Amor À Prova

15 Primeiro Suspiro


Notas iniciais
Gostaria de agradecer a todos os meus leitores pelo carinho. Tenham uma boa leitura!

I.

A primeira reação que May tivera fora ligar para Kate. Estava desesperada. Havia encontrado Sora, e de repente a menina queria nascer. Sentia-se grata e tranquila por ter decidido ir procurar a japonesa. Não para de pensar que se tivesse voltado para casa e esperado que a Sora ligasse, a acrobata poderia estar agora sozinha enquanto entrava em trabalho de parto.

Kate estava em seu dia de folga, mas mesmo assim disse que acompanharia o nascimento da filha de Sora. A médica ligou para o Jerry e pediu que ele fosse até o aeroporto buscar Sora e levar até o hospital de Cape Mary. Tudo havia ocorrido de maneira rápida e em poucos minutos a acrobata estava entrando no hospital e indo para uma sala fazer o exame de toque, a fim de saber quantos centímetros havia dilatado.

May estava sentada na sala de espera. Sentia-se inquieta e ansiosa. Precisava ligar para as pessoas e avisar que Sora iria ter o bebê naquela noite. Mas não se sentia disposta a conversar com muitas pessoas. Ainda estava em choque por toda aquela emoção que sentia. Sabia que a criança viria, mas não imaginava que seria no meio daquela tensão toda. Apesar de que era muito comum que as mães entrem em trabalho de parto quando passam por situações de muito estresse.

Kate saiu da sala onde a japonesa estava. A chinesa foi em sua direção. Precisava saber como Sora estava, sabia que o bebê era prematuro e tinha medo de alguma coisa poder acontecer com o bebê e com a amiga. “Não!”, balançou a cabeça freneticamente para os lados para afastar os pensamentos ruins. Naquele momento May precisava ser forte e otimista, precisava fazer isto por Sora.

– Ela está bem? Já vai nascer? – a ansiedade era notável na voz de May.

– Ela está bem sim. As contrações estão mais longas e em um espaço de tempo de 3 minutos. E já está com 4 centímetros de dilatação, precisa chegar a 10. – Kate respondeu de forma calma. Mesmo não sendo obstetra, ela sabe como são os estágios para o parto normal.

– E quanto tempo vai levar para ela chegar a 10 centímetros?

– Depende de cada pessoa, algumas são mais rápidas e outras não. Mas acredito que não vá demorar muito, devido a bolsa já ter rompido e as fortes emoções que ela está sofrendo. Mas não precisa se preocupar, pois ela e o bebê estão muito bem. – abriu um sorriso tranquilizador para a chinesa. – Agora, eu preciso saber quem vai acompanhar Sora no parto? Precisamos que uma pessoa fique com ela na sala.

– Eu não vou poder. Eu não posso ver sangue, então acho que eu não seria de grande ajuda nessa hora. – a chinesa respondeu um pouco nervosa. Não fazia ideia de quem poderia acompanhar a japonesa na hora do parto. Antes pensaria em Layla, mas agora não tinha tanta certeza que a leonina aceitaria presenciar o parto da filha de seu noivo.

– Já avisou a Layla? – perguntou a médica. E quando May negou com a cabeça ela prosseguiu. – Então, eu vou ligar. Precisamos avisar a ela do nascimento do bebê de Sora. – E retirou-se da sala de espera em direção ao lado de fora do hospital, com o celular na mão.

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– Alô, residência dos Hamilton!

– Olá Penélope, a Layla está em casa? Eu preciso muito falar com ela. É a Kate.

– Ah sim. Um momento Srta. Kate, vou ver se a Srta. Layla pode falar. – a empregada retirou-se e foi em direção ao quarto de Layla. Encontrou-a deitada na cama sem conseguir dormir.

– Srta. Layla, Kate está no telefone e disse que precisa muito falar com a Srta. – entregou o telefone sem fio na mão de Layla e retirou-se do quarto.

Layla pegou o aparelho, e antes de apertar a tecla para liga-lo, respirou fundo. Não sabia o que Kate precisava tanto lhe falar, mas sabia que não queria falar com ninguém. Contudo, poderia ser importante e não podia simplesmente ignorar a ligação como queria. Apertou o botão de ligar, e assim transferiu a ligação do telefone do 1 andar.

– Kate! Olá! – respondeu com a melhor voz que poderia ter naquele momento.

– Olá Srta. Layla. Estou ligando para informar que a Sora está início de trabalho de parto. Achei que você gostaria de saber.

