Among the Shadows

38 Capítulo 38- Algumas resoluções e aquilo que não poderia ter


Notas iniciais
Hey pessoal. Chegamos ao ultimo capítulo de Among de Shadows, e eu só posso agradecer a quem me acompanhou nessa jornada. Essa foi uma fic muito gostosa de escrever, e eu meio não queria dizer adeus. Mas é isso, aqui estamos. Espero, de coração, que vocês tenham gostado da historia como eu gostei, e que não tenham se decepcionado ou abandonado ela no meio do caminho. Eu sabia, desde o inicio, que algumas coisas iam ser diferentes. Eu queria que fossem diferentes, e acho que de certa forma consegui. Não vou mentir e dizer que saiu tudo como o planejado, porque a verdade é que muita coisa eu acabei modificando conforme os capítulos me vinham a mente, e isso nem me surpreendeu, uma vez que sou péssima em seguir planos, mas posso dizer com toda a certeza que gostei do resultado. Criar a Allyra foi um certo alivio, porque essa personagem me atormentou por um tempo, e minhas amigas sabem bem disso já que na época eu só conseguia falar dessa história que estava girando em minha mente o tempo todo e a qual queria dar vida. Elas apoiaram bastante e a fic foi algo muito de fazer. Espero que vocês tenham gostado da Allyra, talvez se divertido, e quem sabe até chorado, com ela. Novamente deixo aqui meu muito obrigada a todos, principalmente a quem comentou e me incentivou. Espero que gostem desse ultimo capítulo, adoro vocês, beijos e até alguma outra fic ♥

Pov Allyra

Um roçar de dedos, carinho nas costas, barba arranhando minha pele. Rolo inconscientemente, e em seguida sinto o peso masculino sobre o meu corpo, beijos molhados no pescoço conforme ele se ajeita em cima de mim. Abro os olhos sonolentos, com um sorriso preguiçoso no rosto, enquanto sinto a boca de Daryl descer por minha clavícula e então chegar ao meu seio. Meu corpo se arqueia em resposta, um gemido escapa do fundo de minha garganta, e abro as pernas, acomodando-o entre elas.

—Daryl- gemo e sinto seu sorriso em minha pele. Desço o olhar para e encontra-lo com um olhar sacana, malicioso, as pupilas dilatadas. Sem desviar o olhar, ele passa a ponta da língua no bico já excitado do meu seio.

—Bom dia- diz antes de voltar a maltratar meu seio. Me arqueio oferecendo mais.

—Hmm- sai uma mistura de resmungo e gemido.

—Sim? — pergunta como quem não quer nada, se posicionando melhor em cima de mim, as mão subindo por minhas coxas, apertando.

Procuro alguma coisa para responder, mas tudo o que sai de mim é um gemido longo, quando ele aperta uma das coxas com mais força, e se aperta a mim, esfregando a excitação contra minha intimidade, que começa a se molhar.

— O que quer, Allyra? — pergunta enquanto suas mãos passeiam por mim, deixando um caminho de fogo por onde passam, sua boca descendo por meu corpo.

—Hmm- resmungo de novo enquanto ele passa a língua por toda a minha barriga, contornando meu umbigo e descendo.

Reviro os olhos em expectativa e antes que eu possa pensar em qualquer coisa sua boca chega . Mais gemidos me escapam conforme sua língua brinca comigo, e eu me abro mais para ele. Eu sempre me abro para ele.

— Você quer que eu pare, Little monster? – pergunta e eu me limito a fechar as pernas em seus ombros, e o olhar séria. Ele ri, e volta a fazer o que estava fazendo antes, a língua entrando mais fundo e mais forte dessa vez, me fazendo me contorcer. Ele só precisa chupar meu clitóris mais uma vez, para que eu de desmanche.

Assim que me recupero, encontro Daryl com um sorriso convencido, cheio daquela satisfação masculina que só ele pode ter. Enlaço sua cintura com as pernas, que ainda estão moles, e nos giro na cama.

