Amor à segunda vista
6 Como evitar o inevitável?
Apesar de muito surpreso por ouvi-la me pedir um beijo tão explicitamente, tomo coragem e começo a me aproximar lentamente de sua boca. No entanto, quando finalmente roço os meus lábios nos de Hinata. Começo a ouvir vozes e barulho vindo da porta dos fundos, por consequência, nós dois arregalamos os olhos e eu saio apressadamente de cima dela.
Corro para pegar meu lámen e finjo que nada aconteceu. Mas preciso colocar uma almofada em meu colo, para amenizar a situação.
— Ah, que alívio ver que estão bem. — Minha mãe corre até nós, beijando a testa de Hinata e a minha na sequência. — Ficamos tão preocupados, se não conseguíssemos chegar, seria bem capaz de Hiashi mandar a polícia vir resgatar Hinata. — ela suspira colocando a mão no coração.
Enquanto isso, vejo meu pai me encarar com um olhar afiado e questionador, como se me perguntasse por telepatia, se eu segui todos os seus conselhos de algum tempo atrás. Engulo em seco e sinto uma onda de remorso de invadir, quase me deixei levar por meus instintos.
Será que é tão errado assim beijar Hinata?
— Está tudo bem. — Hina diz, comendo seu lámen.
Eu a acompanho, ainda sentindo os olhos de águia do meu pai me queimarem.
— Vou avisar que conseguimos chegar, não será possível Hina ir embora ainda, porém, pelo menos estamos todos juntos. — dito isso, minha mãe se afasta.
Restando apenas nós três.
— Naruto, pode me ajudar? — meu pai mantém o timbre neutro, mas acho que é um disfarce.
— Claro, pai. — respondo, tentando soar o mais natural possível e vejo Hina me olhar pelo canto dos olhos.
Algum tempo depois, começo a ajudá-lo a retirar a neve que se apossou da nossa casa quando eles entraram, até que ouço sua voz:
— Naruto, aconteceu algo entre você e Hinata?
— Na-nada. — gaguejo sem querer, me entregando de cara.
Ele para o que está fazendo e me encara de frente.
Não foi preciso nem insistir, eu já abro logo o jogo, não consigo esconder nada dele.
— Certo, eu menti. Na verdade, quero muito beijar Hinata e parece que ela me corresponde. — confesso com um pouco de medo das represálias. — Outra coisa, aconteceu algo comigo, aliás, com ele. — aponto para abaixo do meu umbigo extremamente envergonhado e vejo meu pai dar um tapa na testa.
— Precisamos conversar sobre esse assunto de homem para homem, quando terminarmos aqui teremos essa conversa. — não foi um pedido e sim um ultimato.
Eu respiro fundo e aguardo minha sentença.
Hinata, Hinata. O que você está fazendo comigo?
Depois do meu pai me falar várias coisas sobre sexo, que tecnicamente eu não sabia, começo a entender melhor o que aconteceu comigo. Então compreendo com mais clareza porque Hinata fugiu de mim anteriormente, ao me ver naquele estado. Ao contrário do que eu imaginava, não levei uma bronca nem nada, só fui instruído a controlar meus hormônios e a não avançar o sinal, muito menos desrespeitar Hinata. Entendi que preciso manter uma certa distância e não ficar olhando muito para suas curvas, apesar de ter bastante vontade de fazer o contrário do que meu pai aconselhou. Além disso, ouvi diversas vezes que somos novos demais para pensar em algo do tipo, além do que, ficou muito claro que Hiashi-san me mataria e tiraria meu coro para usar como exemplo, se eu sequer cogitar qualquer coisa com sua filha. Ou seja, a partir de agora, nós seremos monitorados com ainda mais vigor.
Droga!
Fora que, após o que aconteceu entre nós, parece que Hina está esquiva e desconfiada. Será que ela se arrependeu? Por que eu não evitei tudo, afinal? Se for para ela me olhar assim, ou se afastar de mim, prefiro nossa amizade do jeito que era antes, sem dúvidas.
Um pouco mais à noite, nós estamos todos na sala, como temos costume de fazer. E meus olhos instintivamente só conseguem enxergar Hinata.
Preciso tanto falar com ela a sós, quero saber se Hina está chateada pelo o que aconteceu e pedir para que ela não se afaste de mim, se for imprescindível que eu me controle para não desrespeitá-la, eu o farei. Só preciso tê-la comigo.
