Amor é um Vício
2 Capítulo 2 - Como posso dizer não?
— Ei, me dá um cigarro – pediu Alex se jogando ao seu lado no sofá. – Você está bem mesmo?
Ele entregou o cigarro sem encará-lo. Ainda não conseguia pensar direito por conta da atitude de Alex um pouco antes. Sua cabeça estava repleta de pensamentos lascivos. E ainda por cima o amigo o observava com aqueles olhos que pareciam estar rindo dele. Daniel não havia percebido isso ainda, mas Alex sempre o olhou daquela forma? Ou era apenas impressão sua?
— Nunca me canso do seu chuveiro, cara, que inveja. Eu posso tomar banho aqui mais vezes?
Daniel balançou a cabeça positivamente por puro impulso, sem nem pensar. Alex acendeu o cigarro. Ele ainda comia um pedaço de pão de centeio com geleia de goiaba.
— Ei, cara, olhe pra mim. Isto faz com que eu me sinta mal, parece que eu o maltratei. Desculpe se fui um pouco impulsivo antes, é que não consigo... – ele ficou em silêncio antes de terminar a frase.
Daniel o olhou. Alex abriu um sorriso tão alegre que quase fez seu coração parar de bater. Fofo, fofo demais. Sexy demais. Porra. Eu realmente estou atraído por esse mané? Mas somos garotos. Eu não deveria gostar de garotos. Não que eu me importe, se for o Alex, é claro. Pensou enquanto terminava de tomar a quinta xícara de café seguida. O nervosismo o fazia beber café e fumar um cigarro atrás do outro. E sua definição de nervosismo era Alex.
— Eu estou bem – respondeu a pergunta anterior. – Foi só momentâneo.
— Ainda bem, você deve tomar mais cuidado. Eu não vou estar sempre aqui para te segurar em meus braços.
Ele está zombando de mim, não pode ser outra coisa. Como se a culpa do meu descuido fosse MINHA, e não SUA. As palavras ficaram presas na garganta, mas se as dissesse, o garoto provavelmente se aproveitaria disso.
— Que filme vamos ver? Senhor dos Anéis? Ou você quer ver Game of Thrones? – perguntou Alex.
— Você não assistiu Senhor dos Anéis?
Ele negou.
— Foi mal, sempre durmo.
— Então por que está perguntando se vamos ver um filme da qual você vai dormir?
Ele deu de ombros.
— Se você me manter acordado eu assisto – disse ele com uma malícia completamente sinistra.
— Não. Não. Se for dormir, então a gente assiste outra coisa. Ou não assistimos nada.
— É... Você quem manda, Alteza.
Daniel levantou a sobrancelha em desaprovação.
— Vai voltar a me tratar como seu fosse da realeza?
— Não posso?
— Não. Não pode. É desagradável. Odeio realeza e os parasitários que vivem do dinheiro do povo.
Alex riu.
— Você me parece um príncipe. Com esses olhos azuis, esse cabelo escuro, sempre cheiroso, todo engomado e rico, com esse rostinho bonito e sempre pronto a dar ordens. Você é o típico principizinho.
— Isso soa completamente ofensivo vindo de você – disse Daniel.
Alex suspirou. A fumaça do cigarro em seus dedos subia lentamente e se desfazia no ar.
— Vamos beber. Hoje é sexta, eu tô morto. Quero encher a cara – Alex piscou para ele. – E me divertir comendo algo delicioso.
— Você sempre quer encher a cara – Daniel rebateu, ignorando o que foi dito depois.
— Só quando estou com você.
Não era completamente mentira. Alex bebia com frequência, é fato, apesar de nunca ser além da conta, mas sempre estavam juntos e a maioria das vezes quando ele bebia demais, ele sempre estava por perto.
— Por quê? – Dan perguntou curioso.
— Me sinto mais seguro, sabe? Sei que com você por perto eu nunca vou sair da linha.
— E você costuma sair da linha?
— Algumas vezes. Mas com você por perto eu me controlo. De todas as pessoas, você é a única que não quero decepcionar. Ou machucar.
A declaração deixou Daniel sem jeito. Ele parecia tão desalento quando falou que pareceu um cachorro abandonado.
