Amor

22 Extra


Esse extra é diferente dos anteriores, pois não envolve cenas removidas durante o planejamento. Considere essas como cenas pós créditos não existentes.

Sem mais delongas, vamos começar com a nossa dupla errante!

Além da periferia de Mitakihara, caminhando no acostamento de uma rodovia, Kyouko reclamava, “Que calor...”

“Dá pra parar com isso? Você está falando disso desde que a gente deixou o apartamento da Mami-san,” disse Sayaka, “e nem está quente agora, o sol já baixou.”

A ruiva puxava a gola. “Tá quente!”

“Você nem tá suando muito, deve ser psicológico...” Sayaka deu um sorrisinho. “Vai ver você tá se lembrando do terno.”

“Ahh!” Kyouko pôs as mãos na cabeça e fechou os olhos. “Não importa o que for, nunca mais irei vestir aquela câmara de tortura. Onde eu tava com a cabeça em aceitar a idéia da Mami.”

“Para com esse drama. Você vai esquecer logo disso...” O sorriso de Sayaka cresceu. “... e daí a gente vai fazer você vestir de novo.”

“Qual é!”

“Brincadeira. Brincadeirinha!” Ela apontou. “Olhe! O posto de combustível.”

“É... Eu já tinha visto,” respondeu a outra garota, desconfiada com a súbita mudança de assunto.

Antes de chegarem ao posto de combustível, elas pararam em um ponto onde o mato na beira da estrada era alto, com um galho quebrado.

“É aqui, né?” perguntou Sayaka.

“Já esqueceu?” Kyouko empurrou as folhagens e entrou.

O caminho entre os arbustos era oneroso e havia sons de animais que Sayaka não tinha ouvido na outra vez que ela esteve ali. “Está escurecendo...”

Kyouko abria caminho sem fazer cerimônias. “Tá com medo?”

“Não, só... sei lá, pode ter uma cobra.”

“Heh, e daí se uma te morder?”

Sayaka cruzou os braços e disse, emburrada, “Só porque eu vou sobreviver, não quer dizer que devo ser descuidada.”

“Se eu achar uma cobra, eu dou para você cuidar e... O QUÊ?!”

Sayaka se assustou ao ver Kyouko correr para onde a vegetação era mais esparsa. “O que foi?” Logo ela entendeu o porquê.

“Cadê o cavalo?” A ruiva rapidamente vasculhou um monte de galhos que estava no chão, encontrando as mochilas. “Nossas coisas estão aqui. Ela deve ter saído por conta própria.” Furiosa, ela chutou um arbusto. “Droga! Eu devia ter amarrado ela.”

“Você sabe que isso não adianta.” Com as mãos na cintura, Sayaka olhou envolta. “Ela não deve ter ido muito longe... Acho que tem uma trilha ali, tenta chamá-la.”

“Ok.” Kyouko levou as mãos à boca. “ÔÔÔÔÔÔÔ HOMURAAAAA! VEM AQUI!”

Sayaka tampou os ouvidos.

“HHOOOOOOOMMMMUUUUURRRRRAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHH!”

“Se tivesse dado um nome descente, ela já teria vindo.”

Kyouko olhou para a garota de cabelos azuis. “Por que você não para de reclamar e começa a ajudar, hein?”

“Você podia tentar fazer o ‘thuc thuc’.”

“Thuc thuc cuméquié?” Kyouko fez uma careta.

Sayaka abriu a boca para mostrar. “Você faz um barulho assim com a língua várias vezes. Isso vai atrair ela.”

Kyouko ergueu uma sobrancelha. “Onde é que tu viu isso? Não vai me dizer que foi na TV.”

“Em um documentário.” Sayaka assentiu. “Funciona com cachorros também.”

“Ah...” Kyouko coçou a cabeça. “Então faz isso, já que tu sabe...”

“Não,” Sayaka demandou, “tem que ser você!”

Deixando a outra garota novamente irritada. “Por quê?”

“Por que ela gosta de ti.”

“Ela não gosta de você também?”

“Ela deve gostar de mim porque eu gosto de você.” A expressão de Sayaka congelou com o que ela acabara de dizer.

“Hmmm...” Kyouko ficou pensativa. “É... Talvez você tenha razão, ainda mais que sou eu que guio ela. ”

“E-Era isso que eu queria dizer!” Sayaka ficou sem jeito. “Hahaha...”

