Among the Shadows

6 Capítulo 6 -Uma noite, uma tequila


Notas iniciais
Hey Como estão vocês? Quero agradecer Lika trevas, Isabella e AustenGirl pelos comentários. E a Ingrid Dixon e Ninfa por terem começado a ler agora e comentado no 1. Espero que gostem, boa leitura.

POV Daryl

Depois da ultima busca com Aaron e Allyra o foco passou a ser a segurança. Sasha, Spencer e Tara ficaram permanentemente responsáveis pelo portão, mas temos algumas trocas de turnos. Rosita, Maggie, Noah e Allyra estão na rotação de vigia dos muros, assim como eu. Geralmente as vigias são de par, para o caso de um cair no sono. Abraham também está incluso, mas ultimamente está muito mais na parte da construção do que qualquer coisa.

Criamos algumas rondas também, para dar uma olhada no território, e geralmente minha parceira é a ruiva, porque é a única que não tem medo de mim, e Rick já descobriu que ela bate de frente o tempo todo. Aparentemente ele achou isso interessante.

De um jeito engraçado nós dois nos entendemos. Estamos sempre em uma espécie de disputa de quem mata mais walkers ou encontra os melhores rastros. Aos poucos ela vai ultrapassando minhas barreiras de uma forma irritante. A filha da mãe me provoca sempre que possível, e como uma espécie de maldição me sinto cada vez mais atraído por ela.

Depois de presenciar a conversa entre mim, Rick e Carol, achei que ela fosse tentar entrar no assunto ou até mesmo fazer algum tipo de chantagem, mas ela age como se nunca tivesse visto ou ouvido alguma coisa.

Depois de duas semanas finalmente vamos sair para mais uma busca. Os mantimentos ainda não estão em um nível critico, mas não queremos arriscar. Glenn também vai sair com Aiden e só desejo sorte ao coreano.

Aaron está arrumando as coisas e sairemos depois do almoço, já que pela escala ainda tenho uma ronda para hoje e achamos melhor não mexer. Deixo minha mochila pronta perto da porta, e pego um saquinho de plástico cheio de cookies que Carol deixou de café da manhã para mim saindo em seguida.

Estou chegando no portão, já xingando todos os parentes de Allyra, que claramente não está me esperando por lá, quando ela pula em minhas costas rindo e roubando minha comida. Olho para ela indignado e a puxo de volta pelo suporte da lança.

—Agora é uma ladra também?- digo puxando o saquinho de volta. Ela joga a cabeça para trás e ri.

—Sou. Vai me denunciar para o xerife?- pergunta arqueando a sobrancelha daquele jeito sexy.

—Vou. E se ele for esperto vai te prender em um quartinho até criar moral de gente- digo saindo do alcance de suas mãos e indo em direção ao portão. Não preciso olhar para saber que ela está rolando os olhos.

—Allyra- ouço Maggie gritar pela ruiva e rolo os olhos. As duas parecem se conhecer a vida toda.

—Hey Maggs- ela para de andar e olho para ela impaciente, que faz um gesto de descaso com a mão.

—Soube que depois da ronda vai sair, então vim me despedir- diz abraçando-a. Quase sorrio quando noto que ela foi pega de surpresa por isso.

A surpresa só dura um milésimo de segundo, e logo ela está abraçando a outra de volta. Fácil assim. Elas conversam mais um instante e eu acabo tendo que acabar com o assunto delas.

A ronda dessa vez é curta, principalmente porque o quanto mais cedo sairmos melhor. Não encontramos nada de anormal, nem de novo.

Dessa vez minha moto está pronta, então não vou ter que aguentar a presença sufocante dela por mais tempo que o necessário. Ficar com ela em um espaço fechado por tanto tempo é no mínimo incomodo.

Com a moto me sinto livre e completo de novo. Mais próximo a Merle, mais próximo de minha liberdade, mais eu mesmo. O caminho até o lugar planejado é de algumas horas, mas me parece até mesmo curto.

