Amor à Beira da Morte
7 Uma fuga
Notas iniciais
O moreno saiu do quarto com ela e eles andaram sorrateiramente até o jardim. Misty estava incrivelmente assustada.
- Ash…
- Shi! – ele coloca um dedo sobre os próprios lábios.
Misty não fala mais nada, mas aperta a mão do moreno, que retribui o aperto. Eles caminham até uma parte mais afastada, de onde Ash se abaixa e retira duas mochilas. A ruiva arregala um pouco os olhos ao perceber sua inseparável mochila vermelha ao lado de uma mochila preta. Como não sentira a falta dela?
- Ash…
- Aqui não – ele sussurra baixinho e empurra a mochila vermelha para a ruiva.
Misty pega sua mochila e Ash a leva por caminhos que ela nunca havia imaginado. Adentram a floresta e ficam caminhando por várias horas. Misty tentara falar mais algumas vezes, mas Ash não permitira que a ruiva dissesse uma única palavra a mais.
- Vamos caminhar mais um pouco e depois podemos acampar – Ash sussurra.
Misty não diz nada. Cansara de tentar entender o que estava acontecendo. Estavam fugindo? Por que fugiriam? Melody não deveria vir junto, por ser responsabilidade do moreno? E suas irmãs? O que pensariam?
Ash a conduz para perto de um rio. O que havia feito? Por que se dar ao trabalho de salvar Misty, enquanto seria tão mais simples cortar a garganta dela com uma faca? Mas não conseguia se virar e completar o trabalho. Não conseguia nem ao menos se arrepender de colocar tudo pelo que lutou durante tantos anos em perigo. Apertou a mão da ruiva com um pouco mais de força. Rezava com todo o seu ser para que desse certo. Se não tivesse conseguido despistar aqueles homens… então estariam mortos.
O moreno soltou a mão da ruiva, que se jogou no chão, exausta. Olhou para o horizonte e se espantou ao ver que o sol ainda não nascia. Pensara que haviam ficado caminhando a noite inteira.
- Vamos dormir aqui hoje – o moreno sussurra – não fale alto.
- O que está acontecendo? – pergunta. Não entendia mais absolutamente nada.
- Longa história, Myst. É melhor você descansar, amanhã teremos que caminhar bem mais do que isso.
- Que horas são?
O moreno pegou um celular do bolso.
- Três e meia. Anda dá tempo de dormir.
- Não vou conseguir dormir – ela garante – quero saber o que está acontecendo. Por que fugimos? Estamos realmente fugindo?
- Misty, você estava certa. Existem pessoas que querem te matar.
- Como você…
- Amanhã eu te conto, mas você precisa estar descansada, vamos caminhar muito. E não podemos fazer barulho hoje – ele fala.
- Você não vai dormir também?
- Vou ficar de vigia.
- Mas…
- Vou ficar bem. Apenas durma Myst.
A ruiva morde o lábio inferior. Ash retira um colchonete da mochila preta e estende para ela, que aceita e se deita. Misty fica rolando por algum tempo, até Ash vir para o seu lado.
- É pra você dormir – ele sussurra.
- Não consigo. Estou curiosa e com medo demais para dormir – sussurra.
- Eu sei – ele acaricia lhe os cabelos e deita ao lado dela. Misty fica tensa – relaxa – sussurra no ouvido dela. – Vamos dormir ok?
Ela assente com a cabeça e o cansaço das horas de caminhada finalmente se fazem presentes e a ruiva dorme.
Ash fica mais algum tempo acordado. “Não deveria estar fazendo isso” pensa, enquanto acaricia a cintura dela. Misty dormia com a cabeça sobre seu peito “tenho que matá-la”. Mas ele continuava fazendo carinho nela. Seus instintos todos atentos a qualquer mínimo barulho. “Não vou deixar que eles a matem” ele decide-se por fim. “Ninguém toca na minha ruiva”.