Ele puxa minha nuca para baixo, os dedos se emaranhando nos meus cabelos, e então inicia-se um beijo cheio de intensidade, uma briga por poder. Arranho seu peito, passando as unhas por toda a extensão de seu abdômen, sentindo os músculos se retesarem embaixo de meus dedos. O caçador aperta minha nuca com posse, puxando de leve meus cabelos e me levando a loucura. Eu sugo seu lábio inferior, antes de seguir para sua garganta, dando um chupão ali, me deliciando com seu gosto. Suas mãos descem por minhas costas até minha bunda, e ele aperta com força, me puxando contra sua ereção. Eu rebolo, o que resulta em gemidos tanto dele quanto meus, e um aperto ainda mais intenso.

Desço os beijos para seu peito, assim como minhas mãos para seu membro, o qual começo a estimular. Ele geme coisas desconexas e eu desço os beijos e chupões por seu peito. Estou próxima ao umbigo quando ele me puxa de volta para si, reivindicando meus lábios.

—Quero você- diz separando nossos lábios e esfregando a barba contra minha bochecha-Mais que isso, Little Monster. Quero estar dentro de você.

Solto um gemido manhoso e começo a me posicionar. Ele põe as mãos em minha cintura, me ajudando, e então ergue a própria cintura, entrando em mim lentamente, enquanto eu sento. Seus olhos não deixam os meus nem por um momento. Eu sei e ele sabe, eu sou dele, e Daryl é meu.

Amo você- diz enquanto me ajuda com os movimentos, entrando fundo, me fazendo revirar os olhos. Perco a força nas pernas e ele nos gira, metendo fundo, forte e gostoso.

Amo você— respondo inclinando a cabeça sobre o colchão e arranhando suas costas.

Chegamos ao clímax juntos, de uma maneira tão forte e intensa que ficamos fora do ar por um longo momento. Nada mais importa além do calor de seu corpo, o suor misturado, o cheiro de sexo e de paixão que preenche o lugar.

—Um banho?- pergunto quando finalmente encontro minha voz e ele volta os olhos azuis para mim, rindo. Estão em um azul céu hipnotizante.

—Nunca negaria um banho com você- diz tirando uma mecha de meus cabelos do rosto e fazendo um carinho com o polegar- Nós dois juntos, vapor, os corpos escorregando por causa da água. Seu cabelo grudado no corpo, ao meu alcance para alguns puxões... Você contra o box embaçado, eu entrando fundo e forte em você...

Arquejo com suas palavras descritivas demais, as imagens preenchendo minha mente, vividas e intensas.

—Adoro como seus olhos ficam escuros e revoltosos quando está excitada- diz contra meu ouvido, as mãos ousadas- Me deixa excitado. – ele não mente sobre isso. Posso sentir. Meu rosto cora, e eu rolo os olhos para mim mesma diante desse fato.

—Você acordou insaciável, homem- digo e ele ri. – E de bom humor.

—Eu te disse a um tempo atrás que existe apenas uma forma de acordar de bom humor, e é essa- diz em um tipo de resmungo. Eu rio, me lembrando do dia da floresta, logo no início, quando ele fez a primeira provocação e eu nem imaginava que chegaríamos a isso.

(...)

Depois de um café da manhã reforçado, eu e Daryl seguimos para a casa de Rick.

—Como acha que as coisas vão ficar agora? – pergunto, me referindo ao fato de que a quantidade de comunidades aumentou.

—Vamos lidar com as mudanças e adaptar. Acha que alguém pode assumir o santuário? Ou que vale a pena fechar o lugar?

—Destruímos muita coisa, mas seria um desperdício deixar um espaço como aquele fechado, uma vez que os trabalhadores são muitos e poderia acontecer uma superlotação nas comunidades. – digo enquanto tento organizar as coisas em minha mente.

—Sobre ontem...Sua ida ao santuário.