O lugar é mais ou menos como Alexandria, mas com várias casas inacabadas e sem os muros. Tipicamente um lugar de gente rica e poderosa. O carro para ao lado da moto e ela salta ao meu lado. Amarra os cabelos em um rabo de cavalo alto enquanto passa os olhos cinzentos por todo o ambiente, e me sinto bem retardado por estar analisando-a enquanto isso.

São muitas casas e resolvemos nos separar. Ela saca a lança e faz um gesto de concordância antes de começar a andar em direção a casa ao lado. Me sinto engraçado em deixar ela fazer isso sozinha, mas aceito. Aaron vai para a casa ao lado da dela.

Ao entrar na casa que ficou para mim encontro o típico ambiente de riquinhos. Tapetes infinitos, moveis caros, e obras de arte horrorosas. Felizmente a dispensa está cheia. Tudo corre tranquilamente enquanto vamos passando de casa em casa. Quase nenhum walker em nosso caminho, muitas dispensas cheias.

Lotamos o carro em que os dois vieram com facilidade, e no fim do dia estamos prontos para ir embora, quando temos a surpresa de encontrar um grande galpão cheio de galões de gasolina no meio da comunidade.

—Mas que diabos- ela diz parada olhando fixamente para os galões- que estranho eles terem isso por aqui.

—Não reclama só aceita- diz Aaron entrando e começando a carregar galões para o carro.

O carro fica tão cheio que no fim das contas não cabe a ruiva mais. Ela olha para nós dois indignada, e eu que não ria de verdade desde a morte de Beth Greene caio na gargalhada.

—Eu não acredito que você encheu até o banco do passageiro, Aaron- diz olhando de cara feia para os galões que lotam o banco que deveria ser dela.

—Parece que você vai ter que ir a pé- digo só para irrita-la e ela fecha ainda mais a expressão. Aaron balança a cabeça negativamente e sorri sem parar.

—É só você ir com o Daryl, para de chilique-diz como se fosse a coisa mais obvia do mundo e eu sorrio mentalmente.

— Ele tem razão ruiva- digo e ela me encara esperando a provocação que sabe que está por vir- Você só tem que pedir.

—Você não está falando sério.

—Eu pareço estar brincando?

Ela me encara firmemente, mas continuo impassível. Quero ouvi-la pedindo, até porque está estampado em seu rosto que é orgulhosa demais para isso. Admito para mim mesmo que quero ouvi-la pedindo muitas outras coisas também.

Me sinto meio do mal por fazer isso, até porque se fosse invertido eu não pediria, mas isso passa assim que me lembro que se fosse ao contrário ela não cederia só para facilitar as coisas para mim. Ela não facilitou nada para mim desde que chegou.

Ela rosna irritada, chuta o pneu do carro levemente e me olha com o queixo erguido, em uma típica postura de menina do papai.

—Posso ir na moto com você?- orgulhosa como é, ela me encara o tempo todo.

—Claro, porque não pediu antes?- digo andando até a moto. Ela continua parada por um momento, parecendo pensar em várias maneiras de me matar. Paro perto da moto e me viro para ela- Você não vem?

Tenho a impressão de que ela vai me derrubar no asfalto e sair com a moto me deixando para trás, mas ela acaba só subindo atrás de mim e segurando minha cintura. A proximidade me afeta mais que eu gostaria de admitir, e fico muito consciente de seus braços ao redor de minha cintura.

A volta a Alexandria parece normal, mas em uma das estradas acabamos fechados por uma horda de walkers. Aaron consegue passar sem problemas porque está de carro e tudo o que ele tem que fazer é acelerar, mas para nós é mais complicado que isso. Xingo em voz alta enquanto faço a curva e acelero para longe deles, que ao ouvir nosso barulho começa a vir em nossa direção.

—Ali- ela grita acima do som da moto, batendo levemente em meu ombro e apontando uma loja de conveniência abandonada que tem dois andares.

Não penso muito a respeito, porque se continuarmos podemos acabar com o combustível da moto e voltar para Alexandria fica ainda mais difícil, então viro bruscamente em direção a loja e paro a moto de qualquer jeito, saltando e puxando ela comigo. Corremos juntos até a loja, e estou pronto para arrombar a porta quando ela me puxa pelo colete e aponta uma escada de incêndio.