Kyouko franziu a testa. “Por que está assim?”

“Nada! Nada!” Sayaka apontou para trilha. “É melhor nós seguirmos isso, ela pode estar longe.”

Kyouko abriu os braços. “Mas você não tinha acabado de dizer que ela não devia estar longe?”

“Mudei de idéia. Vai logo!”

“Tch...” Kyouko seguiu a trilha, com Sayaka atrás. Ela resmungou algo inteligível e praticou com a sua língua para fazer o barulho. “Ti... ti... thu... thuc thuc thuc thuc. Homura! Thuc thuc thuc thuc...”

Ouvindo aquilo, Sayaka quase não conseguiu segurar o riso. “Pfstchhh!”

Kyouko olhou para trás. “O que foi?”

“Ah... Foi um inseto que pousou no meu nariz, eu quase espirrei.” Ela abriu um sorriso.

“Hmmm...” Kyouko voltou a olhar para trilha. “Vamos encontrar ela.”

Vendo como a ruiva estava séria, Sayaka balançou cabeça, desaprovando a si mesma, e respondeu, “Certo!”

“Thuc thuc thuc thuc...”

Parece que nossas garotas tiveram alguns problemas técnicos... Enquanto isso vamos para a próxima cena.

/人 ‿‿ 人\

Nagisa e Aki sentavam juntos à mesa com Ayako e Sanjuro no refeitório durante o intervalo.

Perdida em seus pensamentos, Nagisa mal sentia o gosto da comida. Desde que seu namorado descobriu sobre a magia, os dias na escola estavam sendo surpreendentes normais, em parte porque ela mesma pediu para que Aki não perguntasse mais sobre aquele assunto e ele estava respeitando isso, por hora...

“Vocês estão se dando bem agora.”

O comentário de Ayako trouxe Nagisa de volta. “Oi?”

“Desde que o reinado de Kuroki estava acabando...” A garota de cabelos castanhos sorriu maliciosamente. “Vocês começaram chamar um ao outro pelo primeiro nome e estão mais desinibidos.”

“Desinibidos?” Nagisa trocou olhares com Aki e depois sorriu. “É... Acho que isso natural por estarmos namorando por algum tempo.”

“Sim,” Aki complementou, “nós aprendemos muito.”

Nagisa teve uma pavorosa sensação de que ele havia falado demais. Algo fatal diante daquela pessoa.

“O que vocês dois aprenderam?” Ayako semicerrou o olhar.

Sanjuro também. “É, eu também quero saber.”

“Ah...” Aki trocou olhares novamente com Nagisa. “Ehhh... a gente aprendeu a conversar, comer junto... uuhhh... andar lado a lado sem um tropeçar no outro. Sabe, é mais difícil do que parece.”

Nagisa assentia para tudo o que ele dizia, com maior sorriso que ela tinha para oferecer, ao menos o maior humanamente possível.

“Uhum...” Ayako cruzou os braços. “Certo Nagisa-chan, me conta.”

“Sobre o quê?” Nagisa franziu a testa.

Os olhos de Ayako cresceram e ela se inclinou sobre a mesa, quase deitando nela, para pôr sua face perto da outra garota. “TUDO! To. dos. os. de. ta. lhes.”

Nagisa se inclinou para trás. “V-Você está me assustando...”

“Kitomono-san,” Aki repreendeu, “não incomoda ela.”

Sanjuro sorriu. “Tu pretende ficar no caminho da minha namorada?”

“Se for preciso.” Aki se levantou.

Deixando os outros três surpresos.

“Onde houver desesperança, onde houver almas carente de ajuda.” Aki cerrou os punhos, socando um ao outro na frente dele. “Abuso! Intimidação! Maldade! Exclusão! Onde eles estiverem, é onde o clube anti-bullying estará!”

O refeitório olhou para a mesa deles.

Nagisa usou o seu cabelo para esconder sua face vermelha.

“E o marica do vidro ataca novamente!” comentou Sanjuro, enquanto tentava segurar o riso

“AAAAHAHAHAAHAHAHAHA!” Ayako não conseguiu.

Apesar de tudo, Aki continuava confiante. “Esse grito de guerra do clube foi idéia do vice-presidente. Nagisa achou legal.”

A afirmação fez Ayako parar de rir de imediato. Boquiaberta, ela consultou a outra garota. “Jura?!”