Aquela notícia veio de surpresa. Sora estava apenas de 7 meses, ou seja, a criança era prematura. Sabia que a gravidez da japonesa era de risco, mas não imaginava que pudesse dar a luz naquela circunstância. “É tudo o que ela está passando. Ela deve estar com muito medo de tudo o que está acontecendo e não posso culpá-la por isso”, pensou a leonina. Não conseguia imaginar nada acontecendo com Sora. Poderia estar magoada e machucada pela criança que ela carrega no ventre ser de seu noivo, mas elas eram amigas e naquele momento Sora com certeza precisava dela. Poderia deixar as desavenças para lá por um momento, e permitir que tudo ficasse bem com ela e o bebê, até porque a criança não tinha culpa de nada.

– Eu já estou indo para o hospital. – terminou de falar essa frase e desligou o aparelho.

Enquanto ia para o closet e começava a se arrumar, Penélope entrou no quarto de Layla para ver como a jovem estava. Sempre vinha conferir como a leonina estava desde a hora que a encontrou caída no chão e sangrando. Aquela imagem não saia de sua cabeça, e não poderia permitir que aquilo acontecesse de novo. Queria estar ali para ajudar Layla a passar por o que quer que ela estivesse passando.

– Srta. Layla? A Srta. vai sair?

– Vou sim. Preciso ir até o hospital. Sora está entrou em trabalho de parto. – respondeu, mas não com muita animação.

– Que notícia maravilhosa. – a empregada abriu um sorriso e percebia-se a felicidades em seu semblante. — A Srta. não parece muito animada. – falou quando notou a falta de animação de Layla.

– A criança que nascerá hoje não é filho de Leon, e sim de Yuri. – respondeu abatida. Não podia deixar de contar para Penélope. Elas sempre foram muito amigas e não seria agora que as coisas iriam mudar. Além do mais, precisava de uma ajuda para continuar de pé e sendo forte.

– Não acredito! Nossa, Srta. Layla. Eu nem sei o que dizer para a Srta. – era verdade. Penélope não fazia ideia do que dizer naquela hora. Sabia do noivado entre os dois e acima de tudo, sabia o quanto Layla amava Yuri.

– Nem eu sei o que dizer para mim mesma. – disse mais para si do que para a empregada. Nem ela mesma sabia como lidar com toda aquela situação.

– Mas a Srta. é uma pessoa maravilhosa. Agora está indo lá ajudar a mãe do filho de seu noivo. – Não queria causar intriga entre as duas, mas apenas afirmou algo que era evidente.

– Eu devo muito a Sora. Ela sempre se preocupou demais comigo, até mesmo nas horas que eu não queria que ninguém se preocupasse. Como no dia do meu aniversário de 18 anos.

Sora era apenas uma novata no aniversário de 18 anos de Layla, mas mesmo assim a japonesa moveu céu e terra para conseguir alegrar o dia da leonina. A atriz havia dito que seu pai não tinha muito tempo para passar com ela, visto que precisava trabalhar para manter a vida que Layla vivia. E a leonina nunca o havia culpado pela ausência, pelo contrário entendia que ele fazia aquilo por não saber lidar com a morte da esposa. E assim, Sora decidira que faria uma surpresa e conseguira pelo menos que o pai da atriz escrevesse um bilhete e mandasse um bolo de aniversário. Era um gesto pequeno, mas que a comovera muito.

Depois disso, teve todas as vezes que as duas eram escaladas para fazerem peças juntas. Sora quase se matava de tanto treinar para conseguir chegar ao nível profissional de Layla. Sabia que as vezes estava passando dos limites, mas sempre dizia que não se importava, desde que conseguisse atuar com perfeição ao lado da leonina. Inclusive, a japonesa havia se decidido comer por duas quando descobrira que não tinha o mesmo peso que a atriz, fato este que era essencial para que ambas pudesse fazer a técnica fantástica, e acreditava que precisava se esforçar para que Layla não tivesse problemas por sua causa.

A cada vez que ia lembrando-se de todas as vezes que Sora havia cuidado dela e demonstrado preocupação e carinho, a leonina abriu um sorriso de pura felicidade, e porque não dizer orgulho. Até mesmo porque era isso que Layla sentia pela Sora, ela sentia orgulho daquela menina. Orgulho do amor e do carinho que ela entregava para as pessoas. Sora era digna de respeito, e conquistara isso de forma definitiva.

