Among the Shadows

34 Capítulo 34 - Guerra é guerra


Notas iniciais
Heyyy Como vocês estão? Quero agradecer a quem se dispôs a ler e a comentar, e aos que favoritaram também. Não é segredo nenhum que a fic caiu em questão de comentarios e favs, o que é meio que desanimador, mas não vou desistir. No spirit tem mais movimento, e pelo menos por lá sei que tem gente gostando, então minha esperança é que os fantasminhas daqui também estão kkkkk A fic está na reta final e eu não sei lidar com isso, ficando em uma mistura de orgulho e tristeza porque está acabando... Enfim, espero que gostem do capítulo. Bjsss e boa leitura

POV Daryl

Estávamos no meio de um caos organizado, e eu me perguntava mentalmente se seria algo parecido com isso uma guerra oficial, com exércitos, oficiais e comandantes. Se eles também eram tinham laços com os companheiros ao redor. Talvez, uma vez que nada junta mais as pessoas do que a necessidade de sobreviver, mas no fim das contas eu não ligava muito. Nunca liguei.

Passei os olhos pelo aglomerado de moradores de todas as comunidades e acenei razoavelmente satisfeito, sabendo que tínhamos conseguido pelo menos um executar isso de uma maneira boa o suficiente para não deixar o cerco em linha de tiro direta. Claro que isso se devia em grande parte a Allyra.

Trinquei os dentes, segurando o impulso de procura-la com os olhos, como sempre faço. Ela não curtia muito esse negócio de proteção, mas eu não conseguia – nem tentava- evitar. Eu nunca tinha tido alguém importante como ela em minha vida.

Rick, John e o tal rei permaneciam contabilizando e estudando as possibilidades. Eram inúmeras e nenhuma garantia. Nunca tivemos alguma, de qualquer maneira. Ajudei na distribuição de turnos e com Rosita e John fiscalizei a distribuição de armas.

Finalmente encontrei Maggie, cercada por diversos moradores de Hilltop, instruindo-os com os planos, aquele tom de voz confiante que só ela e Glenn conseguiam possuir nesse merda de mundo. Talvez Rick também.

—Cadê a ruiva?- perguntei me aproximando dela e a mesma ergueu os olhos verdes para mim, franzindo a testa.

—Achei que estivesse te ajudando por ai- disse séria e luzes de alerta piscaram em minha mente, me virando instantaneamente e passando os olhos pelo aglomerado de pessoas ao nosso redor, sedento por encontrar os cabelos ruivos.

—Quando viu ela pela ultima vez?- pergunto ainda caçando-a nessa multidão.

—Cerca de duas horas atrás. Ela conversou com Eugene e saiu para resolver algo- disse e notei pelo seu tom de voz que também estava começando a se preocupar.

— Vou encontra-la – digo com sinceridade, procurando acalma-la e manter a mim mesmo no eixo.

Ela acena em concordância, assumindo seu ar de líder e se vira para um grupo, pedindo que assim que encontrarem a Allyra avisem-na. Sem falar mais nada, viro para o lado oposto e procuro por ela sem parar.

O fato de estarmos em muitos começa a me irritar, dificultando meu avanço. Começo a sentir que algo está errado.

—Daryl- ouço Jesus me chamar com um grito, mas não me viro em sua direção sabendo que posso muito bem esperar por mais drama sobre os reféns e merdas do tipo.

—Que é?- pergunto quando ele me alcança, passando por mim e parando na minha frente, bloqueando meu caminho e me irritando.

—Preciso falar com você, é sério- diz e eu seguro o impulso de rolar os olhos.

—Se é sobre os reféns tente falar com Rick ou Maggie- resmungo desviando dele.

—É sobre Allyra- diz me segurando pelo ombro e me fazendo virar em sua direção imediatamente.

—O que tem a Allyra?- pergunto em um resmungo angustiado.

