Among the Shadows
17 Capítulo 17 - Descoberta.
Notas iniciais
POV Daryl
Começamos o caminho de volta agora acompanhados por Morgan. O cara é absurdamente calmo, e o máximo de ação que faz é enfiar aquele treco de madeira nos walkers. Ele comentou alguma coisa sobre o grupo que fez a armadilha que nos pegou , e agora achamos ser os Wolfes, e deixou bem claro que não concorda com o ato de matar seres humanos. Allyra expressou sua opinião rolando os olhos e saindo de perto.
Me afasto do grupo para caçar, e depois de ter pego um esquilo começo a ouvir uma aproximação pela minha direita. Coloco minha besta em posição e me concentro no som, que diminui cada vez mais. Franzo a testa confuso, e olho de maneira geral para aquela direção, para encontrar a Little Monster saindo por entre algumas arvores.
—Hey- diz me lançando aquele sorriso de lado, perigosamente sexy.
Resmungo um cumprimento de volta e abaixo a besta.
—O que faz aqui?-pergunto por fim.
—Estou fugindo do papo “ não mate os vivos” do tal Morgan. — responde rolando os olhos e começando a andar ao meu lado- Quem é esse afinal?
—Não sei bem- respondo olhando para ela de canto de olho- Me lembro de Rick citando o nome dele algumas vezes a muito tempo atrás.
—Uh, então ele deve ser um velho conhecido do xerife? Parece bom para mim.
—Algum instinto sobre isso?
—Se você está zoando comigo deveria considerar que eu estava totalmente certa- resmunga semicerrando os olhos tempestuosos para mim.
Ergo as mãos em rendição.
—Nem de longe. Você estava mesmo certa e deveríamos ter te escutado- digo sem graça, desviando o olhar.
—Isso foi quase um pedido de desculpas- diz e não sei se é para mim ou para si mesma.
—Hm
Ela me puxa pelo braço e abre um sorriso enorme quando a olho confuso. Não tenho tempo de perguntar o que ela quer, porque no minuto seguinte ela se ergueu na ponta dos pés e pressiona os lábios contra os meus.
É uma reação instantânea, como se ela fosse uma faísca e todo o meu corpo gasolina, porque eu entro em combustão. Largo o esquilo sem nem pensar a respeito e a puxo pela cintura contra meu corpo. Ela arranha meus braços de leve e sorri entre o beijo.
Interrompo nosso beijo e vou para seu pescoço, sugando aquela pele deliciosa.
—Nã-ao deixa marca –diz entre um gemido reprimido.
—Por que?- pergunto contra seu pescoço, sem parar de beijar, passar a barba e morder, adorando o modo que ela amolece em meus braços. -Por que?- pergunto novamente quando ela não responde.
—O que?-pergunta de volta, meio fora do ar, o que só faz com que eu sorria contra sua pele.
—Por que não deixar marca?
—Perguntas- responde –Muitas perguntas.
Sinto uma vontade louca de marca-la, deixar claro que ela é minha, mesmo que talvez não seja por muito tempo. Nunca tive isso de querer alguém para mim, de querer exclusividade, proximidade, intimidade. De querer proteger, de me importar, de querer aprender a dar carinho só porque acho que merece.Sempre foi sexo casual, de uma noite e nada mais, geralmente regado de bebidas.
Me dou conta de que quero que Allyra seja minha. Não resisto e dou um chupão no final de seu pescoço. Ela geme baixinho, o que só me excita.
—Daryl- resmunga me afastando e abrindo os olhos em um rompante- Mas que cacete vão me fazer perguntas.
—Se perguntarem você responde que quem fez foi Daryl Dixon e que você gostou, porque essa é a verdade, Little Monster- digo olhando fixamente em seus olhos, suas pupilas dilatando perigosamente.
Ela me empurra contra a árvore que está atrás de mim e afunda o rosto em meu pescoço, os lábios macios contra minha pele me fazendo arrepiar. Aperto sua cintura quando sinto ela me morder de leve e dar um chupão. Um gemido me escapa e solto um palavrão.
—Se te perguntarem sobre essa marca você responde que quem fez foi Allyra Lambertini e que você gostou, porque essa é a verdade, caçador- diz com um sorriso de lado, suas mãos acariciando meu peito.
Então ela se desvencilha de meus braços e anda calmamente em direção aos outros, me deixando para trás como um idiota.
Que perigo de mulher.
(...)
Encontro o grupo ao redor de uma fogueira pequena, Allyra limpando um coelho. Me sento ao seu lado e começo a limpar os esquilos que consegui também. Aaron e Morgan conversam sobre alguma coisa de psicologia e a ruiva rola os olhos constantemente, parecendo divertida com o estado zen dos dois.
Quando já estamos com o de hoje assado, descobrimos que para completar tudo o cara é vegetariano. É simplesmente cansativo todo o modelo de vida dele, mas não dou muita atenção porque não é problema meu. Eu e Allyra pegamos o primeiro turno de vigia.