Layla não aceitava que as pessoas aproximassem dela com tamanha facilidade. Para ter o respeito da leonina precisavam fazer por merecer. E fora o que Sora fizera. No dia em que entrara no Kaleido Star, Layla não quisera aceitar aquela menina que chegara atrasada para os testes de admissão, mas Karlos a aceitou e disse que via talento nela. Mesmo assim Layla não acreditava nela, até o dia em que a desafiara a fazer a técnica do “Fênix Dourado”, a técnica mais difícil e que alavancara a carreira de Layla, e Sora aceitou o desafio e teria apenas 1 semana para treinar. A leonina estava confiante de que uma novata não faria a técnica que ela levou muito tempo para aperfeiçoar, mas a japonesa, mesmo sem saber pegar em um trapézio, aprendeu a técnica e a realizou. Não com perfeição, mas com uma técnica incrível.

Sora poderia ter cometido um deslize, mas quem não cometia? E sabia bem o quão cretino Yuri poderia ser. “Quantas vezes que eu não aceitei me submeter as regras de Yuri, que ele tentou seduzir a Sora a ficar ao lado dele? A fazer o que ele queria?”. Foram muitas vezes.

A confiança que Layla depositava em Sora era tamanha que houvera até um momento em que a leonina pediu que a japonesa cortasse seu cabelo. Layla lembrava que naquele momento a japonesa ficara um pouco apreensiva, pois sabia o quanto a atriz amava aquele cabelo e se sentia insegura de cortar errado. “E o que eu disse para ela? Eu confio em você!”, ao lembrar daquilo, o coração da atriz se encheu de uma felicidade e de uma sensação de nostalgia que já não sentia a um bom tempo. Era gostoso demais se lembrar de coisas boas.

“Sora... Nunca tive a oportunidade de poder retribuir todo o bem que você me fez, e todas as vezes que cuidou de mim, mesmo que eu gritasse com você, ou te menosprezasse. Você sempre me mostrou o outro lado. O lado que eu tanto precisava enxergar. E agora é a minha hora de retribuir todo o amor que você dedicou a mim, minha querida amiga”, abriu um sorriso enorme no rosto e uma lágrima escorreu pelo rosto de Layla.

– Sim. Ela sempre alegrou muito a Srta. Esteve ao seu lado nos bons e maus momentos.

Sim. A jovem sempre esteve ao lado de Layla nos bons e nos maus momentos, como no dia em que ouvira Layla disser ao pai dela que não poderia nunca mais subir no palco do Kaleido Star devido a lesão que sofrera no ombro, e de sua teimosia de continuar a treinar e subir ao palco para fazer a técnica fantástica ao lado de Sora. Vira o terror nos olhos da japonesa e as lágrimas grossas que caiam sem parar. Naquele dia fizera a proposta de Sora ser o seu sonho, pois ela mesma não poderia mais seguir em frente. Não poderia, pois havia visto tudo o que a japonesa havia feito para ganhar espaço na vida de Layla. O quanto lutou para ser digna de estar ao lado da leonina, e no fundo, era a leonina que nunca havia se sentido digna de estar ao lado de Sora. Por esta razão sacrificara sua carreira para fazer a última e mais perfeita apresentação ao lado de Sora. Era seu maior triunfo.

– E por esta razão, eu vou ajudar Sora. Minha amiga precisa de mim. – respondeu firme e determinada.

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Sora estava andando pelos corredores do hospital juntamente com May. O médico que faria o seu parto informou que ela poderia ficar a vontade. Se sentisse que seria bom para ela andar, ela poderia andar. Ela deveria fazer aquilo que a fizesse ficar melhor e aguentasse mais as dores das contrações.

– Eu liguei para as meninas. Elas já estão vindo para cá. Disseram que não perderiam por nada esse momento. – informara May.

– Que bom! Todas estão ansiosas para ver o rostinho da Misaki. – disse mais para si do que para May.

– Misaki? Esse será o nome dela? Achei lindo – May abrira um sorriso de orelha a orelha.

– Sim. Mas ninguém sabe ainda. Eu pensei nesse nome enquanto eu estava no aeroporto. – depois de terminar de falar, Sora esboçou uma feição de susto. Ficou pálida, parecia que havia visto um fantasma.

– Sora? Você está bem? – ficou preocupada com a expressão que Sora fazia.

– Meus pais! Eu liguei e disse que estava indo para o Japão no próximo avião, mas não terei como ir agora. – já estava suavizando a expressão.

– Eu posso ligar para eles e disser que devido ao adiantamento do nascimento de... Misaki, você não terá como ir hoje. Eu acredito que eles gostarão de vir para cá. – respondeu se prontificando a ajudar a amiga.

– O problema, May, é que eles não sabem da minha gravidez. Eu iria chegar lá e esperar pela reação deles. Então como você vai ligar para eles e dizer que eu estou em trabalho de parto? – seu semblante ficou triste.

– Mas seus pais precisavam saber que vão ser avós! – a chinesa declarou. – Eu vou pensar em alguma coisa para dizer a eles, pode deixar comigo.