— Entendo. Você nunca me pareceu alguém que saísse da linha.
— Isto é porque você é gentil demais comigo.
— Você também é gentil com todos.
— É, sou.
Depois disso, Alex ficou em silêncio por algum tempo e saiu para pegar as bebidas. Daniel não compreendeu muito bem o que ele havia dito, porém não fez questão de entender. Havia determinadas coisas que não gostaria de saber e algo em Alex que não fosse genuinamente generoso, era o tipo de coisa da qual ele queria manter ignorância completa.
No final, deixaram para ver filme depois. Ficaram jogando God of War, Call of Duty e terminaram em antigos jogos da Nintendo. Conversaram sobre várias coisas: garotas; história; coisas triviais de garotos; sobre pessoas que conheciam; sobre coisas que queriam fazer e outras não tão interessantes.
Era só mais um dia normal entre eles. Coisas que faziam diariamente. Nada em especial. Por algum tempo Daniel esqueceu-se até mesmo do que havia ocorrido. Beberam e beberam de novo até ficarem bêbedos. Não muito, mas o suficiente para terem um pouco de dificuldade até para caminhar corretamente. Horas se passaram o sol já havia dado espaço para lua. A noite caia sobre eles. Quando pararam de beber já passava das oito. Daniel foi tomar banho o corpo começava a pesar e um banho quente ajudaria a aliviar a tensão, mesmo que a noite estivesse quente. Alex ficou no sofá fumando cigarro e jogando Call of Duty, já que era a especialidade dele.
Não havia muito que fazer sobre Alex, Daniel sabia disso. Incapaz de compreender seus próprios sentimentos, não estava apto a entender os do garoto. Seria arrogância demais da parte dele pensar que tudo em Alex fosse claro para ele como antes. Ele já não é mais um garotinho, tem seus próprios conflitos e interesses, e acima de tudo, tem controle sobre essa situação, para ele, provavelmente, isto não passa de um desafio, pensou Daniel, enquanto se ensaboava.
Quando terminou o banho Alex ainda jogava então ele se dirigiu ao quarto para se trocar. A mente estava um pouco nublada por causa do álcool. Mas ainda era capaz de pensar racionalmente, mesmo que pouco. E não podia deixar transparecer ainda mais seu interesse sexual pelo garoto. Naquele instante estava mais vulnerável. E qualquer brecha para Alex podia ser explorada. Quanto menos pensasse naquilo, talvez, poderia esquecer com o tempo. Talvez tudo não passasse de um sentimento juvenil, dado ao fato de ambos terem crescidos juntos e Daniel ver em Alex tudo o que mais ama em um amigo. Provavelmente, era apenas um sentimento passageiro, algo que outros adolescentes experimentam nesta fase. Se deixasse de lado, logo esqueceria. Não podia levar aquilo adiante.
Deixou Alex jogando enquanto buscava o colchão vago no quarto de hóspedes. A casa estava em reforma em alguns cômodos, somente nos cômodos de baixo, já que os cômodos acima haviam sido reformados há meio ano. Os pais não voltariam tão cedo, estavam na Dinamarca, em algum trabalho estrangeiro. Eram donos de um conglomerado de indústrias de produção de café, e exportavam em grande parte para países estrangeiros. Viagens a negócio acontecia com frequência. Havia épocas que Daniel ficava até três meses sem vê-los, mas isto não era de fato um problema. Alguém tão privilegiado como ele não poderia se dar ao luxo de ter tudo, inclusive pais presentes.
Quando levou o colchão para o quarto no cômodo de cima ouviu o celular tocar. Uma mensagem de Fernanda, com quem ficava às vezes. A mensagem era um emoji sorridente, ele respondeu com outro, e depois enviou um: “boa noite”. Gostava de Fernanda e a companhia dela era agradável. Não era ruim ficar com ela, na verdade, na maior parte do tempo que estavam juntos ele ficava sorrindo das piadas dela. E o melhor de tudo, era que ela não depositava todo tipo de ilusão de um relacionamento sério entre ambos. Era só algo corriqueiro entre eles, nada formal ou que pudesse vir a se tornar um relacionamento pessoal.