—O que tem? — pergunto virando o olhar para o seu e ele fica razoavelmente desconfortável.

—Ajudou? — pergunta e eu pisco atordoada.

—Ajudou. Foi como... – olho para o chão, refletindo sobre como foi estar lá, em contato com as minhas coisas de antes e as coisas de Negan- Foi como uma finalização. Pude pegar minhas próprias coisas, que para minha surpresa não foram usadas como recompensa para ninguém e encontrei alguns diários da minha mãe no meio das coisas dele.

—E a jaqueta? — pergunta

—Ele foi meu pai, apesar de tudo- digo e ele acena.

—Pais são pais- diz e sinto toda a carga emocional dessas palavras. Lembro do que disse sobre o próprio pai a um bom tempo e me limito a acenar.

Entramos juntos na casa e encontramos Rick, Maggie, Carol e Ezekiel conversando juntos. Aceno para todos e Ezekiel se levanta me abraçando e rodando. Daryl bufa ao meu lado e eu solto uma risada.

—Conseguimos, Allyra- diz e eu aceno assim que volto a colocar os pés no chão- Vencemos.

—Vencemos- concordo. – Sinto muito por suas perdas.

—Sinto muito pelas suas- diz em resposta. – No fim a guerra é isso, sobre perdas de todos os lados.

—Infelizmente. — digo

A conversa continua a fluir. Carol tira biscoitos do forno, e apesar de eu e ela não sermos exatamente amigas, eu pego um deles. Não posso negar que as comidas dela são boas pra caramba.

Saímos para encontrar John, e o resto da tarde passa voando. Daryl sai com Rick para resolver algumas coisas fora da comunidade, e eu e Ezekiel ficamos com Maggie. Shiva chega, suja de sangue seco e aproxima o focinho de mim com carinho. Olho feio para Ezekiel, que levanta os braços em rendição.

—Não pensou em dar um banho na bichinha?- pergunto fazendo um carinho na cabeça da felina e me erguendo, seguindo em direção a mangueira próxima ao quintal em que estamos.

—Eu falei para vossa majestade- murmura Jerry e eu solto uma risadinha.

—É claro que falou.

—Não podia desperdiçar água de outra comunidade- diz em uma desculpa esfarrapada e eu rolo os olhos.

—Quem não te conhece que te compre, Ezekiel.- digo e molho Shiva, que se limita a erguer a cabeça, toda majestosa e poderosa.

—Você está realmente dando banho na tigresa como se ela fosse um cachorro muito grande? – pergunta Maggie colocando as mãos na cintura. Dou de ombros e continuo.

A coisa toda vira uma bagunça de água, sabão e cuidado para não irritar a tigresa. É divertido, perigoso e imprevisível, e arranca diversas risadas de Maggie e Ezekiel. Totalmente molhada, deixo o pessoal para trás e sigo para casa, para tomar um banho quente e trocar de roupa, enquanto Daryl não chega.

Cumprimento Aaron, que está na varanda de sua casa com Gracie no colo, e ele me devolve um sorriso babão que só um pai pode dar, acenando em seguida, antes de responder um grito de Eric.

Sou surpreendida por uma visita esperando em minha varanda. Nada mais nada menos que Carol. Respiro fundo, sem saber o que esperar, e subo os degraus, encarando-a de frente.

—Daryl ainda não voltou- digo cruzando os braços. Ela acena, os olhos me analisando por um segundo.

—Não vim falar com ele- responde e eu suspiro.

— E o que veio fazer aqui então?

—Falar com você- responde e isso me traz certa surpresa.

—Sobre?

—Sobre você e Daryl. – diz e eu rolo os olhos, sem muita paciência para isso mesmo depois de todo esse tempo.- Vim pedir desculpas pelas coisas que te disse no início, pelas coisas que disse pelas suas costas.

—O que? — pergunto sem acreditar no que ouço e ela suspira, passando as mãos pelos cabelos grisalhos.