“Eh?” Nagisa olhou para Aki.

O garoto estava com um sorriso sereno, repetindo o seu gesto com os punhos para ela.

Nagisa compartilhou o sorriso, pronta para dar a confirmação mais dolorosa da sua vida.

Para quem queria saber qual tinha sido a idéia do nosso grande Nakazawa-senpai...

/人 ‿‿ 人\

“E... E esse são os testículos.”

Mami apontou para figura do sistema reprodutor masculino contido no livro de biologia. Fazer isso não era o seu plano para aquela noite na sala de estar de seu apartamento, mas o que lhe deixava mais perturbada era com quem.

Nagisa olhou atentamente para figura e depois copiou em seu caderno. “Testículos... uhum.”

“Isso era tudo que você queria estudar, não é?” Mami espiou, preocupada com o que ela estava fazendo.

“Sobre essa parte, sim.” Nagisa fechou o caderno. “Nas provas que você fez, caiu muitas questões desse assunto?”

“Não que eu me lembre.” Mami sorriu. “Talvez por ser um tanto embaraçoso...”

Nagisa deu de ombros. “Para mim não é.”

“N-Não?” Mami ergueu as sobrancelhas.

“Não...” Nagisa abaixou o olhar. “Quando eu estava no hospital com a minha mãe, ela me contou tudo a respeito do homem e da mulher e de onde vêm os bebês. Ela não queria que alguém tirasse proveito da minha ingenuidade enquanto ela estivesse doente.”

“Entendo. Eu tive essa conversa com os meus pais quando eu comecei a... crescer...” Mami ficou confusa. “Mas se você já sabe, por que estamos estudando?”

“Ela não me ensinou em termos técnicos.”

Mami esfregou o pescoço. “Claro! Cla... ro...” Então viu Nagisa cutucar o desenho de um pênis que estava no livro.

“Deve ser estranho, não é?” ela comentou, “ter que andar com algo pendurado entre-”

Mami fechou o livro de uma vez. “Hora do chá~!” Ela se levantou e correu até a cozinha, carregando-o consigo.

Enquanto Nagisa ficou olhando para o seu dedo que quase havia sido esmagado.

A idéia da fic ‘Amor’ foi amadurecendo enquanto eu estava escrevendo ‘Desconexão’. Eu vejo em Madoka Magica o potencial de explorar vários gêneros e temas. Romance não era algo novo nessa franquia, mas nunca envolvendo um garoto normal, algo incomum até em outros universos de garotas de mágicas.

Outra escolha importante era a garota. Sayaka e Kyouko têm muitos fãs e Homura e Madoka são praticamente casadas. Minhas opções eram Mami e Nagisa. Nossa loira tem um passado onde ela evitou relacionamentos com pessoas comuns para evitar que elas tivessem envolvimento com a sua vida de garota mágica, enquanto Nagisa era uma página em branco que eu estava escrevendo. A escolha parecia óbvia, mas havia um problema: a idade.

O problema se tornou uma oportunidade. É recorrente em Madoka Magica o idealismo levar uma surra da realidade. Não seria diferente em um relacionamento amoroso entre praticamente duas crianças, associado a uma imagem de fofura e pureza, de elas terem que lidar com temas sexuais. Então decidi por escrever uma história séria para uma faixa etária mais adulta.

É claro que não esqueci de Mami. Eu pensei que alguns leitores poderiam achar que ela estaria ficando sozinha novamente. Eu vi também que alguns não gostam do MamiNagi, pois não haveria uma química entre elas no material oficial, apenas algo forçado. Então resolvi trazer a vilã bobinha Sasa. Não é perfeito, mas alguém ignorante como ela pode ser a kouhai que Mami precisa. Quem sabe com o tempo Mami fará as pazes com a sua libido...

A última adição foi Michiru, pois a história estava precisando de um pouco de tempero mágico. Já que a bruxa Albertine nunca fez uma aparição no anime, foi uma escolha natural.

