante de Nagisa se tornou firme, assim como as suas palavras, “Você não é Hidaka-kun.”

Ele pendeu a cabeça de lado e franziu as sobrancelhas. “O quê?!”

“Se ele quisesse me ferir com palavras, ele jamais chamaria eu de monstro. Ele gosta deles!”

Ele desviou olhar, pensativo, e então assentiu de leve. “Você tem razão.”

Nagisa arregalou os olhos.

Pois Aki passou a sorrir. “Mas também está enganada. Eu sou o verdadeiro Aki, na verdade, eu devo dizer que sou mais que verdadeiro. Sou o que ele escondeu de ti.” Ele coletou uma lágrima de sua face e lambeu. “Bleh... salgado...”

Ela cerrou os punhos. “Quem é você?”

“Assim você me insulta.” Ele pegou algo de seu bolso e o deixou cair. “Como uma bruxa não reconhece um bruxo?”

Ela ficou perplexa. Bruxo?

O objeto era uma bola de borracha, que ao tocar ao chão liberou uma nuvem de inúmeros desenhos de estrelas de cinco pontas.

“Ah!” Nagisa protegeu os olhos daquela nuvem que se expandia, enquanto sentia o mundo mudar a sua volta. Quando a nuvem se dissipou, a primeira coisa que reparou foi em gigantescas folhas de caderno esverdeadas com as estrelas desenhadas neles.

Elas eram o chão e a parede daquele lugar que tinha elementos de um quarto de uma criança pequena. Havia dúzias de grandes blocos de madeira colorida, que poderiam servir para alfabetizar se não fossem as runas pintadas nas faces ao invés de letras. Havia também giz de ceras tão grande quanto, assim como outros brinquedos. O teto, ou o céu, era um completo breu, com móbiles pretos com tema de animais. Do céu também vinha titânicas mãos brancas, com textura branca de osso, que seguravam as pontas das folhas de caderno que eram as paredes.

E no centro disso tudo, Aki fazia os cumprimentos, “Eu sou Akkun, o bruxo dos rabiscos.” Ele se curvou, levando a mão ao peito. “Bem vindo a minha humilde barreira.”

“Você não me engana, bruXA.” Nagisa apontou para ele. “Onde está ele?”

“Eu não te engano? Você é lesa, né?” Ele abriu os braços. “Eu não te disse que sou o verdadeiro Aki?”

O cheiro, o cheiro de queijo Roquefort. Nagisa se deu conta que aquela bruxa podia copiar tudo de Aki, mas não de algo que somente ela sentia e sabia. Só restava então uma explicação. “Você colocou um beijo de bruxa nele.”

“Bingo.” Ele colocou as mãos no bolso.

“Tire já!” Mostrando os dentes, ela deu um passo à frente.

De um dos bolsos, Aki retirou um giz de cera vermelho e pressionou sua ponta contra o seu pescoço.

Era afiado, o bastante para fazer Nagisa parar.

“Agora você entendeu. Eu posso fazer o que quiser com ele.” Do outro bolso, Aki retirou outra bola. “Aliás, eu possuo tudo dele, suas memórias, sentimentos, dúvidas... Você não está curiosa sobre o que ele pensa de ti?”

Nagisa virou a face. “Eu não quero saber.”

O garoto fez a sua bola quicar. “Ele está confuso, muuuito confuso com o relacionamento contigo, mas os sonhos revelam as expectativas. É que nem cena de filme, ele salva você e é recompensado de uma forma que só uma mulher pode fazer para um homem. Como se ele tivesse uma noção disso, hihihihi...”

“Se ele tem esses pensamentos,” falou Nagisa, em tom baixo, mas convicta, “eu estou feliz, eu sou namorada dele. Eu sei que ele será gentil.”

Aki ficou surpreso, a mão que segurava a bola estremeceu, mas não a deixou cair. Irritado, ele exclamou, “Maldita! Eu não consigo entender, o que você tem com esse garoto patético? Pena?”

“Pena...” Ela ficou atônita com tal palavra.

“É uma espécie de fetiche por pessoas moribundas, podres por dentro?”

Nagisa voltou a olhar para Aki. “Ele? Podre por dentro? Só por ter sonhos de garoto?”