– Tudo bem! Eu confio em você! – terminou de falar e sentiu uma nova contração, e mais forte do que a anterior.

Sora decidiu voltar para o quarto e deitar um pouco, as contrações estavam vindo em espaços de tempos mais curtos e cada vez mais fortes. Andar aliviava um pouco a dor, mas como estava aumentando, temia chegar um momento que não conseguisse voltar para o quarto sozinha.

Chegou ao quarto, May ajudou Sora a deitar na cama. A japonesa começou a fazer exercícios de respiração conforme as enfermeiras haviam ensinado ela a fazer. Kate havia lhe dito que nessa etapa de dilatação, a respiração e o relaxamento eram essenciais. A contração passou depois de alguns segundos. A japonesa respirou fundo e deu um sorrisinho de alívio.

Nesse momento Layla chegou à porta do quarto e deu uma batidinha na porta indicando que ela estava ali. Sora e May olharam para a porta ao mesmo tempo. Quando viu a leonina, a japonesa engoliu em seco. Não imaginava que Layla poderia ir até ali. Sentiu um medo e uma inquietação muito grande. Não conseguia prever o que a leonina poderia fazer. Estaria ela ali para dizer alguma coisa para a japonesa? Porque se não fosse por isso, não faria sentido ela estar ali, não depois de tudo o que Sora havia causado a ela.

A atriz aproximou-se da cama onde Sora estava e percebeu a inquietação da jovem. Em momento algum sentiu vontade de recuar. Mesmo que Sora não a quisesse ali pelos seus motivos, Layla não iria se retirar e ficaria ali junto da amiga. Ela precisava de cuidados e a leonina queria poder estar ali por ela para retribuir todo o carinho que a acrobata lhe deu. Apesar de que acreditava que a japonesa não iria a expulsar dali.

– Como você está? – dirigiu seu olhar para a japonesa e tinha um sorriso no rosto. Sua voz transparecia carinho. – Vim correndo assim que soube.

– Eu estou bem. A última vez que a enfermeira veio aqui eu já estava com 6 centímetros. – respondeu timidamente. A japonesa ainda estava estranha com a presença de Layla. – Mas acredito que já deva ter dilatado mais.

– Tem quanto tempo que ela está aqui? – perguntou para May.

– Nós chegamos aqui a mais ou menos 20 minutos.

A enfermeira entrou no quarto e cumprimentou todas as meninas. Pediu licença para Sora e fez o exame para saber se havia dilatado mais. Após terminar o toque, a enfermeira informou que Sora já estava com 10 centímetros. Ela chamaria o médico. E pediu que as meninas acompanhassem de quanto em quanto tempo as contrações estavam acontecendo, para que eles soubessem quando que a japonesa começaria o estágio de expulsão da criança.

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Mia, Anna, Marion, Rosseta, Karlos e outros do elenco do Kaleido Star chegaram ao hospital. Foram orientados a esperar na sala de espera, pois a Sora já estava quase indo para a sala de cirurgia e eles não queriam que ela visse as pessoas que estavam lá fora para não ficar muito agitada.

May saiu do quarto deixando apenas a Sora e a Layla, e foi em direção a sala onde estavam todos os outros. Quando a chinesa chegou ao local, as meninas vieram todas em cima de May para saber como Sora estava.

– Ela está bem. Já dilatou os 10 centímetros e daqui a pouco vai para a sala de cirurgia, pois ela já está na fase de expulsão do bebê.

May não quisera falar o nome da menina que logo viria ao mundo, pois acreditava que a própria Sora gostaria de anunciar o nome da neném. Sentia que aquilo era muito íntimo e era algo de mãe e filha que ela havia segredado apenas para May. Não que a Sora tivesse dito que era um segredo, mas era assim que a chinesa quis interpretar.

Todos ficaram felizes em saber que a japonesa estava bem, mas também preocupados, pois a gravidez era de risco e ninguém sabia se o bebê poderia nascer com alguma complicação. O que eles sabiam era que assim que nascesse, a filha de Sora iria direto para a incubadora, pois ainda não estava com todo o corpinho formado para sair desbravando o mundo. Além de que Sora ficaria uns dois dias no hospital por protocolo do estabelecimento médico.

– Você trouxe as bolsas? – May perguntou para Mia que estava segurando duas bolsas, uma vermelha e uma de bebê cor de rosa. Como a chinesa precisara vir as pressas com Sora para o hospital não conseguira pegar as bolsas de maternidade que havia arrumado.

– Sim. Eu tive que pegar uma chave extra com Karlos. Mas consegui entrar no seu dormitório e peguei as bolsas. Estão aqui – entregou as bolsas para May. A chinesa pediu licença e foi até o quarto onde as meninas estavam e entregou a bolsa a Layla.