Eu iria publicar ‘Amor’ depois de ‘Queda’. ‘Guardião’ viria mais tarde, mas decidi fazer troca, pois cronologicamente fazia mais sentido. Enquanto eu escrevia ‘Desconexão’ eu pensava que estava sendo ambicioso demais, que eu iria parar antes disso. Três anos se passaram e cá estou eu terminando ‘Amor’. Algumas coisas mudaram, nem todas para melhor. O anúncio de um novo filme ou temporada ainda é um sonho. Fora ‘Desconexão’, minhas outras obras receberam pouca atenção. É claro, eu estou desenvolvendo a série de uma forma que ninguém espera, e poucos querem. Acredito que essa impopularidade me deu certo amadurecimento e me sinto mais confiante para chegar aonde quero.

É por isso que anuncio que o próximo volume, ‘Kalos’, é uma oneshot protagonizada por Matsuri Hinata. Nossa garota das manoplas encontrará uma surpreendente particularidade da Lei dos Ciclos. Talvez não tão surpreendente para vocês, leitores afiados. Eu não sou de definir datas, ainda mais que a minha rotina é incerta, mas espero publicá-la antes do fim do ano.

Inté!

Jafs

/人 ‿‿ 人\

“Thuc thuc thuc thuc...”

Kyouko e Sayaka continuavam sua procura pelo cavalo, mas não por muito tempo.

“Thuc thuc... Ah, isso não tá dando certo. Eu não consigo mais enxergar a trilha!”

Sayaka concordou, “Está muito escuro agora.”

“Ei, está sentindo isso?” Kyouko cheirou o ar. “É camarão frito.”

“Camarão frito?” Sayaka cheirou também. “É, tem cheiro de comida.”

“Vamos lá!”

“O quê?!” Sayaka não estava acreditando. “Você já se esqueceu do cavalo?”

“Não, mas eu já desisti. Ela deve aparecer quando a gente menos espera, você vai ver. Não é a toa que a chamei de Homura.” Kyouko foi em direção ao cheiro.

Sayaka suspirou e a seguiu.

Elas logo avistaram luzes urbanas. Era um distrito residencial pouco desenvolvido, com muitos lotes em aberto para construir.

Em frente a uma das casas havia uma barraca montada onde subia a fumaça da fritura. Ao lado estava um cavalo.

“É ela!”

Kyouko e Sayaka correram para ver mais de perto e não tinham dúvidas de que era o animal que procuravam.

“Hã?” O homem da barraca notou a reação delas. “Boa noite? Essa égua é de vocês?”

“Ela é do nosso pai.” Kyouko olhou para Sayaka.

A outra garota assentiu.

O cavalo chegou mais perto, mordendo e puxando gentilmente a camisa da ruiva. “Ei!”

“Ela conhece vocês,” afirmou o homem.

Sayaka falou, “Senhor, onde você a encontrou?”

“Onde eu a encontrei?” O homem sorriu. “Eu passei o dia aqui cozinhando quando o seu animal veio, atraído pelo cheiro eu acho, e comeu alguns dos camarões que eu havia preparado.”

As duas garotas ficaram boquiabertas. Kyouko perguntou, “Cuma?! Ela comeu camarão frito?”

“Eu fiquei surpreso também, mas ela comia com vontade. Até salivava.”

Kyouko acariciou a crina do animal, “Você é um cavalo estranho, Homura...”

“Esse é o nome dela?” O homem reacendeu o fogo e voltou a fritar o camarão. “Eu a estava chamando de pêsseguinha.”

“Ah... Desculpe por ela ter te incomodado,” disse Sayaka.

“Não teve problema algum!” respondeu o homem, “ela atraiu a atenção das pessoas para a minha barraca. Fora a fome, seu animal é muito dócil, as crianças adoraram!”

“Se tudo tá resolvido então...” Kyouko chegou mais perto do tacho com os camarões sendo fritos. “Vou querer uma vasilha disso!”

Sayaka ficou preocupada com a cara de fome da outra garota. “Vê se não vai comer mais que o cavalo.”

O homem mexia o tacho, misturando o camarão com os ingredientes. “Eu acho difícil que ela consiga.”

Sayaka virou a cara disse para si mesma, “Eu tenho as minhas dúvidas...”

“Ela comeu tanto assim?” perguntou Kyouko.

“Sim, sim...” O homem colocou os camarões fumegantes em uma vasilha e entregou para ela, juto com um par de palitos de madeira. “Tanto que eu estava esperando o dono dela aparecer para que ele pudesse pagar a conta.”

“S-Sério?” Com um grande sorriso, Kyouko olhou para Sayaka.

Ela revirou os olhos. “E lá se vai o dinheiro da Mami-san...”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!