“Você não tem idéia do quão fundo isso vai.” Ele ergueu ambas as mãos e começou chacoalhá-las. “Elas são mais rápidas que os olhos.” Quando parou, entre dedos haviam gizes de ceras para cada cor, então ele agachou-se.

Nagisa viu seu namorado desenhar no chão em uma velocidade espantosa. Algumas vezes ele sofria espasmos erráticos, seus olhos esbugalhados e respiração curta.

Assim que terminou, ele se ergueu sem demonstrar nenhuma anormalidade e chacoalhou as mãos, voltando a segurar apenas um giz de cera vermelho.

Enquanto isso, Nagisa viu os rabiscos no chão começarem a se mover e se levantar, mesmo sendo bidimensionais. Eles tinham uma vaga forma humanóide, pois não tinham braços nem pernas e suas faces só tinham a boca com a língua para fora. Cada um tinha sua roupa e cabelo, mas a pele era igual, de um laranja extravagante.

“BLEEEHAARG!” “BLAAAH!” “BLUBLUEHBAH!”

Uma cacofonia de gritos ininteligíveis vindo deles perturbou a garota. Nem mesmo na linguagem das bruxas fazia sentido.

“Isso nem mesmo Akkun admite para si mesmo, seria literalmente inumano se o fizesse.” O garoto cheirou o seu giz. “Você sabe que ele gosta de monstros, mas tem idéia do por quê?”

Nagisa não deu uma resposta, nenhuma seria útil.

“Bem, você não é tão arrogante quanto enganadora.” Ele sorriu e disse, “Monstros são solitários, as pessoas os evitam. Não haveria como ter outra reação, as diferenças são muitas, nenhuma comunicação é possível. É natural que seja assim.” Então ele atacou um dos desenhos.

Só então que ela percebeu que aquele desenho tinha cabelos espetados azuis e uma roupa similar ao uniforme da escola de Mitakihara. Os outros desenhos também eram de garotos familiares.

Aki riscava cada desenho com o seu giz vermelho. Os desenhos continuavam com os seus gritos peculiares, mas soavam com mais desespero. Eles caíam no chão agonizando, seus riscos vermelhos escorriam, formando poças desenhadas no chão.

“É apenas destruir, destruir, destruir!”

Nagisa ficou horrorizada. “Pare... Pare com isso...”

Mas ele só parou quando os desenhos pararam de se mover. Ele respirou fundo, com satisfação. “Ele queria ser um. Uma pena. Se ele fosse uma garota, Incubator teria feito algo a respeito.”

“Michiru.”

O chamado da garota fez Aki trepidar.

Mas ela continuou, “Eu não sei o que aconteceu, mas você me disse que queria voltar para Lei dos Ciclos. Entendo que você não gosta desse mundo, mas por que está fazendo isso? O que Madoka pensaria?”

“Hah! Madoka? Ha... haha... hahahahahahaha...”

O riso deixou Nagisa sem palavras.

“Ela é apenas o meu ingresso para voltar,” ele respondeu, rancoroso, “eu desprezo essa... deusa.”

“O quê...”

“Garota... Você já imaginou quantas mentiras você ouviu? Até mesmo no ventre de sua mãe e depois, quando os adultos abusam de nossa juventude ingênua.” Aki rangeu os dentes. “Que a verdade dói, pois ninguém está acostumado a usá-la. Covardes, todos tentando esconder os seus pecados e você é parte disso. Você mesma contribui para que isso perpetue.” Então ele balançou a cabeça. “Eu não preciso imaginar.”

Nagisa abaixou cabeça, sentindo o peso da culpa. Ela tinha contribuído e muito.

Ele exasperou, “Nascemos em mentira, vivemos para mentira, morremos pela mentira! Essa é única verdade que eu jamais queria saber... e assim eu decidi.”

“Decidiu?” Ela ficou surpresa. “Michiru-san, você...”

“Eu ignorei.” Aki deu de ombros. “Ignorei a verdade e as mentiras, ignorei o mundo, ignorei Michiru. Hi... hihi... hahahaha-” Ele interrompeu o riso de súbito, ficando bem mais sério. “Só que nossa deusa veio para resgatar todas as garotas, incluindo Michiru. Eu recebi de volta essas lembranças nojentas. Minha consciência retornou comigo no inferno e eu devo estar grata por isso?!”