Quando May voltou para a sala de espera, lembrou-se de que precisava ligar para os pais de Sora e avisar que ela não iria mais para o Japão e arrumar um jeito de explicar para eles que ela estava grávida e que entrara em trabalho de parto. Eram muitas coisas para se falar por telefone, mas infelizmente precisava contar. Não era justo que eles não soubessem do nascimento da neta deles e até mesmo Sora precisava do apoio dos pais.

Pegou o celular e discou o número que havia pegado no celular de Sora. Ligaria para a mãe da japonesa, pois conforme a acrobata havia alertado, o pai poderia ficar muito nervoso com a notícia sendo dada assim, e a mãe dela poderia amenizar um pouco a situação. O telefone chamou três vezes até que alguém do outro da linha atendeu.

– Alô!.

– Olá. Sra. Midori? Quem está falando é May Wong, amiga de sua filha. – sentiu a voz fraquejar ao dizer que era amiga de Sora, mas logo se repreendeu mentalmente por isso, não poderia deixar transparecer muita tensão pelo telefone.

– Sim. Aconteceu alguma coisa com ela? – a voz de Midori aparentava preocupação. A apenas algumas horas a filha havia ligado e informada que estava indo para o Japão e de repente um tempo depois ligam dizendo que era amiga de Sora.

– Sora não poderá viajar para o Japão, como ela havia dito para a Sra. Ocorreu um imprevisto. – Estava adiando o máximo que podia para contar o motivo da ligação.

– E que tipo de imprevisto seria? – estava mais apreensiva do que antes. Alguma coisa realmente não estava certa.

– Eu recomendo que a Sra. sente-se em alguma cadeira. – começou May, falava calmamente tentando passar tranquilidade.

– É tão sério assim? Minha filha está bem? – Midori estava enlouquecendo de preocupação. Sentou-se no sofá que ficava próximo da onde estava o telefone.

– Sua filha está grávida! – respirou fundo para poder continuar. – E devido a algumas complicações, mas nada de mais, ela entrou em trabalho de parto. E o bebê nascerá essa noite.

– Grávida? Nascer hoje? – estava atordoada. Não conseguia imaginar a sua filha grávida e muito menos sem que eles soubessem e pudessem acompanhar a gravidez da filha.

– Sinto muito informar dessa maneira, mas a Sora deve ter seus motivos para não ter contado nada. – sentia-se mal por estar dando aquela notícia por telefone. – Mas a sua filha precisa do apoio de vocês, e por isso acho que vocês deveriam vir para cá.

– Estaremos indo no próximo avião. Obrigada por nos avisar.

Desligaram a ligação, e houve um silêncio mortal na sala de espera. Todos haviam ouvido a ligação que May fizera para os pais de Sora. E todos estavam inquietos por perceberem que eles não sabiam e que haviam recebido a notícia daquele jeito.

II.

– Estou apavorada! Me sinto enjoada e sinto uma grande tremedeira no corpo – a japonesa se queixou para a enfermeira.

– É normal. Algumas mulheres sentem frio, ficam enjoadas e dão tremedeiras, como as que você está sentindo. Isso quer dizer que está se aproximando a hora do bebê nascer – tranquilizou a enfermeira.

Sora respirou fundo. Já não bastavam as contrações terríveis que estava sentindo ainda teria que ficar enjoada e com tremedeira? Sua filha estava dando trabalho para nascer. Sabia mais ou menos como funcionava, mas não imaginava que era tanto sofrimento.

Kate entrou no quarto. Havia ouvido a queixa de Sora quando estava chegando na porta. Abriu um sorriso e cumprimentou Layla.

– Lembre-se que falta pouco. Você tem que aproveitar ao máximo os intervalos entre as contrações para relaxar. No meio da contração, tente achar uma posição em que faça você se sentir melhor. Mantenha a respiração ritmada, como lhe ensinaram, e se tiver vontade de gritar ou urrar, não segure. – completou a enfermeira.

A enfermeira retirou-se do quarto deixando apenas Sora, Layla e Kate. Sora começou a sentir outra contração muito forte, manteve a respiração ritmada e virou-se lado para tentar aliviar a dor, conseguiu amenizar um pouquinho, mas nada que pudesse merecer um troféu.

– Ela está tendo contrações de dois em dois minutos e algumas estão durante até um minuto. – Layla informou para Kate.

– Já está na hora. Vou chamar as enfermeiras para levarem ela para a sala de cirurgia e avisar ao médico. – Kate terminou de falar e retirou-se do quarto a fim de realizar as tarefas.