—Eu...Eu sei onde ela está- diz e noto pelo seu tom de voz que alguma merda aconteceu.

—O que aconteceu, Jesus? Fala logo porra- resmungo e ele me puxa para longe das pessoas.

Desvencilho- me dele, xingando.

—-Vocês tinham traidores entre vocês- diz na lata e sem que me fale sobre qualquer nome, Eugene pisca em minha mente.- Atraíram ela para uma armadilha e a levaram para dentro.

—E você fez o que, porra?- digo irado, meu chão saindo de meus pés. Meu coração se aperta de uma maneira que só poderia acontecer com um maricas de merda que eu me tornei. Sou assim por ela e não me importa de ser assim.

—Cheguei tarde demais, Daryl- diz e sua voz sai abatida- Só me aproximei o suficiente para ver ela ser arrastada para dentro. Tentei correr, mas não cheguei a tempo, fecharam a porta antes.

Xingo, sabendo que é possível mas sem querer aceitar algo assim. Chuto o chão irado, sentindo a preocupação subir pela minha garganta. Com um grunhido giro e me apresso em direção a onde sei que Rick e os outros estão.

Não perco tempo tentando ser educado, calmo ou qualquer merda assim, apenas chego grunhindo em alto e bom som para todos eles. John se ergue instantaneamente, a minha preocupação rondando em seus olhos também.

—Quem, onde e como?- pergunta com uma frieza perigosa, que me lembra um pouco a minha garota.

Xingo baixo e explico em poucas palavras o que Jesus me contou. O idiota acrescenta algumas poucas informações, como o fato de que Spencer está no meio da merda, e eu só consigo sentir o sangue passar mais rápido e mais violentamente por minhas veias.

—Estamos entrando nessa merda hoje. Agora- digo apontando para o Santuário atrás de mim.

´-Agora?- pergunta o tal Ezekiel e eu o olho cheio de ódio.

—Allyra está lá dentro- digo, cada palavra saindo carregada- Se acha que estou esperando amanhecer está louco. Pelo que Jesus contou ela deve estar lá a quase três horas.

—É o pai dela, não é? Talvez ela não esteja em tanto perigo assim- diz Carol tentando acalmar a situação.

—Você acha que faz alguma diferença?- pergunto e então giro para encarar John, o único que pode saber uma resposta de fato — Negan pode poupa-la por ser filha dele?

—Ninguém sabe do que Negan é capaz – resmunga irritado- O filho da puta se tornou um psicopata do caralho nesse fim de mundo

—Estamos em guerra com ele, e Allyra assumiu o nosso lado, como sempre imaginei que faria- diz Ezekiel com uma calma de merda- Então também acho arriscado esperar. Temos um plano, feito previamente e com a ajuda dela mesma, então devemos seguir.

—Vamos entrar- diz Rick e eu olho para ele quase agradecido- Organizem as equipes e mantenham o plano original no que der pra manter.

Tudo em mim coça por pancadaria, por porrada, por sangue. Esses filhos da puta sequestraram minha mulher, e agora não é apenas uma guerra geral. É pessoal.

(...)

O tempo parece estar congelado, passando como que em passos de uma porcaria de tartaruga.

—Vamos tira-la de lá, e ela vai estar bem- diz Rick parando ao meu lado. Viro para olha-lo nos olhos — Não vai perde-la, não no que depender de mim.

Ele sabe o que isso pode causar, sabe que tipo de dor é essa. Encontrou a Mich, mas antes disse perdeu alguém. Não acho que eu possa encontrar outra pessoa depois de Allyra. Não quero que tenha um ‘depois de Allyra’.

—Ela tem que estar bem- digo sério, perdido em meus pensamentos.

—Vamos entrar agora, irmão- diz e eu aceno, puxando minha arma para uma posição de combate.