Diante daquelas palavras de desespero, Nagisa fechou olhos em uma careta de dor.

“Mas se não bastasse isso, ela ainda me tortura.” Aki começou a imitar a voz de Madoka. “’Michiru-chan, faça o seu melhor!’ Hah! Ela deve achar fácil enlouquecer uma segunda vez... Ignorar o medo da auto-destruição. Na primeira eu tive um empurrãozinho com a minha alma se partindo.”

“Não há nada...” Nagisa perguntou, “nada que possa fazer você mudar de idéia?”

“Ignore.”

“O quê?”

Aki suspirou. “Ignore, vamos nos divertir.”

“Divertir?” Nagisa balançou a cabeça, sem compreender.

“Ou você não quer ele de volta?” O garoto brincou com o giz entre os dedos.

Considerando as limitadas opções, ela perguntou. “O que quer fazer?”

“Vamos brincar, só eu e você...”

Ela franziu as sobrancelhas. “Então apareça, Michiru-san.”

“Negativo!” Ele sorriu. “Você vai me dar a honra de se transformar primeiro.”

Nagisa ficou incomodada, mas ela se envolveu com uma aura laranja, da qual teceu suas vestimentas mágicas.

“Não, Não! Você nunca entende?” Aki deu um pulo de raiva. “É uma brincadeira de bruxas. Só é divertido se os riscos são maiores.”

Nagisa olhou fundo dos olhos vermelhos de seu namorado. “Não... Eu não posso!”

Sorrindo, o garoto loiro apontou o giz para o seu pescoço.

A garota abaixou olhar, admitindo que seu protesto fora em vão. Ela respirou fundo e fechou os olhos, tensionando a sua face. A pele empalideceu rapidamente, até ficar completamente branca, salvo pelos círculos amarelos em suas bochechas, seus lábios ficaram roxo e alargaram-se. Quando reabriu os olhos, eles estavam multicoloridos.

“Só isso?” A expressão de pouca surpresa dele mudou quando semicerrou o olhar. “Espere...”

“O que foi agowrrwa?” perguntou ela, contendo sua voz grossa. Mesmo que aquela pessoa não fosse Aki, e ele provavelmente jamais se lembraria quando o beijo de bruxa fosse removido, se mostrar para ele assim trazia um grande desconforto.

“Sua face me é familiar...” Aki deu de ombros. “Deve ser porque nós somos muito parecidas. Hihi...”

“Eu fiz o que você pediuwr! Agora apareça.”

“Claro.” Ele gesticulou para uma direção. “Com todo o prazer eu apresento, a maior bruxa de todas, ALBERTINNEEEEEEE!”

Nagisa avistou a bruxa, que ela jurava que não estava ali antes, sentada sobre um bloco de madeira e acenando. Parecia com uma criança pequena, uma garota, mas com três metros de altura pelo menos. Nagisa se lembrou de quando havia sido comparado com um palhaço por Homura, mas essa bruxa era muito mais. Ela usava uma espalhafatosa e volumosa peruca amarela e uma calça azul com suspensórios muito folgada. Sua camisa bordô sem mangas continha rendas e botões em forma de estrelas de cinco pontas. Não usava calçados, porém meias, coloridas e muito compridas para os seus pés.

Se as roupas dela remetia ao cômico, seu corpo dizia o contrário. A pele tinha a textura de osso, apesar de demonstrar ser bastante flexível. Sua face era como um crânio, com orifícios ocos nos lugares dos olhos e do nariz, mas tinha lábios, pretos, em um modesto sorriso. A bruxa tinha cílios desenhados com giz de cera, da mesma forma que o par de círculos azuis bebê em seus pômulos.

Ainda olhando para ela, Nagisa perguntou, “Então, como vai ser?”

“É bem simples,” Aki explicou, “eu vou me esconder e basta você me pegar para vencer. Contudo, se eu alcançar o seu namorado... Então eu terei que punir.”

Nagisa arregalou os coloridos olhos.

“HihihihihahahahaHAHAHA!” O garoto riu em uníssono com a bruxa Albertine, que se segurava para não cair.

Nagisa contraiu a barriga e suas bochechas incharam.

“HAHAHAHA... Hã?” Para a surpresa dos outros dois.

Da boca da Nagisa, Charlotte em sua forma de serpente se ergueu imponente.