Terminou de arrumar o colchão para Alex e ia saindo do quarto quando ouviu sua voz. Ele falava no telefone. Daniel o ouviu dizer:
— Eu não sou seu cachorro, Ana. Não sou sequer seu namorado mais. Não temos mais nada em comum. Eu me cansei de suas paranoias e do seu jeito fútil. Não me procure mais.
Ana, ele está discutindo com a namorada dele. Logo em seguida a voz dele foi carregada de raiva.
— Dan não tem nada a ver com isso – disse ele entre dentes. – Não o coloque no meio. Não ouse falar dele como se você o conhecesse. Eu disse desde o início quem era mais importante. E você continuou pedindo para que eu me afastasse dele. O chamando de mimado ou garotinho rico, dizendo que não tínhamos nada em comum. Você não sabe nada sobre ele.
A voz dele foi ficando cada vez mais assustadora. Repleta de uma ameaça velada. Nunca antes o ouvira falar de tal maneira. Nunca antes o tinha visto tão irado.
— Você não passa de um estorvo, uma paranóica e ignorante. Nunca fui nada para você além de um corpo da qual você buscava sexo. Você nunca sequer perguntou se eu estava bem. Tratava-me como um cachorro e ainda tentava me afastar de Dan – sua voz ficou mais baixa a cada palavra, mas ele pode o ouvir dizer: – Se você tentar me ferrar com ele irei fazer da sua vida um inferno. Faço você viver com medo o resto da sua vida.
Silêncio. Daniel ficou parado na porta do quarto sem saber o que fazer. Não podia aparecer agora, Alex saberia que ele ouviu a conversa. Não queria causar problemas, nunca foi sua intenção. Mas agora entendia o motivo deles sempre parecerem brigados. E o motivo de Ana nunca parecer gostar de sua presença. Ela não gostava dele, e por isso, Alex e ela sempre brigavam. Saber disso o deixou chateado, por mais que tentasse evitar tais coisas acabava sempre sendo um problema. E não gostava de causar problemas às pessoas, especialmente a Alex.
— Daniel, venha aqui! – Ouviu Alex chamando.
Isso foi em tom de ordem? Ou foi só impressão minha? Não lhe pareceu nada aprazível à voz do garoto.
— Calma aí, tô terminando de arrumar o colchão – mentiu, precisava de um tempo para não deixar transparecer em seu rosto que ouviu a conversa.
Alex, no entanto, não esperou. Daniel o viu saindo da sala e indo em direção ao quarto. Fingiu estar terminando de arrumar a cama. Alex parou em frente à porta e a fechou, puxando a cortina e Daniel não entendeu o porquê disso, já que não havia ninguém na casa.
— Não precisava fazer isso por mim, eu mesmo poderia fazer – disse olhando para o colchão. – Foi totalmente desnecessário.
— Você é visita, é meu dever... – Daniel retrucou – Pera, por que seria desnecessário?
Ele se aproximou. Dan viu seus olhos brilhando, o rosto um pouco vermelho pelo álcool. Ele tirou a camiseta, — ele sempre fazia — não poderia culpá-lo, estava quente. Então ligou o ar condicionado do quarto.
— O que sou pra você, Dan? – perguntou com a voz abafada.
— Que tipo de pergunta é essa?
— Só responda! Droga! Por que você sempre tem que responder uma pergunta com outra?
Birrento.
— Você é meu amigo.
Ele bufou.
— Ótimo. Surpreendente. Magnífica resposta – disse com sarcasmo.
— Você está bêbado.
— Muito perspicaz da sua parte.
— Você está começando a me irritar.
— É? Mas você quase sempre fica irritado comigo.
— Porque você não colabora.
Ele balançou a cabeça.
— Então sou um estorvo que sempre deixa você irritado?
— Não foi isso que eu disse – negou Daniel. – Você está colocando palavras na minha boca.
— Então, o que eu sou pra você? – tornou a perguntar.
— Você é meu melhor amigo, eu gosto de você, gosto de estar com você – respondeu rapidamente antes que as palavras ficassem presas na garganta. – É isto que queria ouvir?
— Não especificamente, mas sim – ele se aproximou ainda mais, Daniel se afastou, e ele se aproximou. – Você jura que nunca vai me deixar? Que não vai me deixar como outros já fizeram? Jura?
