Among the Shadows
4 Capítulo 4- Interagindo
Notas iniciais
POV Allyra
Acordo com o sol entrando pela janela e rolo na cama incomodada. Coço os olhos e bocejo, antes de levantar da cama e me espreguiçar. Pego os rádios e escuto por um momento, ficando a par de algumas novidades, satisfeita com algumas direções, e principalmente com as noticias boas de um dos rádios. Depois de um banho rápido desço as escadas e preparo uma coisa qualquer de café da manhã.
Viver em Alexandria é cada vez mais fácil. Depois do jantar com o grupo do Dixon as coisas se encaixaram um pouco mais para mim. Com eles é muito mais fácil de lidar, eles entendem o que é lá fora e tenho certeza de que já passaram por muitas coisas. Eles interagem comigo com facilidade, e me aproximo deles a cada dia.
Daryl ainda é uma incógnita, um homem irritado, quase grosso, que me desafia o tempo todo. Não faz ideia disso, mas isso tudo só me diverte. Alguma coisa nele me diz que ele é mais que a fachada de marrento, e vejo isso no modo que se importa com sua família. Meio que me fascina.
Estou saindo de casa quando Carol aparece com uma travessa de biscoitos e sorrisos fáceis. Me detenho um momento para analisa-la, e sei que esconde algo. Venho pensando nisso nos últimos dois dias, e tenho certeza de que essa mulher é mais que uma dona de casa e é esperta o suficiente para esconder isso. Acho que é um disfarce, para se encaixar melhor, ser aceita, ser invisível, e saber que o grupo dela tem algumas precauções é algo interessante.
Agradeço os biscoites e até mesmo experimento um, que é simplesmente maravilhoso. Guardo a travessa para comer mais tarde e saio de casa. Pretendo sair e treinar um pouco, mas não chego nem perto do portão. Aeron me para no meio da rua com um sorriso no rosto e diz que tem uma proposta a fazer.
—Ouvi dizer que não se deu muito bem com Aiden e que se recusa a ir em qualquer outra busca com ele- ele afirma, se referindo ao ultimo conflito que aconteceu, e concordo com a cabeça- Nesse caso, será que você aceitaria ir em uma busca comigo?
—Com você?- olho para ele por um momento e arqueio a sobrancelha- Por que me quer em seu grupo?
—Bem, você lidou muito bem com todas as atividades em que precisaram de você nos últimos dois dias, mas você é boa lá fora e isso é raro demais aqui. Além disso gosto de você. Pode dar certo. — ele para por um momento e me analisa- Só pense com carinho.
Concordo com a cabeça e deixo ele se afastar um pouco. Quando está a uma distância razoável grito-o de volta.
—Sim?- ele pergunta se virando.
—Já pensei com carinho- digo alto para que ele me escute. Ele arregala os olhos ficando tenso e parece se preparar para uma negação, mas abro um sorriso divertido- A resposta é sim.
Saio sorrindo para mim mesma deixando-o atordoado no meio da rua. Estou quase alcançando o portão quando Maggie aparece. Não sei bem como, mas de uma forma automática me identifiquei com ela, e quando me pede para acompanha-la novamente até o terreno onde ela está planejando começar uma plantação acabo concordando.
Não sei bem o que acontece, mas acabo ocupada pelo resto do dia. Termino de ajudar Maggie e Michonne me pede ajuda com a escala do pessoal que vai vigiar o muro. Aparentemente eu tenho cara de gente eficiente e eles me acolhem aos poucos. Isso me surpreende e incomoda ao mesmo tempo em que se mistura com um sentimento bom.
Com a ajuda de Deanna conseguimos alguns voluntários. Anoto meu nome entre tantos outros e digo alguns horários, deixando claro que vou sair com Aeron na próxima busca. Michonne sorri de um jeito engraçado quando digo isso, mas não comenta nada.
O sol está quase se pondo quando finalmente consigo chegar ao portão. Não tem ninguém por perto, então grito por Rick que está passando e aviso que vou sair, assim como que o portão está sozinho. Ele xinga baixo e reclama consigo mesmo da irresponsabilidade do pessoal. Murmura algo sobre trazer Sasha para o portão e some.
Saio sem me preocupar, bem consciente que posso esperar o tempo que for para entrar, e caso minha paciência se esgote posso pular o muro me apoiando nos lugares certos.