A sombra dela cobriu Aki. “Então você tinha um ás na manga.”

Charlotte voou em direção a outra bruxa, numa velocidade incrível.

Albertine pegou um punhado de giz de cera do bolso da calça e arremessou contra os olhos da serpente, forçando ela a fechá-los.

Aki disse, com um sorrisinho, “Eu já estava esperando por isso.”

Quando Charlotte reabriu os olhos, Albertine não estava mais ali. Ela vasculhou pelos blocos de madeira, os derrubando, mas não a encontrou. Então subiu, para ter uma visão do alto de toda a barreira.

De repente, do céu escuro, olhos gigantes se abriram com suas íris azuis e escleras roxas.

Charlotte abriu sua grande de boca pelo susto.

“BUUUH! Hihihi!” Para o deleite de Aki. “Você não me vê, mas eu te vejo.”

Ela se recompôs e continuou a sua procura, contudo, mesmo naquela posição ela não conseguiu nenhuma pista. Era hora de usar o seu maior trunfo. Ela começou a farejar.

Além do proeminente cheiro de Roquefort, havia os de frutas, de vários tipos.

Charlotte seguiu esses cheiros, mas não importava aonde ia, eles sempre tinham a mesma intensidade. Eles estavam presentes em toda a barreira.

Aki mordeu um bom pedaço de seu giz de cera vermelho e mastigou. “Hmmm... Eu sei que você tem um bom nariz. Isso não vai funcionar nos meus domínios.”

O desespero começou a crescer em Charlotte, não tinha nenhuma idéia de onde Albertine poderia estar e a bruxa tinha demonstrado ter agilidade. Um momento de desatenção de sua parte e Albertine teria Aki em mãos. Charlotte decidiu por voar envolta de seu namorado, usando o seu corpo serpentino como barreira contra possíveis tentativas.

Depois de terminar de comer o giz, Aki cruzou os braços, entediado. “Tá muito fácil assim, eu praticamente venci.”

Charlotte parou, surpresa.

“Já que você é novata, eu vou dar uma dica.” Ele deu uma piscadela. “Eu estou mais perto do que você pensa.”

De fato. Por estar parada, Charlotte notou que sua cabeça estava um tanto pesada.

Não era nenhum outro motivo senão Albertine, que estava deitada no pescoço da serpente, despreocupada, rabiscando uma folha de papel.

Aki se abraçou. “Você é tão quente e fofinha, eu adoraria tê-la em minha caixa de brinquedos.”

Charlotte rangeu seus dentes afiados e balançou a cabeça com vigor.

No entanto, Albertine segurou com firmeza no corpo da outra bruxa.

E Aki continuava abraçado a si mesmo. “Whoaaaa! HihihihahahaaaH! Eu amei essa!”

A bruxa dos doces não desistiria tão fácil. Ela escancarou sua boca e uma cópia dela saiu, encarando quem estava sobre se segurando ao seu corpo.

Albertine arregalou seus orifícios oculares.

Aki fez o mesmo, com os seus olhos. “Oh... Você pode fazer isso...”

O rabisco na folha de papel ganhou vida. Era um foguete prestes a lançar. Albertine se segurou nele com uma mão e se deixou ser levada.

“Weeeeeeeeeh!” Aki ergueu os braços.

No interior do foguete havia um lacaio da Albertine. Ele usava um capacete de astronauta, com a língua para fora. Ele olhou pela janela do veículo.

Uma grande serpente de boca voraz estava o perseguindo, sendo possível ver até o fundo da garganta.

BLUUAAARRRGHHH!” Com o desespero, o foguete acelerou.

Aki pulou excitado, fazendo gestos frenéticos. “Ai sua boba! Não olha para baixo!”

Albertine abandonou o foguete, deixando ele desaparecer no breu do céu. Ela deu várias cambalhotas no ar, em direção a um dos olhos gigantes.

Charlotte estava alcançando ela, certa de que conseguiria abocanhá-la de uma só vez apesar do tamanho da outra bruxa.

Então o incrível aconteceu. Albertine entrou na pupila e escorregou para cima como se estivesse em um tobogã. Quando foi a vez de Charlotte, a pupila se contraiu e ela esbarrou violentamente contra o olho. O impacto a deixou desorientada, com suas plumas na cabeça tortas.