Observo os líderes com suas respectivas equipes. Maggie, como a teimosa irredutível que é, está na linha de frente, ao lado de Jesus. Ezekiel e Carol comandam outra linha, com moradores do reino os seguindo. O meio está livre como o planejado, então apenas lanço um ultimo olhar a Rick e caminho em passos apressados em direção ao caminhão.

Abro a porta com um rompante e subo, dando a partida imediatamente. Vejo Rosita pelo canto de olho, claramente esperando o momento certo. Deixo a arma destravada e pronta no banco ao meu lado, e sem pensar em mais nada acelero o máximo possível.

A próxima coisa da qual me dou conta é o baque. Bato contra o volante, mas não tempo para nenhum atordoamento. Poeira sobe ao meu redor, pedaços da parede despencando. Pego a arma ao meu lado e salto rapidamente, correndo para longe do caminhão, completamente ciente de que meu tempo está acabando.

Mal me afastei alguns metros quando um trio aparece apontando armas para mim. Não paro nem sequer para pensar, apenas aperto o gatilho as cegas, sem parar de correr. Os corpos não chegam a cair antes de a explosão acontecer.

Meu corpo é lançado para frente com a potencia da explosão e eu caio rolando, a poeira subindo muito mais agora, me fazendo tossir um pouco. Ouço outras pessoas se engasgando e sei que o cerco está ao meu redor, os salvadores começavam a se organizar, mas é tarde. Sorrio, ainda caído no chão, encoberto pela poeira, assistindo meu grupo começar a invadir pelas aberturas que surgiram com as explosões.

Fico escondido por meio segundo, só para poder enxergar a cena melhor, e então começo a atirar. Avanço até estar ao lado de Rick e John.

Continuamos avançando, alvejando todos os que aparecem no nosso caminho. Como o esperado chegamos a uma bifurcação e ocorre a divisão, e eu sigo pelo lado que John escolhe, com esperanças de que ele saiba onde ela pode estar.

O avanço começa a ser retardado quando os salvadores começam a atirar de volta, as pressas e as cegas. Nos protegemos da melhor maneira possível, mas vejo pela visão periférica alguns de nós caírem.

Usando a parede, viro e atiro no máximo que posso, e com a ajuda de outros o caminho fica livre novamente.

—Segue- grita Rosita, fazendo sinal com a mão e sei que vou ter cobertura, então avanço rapidamente. Chegamos a um dos poucos pátios e o tiroteio fica mais aberto. O barulho é quase insuportável, mas a nossa vantagem fica clara. Eles não estavam prontos e essa é a nossa chance. Outra parte de nosso grupo chega por outra entrada e o cerco é fechado.

Eu, John, Rick, Maggie e Michonne avançamos rapidamente para o outro pátio, para encontrar uma bagunça, pessoas aglomeradas demais e 0 distinção para trabalhadores ou salvadores. Muitos estão de costas.

— As roupas- grita John, nos lembrando da principal diferença entre os dois grupos dentro dessa merda de lugar. Os que usam moletons são trabalhadores.

Tentamos ao máximo atirar apenas nos armados e sem os moletons, notando gradativamente que poucos aqui são de fato trabalhadores.

—Os trabalhadores estão no pátio principal- grita uma mulher, se aproximando de John como se o conhecesse a tempos.- Negan reuniu-os para demonstração de interesse, e os que estão aqui são os retardatários.

Ela se vira em um movimento fluido e acerto um salvador próximo.

—Ouviram a Mirna – John repassa as informações e Rick as diz no rádio para os líderes.

Três de nós continuam o avanço. Para acabar com isso só com Negan morto. Arrombamos a porta, sendo recebidos por tiros. Alguém é atingido de raspão, mas eu não tenho plena noção de quem.

Jogo uma granada de fumaça e me apoio na parede. Simon se joga contra mim e rolamos no chão em uma luta corpo a corpo. Trabalhadores abrem espaço para nós, em um emaranhado de desespero e confusão. Os tiros ecoam e a fumaça atrapalham a visualização.