Layla segurou na mão de Sora. Tentava não se emocionar com o sofrimento que a japonesa estava tendo. Aquela jovem havia passado a gravidez inteira em puro sofrimento e nem na hora de nascer, a filha dela poderia dar uma facilitada para a mãe.

– Pode apertar forte a minha mãe se estiver doendo muito, isso pode te ajudar a passar por isso. – Layla falou baixinho perto de Sora. – Eu estou aqui para o que precisar. Pode sempre contar comigo.

Logo após Kate sair do quarto os enfermeiros vieram e levaram a maca de Sora para o centro cirúrgico. Mesmo que a japonesa fosse ter a criança como parto normal, os partos aconteciam em uma sala específica com todos os equipamentos apropriados para caso alguma coisa saísse do controle. Layla acompanhou os enfermeiros levarem Sora, e o tempo todo ficou segurando a mão dela.

Dentro da sala do centro cirúrgico, os enfermeiros colocam a Sora na posição para a realização do parto e passaram todas as instruções para Layla, além de informar sobre os riscos que eles poderiam passar, mas que deveriam ter tranquilidade que tudo ficaria sobre controle, e que era muito comum que algumas complicações pudessem acontecer.

Por mais que aquilo era feito de praxe antes de todo parto, Sora ficou mais apavorada ainda com o que a enfermeira disse. Era a primeira vez que passava por aquilo, e lembrou quando sua mãe deu a luz a Yume, que houve complicações no parto e todos estavam com medo de não conseguirem salvar a mãe e o bebê. Temia que aquilo poderia acontecer com ela.

– Srta. Layla, se alguma coisa acontecer comigo, você se assegura que minha filha tenha uma família que a ame muito? – Não poderia pedir que Layla cuidasse da filha que era de seu noivo. Aquilo seria pedir demais, mas poderia pedir que Layla conseguisse arrumar alguém que cuidasse de sua Misaki. – E o nome dela será Misaki...

– Deixe de besteiras, Sora! Nada vai acontecer a você. Vai dar tudo certo, e logo você terá a sua filha nos braços. – segurou mais forte a mãe de Sora, e outra contração veio e tirou os sentidos da japonesa, tamanha era a dor.

As contrações só foram ficando mais longas e mais dolorosas. As enfermeiras anunciaram o início do parto, e pediram que Sora fizesse força a cada contração que sentisse. Mas só fizesse força quando sentisse vontade, para evitar que alguma coisa acontecesse. E assim foi feito, a cada contração, a japonesa urrava de dor e fazia o máximo de força que conseguia.

As coisas estavam indo bem. Já havia passado 20 minutos desde que o parto havia começado. O médico informara para Layla e Sora que como era a primeira gravidez poderia ter um parto mais prolongado, pois o corpo ainda estava se acostumando a essa nova função de expulsar o bebê do útero, além da mãe estar se acostumando com a respiração e quantidade de força que precisava fazer.

Contudo, em um determinado momento um grande pavor passou pela japonesa. Veio a sua mente que a criança poderia nascer com a cor dos cabelos de Yuri e era a leonina que estava com ela na sala de partos. Não queria dar mais esse sofrimento para Layla. Devido a dor intensa que estava sentindo e os pensamentos desanimadores, Sora começou a perder a força, não estava aguentando mais empurrar a criança para fora.

– Dr. ela parou de fazer força. A pressão dela está começando a cair. – as enfermeiras iam de um lado para o outro para tentar fazer alguma coisa para que não perdessem a mãe.

– Layla, converse com ela e dê forças para que ela continue. Ela não pode ficar muito tempo sem fazer força, se não podemos perder o bebê. – pediu o obstetra.

– Sora, vamos lá. Você consegue. Não pode desanimar agora. Já está quase no fim. – tentava animar Sora e motivar ela a continuar a fazer força. – Você é a pessoa mais guerreira que eu já conheci. Nunca desistiu diante de um desafio, pelo contrário se mostrava forte e provava para todos que era capaz de realizar qualquer coisa. Então, vamos lá. Mostre para todos que estão aqui nessa sala de que você pode fazer mais força e vai conseguir trazer a sua filha para o mundo.

A respiração de Sora foi ficando mais pesada. Ela ainda estava consciente, mas a dor era muita intensa e sentia as pernas tremerem e doerem muito pela pressão que estava sendo feita para que sua filha nascesse. Sentia que ia ser rasgada de dentro da fora. Ouvia as palavras de Layla, mas não conseguia encontrara forças para responder e muito menos empurrar a criança.