“MO-MOMOE-SAN?!”

Ela balançou a cabeça para se recuperar, pois era a voz assustada de seu namorado.

Aki recuava, tremendo. “O-O que aconteceu contigo?”

Charlotte ficou desnorteada, não sabendo para onde virar a cara, mas só por um momento. Como ele sabia que ela era Nagisa?

“Peguei você.” Aki apontou para ela, sorrindo. “Hihihi...”

Emburrada, tudo que Charlotte podia fazer era um biquinho.

Como uma sombra, Michiru apareceu atrás de Aki. “Eu me diverti muito tendo vocês como meus brinquedos.”

Charlotte não perdeu tempo, um bote e a garota estava ao alcance de seus dentes.

Porém Michiru abraçou o garoto. “Eu teria mais cuidado com essa boca grande ou você pode acabar comendo mais do que deve.”

Os olhos multicoloridos da bruxa não esconderam sua frustração.

Michiru afirmou, “Você perdeu.”

Seguida por Aki, “É hora da punição.”

Charlotte balançou a cabeça, pedindo por clemência.

“Você agüenta essa dor?” Após dizer, Michiru virou a face de Aki e os dois ficaram se entreolhando.

Charlotte arregalou os olhos quando as faces deles começaram a se aproximar uma da outra, com Aki removendo a mecha de cabelo da boca de Michiru.

E os lábios se tocaram, não só isso, eles se encaixaram. Logo se ouviu os sons molhados dos movimentos, especialmente quando as línguas deles deslizavam uma sobre a outra.

A expressão de Charlotte congelou, se pudesse, também estaria mais pálida.

Os corpos vestidos deles esfregavam um ao outro. Aki desceu a mão até a bunda de Michiru, lembrando muito que fizera com Nagisa, mas dessa vez não houve protestos. Ele apertou a bunda com vontade e a garota gemeu de prazer, seguido por uma troca de sorrisos.

Michiru mordeu o lábio enquanto olhava de relance para a bruxa que estava assistindo. Então ela desceu a mão também, até uma parte estufada entre as pernas de Aki, e começou a acariciá-la.

Com nojo, Charlotte fechou os olhos e retraiu. Ela foi sendo sugada pelo seu corpo anterior e este por Nagisa. O corpo murcho da garota no chão foi se preenchendo até que Charlotte estivesse completamente dentro dela. Ela se levantou, tensa.

Michiru olhava para ela, sorrindo, enquanto Aki, inebriado pela luxúria, beijava o seu pescoço.

Nagisa esfregou o rosto, retornando a aparência humana. Com desprezo, ela se virou e começou a ir embora. “Eu vou contar tudo para a Madoka.”

“Ouviu o que ela disse, Mi-tan?” Aki abriu um grande sorriso. “Ela vai avisar a deusa faz de conta.”

“É Akkun, estou tão preocupada...” Michiru revirou os olhos. “Acho que ela vai me punir enviando eu de volta para a Lei dos Ciclos, que horripilante...”

Nagisa manteve o seu passo, afirmando com seriedade, “Não é ela que você deve temer.”

“Espere!”

Ouvindo Michiru, Nagisa viu o mundo a sua volta esmaecer, retornando aos tons escuros da rua onde eles estavam anteriormente. Ela olhou para trás.

Mas a garota não estava mais ali, apenas Aki dando de ombros. “Não tem graça sem você.”

“Michiru...” Nagisa rangeu os dentes, seu corpo tremendo de raiva. “Você não imagina o quanto eu quero te matar agora.”

“Sim, eu imagino,” disse o garoto, “mas também posso imaginar que você queira saber onde eu o encontrei.”

Ela disse nada, mas havia parado de mostrar os dentes.

“Na estação perto da sua casa. Ele queria ver você, mas não tinha coragem.” Ele se aproximou. “Ele estava sentado em um banco na plataforma com o telefone na mão. Ele pensou em ligar para você, mas desistiu, pois o trem estava chegando e ele precisava dar um pulinho, se é que você me entende.”

Ela franziu a testa, enquanto toda a sua tensão foi sendo substituída pelo pesar. “Não... Não pode ser verdade...”

“Mas é. Por isso que eu consegui controlá-lo.” Aki olhou para o seu próprio corpo e braços. “Eu tomei posse de uma vida que foi jogada fora.”