Porém, meus pais não saem do nosso lado, dessa forma não conseguirei uma oportunidade para abordá-la.
Até que, finalmente, todos nós nos retiramos para dormir e eu espero muito tempo, sem conseguir sequer pregar os olhos. Quando tudo está muito silencioso, começo a me perguntar se Hinata teve outro pesadelo, se está com medo dormindo sozinha, já que na casa dela, Hina tem Hanabi para lhe fazer companhia. De modo que, por impulso, me levanto na ponta dos pés e vou ao seu quarto. Tomando todo o cuidado do mundo para não acordar meus pais, prendo até minha respiração, com receio de fazer barulho demais por estar tão nervoso. Além disso, estou descalço, apesar do chão estar um pouco gelado, afinal nem todos os cômodos tem aquecedor. Só que não importa, tenho que saber como Hina está nesse momento.
Quando chego à porta, respiro intensamente, buscando toda a minha coragem interior. No fundo temo que Hina tenha se arrependido do que aconteceu. Foi tudo tão bom, não quero que ela se arrependa.
— Naruto? — ouço um sussurro assim que abro a porta.
— Sou eu, Hina. Preciso conversar contigo. — respondo o mais baixo que consigo.
— Tudo bem. — vejo sua silhueta no escuro sentar-se na cama.
Faço o mesmo, ainda sem saber o que dizer, mas logo ela me abraça, desativando todas as minhas defesas imaginárias.
— Hina... — sussurro envolvendo seu corpo.
— Estava com medo de ficar aqui sozinha.
Hinata às vezes parece ser tão frágil, tanto que eu quero cuidá-la a todo custo. Porém, nem sempre é assim, muitas das vezes ela é mais forte e decida do que eu.
No entanto, confesso que gosto de ser seu porto seguro.
— Tudo bem, eu estou aqui. — murmuro afundando o rosto no vão do seu pescoço, enquanto afago seus cabelos. — Hina — chamo, tomando coragem para mencionar o assunto. — Você se arrependeu do que aconteceu?
Tento buscar seu olhar, mesmo com a baixa luz, implorando mentalmente para ela negar e me dizer que não se arrependeu.
— Não, Naruto. — sinto meus músculos relaxarem com a resposta e sorrio internamente. — E-eu, eu só fiquei com muita vergonha.
Hinata se esconde no meu peito e eu continuo alisando seus cabelos.
— Me desculpe se te constrangi. — peço genuinamente arrependido.
Meu intuito nunca foi esse.
— Não me peça desculpas, eu quis muito, aliás, ainda quero.
Respiro fundo, umedecendo meus lábios e sinto uma onda imensa de calor me invadir. Novamente estamos muito próximos um do outro, tanto que consigo ouvir sua respiração entrecortada.
— Hina, eu... — tento me afastar, lembrando das palavras do meu pai, para me manter longe dela.
Só que todas as células do meu corpo pedem para eu ficar. Pedem pela Hinata.
Um segundo depois, quando não consigo mais resistir a nós dois, finalmente nos beijamos e a sensação de tê-la em meus braços desse jeito é incrível demais. Como nunca fiz isso antes? Como nunca fiz isso com ela? Hinata não parece saber muito bem o que fazer, assim como eu, então tudo começa um pouco desengonçado. Mas, mesmo assim, sentir a boca dela na minha me causa diversos arrepios bons pelo corpo. Como se eu finalmente estivesse despertado para a vida.
Hinata enrosca os dedos nos meus cabelos e os puxa carinhosamente. Enquanto tento reproduzir os movimentos que já vi nos filmes, dando uma mordidinha bem de leve no lábio inferior dela. Fazendo Hinata suspirar, também aperto sutilmente sua cintura, por cima da blusa de frio. Tendo certeza de que esse beijo, sem dúvidas, foi uma das melhores coisas que já me aconteceram ao longo dos meus dezesseis anos.
— Preciso ir. — sussurro, sem conseguir desgrudar totalmente dela. — Se meu pai me pega aqui, agora ele me mata de vez.
— Fica só mais um pouquinho, Naruto. — ela pede toda manhosa.
Ótimo, não consigo resistir.
Mais uma vez, quando dou por mim, estou embaixo do edredom quentinho com Hinata recostada em meu peito.
E, por sinal, isso nunca me pareceu tão correto.
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