– Vamos lá Sora. Faça força. Vamos colocar essa princesinha para fora e dar um grande orgulho para todo mundo. Você forte e consegue, eu acredito em você. Eu estou doida para ver essa menina. Queria aninhar ela em meus braços. Então vamos lá.

As enfermeiras injetaram um medicamento no soro que a japonesa estava tomando. Era alguma coisa para ajudar nas dores fortes que ela estava sentindo, mas nada que pudesse impedir que ela fizesse força para expulsar a criança de dentro dela. Alguns segundos depois, Sora voltou a fazer força para expulsar sua filha. As palavras de Layla juntamente com o medicamente estavam surtindo efeito.

– Me... – sentiu uma contração extremamente forte e fez mais força e empurrou o máximo que podia. – perdoe... – conseguiu dizer entre uma contração e outra.

– Sora, fique tranquila. Apenas concentre-se em colocar essa criança para fora. Está tudo bem. Eu não vou te deixar sozinha, não importa o que aconteça. – algumas lágrimas finas teimavam em sair pelos olhos de Layla.

Algumas vezes Sora conseguia fazer bastante força junto com as contrações e o bebê avançava um pouco mais, contudo, perdia um pouco a força e o bebê recuava. O médico falava que isso era normal e que as vezes acontecia, mas que ela precisava se manter alerta e fazer o máximo que podia, que tudo iria dar certo.

Já haviam se passado um pouco mais de uma hora desde que o parto começara. Layla já estava ficando apreensiva por ver Sora naquele sofrimento todo. Queria ter o poder de acabar com o sofrimento dela e trazer essa criança ao mundo. Mas infelizmente não tinha esse poder, e a única coisa que poderia fazer era dar forças para que a Sora continuasse. Fazia os exercícios de respiração junto com Sora para estimulá-la.

Até que enfim, o médico anunciou que o bebê estava coroando, ou seja, que já podia ver a cabeça e ela enfim estava saindo pela vagina de Sora. A japonesa sentiu um grande ardor na área. Agora as coisas estavam menos preocupantes, mas ainda havia alguns riscos. Ainda tinha a preocupação de Sora acabar se contraindo e sufocando o bebê enquanto ele estivesse saindo.

– Sora, agora quero que você pare de fazer força. – informou o obstetra.

Sora parou de fazer força, agradecendo mentalmente por tudo aquilo estar acabando. Alguns segundos depois, Misaki nasceu e assim que o médico deu uns tapinhas em suas costas começou a chorar incessantemente, parecendo que iria estourar aqueles pulmõezinhos pequenos. Layla começou a chorar de emoção e a Sora desabou na cama de tanta exaustão.

– É uma linda menina! – anunciou o médico.

As enfermeiras levaram a filha até a mãe para que elas pudessem se conhecer e assim tranquilizar a mãe. Sora estava exausta demais, mas mesmo assim passou o dedo pelo rostinho de sua filha, meio extasiada com tudo. As enfermeiras, após apresentarem o bebê para Layla e permitirem que ela segurasse por um curto período de tempo, levaram Misaki para se limpar e depois para o berçário, onde ficaria na incubadora, até o médico analisar ela.

Alguns minutos depois do nascimento da criança, Sora voltou a sentir contrações, mas estas com menos intensidade do que as anteriores. O médico informara que aquelas contrações eram necessárias para que a placenta se desgarrasse do útero e pudesse sair. Passou-se 10 minutos até que a placenta saiu toda de dentro de Sora.

Porém, Layla percebeu que mesmo com a saída da placenta as enfermeiras e o medico não haviam relaxado e estavam preocupados com alguma coisa. Ouviu o médico pedir que ministrassem ocitocina e começou a apalpar o abdômen de Sora. Após alguns minutos, os toques tornaram-se uma massagem. As enfermeiras estavam inquietas, e Sora estava deitada e parecia não se importar com nada do que estivesse acontecendo.

– O que está acontecendo? Sora está bem? – a leonina perguntou a uma das enfermeiras que estava próxima a ela. Foi quando os demais que estavam na sala prestaram atenção em Layla. O médico pediu que retirassem a jovem da sala de cirurgia e que ela esperava lá fora. “Realmente está acontecendo alguma coisa”, pensou a leonia.

Uma das enfermeiras acompanhou Layla para fora do centro cirúrgico. Ao chegarem lá fora, a enfermeira informou que depois que a placenta saiu começou a ocorrer uma hemorragia. Essa hemorragia não era uma coisa comum, mas que podia acontecer em alguns casos quando o parto demora muito. O útero de Sora não estava se contraindo normalmente, e eles teriam que fazer massagem para que estimulasse ele a se contrair e assim estancar a hemorragia.

– Fique tranquila. Faremos o possível para salvar a sua amiga.