— Não estou entendendo, aonde você quer chegar? O que aconteceu?
— Apenas diga que sim, eu só preciso ouvir isso.
— Eu não sei o que você está tentando dizer. Você está me deixando confuso.
Alex o encarava com tamanha intensidade que Daniel não sabia o que aquele olhar estava tentando lhe dizer. Mas uma parte dele sofria isto ficou bastante claro, quase como se algo terrível tivesse acontecido com ele.
Ele abriu a boca para falar algo, porém, fechou logo em seguida. Tais atitudes não eram nada comuns em Alex. Ele deu outro passo e então Daniel se viu entre ele e a parede enquanto se afastava. Nem ao menos sabia o motivo de estar se afastando.
Os braços de Alex o prenderam na parede sem deixar brechas para que Dan saísse.
— Você é a pessoa mais especial na minha vida – disse com a voz baixa. – Sem você não me sobra muita coisa. Então, eu não sei bem o que isso significa, mas quero que você compreenda que eu posso fazer qualquer coisa por você.
Isto está ficando completamente problemático. Ele consegue ter controle mesmo quando está mais vulnerável. Para ele eu pareço o quê? Um garoto da qual proteção dele é necessário?
— Eu prometo que não vou sair do seu lado – Daniel disse, é não era mentira, não tinha intenção de se afastar do amigo. – Eu prometo.
Alex sorriu gentilmente. Umas das suas mãos seguraram a parte de trás do pescoço de Daniel sem machucá-lo. O garoto cobriu todo espaço que o separavam. O coração dele neste momento já estava a mil, e todo seu corpo sentia o calor de Alex em cima dele.
— Eu não quero machucar você de forma alguma, então, você pode dizer não agora... – seu rosto se aproximou do dele e sua boca relou em seu ouvido – Ou não vou conseguir parar.
— O que você está dizendo?
A mão dele puxou sua cabeça pelo pescoço. Ele era um pouco mais alto. E também mais atlético. E seu abdômen começou a friccionar seu peito.
Como é que eu me deixei ficar nesta posição de vulnerabilidade? Sua mente ficou a um turbilhão. Totalmente incapacitada de raciocinar com clareza. Quando é que ele ficou tão sexy? Por que eu estou me deixando levar?
"Ou não vou conseguir parar", repetiu as palavras para si mesmo para encontrar algo que não fosse completamente ameaçador. E não conseguiu. Se eu não disser não agora, isto vai se tornar rotina. Alex não é alguém que deixa oportunidades passar. Isso sempre foi o maior problema com ele.
— Dan... – sussurrou. – Estou esperando, não sou muito de esperar.
— Você está completamente fora de controle agora. Você está bêbado.
Não podia lutar contra a vontade do próprio corpo e cada segundo que passava ficava cada vez mais excitado.
— Estou? Sim, estou, e você me deixa muito excitado. Tão frágil. Tenho uma tendência a ter controle da situação. E com você, eu tenho total controle. Só de imaginar seu rosto enquanto você geme já me deixa completamente fora de controle.
Ele mordeu sua orelha e Dan paralisou. Droga. Droga. Droga. Droga. O que estou fazendo? Não teve tempo de dizer algo, Alex roçou seus lábios nos dele, suavemente, sem pressionar, e Dan não se moveu. A sensação foi o suficiente para deixá-lo em estado de lentidão, e Alex continuou a roçar seus lábios nos dele. Quando ele parou, Dan sussurrou:
— Isto não está certo. Somos amigos.
Alex concordou.
— Não me importo, mas eu sempre tive uma vontade de foder com você.
Foder? Isto é grosseiro demais.
— Somos amigos, melhores amigos, você não fode seu melhor amigo.
— Por quê? – perguntou com inocência. – Claro que eu posso. Se você quiser, eu posso. E você quer, não quer?
Que porra de pergunta é essa? Ele não tem pudor nenhum. Quando é que ele ficou assim? E não é que não quisesse, queria. Não se orgulhava disso, mas seu corpo não respondia a ele. E seu corpo não mentia.
— Porque isso é errado.