Nagisa abaixou a cabeça. “Hidaka-kun... por que... por que fez isso...”

“Pessoas virtuosas como você e Madoka são um problema. Suas intenções eram boas, mas fui eu que salvei a vida dele.” Ele falou com mais ênfase, “Tudo, tudo que acabara de acontecer foi apenas cada um recebendo o que merecia.”

Então ela sentiu a mão dele afastando o seu cabelo e acariciando a sua face.

“Mas alegre-se!” Aki estava com um sorriso sereno. “Muitos consideram uma segunda chance um milagre por si só. Eu posso te garantir que é um verdadeiro.”

As roupas mágicas de Nagisa evaporaram. Mesmo ouvindo aquilo, ela não conseguia agradecer, ainda sentia muita raiva, mas não era mais sobre Michiru.

“Vamos para a estação!” Aki deu um grande salto, alcançando o topo de um prédio.

Nagisa ficou estupefata e fez o mesmo sem pensar muito.

Na laje da construção, o garoto olhava envolta. “Hmmm... Onde ficava mesmo?”

Enquanto ela o observava, finalmente perguntando, “C-Como você fez isso?”

“O quê? O pulo? Eu encantei o corpo dele com um pouco de magia. Se você tentasse fugir carregando ele, eu teria como lutar contra. Ainda bem que você é burra.” Ele se virou para ela. “Por falar nisso, você não era uma garota mágica experiente, né?”

Nagisa respirou fundo e apontou para uma direção. “A estação fica para lá.”

Aki ergueu uma sobrancelha. “Hmmm... Obrigada.”

Chegar à estação foi rápido pulando de construção em construção. Durante o caminho, Nagisa não conseguiu tirar os olhos de Aki fazendo tal proeza. Era estranho por ser seu namorado ou talvez mesmo por ser um garoto.

Já nas catracas, Aki pagou a entrada dos dois, comentando, “Que cavalheiro seu namorado é.”

Nagisa preferiu não responder. A estação naquele horário estava mais vazia.

“Ainda bem que ninguém sentou onde ele estava.” Ele foi até um banco próximo a uma coluna.

Nagisa permaneceu em pé. “Pode remover o beijo de bruxa agora?”

“Mas é claro!” Ele puxou a manga. No antebraço havia um desenho de um giz de cera com uma grande estrela amarela de cinco pontas em sua base. O giz pintava outra estrela de cinco pontas em uma folha de papel. “Ah! Só para avisar...” Ele mostrou um hematoma que estava no pulso. “Isso aqui foi você. Devia ter mais cuidado com a sua propriedade.”

“Ele não é minha propriedade.”

“Mas o tratou como uma.” Aki ficou mais sério. “Decidiu o que seria melhor para ele, como se soubesse. Nós somos bruxas, não deusas!”

Nagisa virou a cara.

“E por isso você devia fazer que nem eu. Com um beijo de bruxa você pode saber o que ele está pensando. Nunca teve curiosidade de estar na pele de um garoto? Hmmm?”

Ela franziu a testa. “Não...”

Aki semicerrou o olhar. “Por acaso você já colocou um beijo de bruxa nele?”

Nagisa apertou os lábios e cerrou os punhos, socando a própria perna. Então ela se virou e disse com firmeza, “Já, mas foi só para ajudá-lo! Eu quero ter com ele um relacionamento... humano.”

“Viu?”

“Viu o quê?!”

“Você é mais honesta quando está com raiva. O choque faz as pessoas se comportarem melhor.” Ele balançou a cabeça. “Mas é uma grande tolice em desejar ‘relacionamentos humanos’, ele são muito falhos. Bem, tente não desperdiçar essa chance com isso.”

“Por favor, remova...”

Aki encarou Nagisa por um momento e depois tocou na marca em seu braço, fazendo-a evaporar. “Tchau tchau...” Então desmaiou.

Aquilo tinha sido tão súbito. Nagisa olhou envolta para ver se ninguém havia reparado no garoto desacordado.

Mas suas preocupações não duraram muito, pois Aki começou a se mover e abrir os olhos.

Nagisa juntou as mãos e tentou sorrir. “H-Hidaka-kun...”

