Among the Shadows

30 Capítulo 30- Ciúmes


Notas iniciais
Desculpem a demora, tive um bloqueio criativo fortíssimo, mas agora estou de volta. Não vou mentir e dizer que o próximo cap vem logo, não quando meu fim de ano está tão amontoado na escola, mas pelo menos agora eu sei o que escrever nos próximos capítulos e como. Se alguém ainda lê, mando meus abraços e carinhos. Bjssss

POV Daryl

A morte de Glenn atingiu a todos nós. Foi um baque muito forte no grupo todo perder o coreano linguarudo, principalmente para nós que estávamos com ele a mais tempo, no meu caso desde Atlanta. Maggie tentou, com todas as forças, segurar as pontas, mas perder o amor de sua vida faz com que você perca as estribeiras. Eu perderia.

Allyra passou a dormir na casa da amiga, em apoio, e todos concordamos que era uma coisa boa. Ficar sozinha nesses primeiros dias seria... Ruim. Enid também está sempre por perto, ajudando e dando atenção.

Gostaria de dizer que dormi bem nesses dias sem a Little Monster, mas então eu estaria mentindo. Eu sentia falta de seu calor, de sua presença noturna. Não era sobre sexo. É claro que eu sentia falta disso também, mas era mais que isso. Com ela sempre seria mais.

Sai de uma vigia noturna, e fui direto para a casa de Rick. Ao entrar na cozinha encontro Carl com Judy no colo e Michonne fazendo um café. A garotinha balança os braços em minha direção e resmunga me chamando. Sorrio e vou em sua direção, pegando-a. Ela instantaneamente começa a brincar com meu cabelo e com as pontas do colete

—Dalyl- ela está na fase de falar as primeiras palavras enroladas. Carl é Cal, Allyra é Ally, Michonne é Mi.

—Bom dia Bravinha- digo carinhoso e ela ri.

Tomo café com eles, Rick chegando em seguida . A porta é aberta por Tara e logo atrás dela entra John, com Allyra em suas costas. Ela sorri muito, leve e feliz e isso e meu corpo fica tenso. Aperto os lábios meio irritado.

—Bom dia- diz sorrindo e descendo das costas dele. — Ezekiel chega hoje, Rick.

Rick acena em concordância, mas me olha com... Diversão nos olhos? Franzo a testa, mas perco o foco pois Allyra me dá um selinho de surpresa e eu me viro para ela confuso.

—Bom dia- diz sorrindo e eu pisco atordoado.

—Bom dia, Little Mosnter.- digo sem jeito, desconfortável com a quantidade de pessoas ao redor.

Judith ergue as mãos na direção dela

—Ally- resmunga e brinca com os cabelos ruivos.

—Bom dia pequena- diz apertando as bochechas.

—Vamos comer?- chama Carl, mas ela balança a cabeça em negativa.

—Comi com Maggie e Enid, não se preocupem- diz se recostando em mim, dando acesso total de seus cabelos a Judy e me embriagando com sua presença.

Resolvemos ir até os muros para esperar por Ezekiel. Sinto algumas pessoas olhando torto para minha ruiva e minha raiva começa a borbulhar.

—Sorria- diz me abraçando de lado e abaixo o olhar para encontrar seus olhos de tempestade.

—Se eu ver mais alguém olhando torto para você eu vou enfiar uma flecha na garganta do infeliz- digo irritado e o sorriso dela aumenta.

—É o peso do sangue que corre em minhas veias, caipira- diz dando de ombros.- Se me dissessem que você, sendo o marrento que me encontrou na floresta, seria capaz de me proteger desse jeito eu iria morrer de rir.

Rolo os olhos e bagunço seu cabelo.

—Um grupo se aproxima- grita um dos vigias, e nós dois corremos em direção ao muro.

Subo a plataforma com um impulso rápido e me viro estendendo a mão para ela, que por sua vez rola os olhos para mim antes de aceitar. Ela aperta os olhos e então sorri.