Só de colocar os pés na floresta me sinto melhor. Não é que eu sempre tenha gostado da floresta ou algo assim, na verdade antes do mundo acabar eu não gostava muito de mato, mas nessa nova realidade eu acabei descobrindo nela um refugio, um lugar onde dá para sobreviver. Que retrocesso a humanidade sofreu.
Aprender a lidar com essa nova realidade, com a floresta em si, foi complicado. No começo eu odiava e queria uma cidade mais que qualquer coisa, mas fui me adaptando. Fui descobrindo, aprendendo e evoluindo.
Assim que andei uma distancia razoável para dentro do mato paro um momento e fecho os olhos para ouvir melhor o que a floresta tem para me oferecer. Como sempre ouço um gemido a distância, nada para me preocupar nesse instante. Ouço também alguns galhos e folhas sendo quebrados e me viro nessa direção ciente de que é onde vou encontrar alguma caça.
Não demoro muito a encontro um rastro, e a partir dai é só me manter silenciosa. Consigo capturar um esquilo e me dou por satisfeita. Agora só tenho que alimentar a mim mesma.
Volto a caminhar em direção a Alexandria, mas sem pressa alguma. Mato o zumbi que escutei mais cedo com a faca, tamanho meu descaso, e continuo a andar.
Um barulho a esquerda me chama a atenção e vou nessa direção. Abro um sorriso preguiçoso ao encontrar nada mais nada menos que Daryl Dixon. Está com o colete de asas como sempre, uma pose mais marrenta que o normal, e bastante concentrado em capturar um coelho. Já tem dois esquilos nas costas, então deixo minha parte má falar mais alto e quebro um galho com o pé de proposito.
O coelho foge e sua mira se vira para mim em um mínimo segundo, o que me faz sorrir divertida. Ele fecha a cara em minha direção, visivelmente bravo, o que só serve para me divertir ainda mais.
—Olhe por onde anda- ele rosna irritado e eu me limito a encara-lo nos olhos. Azuis como o céu em um dia limpo. Hipnotizantes, misteriosos. Intensos. — Além de acabar com minha caça quase levou uma flechada na cabeça.
—Parece que alguém amanheceu com o pé esquerdo hoje, Dixon- digo e ele me encara sério.
—E pretendo dormir com ele – responde de mau humor e vira as costas para mim.
—Me pergunto se algum dia você acorda bem humorado- digo olhando fixamente para suas costas. Ele para e se vira para mim, os olhos azuis faiscando.
—Com o motivo certo qualquer homem acorda bem humorado- responde com a voz rouca e pisco atordoada diante da insinuação bem guardada entre essa frase, o que só faz com que ele abra um sorriso vitorioso.
Balanço a cabeça em negativa e me viro para ir embora.
—O que estava fazendo aqui fora?- ele pergunta e começa a caminhar em minha direção. Parece desgostoso por fazer isso, mas faz assim mesmo, o que me deixa confusa.
—Estava caçando- respondo sem me virar, continuando a andar.
—Andando sozinha por ai? Tem noção dos perigos?
—Na verdade eu tenho, já que quando nos encontramos pela primeira vez eu estava exatamente assim: sozinha.
—Quer se matar ou algo assim?- pergunta irritado.
—Você quer?- jogo a pergunta de volta.
—Como assim?
—Bem, me corrija se eu estiver errada, mas você está aqui também, não está? Correndo os mesmos riscos que eu- digo afastando um galho para poder passar.
Escorrego em uma descida e me preparo para a queda, mas ela não acontece. Braços fortes cercam minha cintura e me firmam novamente. Fico superconsciente de seu corpo forte e másculo atrás de mim, seu peito contra as minhas costas.
—Você está bem?- ele pergunta e sua respiração bate em meu ouvido. Estranhamente tenho que segurar o impulso de inclinar a cabeça para trás e apoia-la em seu ombro.
—Estou- digo firmando melhor minhas pernas enquanto ele me solta lentamente.- Obrigada.
—Você tem uma propensão a querer se machucar- ele acusa, seu sotaque caipira saindo forte.
—Por que diz isso?- pergunto me virando para encara-lo de frente.
—Levou um tiro de raspão na barriga, não queria se juntar a nós, se meteu em briga com Aiden, e quase quebrou a cara no chão agora- diz secamente, apontando para o lugar onde quase cai minutos atrás.
—Que observador- respondo dando de ombros.