III.

O dia amanhecera estranho. Na verdade, era difícil ter certeza que era realmente o dia. Leon acordara dentro de uma cela pequena e não conseguia entender como havia chegado até lá. Assim que acordou, um dos policiais foi até a cela e o deixou sair. Não ficaria encrencado, mesmo que quase matara um homem na noite passada. Ficou sabendo que o policial Jerry, por ter muita amizade com Sora, conversou com o rapaz que apanhara e dissera a ele que Leon estava nervoso, pois sua filha estava prestes a nascer. O rapaz decidira que não iria prestar queixas contra o acrobata.

Não sabia se o policial havia o ajudado e mentido por consideração a ele, ou se ele realmente acreditava que essa criança era de Leon. O acrobata sentiu uma vontade enorme de falar que não seria pai, mas sim Yuri. Contar a verdade poderia complica-lo, e estava feliz por estar solto.

Sua cabeça latejava muito e parecia que o mundo rodava. Com certeza bebera demais na noite passada. Não conseguia lembrar muito do que acontecera no dia anterior, somente lembrava que sentia uma raiva muito grande de Yuri e que ainda precisava acertar as contas com ele. Quando o policial informara-o que ele havia entrado em uma briga a noite passada, o acrobata desejara muito que houvesse sido contra Yuri. Mas infelizmente não fora.

Entrara no estacionamento da Delegacia de Polícia de Cape Mary. Segundo o oficial seu carro estaria estacionado naquele pátio. Andou por quase metade do pátio até encontrar seu carro. Entrou no carro e deu partida. Sentia-se enjoado, necessitava tomar um banho e descansar.

Ao chegar ao apartamento, cumprimentou o porteiro e foi direto para o elevador. Esperava que pudesse encontrar Sora em casa, e que pudesse pedir perdão pelas palavras terríveis que havia dito a ela. Apesar de que a raiva ainda habitava em Leon, mas ele amava demais Sora para machuca-la ainda mais. Não sabia se iria continuar com aquilo ou não, mas pelo menos tinha que rever o que havia falado. Afinal de contas, devia muito a ela. Fora ela quem cuidara dele quando ele estava no hospital, e mesmo depois que recebeu alta.

Não era uma pessoa que se arrependia do que fazia. Mas por algum motivo o que dissera a japonesa o estava corroendo. Balançou a cabeça para afastar tais sentimentos. Já imaginava que Sora não estaria no apartamento, ela não iria aguentar ficar ali depois do que ele lhe dissera. E talvez fosse melhor assim. Ambos seguiriam sua vida. Não seria fácil, mas poderiam sofrer menos.

Entrou no apartamento, e colocou a chave do carro em cima da mesa de centro da sala. Nesse momento, o acrobata reparou que havia uma carta embaixo do controle remoto da televisão. Sentiu um aperto no coração. Pegou a carta e abriu. Percebera que era a letra de Sora. Seria aquela uma carta de desculpas? Ou então de despedidas? Só saberia se lesse. Rapidamente, Leon sentou-se no sofá e começou a ler a carta.

Jovem Leon,

Estou escrevendo essa carta para lhe dizer adeus. Muitas coisas aconteceram e está tão difícil continuar. Eu sei que é covardia da minha parte te cobrar algo tão desesperado, quando eu mesma não consigo me perdoar. Não sei se irá me perdoar, mas agora só isto me resta. Sinto muito por não ir atrás de você para dizer o que sinto, mas eu não conseguiria ver novamente seus olhos e ver neles o que te fiz. Pensei muito sobre esta partida, e entendi que isso é o melhor a se fazer. Estou te deixando hoje, com essa vontade de continuar, mas não dá mais.

Vou embora para que eu seja livre, para que você seja livre. Você tem uma vida pela frente, e eu também. E eu quero que você encontre alguém que te entenda melhor do que eu e que seja melhor do eu. E eu não sei se farei o mesmo. Você foi bom demais para mim enquanto ainda me amava, e eu não acredito que eu vá encontrar outro igual.

P.S.: Foi real... Eu te amei!

Sora Naegino.

CONTINUA...

Notas finais
Olá Galerinha! Desculpem pela demora para postar esse capítulo, mas é que a minha vida está corrida e para completar toda a agitação do meu dia, essa semana eu perdi dois dos meus cachorrinhos e isso me deixou completamente arrasada, pois eles estavam comigo a bastante tempo e já eram parte fundamental da família. Mas eu consegui finalizar o capítulo e venho trazer a vocês mais uma capítulo dessa história que me fascina a cada dia mais. Esperem que gostem! Boa leitura e até o próximo capítulo. Beijinhos da Bell ;*