Ele olhou para ela, piscando algumas vezes, e então levou a mão à boca, franzindo a testa. “Pfstchhh!”

Ela ficou confusa.

“Hihihihihahahaha! A cara que tu fez agora...”

Furiosa, Nagisa socou o ar. “Deixe-o!”

“Você achou que ele tinha apenas um beijo meu?” Aki levantou a camisa, revelando outra marca logo abaixo do umbigo. “Mas não me leve a mal, eu gosto de ti. Quando você se cansar desse mundo miserável e desse garoto, procure por mim na Lei dos Ciclos. Se eu ainda estiver viva, é claro...”

Nagisa manteve um semblante severo.

Mas o garoto continuou sorrindo até apagar a marca, desmaiando novamente.

Ela suspirou. Dessa vez estava demorando mais para ele acordar. Ela decidiu sentar ao lado dele e esperar o tempo que fosse necessário, ansiosa com o que viria a seguir.

Aki abriu os olhos rapidamente, confuso e então uma expressão de dor. Enquanto tocava em seus curativos, ele se deu conta da presença ao lado. “Eh?! M-Momoe-san?! O que está fazendo aqui?!”

“Oi.” Nagisa sorriu de leve. “Você me mandou uma mensagem estranha pelo telefone querendo me ver e... sua família ligou para mim também.”

Ele arregalou os olhos. “E-Eles conseguiram o seu número?!”

“Sim e eles me disseram que você fugiu de casa, Hidaka-kun. Sua irmã iria procurar na estação, então eu decidi fazer o mesmo, na estação aqui perto de casa, e encontrei você dormindo.”

“Eu... dormi?” Aki semicerrou o olhar e rangeu os dentes, usando as mãos para cobrir a face. “Eu não acredito... fui covarde novamente. Você não devia ter vindo.”

Nagisa sabia do que ele estava falando, mas decidiu por não tocar naquele assunto. “Mas você queria me ver, não queria? Eu também, eu estava ansiosa por isso. Eu não quero terminar o nosso relacionamento, me dê uma segunda chance.”

Ele exasperou, “Não! Você não entende, Nagisa!”

Ela recuou.

A voz dele foi se acalmando. “O problema não é você, sou eu! Eu, eu, eu, eu, eu...” Ele se abraçou, curvando o corpo, começando a chorar. “Você não me merece.”

“Você está errado, Hidaka-kun, muito errado.”

“Você viu. Você viu todos zombando de mim e eu não consigo revidar.”

Nagisa assentiu. “Eu entendo que você tem muitos problemas na escola, com Kuroki-kun e com aqueles garotos, mas isso vai passar. As coisas podem melhorar.”

“Você está contando com o futuro?” Aki levantou a cabeça e fungou o nariz. “Mesmo que as coisas melhorem, eu não vou mudar.”

“O que quer dizer com isso?”

“Eu não sou apenas fraco. Eu não tenho nenhum talento, não sou inteligente, nem mesmo tenho um bom coração... Não consigo fazer nada certo.” Mais lágrimas desceram pela face dele. “Quando a escola terminar, quando precisarmos sobreviver e procurar um lugar para nós no mundo, só vai piorar.” Ele quase riu. “Sabe aquele caderno cheio de rabiscos? Sonhos vazios, uma desculpa, uma... forma que eu encontrei para ignorar essa verdade.”

Nagisa chegou mais perto. “Mas ninguém pode te ajudar? Nem eu?”

“Esse é o maior problema!” Aki levou as mãos à cabeça. “Você não me quer, mas uma versão de mim no futuro que você espera ser melhor! Eu sabendo o que eu acabei de te contar, foi um grande erro eu ter aceitado esse relacionamento. Eu temo o dia que você vai se arrepender. Quando você disse que ia torcer por mim, doeu tanto, pois eu já sabia que eu iria falhar, falhar, falh-”

Nagisa ficou de pé na frente dele.

Aki se assustou com o que via.

A expressão dela era tensa, seus lábios tremiam. Lágrimas começaram a cair, mas sua voz era muito séria. “Aki Hidaka, eu vou torcer que você falhe.”

“O quê?”

Ela deixou bem claro. “Eu quero que você falhe, Aki.”

Ele balançou a cabeça. “Eu não estou entendendo...”

