Amor à segunda vista
5 Você é muito minha bebê
Hina está totalmente adormecida no meu colo, vê-la assim, comigo, me traz uma sensação tão boa de calmaria. Eu poderia passar horas e horas apenas aqui, admirando-a. Porém, alguns segundos depois, ela parece começar a despertar.
— Naruto, por quanto tempo eu dormi? — Hinata me encara com os olhos de lua de um jeito sonolento.
— Umas duas horas, talvez.
— Por que você não me acordou?
— Você dormia feito um anjo, não quis te acordar. Além do mais, eu gosto de te observar dormir, só confesso que minhas pernas estão meio dormentes. — eu dou risada e coço a nuca envergonhado.
— Me desculpe.
Hinata se levanta apressada, mas eu a empeço de se afastar.
— Não vá embora. — peço, segurando-a pela cintura.
Hinata fica extremamente vermelha, mas não se move. Eu engulo em seco, por tê-la tão próxima de mim assim, seus olhos nos meus e a boca entreaberta. Então respiro fundo, enlaçando sua cintura. Hinata deita a cabeça em meu peito, eu rodeio seu corpo e ficamos assim.
Eu ninando ela, como se fosse um bebê.
— O que está fazendo, Naruto. — Hinata sussurra, mas percebo que está sorrindo.
— Não sei, só tive vontade de fazer isso. Deve ser porque você é um bebezão. — brinco só para pirraçá-la.
— Eu não sou um bebezão! — ela retruca se remexendo no meu colo.
— Shiu bebê, não seja uma neném malcriada.
Hinata dá uma gargalhada gostosa e se acalma no meu colo. Enquanto isso, eu permaneço ninando ela, pensando nas coisas que aconteceram de ontem para hoje. Aliás, que vem acontecendo com uma certa regularidade. Não é de ontem que tenho reparado em Hinata, na real, já tem meses, eu sempre fico admirando-a pelo canto dos olhos, fico inebriado com o cheiro de seus cabelos ou impressionado demais com sua beleza, os olhos perolados. Todo o conjunto de Hinata é apreciável. O que será que está acontecendo comigo?
— Naruto? — ouço sua voz doce e sorrio, olhando para seu rosto.
— O que foi Hina, meu colo não é tão confortável? Eu sou muito ossudo né? Não tenho muita carne. — desembesto a falar.
Toda vez que estou nervoso, começo a dizer tudo o que vem à mente e nem sempre o que vem na minha cabeça é algo coerente.
— Não é isso, seu bobo, eu iria dizer que está sendo muito bom ficar aqui, com você.
Sorrio ainda mais abertamente e começo a acariciar os cabelos macios de Hinata, depois rodeio seu rosto com o polegar e fico apenas apreciando o momento.
— Você é uma bebê muito linda, sabia? — elogio apertando a ponta de seu nariz fino.
— Hã, obrigada Naruto. — ela sorri constrangida. — Você também é lindo.
Nesse momento Hinata esconde o rosto entre as mãos. Eu, com bastante carinho, a tiro de seu esconderijo e pergunto:
— Você me acha lindo mesmo, Hina. Não é só para me agradar?
— Naruto, você é lindo sim, não vê as garotas da escola tudo em cima de você! — ela resmunga, parecendo enciumada.
— Nunca reparei.
— Você é muito lerdo mesmo. — ela faz uma careta e começa a rir.
— É verdade. — concordo pensando no assunto.
Em seguida me concentro novamente na garota linda, que está deitada em meu colo de um jeito bem despreocupado. Hinata me olha nos olhos e solta um longo suspiro, a partir daí, começo a me aproximar ainda mais dela. Sinto que Hina fica paralisada devido a aproximação, mas não me afasta. Depois disso, eu apenas aproximo nossos narizes e roço o meu de leve no dela, logo após passo a circular seu rosto com a ponta do nariz, percebo Hinata sorrir em meio ao contato. Em resposta, ela enrosca os dedos nos meus cabelos, ficamos assim, apenas olhando um para o outro, muito próximos, por sinal, olhos nos olhos. Enquanto isso, meu coração bate forte contra o peito, parece que quer sair pela boca.
Espera, que sensação é essa na boca do meu estômago? Será que estou com fome? Por que os lábios rosados da Hina estão me chamando tanto?
Estou atraído, é isso. Que vontade louca de encostar minha boca na dela, o desejo é tanto que está me obrigando a engolir a própria saliva.
Suspiro profundamente, tomando coragem para selar nossos lábios, mas algo me ocorre. Hinata é minha amiga, eu posso fazer isso? Ela quer isso? O que está acontecendo entre nós?
Com todas essas perguntas assolando minha mente, faço exatamente o contrário do que desejo. Me afasto um pouco de seu rosto, para poder respirar direito e voltar a sentir o sangue fluir pelo meu corpo. Após, sorrio, ao notar que Hinata permanece de olhos fechados.