—Eu estou na merda- diz e eu arqueio a sobrancelha- Estou na merda a muito tempo. Pirando aos poucos. Pela minha filha, pelo meu grupo, pelas pessoas que amo, pelas pessoas que matei. Esse mundo quebra e conserta a gente o tempo todo. Mas Daryl sempre foi um amigo que me entendia e me apoiava e eu meio que transferi para ele uma ideologia de proteção. Você era um risco, daqueles imensuráveis, principalmente porque ele nunca tinha se apaixonado antes, e eu sabia disso sem ele ter me contado nada. Você foi diferente.

Ela para, respirando fundo, parecendo perdida em memórias.

—Eu o vi salvar inúmeras pessoas na prisão, chegar com grupos novatos inteiros, crianças, mulheres lindas, todo tipo de gente, e nunca foi como foi com você. Ele chegou aqui sem saber o seu nome e provavelmente sem nem saber que estava afetado, mas eu soube. Algo na postura dele mudou. E quando você ficou a coisa toda só aumentou. Ele tinha curiosidade sobre você, era preocupado, te dava atenção e sentia atraído. Não que ele soubesse ou gostasse, mas eu o conheço bem o suficiente para notar essas coisas. E eu temi que você o machucasse mais que o passado dele já tinha feito. Temi que você quisesse brincar com o caçador do interior. Temi que fosse uma traidora. Quando soube de Negan, eu tinha certeza de que você era ruim, má, e tudo mais, mas ele nunca duvidou. Ele soube. E ele me acordou das minhas merdas. Eu não gosto de você, Allyra, mas aprendi a respeitar. Ele me disse, quando me viu pela primeira vez lá no Reino, que se eu quisesse continuar amiga dele, tinha que entender que você é parte do pacote. Eu entendo agora e te peço desculpas.

Fico momentaneamente muda, processando as palavras, perdida em minhas próprias descobertas. Feliz pelo modo que Daryl me viu e me vê, feliz em saber que ele me ama tanto quanto eu o amo.

—Tudo bem- digo. Algo me diz que ela sempre será um sinônimo de encrenca e talvez ciúmes, mas eu não posso julgar, não quando eu mesma tenho um amigo tão próximo quanto John. –Desculpas aceitas.

—Você não vai pedir desculpas também? — pergunta depois de um momento e eu arqueio a sobrancelha.

—Não. Não tenho pelo que pedir desculpas- digo com sinceridade e ela ri.

—Talvez eu goste de você, afinal- diz e se vira saindo.

Solto uma risadinha e entro em casa. Acho que talvez ela possa seguir em frente com Ezekiel, uma vez que notei o olhar dele sobre ela.

Sigo para a escada, em busca de um banho quente, mas mal cheguei ao primeiro degrau quando Enid me grita do lado de fora. Suspiro e viro, voltando apressada em direção a porta.

—Sim?- pergunto e ela me olha preocupada.

—Algo está errado com Carl- diz e eu franzo a testa.- Ele não abre a porta do quarto, mesmo que Judy tenha chorado.

Não faço mais perguntas, apenas sigo rapidamente para a casa de Rick, com Enid ao lado. Lá, encontro uma Judy agitada e vermelha no bercinho, vigiada por uma senhorinha que mora em uma das casas próximas e nada de Carl.

Aceno em cumprimento para a mulher, e sigo para o andar de cima. A porta do quarto está trancada e eu bato com força.

—Carl?- grito entre as batidas. – Carl abre essa porta agora.

Nenhuma resposta. Enid me olha preocupada. Dou dois passos para trás e chuto a porta no rumo da maçaneta duas vezes, fazendo a mesma quebrar e a porta se abrir. Entro rapidamente no comodo e encontro folhas no chão, próximas a cama, uma delas com o nome de Enid escrito e um Carl suado e inconsciente na cama.