Ajudo ela a dar impulso e subir, e salto logo atrás dela. Olho para trás e vejo alguns walkers saindo da estrada e vindo em nossa direção, outros que já estavam por aqui se aproximando mais. Não são uma quantidade absurda, mas vamos ter que esperar as coisas se acalmarem.

Meus xingamentos voltam com força quando olho para cima e gosto da visão mais do que deveria. Deus, que mulher é essa. Ouço o barulho de vidro quebrado, e então ela salta para dentro. Faço o mesmo em seguida.

Encontro uma espécie de escritório bagunçado, com um sofá e uma mesa. Ela anda inquieta por todo o ambiente, procurando por qualquer coisa de útil, e fico parado próximo da janela, olhando para baixo e vendo alguns walkers se amontoarem nas proximidades.

— Aaron não vai voltar para nos buscar- aviso sem tirar os olhos da movimentação lá em baixo- Antes de tudo conversamos sobre o fato de uma moto não passar por lugares que um carro passa e combinamos que o outro seguiria e esperaria pelo menos uma noite antes de voltar ao resgate.

—Inteligente da parte de vocês- diz parecendo conformada. Nada de chilique, nada de irritação. – Não achei nada de útil

—Está com fome?-pergunto me virando para ela um pouco preocupado.

—Não, estou bem. Você?-ela se senta na mesa tranquilamente, cruzando as pernas.

—Estou bem.-respondo me aproximando dela sem perceber.- Acho que vamos ter que passar a noite aqui.

—Imaginei que teríamos.- ela dá de ombros tranquila.- Tem algum problema com isso?

—Não. Talvez uma certa preocupação com o perigo de você enfiar essa lança na minha garganta, mas nada demais.

Ela ri gostosamente, inclinando a cabeça para trás.

—Eu pensei seriamente em fazer isso há pouco tempo atrás- diz quando voltando a me encarar e jogando o cabelo que se desprendeu para longe dos olhos.

Parece pronta para dizer alguma coisa, mas muda de ideia, abre um sorriso enorme e meio que engatinha sobre a mesa em minha direção. Meu corpo inteiro trava e meu olhar passa por todo seu corpo quando ela se ajoelha na mesa e inclina sobre mim apoiando a mão em meu ombro e se estica para alcançar algo na prateleira atrás de mim. Seguro sua cintura preocupado com a possibilidade dela se espatifar no chão e a guio de volta para a mesa quando ela começa a voltar. Trás consigo uma garrafa de tequila nas mãos.

—Parece que tivemos sorte- diz sorrindo e tirando a mão de meu ombro e se acomodando melhor na mesa, de um modo que eu fique entre suas pernas.

—Você vai beber?- pergunto olhando dela para a garrafa.

Me afasto um pouco, sabendo que se continuar assim tão próximo vou agarra-la.

—Na verdade eu esperava que nós bebêssemos. – responde dando um tapinha em meu ombro.

—Eu não bebo mais- digo enquanto as lembranças da ultima vez que fiz isso me vem a mente.

—Por que?- pergunta claramente interessada.

—Acho que beber trás o pior de mim- respondo me encostando na estante atrás de mim, surpreso por ter dito isso em voz alta.

—Já pensou que deveria lidar com isso?- pergunta abrindo a garrafa.

—O que?

—Se você gosta do melhor de você, então tem que lidar com o pior.- ela dá de ombros e toma um gole da bebida, inclinando a cabeça para trás e saboreando a coisa toda.

Ela desperta em mim uma coisa que estava adormecida desde o inicio do apocalipse. Tudo para, meu sangue corre mais rápido, e atônico sinto o desejo chegando em mim com força. Não penso muito quando dou um passo a frente e puxo a garrafa de sua mão. Tudo o que quero é me distrair um pouco.

Talvez, só talvez, ela esteja certa sobre essa coisa de enfrentar o pior.

—Você tem um lado pior que esse?- pergunto antes de dar um gole.