Soco a cara dele na primeira brecha que encontro, e continuo a fazer isso sem parar, meu corpo em modo automático, minha raiva assumindo o controle enquanto eu apenas enxergo vermelho. O cara é um dos que eu mais queria espancar e caiu na minha mão como um presente. Infelizmente não tenho tempo para ficar na pancadaria com esse saco de merda, não quando ainda não se de Allyra, que ainda pode ser usada como refém, ou pior, estar morta.

Depois de mais alguns socos violentos, tendo plena noção de que o nariz dele está quebrado e ele arrebentado, me afasto o suficiente para pegar minha arma caída no chão – que por incrível que pareça nenhum trabalhador tentou pegar- e atiro diretamente na cabeça do maldito.

Ergo-me pingando sangue e avanço por entre as pessoas, que abrem caminho para mim se protestar. Muitas estão assustadas, abaixadas tentando proteger umas as outras. Mães agarram os filhos. É de fato uma fucking guerra, e inocentes estão na linha de fogo. Alcanço a escadaria no fim do pátio, e a subo com passos rápidos.

Assim que chego ao topo olho para baixo e vejo em meio a fumaça, que agora começa a se esvair, que Michonne, Rosita, Maggie e Ezekiel e Jerry chegaram e controlam a situação. Poucos capangas ainda resistem e não vão durar muito. Um trabalhador atinge um deles por trás, dando a abertura necessária para nós. Não consigo ver muito mais que isso.

Um click se faz presente atrás de mim antes que eu possa fazer qualquer outra coisa e o cano de uma arma se encosta na minha nuca.

—Sabia que nos encontraríamos de novo, Daryl- diz Dwight as minhas costas. Meu sangue ferve de ódio, e ele ri.- Fiquei sabendo que comeu a vadiazinha filha do Negan. Isso que é sorte.

Viro-me lentamente, para encara-lo. A arma sobe um pouco, apontando mais ou menos no meu nariz.

—Pena que não vai fazer nada mais que isso- diz com desdém e vejo sua mão se flexionar. Jogo-me em cima dele, erguendo a arma.

O tiro atinge o teto. Continuamos numa briga corporal, eu tentando desarma-lo. Um tiro atravessa meu ombro no meio disso tudo, mas não tenho tempo de olhar de onde veio. Dou uma cabeçada que o desestabiliza e consigo pegar a arma. Outro tiro ecoa e eu fecho os olhos por extinto, esperando o baque. Nunca chega.

Viro-me para encontrar Rick, cheio de sangue, com a phylton apontada para o cara caído, levantando a arma em seguida e atingindo D. Não sei se fico agradecido ou puto, uma vez que queria eu mesmo ter matado esse desgraçado.

John sobe as escadas correndo, com apenas algumas esfoliações no corpo, roupas rasgadas e o rosto arranhado.

—Temos que seguir, alguns trabalhadores falaram em meio a bagunça que ele a levou para o escritório. – diz e vejo a preocupação em seus olhos, a agonia.

—O que ele fez com ela?- pergunto enquanto seguimos rapidamente e eu ignoro a dor pulsante em meu ombro. Rick me lança um olhar de aviso.

John não responde, o que é de certa forma uma resposta. Um grito feminino ecoa pelo corredor e corremos em direção a ultima porta. Abro-a com um chute, para encontrar outra porta de ligação escancarada.

—A porta de ligação pode dá em uma saída nos fundos- avisa John sério.

O chão da sala tem sangue por todo lado, além dos corpos que não me dou ao trabalho de parar para ver de quem são, então apenas avanço, atravessando a porta de ligação e correndo na única direção possível, enquanto rezo a qualquer um que possa me ouvir lá de cima, para que ela esteja bem. Para que eu chegue a tempo.

Ninguém nunca me escutou antes, mas espero que se JC existir possa fazer isso agora.