Corro até lá, me ajoelhando ao seu lado e coloco a mão em seu testa. O garoto está pura febre. Desesperada, pensando em mordidas, procuro por ferimentos em seu corpo, levantando a camiseta grudada em seu corpo.

Na barriga há um arranhão – reto demais para ser para ser de algum walker, muito semelhante a corte de faca- infeccionado, mas nenhuma mordida. Aliviada, passo os braços por baixo de seus ombros e começo a agir, puxando-o em direção ao chuveiro, enquanto minha mente lista os procedimentos para infecções por laminas sujas.

Peço para Enid buscar antibióticos na enfermaria, citando alguns específicos que seriam mais uteis, e que peça pelo médico do Reino, que está aqui por causa de Maggie.

Depois de colocá-lo embaixo da água gelada, ele acorda, mais consciente, e a temperatura abaixa um pouco. Ele murmura coisas, e parece razoavelmente melhor. Limpo o ferimento com álcool e outros produtos, e tiro uma espécie de pus. O doutor chega acompanhado de Siddiq, e ambos assumem. Recebo alguma bronca e resmungo algo como “não sou médica” para o médico. Descobrimos que o que fez o corte em sua barriga, provavelmente de muitos dias atrás, estava infectado com algo e causou a infecção, com febre altíssima, e que ele estava nessa de febre a algum tempo.

Daryl chega em algum momento, e fica comigo durante o procedimento. Acaba que o susto é grande, mas ele fica bem. Eu o xingo, brava demais para procurar palavras bonitas, e digo que ferimentos tem que ser limpos, sempre.

—Qual é a da folha?- pergunto apontando para a folha, ainda no chão, com o nome de Enid, quando estamos sozinhos. Rick e Mich estão conversando com o médico. Aparentemente a infecção foi forte e rápida assim porque ele tinha alguma pré disposição depois do machucado do olho ou algo assim. Não é como se eu entendesse de fato.

— Estou tentando encontrar um modo de pedi-la em namoro- responde sem graça e eu solto uma risada.

— Você é a coisa mais lindinha desse mundo- digo apertando sua bochecha e ele fecha a expressão, tirando minha mão em seguida- E é o futuro desse mundo.

—Cale a boca- resmunga, mas tem um sorrisinho no rosto.

(...)

7 meses depois

Eu sai das sombras. Estive entre elas durante todo o período que meu pai ficou louco, e tive que lidar com elas, mas Daryl foi tirando-as de mim aos poucos, enquanto eu fazia o mesmo por ele sem ver. Acho que cai um pouco mais nelas novamente quando matei ele, mas sai novamente. Eventualmente, entendi que todo mundo vive entre sombras, todo mundo tem seus demônios, tem seus problemas. O lance é que no apocalipse as coisas ficavam um pouco mais fodidas e sem filtro, sem lei ou regra.

Os livros que eu trouxe do meio de minhas coisas serviram para nos ajudar de diversas maneiras e obras e mais obras foram iniciadas, cada comunidade começou a focar em algo em especial, de modo que as comunidades tem acesso a tudo. John assumiu o Santuário, apesar de ficar muito tempo em Alexandria também, não só porque eu estou aqui – e sou a pessoa dele- mas porque ele e Rosita começaram um namoro sério a uns meses atrás. Maggie lidera Hilltop com ajuda de Jesus, Rick permanece aqui em Alexandria, e Ezekiel continua reinando, apesar de que Carol está por lá. Não posso dizer que estou surpresa.

O bebê de Maggie nasceu. Um lindo e saudável coreaninho lindo, que recebeu o nome de Hershel. Ela não poderia estar mais radiante, e a vinda desse bebê foi como a gota de esperança que faltava para encher todos nós, todas as comunidades.

Com o fim da guerra muito do peso que estava nas costas de muitos de nós sumiu, tanto que Daryl está mais leve e mais feliz, o que é tudo que eu poderia querer. A cada dia que passa eu só consigo me apaixonar mais e mais, o que é extremamente ridículo. Talvez a minha sorte seja que ele aparentemente também está no mesmo barco.