Grande parte do turno passa sem maiores problemas. Por volta da ultima hora que ouvimos a aproximação de um pequeno grupo de walkers. Faço um sinal para que ela se prepare e observo pela visão periférica a mesma se erguer e girar a lança em posição de ataque.
Acabamos com eles silenciosamente, os únicos sons são os grunhidos nojentos deles e o impacto da lança ou da minha faca contra suas cabeças podres. Ela empala dois ao mesmo tempo, cada um com uma ponta, um sai com facilidade enquanto o outro fica preso na ponta de lança, saindo só depois de um chute.
É uma coisa completamente marica, eu sei que é, mas quando ela levanta os olhos em minha direção depois de fazer isso eu sinto meu coração acelerar. Franzo a testa, me estranhando, e resolvo ignorar esse fato.
Os outros dois estão mais ou menos despertos depois disso e assumem o turno.
De maneira automática me deito ao lado dela, e a puxo para mais perto. Ela ergue o rosto sorri para mim, e então se aconchega melhor. Temos pouco tempo de sono, mas não importa.
Finalmente chegamos aos veículos, e a partir dai a viagem flui mais rapidamente. Chegamos em Alexandria no fim da noite, e apesar de Aaron piscar o farol, ninguém abre o portão. Estranho. Allyra salta do carro com a testa franzida e caminha até mim.
—O que acha que está acontecendo?- pergunta visivelmente preocupada.
—Não sei- respondo com sinceridade. Desço da moto e sigo até o portão com ela.
Tentamos abrir, mas como o esperado está travado por dentro. Ela pega a lança e bate contra o portão algumas vezes, fazendo um barulho estridente. Olho em sua direção surpresa e recebo um dar de ombros como resposta.
Pouco depois o portão é aberto lentamente por Denise, que tem certa dificuldade em fazer isso, então a Little Monster começa a ajuda-la enquanto volto para pegar a moto pensando no porque diabos ninguém está de guarda.
Entramos sem problemas e o portão é fechado rapidamente. Aaron e Morgan saltam do carro, e seguimos todos com Denise até uma tal reunião sobre o Rick, enquanto a mesma conta feliz que Tara acordou. Sinto um alivio e tanto ao saber disso, Tara é parte da família e saber que está bem é muito bom.
Ao virarmos uma esquina damos de cara com uma bagunça total. Reg está caído no chão sobre uma poça de sangue e Rick acaba de dar um tiro na cabeça de Pete. Por puro instinto puxo Allyra para trás de mim ao ouvir o tiro, e então ficamos todos olhando chocados para a cena que se desenrola a nossa frente.
—Rick?- chama Morgan em tom de pergunta. Ele ergue o olhar em nossa direção e passa lentamente por cada um de nós.
—O que acha que aconteceu aqui?- sussurra Allyra parada ao meu lado.
—Não faço ideia, mas vamos descobrir agora- respondo.
—Pessoal?- ouço a voz de Glenn atrás de mim e me viro para encontra-lo todo arrebentado carregando Nicholas.
—Que porra é essa?- pergunta a ruiva correndo em direção aos dois.
—Eu e ele entramos em uma briga- responde o coreano fazendo uma careta- Ele tentou me matar.
Allyra passa os braços por baixo de Nicholas, e Glenn o deixa achando que ela vai segura-lo, mas ela simplesmente o solta para cair em um baque seco no chão, como se fosse um saco de batatas.
—Esse filho da puta- resmunga virada para o coreano e analisando seus machucados, ignorando sua expressão chocada com o que ela fez.
—Achei que você fosse segura-lo- diz fazendo mais caretas.
—Não, eu só queria tirar esse peso de você mesmo- responde dando de ombros. Maggie sorri para ela e as duas batem as mãos em um toquinho.
—Tá vendo, por isso ela é minha amiga- diz a morena começando a apoiar o marido- Vamos para a enfermaria, lá podemos cuidar de você melhor.
Abraham aparece e carrega o cara desacordado com descaso. Assisto a ruiva sumir em direção a enfermaria e depois me viro para Rick. Preciso saber se ele precisa de ajuda com alguma coisa, e uma explicação sobre o que diabos aconteceu não seria nada mal.
(...)
Depois de ajudarmos Deanna com o corpo de Reg vamos todos para a enfermaria. No caminho conto a Rick sobre Tara ter acordado, e ele conta sobre a confusão que aconteceu aqui. Ele fora de controle, o fato de que Pete batia na mulher, e tudo mais que aconteceu depois.
A enfermaria está razoavelmente cheia. O coreano está sentado em uma maca, mas claramente já recebeu tratamento. Tara está desperta e parece muito bem.
—Bem vinda de volta- digo e ela sorri erguendo a mão para um soquinho como sempre faz. Bato a minha contra a dela.
Olho ao redor, procurando por uma ruiva em especial mas não a vejo em lugar algum.
—Ela já foi para casa- murmura Maggie ao meu lado, o que me faz olha-la surpreso.
— O que?
—Allyra.- responde com um sorriso de sabe tudo- É ela que está procurando, não é?