—É Ezekiel- diz convicta ao observar o grupo que vem em dois carros e dois cavalos. –Abram o portão.

Rosita começa a se mover imediatamente, mas Spencer a segura pelo ombro e nos olha com desdém.

—Por que eu faria qualquer coisa para te ajudar?- pergunta com um tom de voz superior- Abrir o portão para o resto dos seus entrar e dominar a comunidade?

Vejo vermelho. Movo-me rapidamente para descer a plataforma, mas ela me segura pelo ombro.

—Não vale a pena- diz séria e eu me concentro em seu rosto e em minha respiração, para me acalmar, mas enquanto faço isso ela se vira e pula a plataforma, pousando com um baque seco.

Ela se move rapidamente, jogando-o contra o portão e sufocando-o. Apresso-me em sua direção.

—Fale assim comigo de novo e eu vou cortar sua maldita língua- diz irada, olhando-o nos olhos de maneira ameaçadora. O baque do corpo dele contra o portão ecoa. Seguro-a pela cintura e puxo-a para longe.

Ele se curva engasgando com o ar, visivelmente sufocado.

—Me solte, sério fiz o que tinha que fazer- diz e sei que ela mente, mas não me importo. Solto-o e ela se vira em um rompante, socando-o no rosto. Sorrio ao ouvir o som do osso se partindo- Agora sim acabei.

Rosita puxa-o para longe do portão e o abre.

O pessoal de Ezekiel entra em um rompante. Eles cumprimentam-na com carinho e ela faz o mesmo. Shiva fica por perto dela, como dá outra vez. O bichano tem um carinho especial por ela.

Os lideres e pessoas de confiança se reúnem na casa de Rick, e decidimos acabar com os olhos de Negan ao matar seus batedores. Allyra e John sabem onde esses estão, então dividimos grupos para faze-lo. Falamos de algumas outras possibilidades de ataque, e depois do almoço nos encontramos no portão.

—Volto para casa hoje- ela me diz enquanto almoçamos e eu sorrio.- Sentiu minha falta?

Resmungo.

—Mas e Maggie?- pergunto e ela suspira.

—Ainda tem alguns pesadelos ou dificuldade para dormir, mas está bem. Conversamos sobre isso hoje pela manhã, e ela mesma disse que tem que seguir em frente. Além disso, Enid vai morar com ela.

Aceno em concordância.

—Allyra?- chamo e ela ergue os olhos para mim.

—Sim?

—Como você está?- pergunto e ela suspira.

—Com alguns pesadelos, mas bem.- diz e fixa os olhos tempestuosos nos meus. Sei que fala sério.

(...)

—Vamos, Little Monster?- chamo ela, que está conversando com o primo.

—Na verdade eu vou com John. Tome cuidado.- diz séria e eu trinco os dentes, raiva me rodeando. Ela está preferindo-o a mim?

Rosno baixo e viro as costas. Não digo nada porque não quero brigar. Saimos todos juntos, mas cada um segue em uma direção.

Eles estavam completamente certos quanto a posição dos caras, eu e Rick cuidamos dos nossos alvos sem problemas.

Depois do que parece uma eternidade, chegamos de volta a Alexandria. Já é fim de tarde, e alguns outros grupos chegam, mas nada de Allyra e John. Se aquele desgraçado deixou algo acontecer com minha garota eu vou mata-lo.

Já está praticamente escuro quando os dois chegam. Eles descem do carro com uma expressão séria. Allyra troca algumas palavras com Rick e aponta o carro, mas passa direto por mim. Voltando a andar com o primo

—O que ela disse?- pergunto confuso.

—Armas e mantimentos no carro, posto 3 acabado e em chamas. Ah, e ela conseguiu uma maneira para atrairmos uma horda, e conferiu onde uma delas está. No caso no oeste.- responde Rick sério.- Algo aconteceu lá, ela está muito séria.

—Notei- respondo depois de um suspiro e ajudo a descarregar o carro.