Eu e ele somos os responsáveis pelas saídas e excursões. Agora todo mundo tem medo e toma cuidado com outros grupos, mas sabemos que existem outros por ai, como por exemplo OceanSide, que consiste em algumas tantas mulheres, vítimas de Negan quando eu não pude evitar, e que fizeram um acordo conosco. Acho que voltamos a era feudal ou algo assim, com um comercio baseado na troca, e tenho a impressão de que as comunidades envolvidas só vão aumentar com o passar do tempo. Algo me diz que aquela mulher que me deu os livros está por ai, encontrando sobreviventes e dando esperança para o desenvolvimento da porcentagem de humanos que sobreviveu.

Carl pediu Enid em namoro logo depois que a infecção passou, no meio de uma briga em que ela falava sobre ele ser descuidado e que poderia ter pedido a ajuda dela. Foi no meio do café da manhã, com todos nós ao redor da mesa, e tenho certeza de que ele se arrependeu no início, uma vez que teve que lidar comigo, Daryl e Maggie enchendo seu saco por um bom tempo. Os dois formam um casal bonito e forte, e sei que com Judy e Hershel vão ser o futuro.

Diante de todos os acontecimentos do último mês, apenas um me atormenta. E não tem nada a ver com os outros, com as comunidades, ou com o futuro. É sobre mim e minhas responsabilidades. Eu que sempre me achei absurdamente responsável quanto a isso estou diante da agonia de não saber. A possibilidade de uma gravidez me atormenta.

É tudo confuso, uma vez que nunca pensei em ser mãe, nem muito menos falei a respeito disso com Daryl. Que tipo de mãe eu seria? Que tipo de futuro eu poderia proporcionar? Que história eu contaria se ele perguntasse sobre meus pais? Quem eu seria, como colocaria a vida de alguém a cima da minha? Eu nunca gostei de não saber, então quando descobri que estava atrasada busquei alguma forma de descobrir, sem alarmar ninguém.

—Allyra? — Daryl me chama e eu jogo o teste de gravidez no chão por puro reflexo.

—Oi?- pergunto sem graça e ele me analisa com aqueles olhos de caçador/predador.

—O que está fazendo? Achei que ia estar com a Maggie- diz e eu dou de ombros.

—Tinha coisas a fazer- digo, minha mente trabalhando em uma desculpa qualquer.

—Aparentemente tem coisas a esconder também- acusa e eu dou de ombros.

—Deixa de paranoia, Dixon- digo levantando e a beijando-o. Usar técnicas de distração sempre funcionam.

Nos perdemos no beijo, e depois vamos juntos para o jantar que Maggie preparou, algo sobre um mês de Hershel. A comemoração é simples, mas é ótima. Nos enchemos de macarrão e um brigadeiro improvisado, Judy acaba toda suja de chocolate, Carl e Enid entram em uma guerra de chocolate e beijos adolescentes. Rick e Mich sorriem sem parar vendo o filho evoluindo cada vez mais. Eu rio sem parar, e tenho a oportunidade de zoar John e Rosita um pouco.

Sinto o olhar de Daryl em mim e sei que ele está desconfiado. Maggie nomeia a mim e o caçador como padrinhos da criança, com Rick e Mich. É uma sensação boa saber que vou ser importante na vida desse neném.

—Hábitos do mundo antigo precisam voltar – diz Maggie sorrindo, balançando o pequeno Hershel- E meu filho merece o mundo.

(...)

—O que está me escondendo, Little Monster?- pergunta assim que estamos sozinhos no quarto. Pisco atordoada, e ele anda pelo cômodo, se abaixando próximo a cama e meu coração para.

Ele fica parado por um longo momento, segurando a caixinha.

—Você...você está grávida?- pergunta contido e eu respiro fundo.