—Você acha esse lado ruim?- pergunta sorrindo de lado.

Sorrio de lado, mas não respondo nada.

—Acho que o meu lado direito é o mais bonito- diz virando de lado e rindo.

—Ridícula- acuso pensando que ela é bonita de qualquer lado, mas admito para mim mesmo que estou me divertindo.

Ela estende a mão e entrego a garrafa. Assisto ela tomar mais um gole.

—Tenho.- ela confessa com os olhos fixos na garrafa- Vários deles nada verdade.

Puxo a cadeira que está caída próximo de mim e puxo para perto da mesa me sentando de frente a ela.

—Muitos assim?- pergunto erguendo as sobrancelhas. Ela me encara, os olhos mais tempestuosos que o normal, em um cinza intenso.

—Te conto um pouco do meu e você contar do seu- diz e isso me lembra um pouco toda aquela coisa com a bebida e Beth, exceto pelo fato de que Allyra não solta esperança pelos poros, nem gentileza. Não mesmo.

—Não acho que você tenha um lado tão ruim assim- digo pegando a garrafa de volta- Apesar de olhar para você e pensar que era uma filhinha do papai da cabeça aos pés.

— Eu era mesmo- ela concorda e dá de ombros, enquanto parece se perder em algumas lembranças- Mais ou menos. Ironicamente, não acho que esse seja meu pior lado.

Quando dou por mim estou curioso como o inferno. Quero saber mais. Quero saber quem ela era, quero saber seu pior lado, seu melhor lado.

—E qual era?-pergunto entregando a garrafa para ela.

—Meu lado covarde.- responde e então toma um longo gole, depois encara a garrafa por mais um momento parecendo perdida e volta a me olhar- Eu não sabia dele até o apocalipse chegar.

—Surtou com os walkers?- pergunto me divertindo um pouco com a ideia.

—O que?- ela me olha confusa por um instante, e então balança a cabeça- Não. Isso não. Sempre foram patéticos. Foi um pouco além. Mas agora me diz você, que negocio é esse de pior lado?

Olho para ela por um momento, pesando as possibilidades.

—Antes do apocalipse eu era só um bêbado idiota- digo, achando que falar disso vai me lembrar o quão diferentes nós somos, e diminuir minha atração por ela.- Não fazia nada da minha vida, e era um perfeito inútil. Trabalhava com bicos, e bebia até cair. Era um merda.

—Agora não é mais- diz me devolvendo a garrafa.- O mundo acabou e você se encontrou?

—Minha vida não era muito boa, então as coisas não mudaram muito para mim- digo depois de um longo gole.

—Agora é responsável por várias vidas- diz como se fosse a coisa mais normal do mundo, claramente não se importando com nada do que eu disse. Como se não existissem diferenças.

Como não digo nada, ela dá de ombros e estende a mão esperando que eu entregue a garrafa. Sinto o efeito do álcool começar. Sinto mais facilidade em falar, e o pensamento mais lento, mas sempre que a agressividade tenta aparecer empurro-o para longe.

—Quantos anos você tem?- pergunto finalmente deixando minha curiosidade me vencer.

—Acho que uns 25 anos- responde dando de ombros- e você?

Fico parado olhando fixamente para ela, me sentindo ridículo. Nova, mas não tão nova. Ainda assim com uma grande diferença de idade.

—Acho que 37- respondo desviando o olhar.

—Sua cor favorita?- pergunta do nada e olho para ela confuso. — Vamos lá caipira, você tem uma cor favorita. Todo mundo tem.

Na verdade eu não tinha. Nunca tinha parado para pensar nisso antes. Foco meus olhos nela por um momento e balanço a cabeça em negativa.

—Acho que preto- digo dando de ombros, mesmo que esteja descobrindo que gosto bastante de vermelho e cinza, conforme a olho mais e mais.

—Eu gosto de azul.- ela diz e se levanta. Se inclina até estar cara a cara comigo. Olhos nos olhos.- Meio que me fascina.

Notas finais
Espero que tenham gostado, me contem o que estão achando