Ele apoia a cabeça na curva do pescoço dela e sente o seu cheiro. Suspira. Sentira tantas saudades que nem percebera até estar com ela novamente. Talvez fosse porque quando partira estava incrivelmente assustado. Quem não ficaria? Sua sorte que perdeu o medo em pouco tempo.
Mas agora ele voltava com força total. Há muito tempo não sentia mais medo da morte. Mas e se morresse? Quem protegeria sua menina? Quem protegeria o seu mais precioso tesouro? Porque agora, finalmente, percebia o quão ligado estava a ela. Se não estivesse, certamente não colacaria tudo o que sempre quis proteger em risco se não gostasse… se não a amasse.
Afastou o pensamento. Amar já era um sentimento forte demais. Não. Ele gostava dela. Apenas gostar. Bocejou. Não podia dormir. Tinha que vigiar… não podia… bocejou de novo. O cheiro dela tão inebriante… abraçou-a melhor e sentiu-a se acomodando contra si. O sono o pegou de uma maneira que não acontecia há anos. Sabia que acordaria ao menor som de perigo, fora treinado para isso. Abraçou-a um pouco mais forte e fechou os olhos, entrando no mundo dos sonhos junto de Misty.
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A garota acordou com alguém a sacudindo. Remexeu-se desconfortavelmente no colchonete e tentou virar para o lado.
- Acorda logo Misty – ele balança a ruiva, não se lembrava de como era difícil acordar a menina. Isso provavelmente se devia ao fato de que era Misty quem sempre tinha que acordar o moreno, não o contrário.
- Só mais cinco minutinhos Ash – ela pede, escondendo a cabeça com os braços.
- Não temos mais cinco minutinhos! Vamos logo – ele a puxa pelo braço e faz a ruiva sentar.
- Mal humorado – resmunga bocejando.
Ela se arruma em apenas alguns segundos, visto que tinha apenas que refazer o rabo de cavalo.
- Anda logo, não podemos perder mais tempo.
- Estamos fugindo do que, afinal?
- Não posso te explicar agora Misty. Só corra.
Ao longe a ruiva começou a ouvir passos.
- O que…
- Merda – pragueja o moreno – vamos correr ok? Só corra. Prometo te explicar tudo depois.
Misty vê o olhar apavorado do amigo e sente medo também.
- Certo.
Os dois correm o mais rápido que conseguem. Correm sem olhar para trás. Continuam correndo mesmo depois de já não ouvirem mais os passos. Param apenas quando Misty sente que seus pulmões vão explodir e quando a ruiva não consegue mais sentir suas pernas.
- Não pensei que estivessem tão perto. Desculpa Myst…
- Não sei o que está acontecendo e quero explicações o mais rápido possível – ela fala, a voz entrecortada pelo desespero por ar que sente – mas sinto que quem quer que seja não pode nos alcançar. Então vamos achar um lugar seguro. E então você me conta.
- Ótimo. Concordo plenamente – assim como a ruiva, o moreno também ofegava.
Eles caminham mais um pouco e percebem que estão em algo parecido com um penhasco. Embaixo dele não corre um rio, mas tem uma pequena cidade. Nenhum dos dois sabia sobre a existência dela, mas não pensaram sobre isso no momento. Eles simplesmente desceram correndo novamente. Não corriam pelo conforto e descanso que poderiam encontrar lá embaixo, mas corriam pelo trilho que haviam visto. Correram direto para a estação de trem. A última esperança que tinham para fugir, pois sabiam que não conseguiriam correr por mais tempo.
Continua…
Notas finais
esperamos que tenham gostado, o próximo é com a anne-chan *--*
estão gostando gente??
merecemos reviews??
enfim, obrigada por tudo. o apoio de vocês é fundamental para que continuemos a escrever
saindo aqui, tenho que ser rapidinha agora >.
para quem me tem no msn, aqi o motivo de eu estar ausente pessoal!
=*
Bjs e teh + ^3^/
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