—Não, não estou procurando ninguém- resmungo desconfortável e saio de perto dela, que solta uma risadinha.
Rick discute com Abraham sobre quem pode ter deixado o portão aberto e o ruivo diz que estvaa discutindo sobre isso com Maggie, Glenn e Allyra agora a pouco e essa é a razão da mesma ter saído.
A porta se abre em um rompante e a ruiva entra acompanhada de Padre Gabriel. Olhamos todos confusos em sua direção, mas começo a entender o que pode estar acontecendo. Não é possível que esse idiota tenha feito isso.
—Hey pessoal- cumprimenta quando nota que todos os olhares estão virados para ela.
—E então, Allyra?- pergunta Abraham.
—Fui até o livro em que anotamos os turnos e o de hoje era do Spencer.- responde- e...
—Se era do Spencer por que trouxe o padre?- interrompe Eugene.
—Que tal você calar a boca e me deixar terminar?- resmunga irritada, fixando os olhos tempestuosos nele, que se encolhe assustado.- Bom. – concorda quando ve que não vai mais ser interrompida- Spencer falou que tinha que ir a reunião, então pediu o padre aqui para substitui-lo.
—Isso é verdade, padre Gabriel?- pergunta Rick naquela postura típica de se apoiar em uma perna e colocar a mão na cintura.
O padre concorda com a cabeça, um olhar entre assustado e atormentado estampado em seu rosto.
—Isso faz todo o sentido. – diz Maggie- Já que estava falando mal de nós para Deanna mais cedo. Inacreditável.
Discutimos mais um pouco sobre o deve ser feito tanto com padre Gabriel quanto com Nicholas, e decidimos deixar isso para o dia seguinte, esperando contar com a opinião de Deanna.
Allyra é uma das primeiras a sair, acredito que indo para casa. Provavelmente está cansada depois de todo esse tempo lá fora e toda essa agitação hoje. Discuto mais algumas coisas com o pessoal. Morgan acaba tendo que ir para nossa cela improvisada, só pelo fato deestarmos atolados demais para entrevista-lo ou sei lá o que. O cara leva isso numa boa.
Finalmente me encaminho para casa, sentindo o cansaço de tudo finalmente me abater. Ignoro os olhares questionadores de Carol e subo as escadas de dois em dois degraus. Solto um bocejo e abro a porta do meu quarto para dar de cara com Allyra deitada em minha cama.
—Oi- diz quando me vê, e só olho para ela atordoado.
—Agora você age como se o quarto fosse seu?- pergunto finalmente me recuperando e indo em direção a uma cômoda onde pego uma muda de roupa limpa.
—Mais ou menos isso- responde dando de ombros, completamente confortável. – E então, o que aconteceu depois que eu sai?
—Nada demais- respondo me sentando na cama, próximo a ela- Só ficou decidido que o Morgan vai passar a noite preso, por preucação, e que Nicholas vai ficar sobre observação na enfermaria.
—Grande merda aquele cara é- resmunga irritada. Concordo mentalmente.
Me levanto e vou em direção ao banheiro.
—Ei- me chama e me viro em sua direção- Você quer que eu vá embora?
—Não.- digo sem nem pensar a respeito- Me espere só um minuto, preciso de um banho.
Ela concorda com a cabeça e volta a se deitar tranquila.
Tomo um banho rápido porém relaxador, e então volto para o lado de Allyra, que me dá espaço em minha própria cama.
—Ouvi um pessoal de Alexandria questionando sobre o fato do Rick ter atirado no Pete- me conta assim que me acomodo- Falavam que mesmo com o consentimento de Deanna foi uma coisa exagerada.
—E você, o que acha?- pergunto.
—Acho que Pete mereceu o fim que teve. Era um cara bem filho da puta que batia na mulher. Matar pessoas pode ser errado, mas no mundo de hoje os valores são invertidos e não existe mais uma divisão de certo e errado.
Concordo com a cabeça. Ela boceja, o que me mostra que está cansada.
—Vamos dormir- digo e ela sorri de lado.
—Daryl Dixon, está me chamando para dormir aqui com você?
—Para de bobeira- resmungo e me limito. Ela ergue as sobrancelhas.
—Está tão confortável aqui que vou aceitar seu quase convite- diz e então se move tirando as botas, que eu nem tinha reparado ainda estarem em seus pés, e algumas facas do cinto, assim como a arma.
Depois se acomoda melhor, puxando a coberta sobre nós dois, abraçando minha cintura e apoiando a cabeça em meu peito. Não consigo evitar um sorriso. Ela parece tão confortável ali comigo tão sem barreiras que só a acho ainda mais bonita.
Olhando-a fixamente, enquanto ela cai em sono profundo, soltando um suspiro satisfeito em meio a inconsciência e apertando a minha camisa como se gostasse de estar ali, se precisasse estar ali, não consigo me imaginar perdendo-a, e isso me faz entender que talvez Merle tenha tido razão e eu sou um maricas total e completo, porque me dou conta de que estou total e completamente apaixonado por essa Little Monster.
E não tem volta.
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