Amor

1 Capítulo 1


Amor...

"Uma palavra tão facilmente usada. Que até mesmo espanta.

A facilidade de usar o verbo "amar" já não é mais platônico. Já não é mais simbólico. Quase deixa de ser significativo. Suas intenções se perdem no comum.

Verdadeiro és seu amor ou comum és seu amor? Eis a questão.

Crianças eram capazes de dizer: 'eu te amo mamãe', hoje elas dizem:'eu o amo mamãe'.

Que amor é esse? Que é preenchido por esperanças vazias ou por lembranças vagas? Que é precoce que se mede?

Amor, o verdadeiro amor, era tão bonito.

Quase nunca usado como referência. Seu significado era mesmo algo de muito valor. Era verdadeiro.

Preenchido por contos literários que abrangem falas de Romeu e Julieta ou todo um clássico versátil do famoso William Shakespeare. Um amor sem vergonha, que brotava na janela e você sofria para tê-lo e não por perde-lo.

Um amor que entrelaçava toda uma jornada de desesperos e angústias, 'és tú minha amada, fazes de mim um conde de seu amor?', que passava por todo um classicismo e batalha para que então era de se esperar um fim com felicidades? Ou o famoso final feliz?

O amor, único e verdadeiro, nada versátil, rígido como pedra e sólido como pedregulhos, o amor materno.

Deste você arranca os melhores sentimentos. Absorve todas as maravilhas possíveis proporcionadas, e por fim, retribui com intensidade lubrificada e com pitadas de eu quero mais.

O amor materno. Tão jovem. Amor à primeira vista. Pouco de ti precisa saber, mas se tem a ti, o ti já basta. É amor.

Amor naquela época?

Ora, lembro-me muito bem.

Os cavalheiros muitos tentaram trocar seus míseros dotes, que não compravam uma cabeça de gado, por senhoritas. Casavam-se. Era uma troca justa.

Hoje, qual relação temos do comum com o verdadeiro?

Quase me recuso de dizer 'um amor comum', explicitamente um amor pobre, que depende de suas moças em troca de seus dotes. Em casos de ter as damas com singelo interesse em seus dotes. Que amor fabricado. Um amor porcaria.

Onde estas tu Machado de Assis?

Que com muito de suas Helenas criou enredos simples, atrativos, aventureiros, com pontos finais elegantes que sempre simbolizavam o mais importante; 'aqui houve amor'.

Parece cru.

Um amor cru, que é capaz de castigar, a ponto de ser cruel, somente para validar-se amor.

Saudades de quando o amor de muitos, valiam muito para poucos."

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