—Não sei- digo com sinceridade, tensa. Não sei como ele pode reagir. – Não cheguei a fazer.

Ele permanece estático onde está por mais um momento e então segue até mim em passos rápidos.

—Você quer isso?- pergunta, as mãos em meus ombros. Parece tão tenso quanto eu, e preocupado. Definitivamente preocupado.

—Eu não sei- digo com sinceridade, olhos fixos nos dele- Nunca parei para pensar nisso. Nunca nem sequer pensei na possibilidade. E você?

—Se acontecer... Se você estiver...- ele para, respirando fundo, nervoso- Eu quero que saiba que estou com você. Que quero o bebê. Que quero tudo com você. Eu nunca quis família, mas com você eu quero tudo.

Lágrimas idiotas embaçam minha visão e eu o abraço, me reconfortando em seu aperto, perdida em um milhão de sensações e pensamentos. Afastamo-nos lentamente e ele beija a minha testa.

—Hora de saber então- digo tensa e ele acena.

Fazer xixi em um pauzinho nunca foi algo tão tenso e difícil, nem três minutos demoraram tanto para passar. Esperamos o tempo juntos, ele tão presente quanto possível. Pego o palitinho em um movimento rápido assim que dá o tempo, olhando o resultado.

O ar sai de meus pulmões rapidamente, e é uma mistura de pesar, decepção e talvez alivio. Negativo. Passo o palitinho para ele em silencio, e assisto ele conferindo o resultado com o indicado na caixinha. Ele ergue os olhos para mim, tão perdido quanto eu.

—Eu quero- digo, me dando conta- Não precisa ser agora, não precisa ser assim, mas eu quero. Você quer?

Ele ri de lado.

—Quero, Allyra. Fiquei triste de ver o negativo ali, agora.

—Desculpe- digo e ele balança a cabeça.

—Não é algo para se desculpar, Little Monster. Nem eu nem você controlamos isso.- diz e me puxa para seus braços.- Posso confessar algo?

—Nós vivemos de confissões que escapam por entre nossos lábios, Daryl.- digo erguendo a cabeça para olha-lo- Ou porque escapam de você na raiva, ou porque o fazem comigo na emoção.

Ele ri.

—Você não pode negar que eu me abri muito com você- resmunga e eu o beijo de leve. – Eu morro de medo de ser pai. Morro de medo de ser ruim para alguém.

— Você? – pergunto e solto uma risada. – Você é ótimo com crianças.

Ele rola os olhos.

—Eu vejo você. Vejo como é com Judy, como é com Hershel. Vai ser um pai maravilhoso- digo e seus olhos faíscam, em uma mistura de medo e expectativa.

—Talvez devêssemos fazer uma- diz e sua mão se insinua para dentro de minha blusa.

E como sempre, nos perdemos em um no outro. A noite toda.

POV Daryl

Eu achava que Allyra seria meu erro. Um erro para um Dixon. Se ela foi um, foi o melhor, sem sombra de dúvidas. Me quebrou, me consertou, me moldou, me abriu, me bagunçou.

Mexeu com sentimentos que eu não sabia que tinha, despertou desejos e amor. Me deu o mundo.

Não houve pedido de casamento, mas ela é minha e eu sou dela. Não houve planejamento, mas somos uma família. Não houve uma briga, mas sabíamos que discutiríamos logo.

E depois de achar que havia um filho, houve a escolha de ter um. Eventualmente a escolha se tornou uma realidade, e Allyra me deu mais que o mundo. Um casal está por vir, porque é claro que com a Little Monster a coisa não pode ser simples, ou pelo menos complicada apenas na medida certa.

Diante de tudo, não tivemos um final feliz.

Não poderíamos ter.

Não poderíamos, porque nós não temos fim. Nem eu, nem ela, nem os outros.

Notas finais
E então amores? O que acharam? Contem para mim, por favoooor. Acho que mereço pelo menos uma despedida de vocês, né? Beijooos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!