— Não acho que seja – murmurou Alex, acariciando seu cabelo, e o toque lhe dava arrepios. – Eu vou ser o mais gentil possível.
Alex passou seu braço livre em volta dele puxando seu corpo contra o dele. E ele o beijou e Dan retribuiu de forma inconsciente, seus lábios estavam rígidos, mas os dele trabalhavam com habilidade. Seu corpo era quente e mesmo com o ar condicionado ligado, o calor percorria todo seu corpo. Quanto mais Alex o beijava mais Daniel ficava incapacitado de pensar em qualquer coisa fora o garoto. Alex deu um passo para trás, depois outro, ainda o segurando, até que quando percebeu, estava na cama e o rapaz em cima dele.
"Eu não quero machucar você de forma alguma, então, você pode dizer não agora..." As palavras surgiram na mente como um lembrete. Se eu disser não, ele vai parar, ele não continuaria, não é? Mas queria mesmo dizer não? O corpo dele era pesado e ele segurava suas mãos, sem lhe dar tempo para reagir. Seus lábios eram macios e como ele esperava, Alex era bom naquilo. Soltando um de seus braços sua mão desceu até a sua cintura, segurando sua camisa, Dan apenas o seguia, deixando que ele fizesse o que quisesse. Sentia o atrito de seus corpos e o pau dele roçando o seu, ereto, muito ereto.
Quando Alex tirou sua camisa, Daniel, por alguns segundos conseguiu ter espaço e sua mente clareou, foi quando as palavras surgiram em sua boca.
— Não – sussurrou. – Você precisa parar.
— Eu disse que seria tarde demais – ele sorria com malícia. – Você não pode só me deixar excitado. Isso é cruel.
— Eu...
O que ele queria dizer? Por que estava tão receoso?
— Eu...
Por que as palavras não vinham?
— Tudo bem – disse Alex. – Não vou te forçar.
Ele parou e o soltou, mas seu corpo continuava em cima dele. Seus olhos ficaram abatidos. Ele pareceu decepcionado.
Olha essa carinha. Não posso deixar ele me dominar com esse olhar.
— Você é cruel. Eu estou excitado.
— Não estou pronto pra isso. Não faz sentido. Além de sermos garotos, ainda somos melhores amigos.
Ele bufou, irritado. Jogando seu corpo em cima do dele.
— Você é pesado, forte e grande, dá pra sair de cima de mim?
— Não quero – sua voz soou infantil.
— O colchão está ali, vai dormir.
— Não quero. Sua cama é grande, vou dormir aqui. Cabemos ambos aqui.
— Não confio em você. Você quer me fazer ficar vulnerável de novo.
— Não vou – retrucou ele. – Não vou fazer nada que você não quiser, mas vou dormir aqui.
Daniel não sabia se era o álcool ou a teimosia do garoto, mas ficou muito irritado.
— Então eu vou.
Fez força para empurrar Alex de cima dele, mas o garoto era mais forte e pesado. Não permitiu que ele tivesse como sair.
— Alex, você está sendo infantil.
— Sim. Mas não vou deixar você sair. Prometo não tentar nada. Mas, por favor, não saia da cama.
Agora ele está usando suas artimanhas para me punir. Maldito garoto.
— Okay, mas, sai de cima de mim, você é pesado demais.
Ele se jogou do outro lado da cama, porém, passou seus braços em torno de seu peito, puxando ele para perto, jogando sua perna por entre as deles e colocando sua cabeça em seu cabelo.
— Vou dormir – ele disse.
— Você simplesmente saiu de cima de mim para dormir de conchinha? E por que eu fiquei nessa posição?
— Porque eu quero. Você pode tentar mudar a posição, mas vai perder.
— Você tá usando a diferença de força como vantagem?
Ele balançou a cabeça em concordância.
— É minha única vantagem sobre você.
Ele apertou ainda mais o braço e a perna.
— Agora vou dormir.
— Você vai quebrar meus ossos usando essa força toda. Não vou me mover.
— Não confio em você – disse com sarcasmo.
E então ficou em silêncio. Não demorou muito para ele dormir, mas mesmo dormindo, Daniel não conseguia se desvencilhar dele.
Maldito troglodita.
Algum tempo depois acabou pegando no sono.
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