“Falhe, apenas falhe,” ela continuou, “falhe, falhe muito. Falhe infinitas vezes. Eu prefiro esse Aki a alguém que desiste de sua vida!”

Aki ficou boquiaberto e suas lágrimas começaram a verter com mais intensidade. Então ele abaixou a cabeça e rangeu os dentes em um lamento. “Hgnnnnnnnnn...”

Vendo ele assim, Nagisa não conseguiu mais manter a seriedade, chorando também. Ela voltou a sentar e o segurou, sentindo os soluços dele. Assim como ele, ela buscou manter o silêncio, apenas traindo com o som trêmulo da respiração. Assim perdurou, por um tempo que nenhum dos dois contou, até que uma forte luz a cegou.

Era a lanterna de um vigilante da estação. “Aconteceu algo?”

Ainda abraçada a Aki, ela respondeu. “Senhor, nós estamos voltando para casa...”

O vigilante desligou a lanterna e examinou o uniforme escolar dos dois, além dos curativos do garoto. Ele assentiu, mas ainda com um olhar de suspeita. “Façam isso crianças, já é tarde.”

Vendo ele se afastando, Nagisa com uma respiração ofegante sussurrou ao seu namorado. “Vamos voltar para casa...”

Aki, ainda cabisbaixo, deu um leve aceno confirmando.

Eles pegaram o primeiro trem que apareceu. Dentro do vagão, o silêncio continuou a reinar entre os dois, seus olhos inchados, exaustos emocionalmente.

Quando chegou ao condomínio onde morava, Aki temeu a reação que sua família teria e decidiu entrar em uma rua lateral mais escura com Nagisa. No entanto, ele não sabia o que fazer dali em diante. “Hmmm... e-então...”

Nagisa tomou esse papel. “Não conversamos sobre isso, mas digo agora que não devemos decidir sozinho sobre proteger um ao outro. Vamos fazer isso junto.”

Ele assentiu. “Ok... Momoe-san...”

“Nagisa,” ela afirmou com convicção, “de agora em diante, Aki.”

“N-Nagisa...” Os olhos dele se arregalaram quando ambas as mãos dela pousaram em seu peito.

“Junto. Eu não quero mais que você tenha medo de mim.”

A face dela se aproximou e foi um pouco para o lado. Um pômulo dela, o olho e o cabelo branco era tudo o que Aki via quando sua bochecha recebeu um leve toque. Quando sua mente registrou o que havia transpirado ele sentiu um calor subir para a cabeça, e um pouco de dor por causa dos cortes.

Ela se afastou. “Eu quero que você falhe... porque, mesmo que você possa não saber, eu falhei contigo.”

Ele abaixou o olhar, confuso. “Mas nada se compara com o que eu-”

“Não é uma questão de quem falhou mais!” ela interrompeu, “isso acontece e devemos conviver com isso. D-Devemos...”

Aki sentiu seu corpo sendo envolvido pelos braços dela e foi outro momento que ele ficou sem reação. O abraço era apertado e ele pôde sentir sua orelha tocando uma das sobrancelhas dela.

Nagisa se afastou novamente, dessa vez, completamente. Ela puxou o cabelo para trás com as suas mãos trêmulas e um par de lágrimas descia lentamente.

Aki abriu a boca para dizer algo, mas não tinha palavras que atendessem a sua intenção.

Ela esfregou a face e sorriu. “Sua família deve estar preocupada.”

Ele assentiu. “D-Desculpe por tudo... Momo-”

“Nagisa!”

“Na... gisa...”

“Sua namorada.” Ela juntou as mãos. “E ela não quer seu namorado pedindo desculpas. Ela quer ver ele vivendo, falhando e vivendo. É só isso.”

Aki não disse nada, até tinha parado de respirar. Quando voltou a si, ele começou a andar para trás e deu um leve sorriso. “Tchau namorada...”

“Até amanhã, namorado. Não se preocupe comigo.” Nagisa acenou até que ele sumisse de vista. Sozinha, ela se lembrou. “É melhor avisar a irmã.” Porém, quando puxou o smartphone, um objeto caiu do bolso.

Era uma pequena bola de borracha, com desenhos coloridos de estrelas em sua superfície.

Imóvel, Nagisa a observou quicando até que parasse.

Foi quando ela pegou de volta.

Notas finais
Próximo capítulo: Resistência