—Não tem que ser muito inteligente para notar- diz e sai andando a minha frente – Você não vem?
—Vai se ferrar- digo e começo a me mover para acompanha-lo e até mesmo ultrapassa-lo
POV Daryl
Não existe mulher mais insuportável no mundo do que Allyra Lambertini. A ruiva irritante parece estar em todos os lugares ao mesmo tempo, sabendo o que fazer e como lidar com tudo e com todos, apesar de ter uma paciência absurdamente curta.
Ali está ela novamente, andando na minha frente com aquela postura altiva de dona do mundo, um sorriso irônico e enorme, que esfrega na minha cara o quando se divertiu em fazer minha caça escapar. Ah, e ela fez isso de proposito.
Rebatendo tudo o que digo, como sempre faz , ela anda distraída e vejo o momento exato que seu pé desliza pela descida de terra então reajo institivamente agarrando-a pela cintura e firmando-a em meu corpo.
Péssima ideia. Realmente péssima ideia. Ao fazer isso fico superconsciente de todo seu corpo em contato com o meu. Suas curvas pressionadas em mim, suas costas em meu peito, um cheiro malditamente bom e hipnotizante me embriagando os sentidos.
—Você está bem?-pergunto tentando colocar meus pensamentos em ordem. Ela fica um momento perdida, mas depois parece recobrar o controle sobre si mesma.
—Estou- responde firmando as pernas e se afastando, então a solto lentamente, meus braços ainda sentindo sua cintura fina e macia.
—Você tem uma propensão a querer se machucar- acuso mudando de assunto e ela me olha irritada, os olhos cinza faiscando.
—Por que diz isso?
—Levou um tiro de raspão na barriga, não queria se juntar a nós, se meteu em briga com Aiden, e quase quebrou a cara no chão agora- digo secamente, apontando para o lugar onde ela quase caiu minutos atrás.
—Que observador- diz com sarcasmo e dá de ombros.
—Não tem que ser muito inteligente para notar- digo só para provoca-la e saio andando na frente – Você não vem?
—Vá se ferrar- diz e em poucos minutos passa a minha frente.
Acompanho-a até Alexandria, mas assim que entramos cada um vai para seu rumo. Vou para casa, limpo a caça e deixo cortada em pedaços na cozinha para Carol poder fazer no jantar. Uso o resto do dia para organizar minhas coisas para a busca no dia seguinte, e vou dormir aliviado por saber que finalmente vou sair dessa cidade um pouco.
(...)
Assim que o dia amanhece saio de casa com minhas coisas e vou até a casa de Aeron, que foi onde combinamos de nos encontrar. A moto está quase pronta, mas dessa vez ainda vou ter que ir de carro.
Como o esperado ele já está de pé e em movimento, arrumando as coisas em um dos carros com a ajuda de Eric. O ajudo com o que é possível e quando estamos quase acabando a ruivinha aparece. Está com uma mochila nas costas e imagino que seja algum suprimento para nós.
—Ei- diz jogando a mochila dentro do carro com a maior tranquilidade- Ainda precisa de ajuda?
—Não Allyra, já estamos terminando- responde Aeron colocando um ultimo galão de gasolina no carro. –Ah, acho que esqueci de mencionar, Daryl vai conosco.
Olho espantado para Aeron que olha para nós dois com um sorriso culpado. Esqueceu coisa nenhuma, não disse porque não quis, o filho da puta.
—Uh, mesmo?- pergunta apertando os olhos em direção a Aeron.- Tenho certeza que esqueceu.
—Sim, esqueci- diz na maior cara de pau.
—Bem, já que somos três vou ter que fazer isso: Eu vou na frente- ela meio que grita a ultima parte ao mesmo tempo em que se joga no banco do passageiro.
Estou próximo da porta do motorista e de jeito nenhum que eu vou no banco de trás, então dou de ombros em meio a toda minha marra e entro no carro. Seguro um sorriso que insiste em se insinuar por causa da forma que ela reage as coisas.
—E então, mais algum integrante para a busca?- pergunto quando Aeron entra de cara feia no banco de trás- Digo, além da Little Monster aqui.
—Vamos lá caipira, Allyra não é um nome tão difícil de pronunciar- ela diz se virando para mim- Achei que ia parar com esse apelido ridículo.
—Achou errado ruivinha, vou usar o apelido o quanto eu quiser.- respondo me virando e dando a partida.
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