— Você é muito minha bebê, Hina. — elogio ainda sorrindo, nesse momento vejo-a abrir os olhos perolados.
No entanto, ela parece um pouco contrariada. Será que Hinata esperava que eu a beijasse? Contudo, não tenho tempo de perguntar, pois meu estômago ronca e ela dá um pulo do meu colo.
— Está com fome? — Hinata questiona pousando a mão na minha barriga. — O que você quer comer? — ela continua o diálogo, mas percebo que não está falando comigo.
No momento seguinte, Hina encosta o ouvido na minha barriga e fingi escutar algo.
— Sua boba! — exclamo, me sentindo idiota.
Hinata dá outra gargalhada e se levanta. Eu poderia ficar o dia todo assim, vendo ela sorrir a todo momento, com Hinata dormindo em meus braços. Essa sensação é tão gostosa, nunca tinha sentido nada sequer parecido.
— Agora só restou lámen instantâneo se quisermos almoçar logo.
Eu assinto, fazendo uma careta e me lembro que estraguei minha chance de fazer um almoço digno para ela.
Droga!
— Tudo bem, fazer o que. — resmungo resignado.
— Não fica triste, Naruto. — Hinata me consola novamente e eu balanço os ombros em resposta.
Eu tomo a frente e preparo o lámen, pelo menos isso posso fazer. Logo após voltamos para a sala.
— Quando será que a neve vai baixar? — Hinata encara a janela e eu observo incontáveis flocos gelados e fofinhos caindo lá fora. Tingindo tudo de branco.
A imagem é bem bonita de se ver.
— Espero que demore bastante. — falo comigo mesmo.
Porém, noto que foi em voz alta.
— Não quer que a neve ceda? — Hina me olha curiosa, mas sem julgamento em seus olhos.
— Bom, está tão gostoso passar esses dias com você, nós dois sozinhos... — confesso me sentindo um pouco vulnerável por expor meus pensamentos em voz alta. — Quando meus pais ou os seus estão por perto, não podemos ficar à vontade assim.
— Eu também estou gostando muito de passar esse tempo com você, Naruto. — ela diz, com a típica voz doce.
— Você é tão fofa, Hina. Às vezes tenho vontade de te apertar todinha. — escapa da minha boca.
Hinata esconde o rosto entre as mãos como de costume, mas deixa um vãozinho entre os dedos para me espiar.
— Então aperta. — ouço sua voz muito sussurrada e preciso apurar os ouvidos.
— O que? — não sei se compreendi direito.
— Hã, não me faça repetir, Naruto. — ela se esconde novamente de mim.
Eu engulo em seco e me aproximo dela, largando meu lámen aberto. Hinata deita no chão, esparramando os cabelos escuros pelo tapete felpudo e eu sinto até uma vertigem.
Como ela é linda!
Respiro fundo, recuperando meu autocontrole e encosto minha mão direita em sua barriga, por cima do moletom. Ouço Hinata suspirar e na sequência ela levanta de leve a peça de roupa, deixando minha mão repousar sobre sua pele aquecida.
— Você está tão quentinha. — sussurro sentindo meu coração acelerar feito um louco.
— Uhum. — Hinata murmura em resposta.
Eu a encaro, esperando algum sinal de que eu devo me afastar, porém ela permanece me olhando de um jeito diferente. Ansioso.
Então começo a circular com a ponta dos dedos toda a região descoberta. Hinata fecha os olhos e eu aperto levemente sua cintura, sentindo sua pele macia.
Sinto minha garganta quase fechar, a sensação que estou sentindo nesse momento é mágica. Meu instinto diz para eu me aproximar ainda mais dela e é isso o que faço. Com todo o cuidado do mundo para não assustá-la, eu coloco minhas pernas uma de cada lado do corpo de Hinata, apoiando meus cotovelos no chão, da mesma forma. Tento não deixar todo o meu peso sobre ela, para que Hina não fique constrangida como mais cedo.
Hinata abre os olhos e eu percebo que ela não está surpresa, nem com medo.
— Hina, eu... — começo sem nem saber o que dizer.
Hinata me interrompe.
— Suas pupilas estão dilatadas. — ela sorri olhando nos meus olhos. — Seus olhos são tão lindos, eu gostaria de ter pupilas. Se eu as tivesse, elas estariam tão dilatadas quanto as suas. — Hina diz do jeito mais doce possível.
— O que isso significa? — pergunto, tentando entender.
— Bem, pode significar várias coisas, uma delas é que você deseja muito algo.
Assinto e começo a compreender.
— Eu desejo. — confesso num fio de voz.
— Então faça, Naruto. — ela pede incisiva. — Me beija.
Fale com o autor