Volto para casa já é tarde, e ela não está por perto. Xingo irritado, um sentimento estranho tomando conta de mim ao me dar conta de que ela prefere, de fato o primo a mim. Quem garante que eles não sejam namorados, ou tenham sido namorados, e essa missão trouxe sentimentos a tona?

Tomo um banho gelado, buscando me acalmar, mas não funciona. Estou terminando de me vestir quando ouço a porta se abrir la em baixo. Desço as escadas e dou de cara com uma Allyra cansada.

—Oi- ela murmura

—Oi- respondo seco e ela suspira.

—Qual o problema, Daryl?

—Eu que pergunto, não acha? Não quis ficar comigo no grupo, ficou só com o seu priminho, chegou e mal falou comigo, fora hoje de manhã o quanto estava feliz com ele. Mais feliz que nunca foi.

Ela aperta os olhos e ergue a mão apertando a ponte do nariz.

—Certo. Vamos lidar com isso. Você gostaria que eu me afastasse dele?- ela pergunta baixo e eu pisco atordoado.

Não digo nada

—Sinto muito, mas isso nunca vai acontecer- diz séria e dá dois passos determinados ficando cara a cara comigo- Eu o amo e ele é parte de mim. É a minha pessoa. Estamos juntos desde a infância, um pelo outro em cada maldito drama adolescente e o que mais viesse. Depois juntos na academia do FBI e então no apocalipse. Se me quiser em sua vida, vai ter que lidar com John também porque ele é parte do pacote. Merda, era pra esse pacote contar com mais alguém, mas infelizmente você nunca vai conhece-la. Isso que você está sentindo é ciúme bobo e sem sentido. Porque eu amo você. Amo tanto que em assusta. Mas ainda assim, isso não quer dizer que vou deixa-lo.

—Little Monster- começo e ela me olha respirando fundo. Afetada. É mais do que isso. E no fim, está certa. É ciúme. Puxo-a para um abraço. –Desculpe.

Ela esconde o rosto em meu pescoço e sei que está segurando o choro. E não é sobre mim.

— O que aconteceu hoje, Little mosnter?- pergunto e ela suspira.

—Conseguimos o posto 3, sem problemas , como o esperado. No posto 3 temos um deposito especialmente para eletrônicos, como sons, dvds, jogos e câmeras. Esse não é o ponto. – ela para e suspira.- Com um dos corpos encontramos uma câmera cheia de adesivos. Mas não uma câmera qualquer. A câmera de Suzie. Com todos os vídeos lá. Ela os adorava. Era uma paparazzi nata, mas na verdade trabalhava com psicologia. Ele deu as coisas dela. Distribuiu por ai.

A dor na voz dela, o cansaço. Eu entendo. Suzie, irmã de John, era muito importante para ela e se dar com as memorias dessa maneira é perturbador. E para completar eu sou um completo idiota ciumento com ela.

—John não está nada bem. Encontrar lembranças dessa maneira... E nas mãos de qualquer um...- ela fecha os olhos novamente.

Abraço-a. Tudo agora faz sentido.

—Deixe-me cuidar de você- peço e ela me sorri fraco.

—Vai aceitar o pacote inteiro?- pergunta e eu rolo os olhos.

—Você sabe que sim, Little Monster- beijo sua testa e a pego no colo. Ela ri baixinho com esse ato.

—Onde está me levando, Dixon?- pergunta segurando-se em meu pescoço.

—Para um banho. E depois para a cama. E você vai me contar tudo o que quiser, pelo tempo que quiser, ou então vai dormir. Vou cuidar de você hoje.

Ela rola os olhos , mas aconchega a cabeça em mim.

—Você tem ciúmes- murmura mais para si mesma que para mim. Aperto os lábios.

—Não tenho não.- digo chegando ao banheiro e colocando-a de pé a minha frente.

—Tem sim- responde e então me beija. Um beijo lento e cheio de sentimento.

Estamos aprendendo a lidar com tudo. Vamos chegar lá.